Água: Produção local ganha força com alta do dólar

Confiança no potencial do mercado e intenção de combater os efeitos do dólar alto fazem fornecedores químicos para tratamento de água industrial investirem na produção local e em desenvolvimentos tecnológicos próprios

Química e Derivados: Água: agua_abre.Apesar da conjuntura turbulenta, com moeda desvalorizada e futuro incerto no referente à política econômica a ser adotada pelo próximo governo, as empresas de tratamento de água industrial não reclamam do desempenho do mercado brasileiro e nem se deixam abater por previsões pessimistas. A avaliação positiva não é motivo para surpresa. Mesmo sem o surgimento de novas obras em 2002, resultado da cautela justificável dos clientes, a manutenção dos sistemas de resfriamento e de condicionamento de água para caldeiras manteve ocupada a carteira de pedidos. É bom lembrar que nem em momentos de retração econômica as indústrias negligenciam o cuidado com a água, caso contrário colocam em risco suas instalações.

A confiança dos fornecedores vai além da simples estabilidade nas vendas. Há evidências fortes de que o mercado ainda tem muito a crescer, para aproveitar não só o déficit de saneamento básico como a imaturidade tecnológica do tratamento de água e dos efluentes industriais no Brasil. Junte-se a isso a necessidade de minimizar os efeitos da desvalorização do real, em um setor dependente de importações de insumos químicos, e a verdade é que o cenário estimula até investimentos locais. E isso tanto de grandes grupos internacionais como de empresas nacionais, que aos poucos, comendo pelas beiradas e aproveitando nichos, vão conquistando espaço.

No caso dos investimentos provenientes de multinacionais, o maior exemplo é a inauguração, em novembro, em Americana-SP, da fábrica de polímeros líquidos e em emulsão da alemã Degussa. O grupo, com a nova unidade, completa um ciclo de investimentos no mercado da água, iniciado com a incorporação da produtora de polímeros Stockhausen, empresa do grupo Huels, hoje totalmente fundido com a Degussa. A primeira fase desse ciclo, além da intensificação na venda de peróxido de hidrogênio produzido em Barra do Riacho-ES para desinfecção de água, compreendeu a atuação do escritório próprio da Stockhausen, que em quatro anos no Brasil vendeu cerca de 2.500 toneladas de polímeros em pó e líquido importados.

Química e Derivados: Água: agua1.Construída em nove meses, no complexo da Degussa instalado em Americana, onde já são produzidos o quaternário de amônio (Quab) e catalisadores químicos, a nova fábrica é resultado do investimento de US$ 5 milhões. O montante foi empregado principalmente na aquisição de quatro reatores (mescladores, de polimerização e de polimento), todos eles produzidos no Brasil. A capacidade instalada da fábrica é para a produção de 7 mil t/ano, mas em sua primeira fase, em 2003, se limitará a 2.500 t/ano.

Química e Derivados: Água: Klöpperpieper - meta de nacionalização.
Klöpperpieper – meta de nacionalização.

Mil t por ano – O plano da Degussa, segundo o diretor do negócio de water chemicals, Edgar Klöpperpieper, determina aumentar a produção em mil toneladas a cada ano. “Temos certeza de que a meta é factível”, ressalta o diretor. Além da percepção conquistada depois de permanecer no comando do escritório da Stockhausen no Brasil, a confiança do diretor se baseia em levantamento da demanda por polímeros no continente.

No mundo, o consumo de poliacrilamidas atinge a soma de 500 mil toneladas anuais, aplicadas em águas de processo, residuais e potável, na indústria de celulose e papel e em mineração, entre outros setores. O mercado latino-americano, com destaque para o Brasil (que representa mais da metade), consome cerca de 40 mil t/ano de poliacrilamidas, sendo 10 mil só para tratamento de água. Mas o melhor é a taxa de crescimento do consumo latino-americano: de 7% a 8% ao ano.

Com base nessas perspectivas, a Degussa preparou um portfólio de cerca de 30 produtos que inclui quatro linhas, sendo 80% deles polímeros derivados de acrílico e o restante, especialidades. A linha Praestol contempla a maior parte das demandas por poliacrilamidas floculantes para tratamento de água industrial e potável. Em dispersantes, a linha produzida será a Polystabil.

