Tratamento de Água

24 de outubro de 2017

Água: Normas mais rígidas de qualidade estimulam as vendas de floculantes

Mais artigos por »
Publicado por: Hamilton Almeida
+(reset)-
Compartilhe esta página
    Química e Derivados, Água turva recebe gotas de floculante em ensaio realizado pela Basf na China

    Água turva recebe gotas de floculante em ensaio realizado pela Basf na China

    A necessidade de produção de água de qualidade para cidades e processos industriais, preservando o meio ambiente, impulsiona um dinâmico nicho de mercado, em que pese os difíceis e passageiros obstáculos das crises política e econômica. Nesse contexto, as incertezas do presente parecem ceder lugar a um futuro promissor.

    Química e Derivados, Fernandes, Kurita: desempenho adequado exige acompanhamento

    Fernandes, Kurita: desempenho adequado exige acompanhamento

    “O comércio de floculantes para tratamento de água e efluentes tem crescido de forma contínua e sustentável ao longo dos anos”, afirma Ricardo Fernandes, gerente de marketing da Kurita do Brasil. Isso acontece pelo “aumento do rigor das legislações ambientais e de saúde, além da crescente demanda por reuso e reciclo de correntes hídricas em sistemas de resfriamento e outras aplicações que envolvem tecnologias avançadas”.

    Ricardo assinala que o negócio tem apresentado uma atratividade cada vez maior, embora também haja uma forte concorrência, com diversas empresas buscando atuar nesse mercado. Mesmo assim, ele ressalva que os floculantes têm conquistado maior share no portfólio de produtos da Kurita, respondendo hoje por cerca de 15% do faturamento no país.

    Igor Freitas, gerente de marketing do grupo Bauminas, declara que o segmento apresentou crescimento em 2016. Mas, “ainda esbarra nas dificuldades para elevar o nível do saneamento básico em diversas regiões, entre elas o impacto da crise econômica, a inexistência de um planejamento estrutural amplo e consistente, e a falta de concretização dos investimentos previstos”.

    Esses fatores demonstram que há um longo caminho a percorrer em busca do melhor acesso da população à água limpa e esgoto tratado. “Na área de tratamento de água e efluentes industriais e processos produtivos, como no caso de papel e celulose, foi um ano impactado pela retração da atividade econômica”, agrega.

    Coordenador de negócios químicos para tratamento de águas e soluções para a fabricação de papel da Basf para a América do Sul, Gustavo Henrique Fernandes argumenta que, em 2016, houve impacto nos investimentos do setor, como em toda a economia: “Além da redução de consumo das fábricas, os volumes de efluentes também diminuíram consideravelmente, reduzindo a demanda pelo produto”.

    Tendo em vista que as novas regras das agências reguladoras impõem limites cada vez menores nos descartes para o meio ambiente (rios, mar, aterros, etc.), fenômeno comum em toda a América Latina, associado ao preço da água, tanto para descarte quanto para captação, os floculantes sempre estarão em evidência, na opinião de Alexandre Magno B. Moreira, gerente de aplicação para water & wastewater, reuso/reciclo e membranas na América Latina e líder global para SRU (unidade de remoção de sulfatos em água do mar) da GE Water & Process Technologies. “É o caminho mais adequado para se obter melhores resultados sem precisar de novos investimentos em equipamentos”, garante.

    Ele frisa que não se pode esquecer que o item reuso/reciclo já figura como obrigatório para novos investimentos e projetos. E avalia que, no ano passado, “todos os segmentos de químicos sofreram bastante em termos de vendas”, pois fábricas fecharam suas portas, e outras reduziram significativamente a produção, migraram para cotações de commodities, aumentaram as dívidas etc. “Sentiu-se, enfim, uma redução real de, no mínimo, 20% nesse ramo”, observa. Alexandre acredita, porém, que, por ser algo essencial à produção, o tratamento de efluentes “voltará, rapidamente, ao patamar anterior de crescimento mínimo de 5% a 10% ao ano”.

    “Os floculantes se tornaram uma alternativa importante para o fornecimento de água potável de qualidade para a população”, assevera Fernando Agostinho, gerente de marketing América Latina para tratamento de águas da Solenis, ao citar as consequências para o abastecimento de alguns municípios devido à escassez de água na região Sudeste, em 2016, e à ocorrência de desastres ambientais (deslizamentos de terra ou rompimentos de barragens).

    Com relação à indústria, ele atesta que a sucroalcooleira não padeceu com a crise econômica e, além disso, “foi predominantemente voltada à produção de açúcar; com isso, consumiu maior quantidade de floculantes. Efeitos como estes fizeram com que o comércio de polímeros fosse beneficiado”.

    Para Igor Freitas, o ano de 2017 começou com enormes desafios e a tendência é que apresente uma retomada tímida e lenta da economia diante da enorme instabilidade política, o que acaba se refletindo na área de saneamento com menores investimentos, tanto públicos como privados, e mais morosidade na implementação de projetos de privatização.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *