Tratamento de Água

Água: Produção local ganha força com alta do dólar

Marcelo Furtado
14 de outubro de 2002
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    Química e Derivados: Água: Santiago - fábrica da Nalco a 85%.

    Santiago – fábrica da Nalco a 85%.

    Na linha de produtos, porém, há um caso inverso, no qual a subsidiária brasileira passará a ser exportadora. Isso porque a fabricação da linha Tallofin de biodispersantes (ou dispersantes biológicos) é feita por meio do processamento de terpenos (solvente natural) de casca de laranja, fornecidos por empresas como Cutrale e Citrosuco, localizadas na região de Americana. Até então a Degussa alemã importava a matéria-prima do Brasil e comercializava o dispersante mundialmente. Com a nova fábrica, esse fluxo se inverte e o Brasil passa a ser exportador do produto acabado. Apesar de no momento ser muito usado para controle de microrganismos na fabricação de papel, o Tallofin tem potencial para desidratação de lodo em filtros banda ou em aplicações de tanques aeróbicos, sistemas de resfriamento, entre outros usos no controle de depósitos orgânicos.

    Bom desempenho – O investimento da Degussa em polímeros líquidos e em emulsão confirma as boas perspectivas desse mercado, mas não é seu único indicador positivo. O desempenho da principal produtora do País de poliacrilamidas para água e processos, a Ondeo Nalco, dá também uma idéia do potencial do negócio. Atualmente a empresa comemora a ocupação de 85% de sua fábrica de Suzano-SP, cuja capacidade instalada é para 3.300 t/mês.

    Química e Derivados: Água: Mazza - em 2003 produção vai aumentar em 15%.

    Mazza – em 2003 produção vai aumentar em 15%.

    Em Suzano são produzidos mais de 300 polímeros, todos em emulsão, entre dispersantes, inibidores de corrosão e floculantes, para água e processos. Outra característica atual da fábrica da Ondeo, que serve como um bom sinal para o novo investimento da Degussa, é o seu nível de nacionalização. De acordo com o gerente de marketing da Ondeo Nalco, Paulo Santiago, o índice da fábrica é acima de 80%. “Há condições de conseguir similares nacionais de muitos insumos, sem comprometer a qualidade dos polímeros”, afirma.

    A ocupação da unidade de Suzano-SP, considerada alta pelos padrões da indústria, reflete o ritmo de crescimento anual da Nalco, em moeda brasileira, em torno de 20%. Esse cenário levou a empresa, por meio da sua controladora francesa Suez, preparar um projeto de expansão da capacidade produtiva em 15% em 2003. “Estamos crescendo muito no middle market”, afirmou o seu gerente geral, Raul Mazza.

    Além do crescimento advindo desse tipo de cliente industrial médio, que compensa a estabilidade da indústria pesada, Mazza chama a atenção para o aumento da demanda por projetos de terceirização de utilidades, em sinergia com as outras empresas do grupo em energia (Tractebel) e tratamento de resíduos (Vega GRI), e a grande procura por pacotes de reuso e reciclo de água.

    Química e Derivados: Água: Água: Villaça - mais pedidos de reuso e reciclo.

    Água: Villaça – mais pedidos de reuso e reciclo.

    No primeiro caso, o grupo atende os clientes por meio do SIS (Sistema Integrado Suez) e, em reuso de água, por meio da divisão ART (Advanced Recycling Technology), recém-criada no Brasil. As outras empresas do setor também não reclamam. A GE Betz, que neste ano se adapta ao novo controlador – a General Electric – ao mesmo tempo em que busca nacionalizar ao máximo sua produção na fábrica de Sorocaba-SP, e que reconhece operar com margens menores, tem sentido até o surgimento de novos negócios. “O fechamento de circuito, com reuso e reciclo parcial de água, tem-se tornado realidade”, afirmou o gerente Gustavo Villaça.

    Também a Kurita segue o mesmo tom otimista. “Em reais, até setembro vendemos mais do que em 2001 inteiro”, disse o superintendente José Aguiar Jr. Mesmo dependente de importações de polímeros em pó da matriz no Japão, a Kurita contou com a compreensão dos controladores, que reduziram em 20% o preço do ingrediente ativo em ienes (o restante da formulação é comprado no Brasil).

    A perspectiva para essas empresas acompanha o pressentimento da Ondeo Nalco. Um exemplo está na confiança depositada nas operações integradas e terceirizadas. Da mesma forma que sua concorrente, a GE Betz continua a ofertar os serviços integrados junto com o grupo Vivendi e agora, com a nova controladora, também pretende criar sinergia com a área energética.

    Química e Derivados: Água: Aguiar - Kurita investe em terceirização.

    Aguiar – Kurita investe em terceirização.

    Afinal de contas, o grupo americano além de produzir turbinas também opera e faz manutenção de plataformas de petróleo, de água, efluentes e energia por meio da empresa GE Contractal Services.

    “Estamos já estudando várias oportunidades de serviços em sintonia com as novas afiliadas”, afirmou o gerente da GE Betz, Gustavo Villaça.

    A Kurita também quer aproveitar o filão. Em 2003, segundo seu superintendente, José Aguiar Jr, a empresa oferecerá o serviço, por meio de uma estratégia denominada SIK, ou Sistema Integrado Kurita. A intenção aí é vender, para clientes pequenos e médios, o serviço de água e efluentes por preço fixo mensal.

    O sistema SIK funcionará com metodologia de compensações, com bônus e penalidades de acordo com as metas atingidas. “Vamos dividir os prejuízos e repartir os benefícios”, diz Aguiar. Embora isso eleve o preço do tratamento, em razão do valor agregado e por conta do risco no investimento, deve ter boa aceitação no mercado. “A médio e longo prazo compensa, sem falar que o cliente deixa de se preocupar com as utilidades de água”, finaliza. Outro plano da Kurita é lançar sistemas de monitoração on-line para análise de corrosão de caldeira (Nox control) e para resfriamento.



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