Já os produtos especiais ficam por conta dos biodispersantes Tallofin, produzidos a partir do terpeno de casca de laranja, para controle de crescimento biológico; e o Praestaret K 300, nova geração de agentes de retenção e drenagem isentos de óleo, para papel e celulose.

Química e Derivados: Água: Fábrica da Degussa produzirá polímeros líquidos.
Fábrica da Degussa produzirá polímeros líquidos.

A opção por fabricar produtos líquidos tem algumas explicações. Em primeiro lugar, diminuiu o custo do investimento da fábrica em pelo menos seis vezes. Para Klöpperpieper, caso a decisão recaísse sobre a construção de fábrica de polímero em pó, o investimento aumentaria para US$ 30 milhões. O outro motivo diz respeito à migração do uso dos polímeros granulados para os líquidos, seguindo uma tendência européia. Esse fenômeno já teria ocorrido no mercado de polímeros para processamento de papel e celulose e vai se desencadear no mercado de água. A Degussa distribuirá os polímeros em bombonas de 100 litros e contêineres de 1.000 litros, mas poderá até fornecer em tanques com capacidade superior a 10 metros cúbicos para clientes com grandes estações de tratamento.

A nacionalização proporcionada pela nova fábrica não suspenderá as importações da Degussa. Assim, o principal insumo, o ácido acrílico, sem fabricação nacional, será importado em regime inter-company, da unidade da Degussa, em Marl, na Alemanha. Além disso, outras especialidades, entre as 40 utilizadas, serão ainda compradas no exterior. Mas o objetivo é paulatinamente substituir quase todas por similares nacionais. “Vamos aos poucos fazer testes para confirmar se os insumos nacionais podem manter a qualidade do produto importado”, afirma o diretor, ao ressaltar que os polímeros em pó da Degussa continuarão a vir da Alemanha.

Química e Derivados: Água: Santiago - fábrica da Nalco a 85%.
Santiago – fábrica da Nalco a 85%.

Na linha de produtos, porém, há um caso inverso, no qual a subsidiária brasileira passará a ser exportadora. Isso porque a fabricação da linha Tallofin de biodispersantes (ou dispersantes biológicos) é feita por meio do processamento de terpenos (solvente natural) de casca de laranja, fornecidos por empresas como Cutrale e Citrosuco, localizadas na região de Americana. Até então a Degussa alemã importava a matéria-prima do Brasil e comercializava o dispersante mundialmente. Com a nova fábrica, esse fluxo se inverte e o Brasil passa a ser exportador do produto acabado. Apesar de no momento ser muito usado para controle de microrganismos na fabricação de papel, o Tallofin tem potencial para desidratação de lodo em filtros banda ou em aplicações de tanques aeróbicos, sistemas de resfriamento, entre outros usos no controle de depósitos orgânicos.

Bom desempenho – O investimento da Degussa em polímeros líquidos e em emulsão confirma as boas perspectivas desse mercado, mas não é seu único indicador positivo. O desempenho da principal produtora do País de poliacrilamidas para água e processos, a Ondeo Nalco, dá também uma idéia do potencial do negócio. Atualmente a empresa comemora a ocupação de 85% de sua fábrica de Suzano-SP, cuja capacidade instalada é para 3.300 t/mês.

Química e Derivados: Água: Mazza - em 2003 produção vai aumentar em 15%.
Mazza – em 2003 produção vai aumentar em 15%.

Em Suzano são produzidos mais de 300 polímeros, todos em emulsão, entre dispersantes, inibidores de corrosão e floculantes, para água e processos. Outra característica atual da fábrica da Ondeo, que serve como um bom sinal para o novo investimento da Degussa, é o seu nível de nacionalização. De acordo com o gerente de marketing da Ondeo Nalco, Paulo Santiago, o índice da fábrica é acima de 80%. “Há condições de conseguir similares nacionais de muitos insumos, sem comprometer a qualidade dos polímeros”, afirma.

