Tratamento de Água

Água: Produção local ganha força com alta do dólar

Marcelo Furtado
14 de outubro de 2002
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    Mais produção nacional – A nacionalização de polímeros tem a vantagem de deixar os clientes no Brasil mais amparados em termos de entrega, sem depender das intempéries cambiais e alfandegárias. Para o mercado, essa tendência ainda tem importância por fazer o parque produtivo nacional ter acesso mais rápido a inovações tecnológicas. Isso vale tanto em virtude das nacionalizações feitas pelos grupos estrangeiros como pelas empreitadas genuinamente brasileiras.

    Química e Derivados: Água: Vanessa - cervejarias aprovam uso de enzimas.

    Vanessa – cervejarias aprovam uso de enzimas.

    A GE Betz, por exemplo, já produz em Sorocaba sua linha de polímeros catiônicos de cadeia tridimensional (Novus), mais resistentes a cisalhamento. Já a Ondeo Nalco nacionalizou os dispersantes terpolímeros com grupo sulfônico (HSP), resistentes a temperaturas de até 100ºC e condições de stress com sólidos suspensos (até 100 ppm) e dureza de até 1.700 ppm de carbonato de cálcio. Foi nacionalizada também a linha de dispersantes para caldeira Nexguard, para operações sob pressão de até 1.500 libras. Outra nacionalização interessante foi a do biodetergente, dispersante orgânico que combate acúmulo de fouling biológico em torres de resfriamento.

    O biodetergente da Ondeo Nalco chama a atenção por representar uma nova opção oferecida também por outras empresas. A própria linha Tallofin, da Degussa, baseada em terpeno de laranja, seria um desses dispersantes biodegradáveis. Mas uma empresa de capital nacional, a Hábil Química, de Sorocaba-SP, também desenvolveu um sistema natural para manter torres de resfriamento sob controle microbiológico.

    O dispersante da Hábil foi criado a partir de um subproduto da indústria alimentícia, recebido gratuitamente dos fornecedores mas cuja origem é mantida em segredo pela diretora técnica da empresa, Gilza Minatel. Trata-se, porém, de um derivado de ácido graxo que pode operar sob condições bastante críticas, inclusive sob temperaturas acima de 80ºC. “Todos os dispersantes orgânicos naturais são mais resistentes do que a maioria dos químicos, porque a temperatura alta pode até ser um ambiente mais adequado a eles”, diz.

    O custo de produção do dispersante orgânico é bastante baixo. Além de os fornecedores até pagarem para a Hábil transportar o subproduto, o processamento, mesmo não sendo muito fácil, compreende apenas etapas de centrifugação e preparação da formulação líquida. Segundo Gilza, apesar de a produção estar no início, com uma média de 2 t por mês, a Hábil pode atender qualquer demanda do dispersante. E sua aplicação não tem limites: pode atender torres de pequeno a grande porte.

    Química e Derivados: Água: Gilza - dispersante biodegradável nacional.

    Gilza – dispersante biodegradável nacional.

    Enzimas em alta – O sistema para tratamento de torres da Hábil não contempla apenas o dispersante. Oferece ainda formulações de enzimas, sob desenvolvimento próprio, fornecidas líquidas ou liofilizadas, para limpezas corretivas em sistemas e tubulações de torres e caldeiras. O sistema enzimático visa substituir as convencionais limpezas químicas alcalinas e ácidas. “Com dosagens de 1 a 2 ppm as enzimas podem degradar toda a lama biológica em paradas de limpeza ou em operações pontuais e sem gerar residuais”, afirma Gilza.

    Esses desenvolvimentos da Hábil na área biotecnológica (ver QD-389, dez/jan 2001), que deram origem a várias formulações de enzimas, proporcionam bastante retorno à empresa e expandem suas frentes de atuação.

    De início mais voltadas para o mercado de frigoríficos e alimentícios, as enzimas se mostram muito versáteis e começam a ser aplicadas em vários setores.

    “Elas quebram as cadeias carbônicas das sujidades de gordura, óleos e graxas, proteínas e carboidratos, desprendendo-as da superfície com facilidade”, diz a chefe do departamento técnico da Hábil, Vanessa Batista. Uma outra vantagem importante é que este processo de quebra de cadeias facilita o tratamento posterior do efluente.

    O plano da Hábil, segundo Gilza Minatel, é complementar essas ofertas naturais, de enzimas e dispersantes, com um trabalho em cooperação com a produtora de gases industriais AGA. Esta empresa convidou a Hábil para testar suas enzimas em um processo de desobstrução de tubulações de caldeiras e sistemas de resfriamentos. A limpeza enzimática seria uma fase anterior a injeções de gás carbônico. Depois dessas etapas, a dosagem contínua dos dispersantes orgânicos entrariam como a fase preventiva do tratamento. Gilza Minatel chama atenção para o fato de o processo ainda estar em teste.

    Outra aplicação emergente para as enzimas é na indústria cervejeira e de sucos. Uma combinação de amilases e lipases está sendo usada com sucesso, de acordo com Vanessa Batista, na pasteurização, para limpeza do springer (circulador de cervejas).

    Considerado grande problema de cervejarias, pois várias garrafas se quebram no equipamento provocando contaminações biológicas, o procedimento normal é parar semanalmente a máquina para limpeza alcalina que ainda possui a desvantagem de danificar o sistema.

    Com as enzimas, segundo Vanessa, uma dosagem semanal, sem parar o springer, possibilita operações ininterruptas de até três meses em clientes como Ambev e Molson (controladora canadense da Kaiser).

    Nessa mesma área de pasteurizadores para cervejas, vale acrescentar que a GE Betz afirma estar incorporando ingredientes ativos novos para incrementar a linha Dianodic Plus, de polímeros de alto desempenho, como o dispersante HPS-1 e os inibidores de corrosão HRA. Esses polímeros, embora o gerente Ricardo Fernandes não dê mais detalhes, serão produzidos em Sorocaba, onde a empresa fabrica nas versões líquidas e em pó.



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