A ocupação da unidade de Suzano-SP, considerada alta pelos padrões da indústria, reflete o ritmo de crescimento anual da Nalco, em moeda brasileira, em torno de 20%. Esse cenário levou a empresa, por meio da sua controladora francesa Suez, preparar um projeto de expansão da capacidade produtiva em 15% em 2003. “Estamos crescendo muito no middle market”, afirmou o seu gerente geral, Raul Mazza.

Além do crescimento advindo desse tipo de cliente industrial médio, que compensa a estabilidade da indústria pesada, Mazza chama a atenção para o aumento da demanda por projetos de terceirização de utilidades, em sinergia com as outras empresas do grupo em energia (Tractebel) e tratamento de resíduos (Vega GRI), e a grande procura por pacotes de reuso e reciclo de água.

Química e Derivados: Água: Água: Villaça - mais pedidos de reuso e reciclo.
Água: Villaça – mais pedidos de reuso e reciclo.

No primeiro caso, o grupo atende os clientes por meio do SIS (Sistema Integrado Suez) e, em reuso de água, por meio da divisão ART (Advanced Recycling Technology), recém-criada no Brasil. As outras empresas do setor também não reclamam. A GE Betz, que neste ano se adapta ao novo controlador – a General Electric – ao mesmo tempo em que busca nacionalizar ao máximo sua produção na fábrica de Sorocaba-SP, e que reconhece operar com margens menores, tem sentido até o surgimento de novos negócios. “O fechamento de circuito, com reuso e reciclo parcial de água, tem-se tornado realidade”, afirmou o gerente Gustavo Villaça.

Também a Kurita segue o mesmo tom otimista. “Em reais, até setembro vendemos mais do que em 2001 inteiro”, disse o superintendente José Aguiar Jr. Mesmo dependente de importações de polímeros em pó da matriz no Japão, a Kurita contou com a compreensão dos controladores, que reduziram em 20% o preço do ingrediente ativo em ienes (o restante da formulação é comprado no Brasil).

A perspectiva para essas empresas acompanha o pressentimento da Ondeo Nalco. Um exemplo está na confiança depositada nas operações integradas e terceirizadas. Da mesma forma que sua concorrente, a GE Betz continua a ofertar os serviços integrados junto com o grupo Vivendi e agora, com a nova controladora, também pretende criar sinergia com a área energética.

Química e Derivados: Água: Aguiar - Kurita investe em terceirização.
Aguiar – Kurita investe em terceirização.

Afinal de contas, o grupo americano além de produzir turbinas também opera e faz manutenção de plataformas de petróleo, de água, efluentes e energia por meio da empresa GE Contractal Services.

“Estamos já estudando várias oportunidades de serviços em sintonia com as novas afiliadas”, afirmou o gerente da GE Betz, Gustavo Villaça.

A Kurita também quer aproveitar o filão. Em 2003, segundo seu superintendente, José Aguiar Jr, a empresa oferecerá o serviço, por meio de uma estratégia denominada SIK, ou Sistema Integrado Kurita. A intenção aí é vender, para clientes pequenos e médios, o serviço de água e efluentes por preço fixo mensal.

O sistema SIK funcionará com metodologia de compensações, com bônus e penalidades de acordo com as metas atingidas. “Vamos dividir os prejuízos e repartir os benefícios”, diz Aguiar. Embora isso eleve o preço do tratamento, em razão do valor agregado e por conta do risco no investimento, deve ter boa aceitação no mercado. “A médio e longo prazo compensa, sem falar que o cliente deixa de se preocupar com as utilidades de água”, finaliza. Outro plano da Kurita é lançar sistemas de monitoração on-line para análise de corrosão de caldeira (Nox control) e para resfriamento.

Mais produção nacional – A nacionalização de polímeros tem a vantagem de deixar os clientes no Brasil mais amparados em termos de entrega, sem depender das intempéries cambiais e alfandegárias. Para o mercado, essa tendência ainda tem importância por fazer o parque produtivo nacional ter acesso mais rápido a inovações tecnológicas. Isso vale tanto em virtude das nacionalizações feitas pelos grupos estrangeiros como pelas empreitadas genuinamente brasileiras.

Química e Derivados: Água: Vanessa - cervejarias aprovam uso de enzimas.
Vanessa – cervejarias aprovam uso de enzimas.

A GE Betz, por exemplo, já produz em Sorocaba sua linha de polímeros catiônicos de cadeia tridimensional (Novus), mais resistentes a cisalhamento. Já a Ondeo Nalco nacionalizou os dispersantes terpolímeros com grupo sulfônico (HSP), resistentes a temperaturas de até 100ºC e condições de stress com sólidos suspensos (até 100 ppm) e dureza de até 1.700 ppm de carbonato de cálcio. Foi nacionalizada também a linha de dispersantes para caldeira Nexguard, para operações sob pressão de até 1.500 libras. Outra nacionalização interessante foi a do biodetergente, dispersante orgânico que combate acúmulo de fouling biológico em torres de resfriamento.

O biodetergente da Ondeo Nalco chama a atenção por representar uma nova opção oferecida também por outras empresas. A própria linha Tallofin, da Degussa, baseada em terpeno de laranja, seria um desses dispersantes biodegradáveis. Mas uma empresa de capital nacional, a Hábil Química, de Sorocaba-SP, também desenvolveu um sistema natural para manter torres de resfriamento sob controle microbiológico.

O dispersante da Hábil foi criado a partir de um subproduto da indústria alimentícia, recebido gratuitamente dos fornecedores mas cuja origem é mantida em segredo pela diretora técnica da empresa, Gilza Minatel. Trata-se, porém, de um derivado de ácido graxo que pode operar sob condições bastante críticas, inclusive sob temperaturas acima de 80ºC. “Todos os dispersantes orgânicos naturais são mais resistentes do que a maioria dos químicos, porque a temperatura alta pode até ser um ambiente mais adequado a eles”, diz.

O custo de produção do dispersante orgânico é bastante baixo. Além de os fornecedores até pagarem para a Hábil transportar o subproduto, o processamento, mesmo não sendo muito fácil, compreende apenas etapas de centrifugação e preparação da formulação líquida. Segundo Gilza, apesar de a produção estar no início, com uma média de 2 t por mês, a Hábil pode atender qualquer demanda do dispersante. E sua aplicação não tem limites: pode atender torres de pequeno a grande porte.

Química e Derivados: Água: Gilza - dispersante biodegradável nacional.
Gilza – dispersante biodegradável nacional.

Enzimas em alta – O sistema para tratamento de torres da Hábil não contempla apenas o dispersante. Oferece ainda formulações de enzimas, sob desenvolvimento próprio, fornecidas líquidas ou liofilizadas, para limpezas corretivas em sistemas e tubulações de torres e caldeiras. O sistema enzimático visa substituir as convencionais limpezas químicas alcalinas e ácidas. “Com dosagens de 1 a 2 ppm as enzimas podem degradar toda a lama biológica em paradas de limpeza ou em operações pontuais e sem gerar residuais”, afirma Gilza.

Esses desenvolvimentos da Hábil na área biotecnológica (ver QD-389, dez/jan 2001), que deram origem a várias formulações de enzimas, proporcionam bastante retorno à empresa e expandem suas frentes de atuação.

De início mais voltadas para o mercado de frigoríficos e alimentícios, as enzimas se mostram muito versáteis e começam a ser aplicadas em vários setores.

“Elas quebram as cadeias carbônicas das sujidades de gordura, óleos e graxas, proteínas e carboidratos, desprendendo-as da superfície com facilidade”, diz a chefe do departamento técnico da Hábil, Vanessa Batista. Uma outra vantagem importante é que este processo de quebra de cadeias facilita o tratamento posterior do efluente.

O plano da Hábil, segundo Gilza Minatel, é complementar essas ofertas naturais, de enzimas e dispersantes, com um trabalho em cooperação com a produtora de gases industriais AGA. Esta empresa convidou a Hábil para testar suas enzimas em um processo de desobstrução de tubulações de caldeiras e sistemas de resfriamentos. A limpeza enzimática seria uma fase anterior a injeções de gás carbônico. Depois dessas etapas, a dosagem contínua dos dispersantes orgânicos entrariam como a fase preventiva do tratamento. Gilza Minatel chama atenção para o fato de o processo ainda estar em teste.

Outra aplicação emergente para as enzimas é na indústria cervejeira e de sucos. Uma combinação de amilases e lipases está sendo usada com sucesso, de acordo com Vanessa Batista, na pasteurização, para limpeza do springer (circulador de cervejas).

Considerado grande problema de cervejarias, pois várias garrafas se quebram no equipamento provocando contaminações biológicas, o procedimento normal é parar semanalmente a máquina para limpeza alcalina que ainda possui a desvantagem de danificar o sistema.

Com as enzimas, segundo Vanessa, uma dosagem semanal, sem parar o springer, possibilita operações ininterruptas de até três meses em clientes como Ambev e Molson (controladora canadense da Kaiser).

Nessa mesma área de pasteurizadores para cervejas, vale acrescentar que a GE Betz afirma estar incorporando ingredientes ativos novos para incrementar a linha Dianodic Plus, de polímeros de alto desempenho, como o dispersante HPS-1 e os inibidores de corrosão HRA. Esses polímeros, embora o gerente Ricardo Fernandes não dê mais detalhes, serão produzidos em Sorocaba, onde a empresa fabrica nas versões líquidas e em pó.

Multifuncional – Existir ainda empresas nacionais procurando desenvolver produtos para nichos específicos e concorrendo com os grandes grupos estrangeiros é uma prova da boa dimensão do mercado brasileiro. Além dos desenvolvimentos da Hábil, uma outra empresa tupiniquim está já há alguns anos criando alternativas tecnológicas próprias: a Logos Aqua, de Barueri-SP. Oriunda de ex-funcionários da antiga Aquatec, empresa brasileira pioneira no tratamento de água industrial, a empresa tenta manter sua pesquisa em atividade.

Química e Derivados: Água: Araujo - polímero multifuncional de molibdato.
Araujo – polímero multifuncional de molibdato.

O mais recente desenvolvimento da Logos volta-se sobretudo para o mercado de resfriamento industrial. Trata-se de um aditivo multifuncional à base de molibdato, que congrega em um só composto as propriedades do dispersante e de inibidores de corrosão e de incrustação.

Denominado MF, o produto, segundo o diretor da Logos, Renato Araujo Silva, foi formulado com o propósito específico de atender a água brasileira, considerada na média muito corrosiva e com grande potencial de incrustação, com alta presença de ferro e manganês.

De acordo com Araujo, o produto está sendo testado no campo há um ano e sua maior vantagem, além da simplificação na dosagem, é a facilidade do controle, realizada mediante análise de fósforo e molibdato na água residual. Produzido na nova fábrica da Logos em Leme-SP, foi desenvolvido em cooperação com a Escola Politécnica da USP, cujo departamento de corrosão se encarregou de testes laboratoriais.

O mercado principal das novas formulações é o de torres pequenas e médias, já para as maiores os controles com dispersantes e inibidores precisam ser mais individualizados, fatalmente exigindo o uso de vários produtos. Em cada composto multifuncional, explica o diretor, há dois polímeros, um deles acrílico com presença de sal molibdênio para combater a corrosão e outro, um dispersante para metais, variando o tipo conforme a aplicação.

Uma vantagem importante dos sais de molibdato como anticorrosivo, há muitos anos aplicado no mundo e introduzido com mais intensidade no Brasil na década passada pela Kenisur (hoje incorporada a Ondeo Nalco), é não ser tóxico. Essa vantagem ganha maior relevância tendo em vista seu poder anticorrosivo similar ao cromato, considerado o melhor nesse quesito mas condenado por sua carcinogenicidade. Em comparação a outros inibidores utilizados pelo mercado, como os fosfatos e fosfonatos, os molibdatos também têm vantagens: estabilidade térmica maior e vulnerabilidade menor a oscilações de pH. Além disso, também não geram lodo, como os produtos à base de fosfato.

Iniciativas como a da Logos Aqua e da Hábil Química devem continuar a render dividendos aos investidores (só a Hábil em 2001, em razão dos negócios com enzimas, aumentou em 50% suas vendas ). Mesmo desprovidas do poder de adivinhação, ao insistirem no programa de desenvolvimento e produção locais essas empresas continuarão a colher os frutos da proteção garantida pela desvalorização da moeda.

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