Água: Normas mais rígidas de qualidade estimulam as vendas de floculantes

Química e Derivados, Água turva recebe gotas de floculante em ensaio realizado pela Basf na China
Água turva recebe gotas de floculante em ensaio realizado pela Basf na China

A necessidade de produção de água de qualidade para cidades e processos industriais, preservando o meio ambiente, impulsiona um dinâmico nicho de mercado, em que pese os difíceis e passageiros obstáculos das crises política e econômica. Nesse contexto, as incertezas do presente parecem ceder lugar a um futuro promissor.

Química e Derivados, Fernandes, Kurita: desempenho adequado exige acompanhamento
Fernandes, Kurita: desempenho adequado exige acompanhamento

“O comércio de floculantes para tratamento de água e efluentes tem crescido de forma contínua e sustentável ao longo dos anos”, afirma Ricardo Fernandes, gerente de marketing da Kurita do Brasil. Isso acontece pelo “aumento do rigor das legislações ambientais e de saúde, além da crescente demanda por reuso e reciclo de correntes hídricas em sistemas de resfriamento e outras aplicações que envolvem tecnologias avançadas”.

Ricardo assinala que o negócio tem apresentado uma atratividade cada vez maior, embora também haja uma forte concorrência, com diversas empresas buscando atuar nesse mercado. Mesmo assim, ele ressalva que os floculantes têm conquistado maior share no portfólio de produtos da Kurita, respondendo hoje por cerca de 15% do faturamento no país.

Igor Freitas, gerente de marketing do grupo Bauminas, declara que o segmento apresentou crescimento em 2016. Mas, “ainda esbarra nas dificuldades para elevar o nível do saneamento básico em diversas regiões, entre elas o impacto da crise econômica, a inexistência de um planejamento estrutural amplo e consistente, e a falta de concretização dos investimentos previstos”.

Esses fatores demonstram que há um longo caminho a percorrer em busca do melhor acesso da população à água limpa e esgoto tratado. “Na área de tratamento de água e efluentes industriais e processos produtivos, como no caso de papel e celulose, foi um ano impactado pela retração da atividade econômica”, agrega.

Coordenador de negócios químicos para tratamento de águas e soluções para a fabricação de papel da Basf para a América do Sul, Gustavo Henrique Fernandes argumenta que, em 2016, houve impacto nos investimentos do setor, como em toda a economia: “Além da redução de consumo das fábricas, os volumes de efluentes também diminuíram consideravelmente, reduzindo a demanda pelo produto”.

Tendo em vista que as novas regras das agências reguladoras impõem limites cada vez menores nos descartes para o meio ambiente (rios, mar, aterros, etc.), fenômeno comum em toda a América Latina, associado ao preço da água, tanto para descarte quanto para captação, os floculantes sempre estarão em evidência, na opinião de Alexandre Magno B. Moreira, gerente de aplicação para water & wastewater, reuso/reciclo e membranas na América Latina e líder global para SRU (unidade de remoção de sulfatos em água do mar) da GE Water & Process Technologies. “É o caminho mais adequado para se obter melhores resultados sem precisar de novos investimentos em equipamentos”, garante.

Ele frisa que não se pode esquecer que o item reuso/reciclo já figura como obrigatório para novos investimentos e projetos. E avalia que, no ano passado, “todos os segmentos de químicos sofreram bastante em termos de vendas”, pois fábricas fecharam suas portas, e outras reduziram significativamente a produção, migraram para cotações de commodities, aumentaram as dívidas etc. “Sentiu-se, enfim, uma redução real de, no mínimo, 20% nesse ramo”, observa. Alexandre acredita, porém, que, por ser algo essencial à produção, o tratamento de efluentes “voltará, rapidamente, ao patamar anterior de crescimento mínimo de 5% a 10% ao ano”.

“Os floculantes se tornaram uma alternativa importante para o fornecimento de água potável de qualidade para a população”, assevera Fernando Agostinho, gerente de marketing América Latina para tratamento de águas da Solenis, ao citar as consequências para o abastecimento de alguns municípios devido à escassez de água na região Sudeste, em 2016, e à ocorrência de desastres ambientais (deslizamentos de terra ou rompimentos de barragens).

Com relação à indústria, ele atesta que a sucroalcooleira não padeceu com a crise econômica e, além disso, “foi predominantemente voltada à produção de açúcar; com isso, consumiu maior quantidade de floculantes. Efeitos como estes fizeram com que o comércio de polímeros fosse beneficiado”.

Para Igor Freitas, o ano de 2017 começou com enormes desafios e a tendência é que apresente uma retomada tímida e lenta da economia diante da enorme instabilidade política, o que acaba se refletindo na área de saneamento com menores investimentos, tanto públicos como privados, e mais morosidade na implementação de projetos de privatização.“A expectativa é que continuemos com este cenário até 2018, ano eleitoral, e tenhamos uma retomada maior de investimentos no setor a partir de 2019. O potencial de crescimento no longo prazo é enorme. É necessário que haja maior sensibilidade do governo para atuar de maneira incisiva na melhoria dos indicadores do acesso da população à água e esgoto tratado”, arremata o gerente de marketing.

Gustavo Fernandes pondera, no entanto, que os negócios vêm ganhando um pouco mais de força desde março, embora de forma lenta: “Existe uma forte pressão por preço e agilidade, uma vez que não há como manter estoque nas plantas. Algumas áreas ainda têm potencial de vendas, como o municipal, público e privado e o de açúcar (com o início da safra 2017). Mas, provavelmente, até o final do ano não teremos grandes mudanças”.

Química e Derivados, Solenis investiu em laboratório de desenvolvimento de produtos e aplicações em Paulínia-SP
Solenis investiu em laboratório de desenvolvimento de produtos e aplicações em Paulínia-SP

“A Solenis vê o mercado de floculantes com boas perspectivas em todo o mundo, principalmente pela necessidade de melhorar a qualidade da água, seja para consumo humano ou para a indústria”. É simples assim. De acordo com Fernando Agostinho, o crescimento populacional e a escassez de água em algumas regiões têm feito com que municípios e indústrias busquem novas rotas de produzir água potável de qualidade e, de forma econômica, fornecer água de qualidade para processos industriais e garantir que os efluentes não prejudiquem o meio ambiente. “Isso certamente traz oportunidades”.

Ele revela que, atualmente, 35% das vendas da divisão de tratamento de águas da Solenis no Brasil são obtidas com floculantes: “Pretendemos crescer em volume 10% ano após ano, ou seja, no curto, no médio e no longo prazo”.

Enfrentando a crise – Nesses tempos mais difíceis, há uma busca natural por redução de custos e aumento de performance. No caso da Kurita, Ricardo assegura que essas metas são conquistadas “mediante o fornecimento de produtos compatíveis com a qualidade da corrente a ser tratada e da prestação de serviços, que assume um papel de grande relevância. Cuidados específicos de aplicação de produtos, bem como testes de jarro periódicos são fundamentais para a otimização do tratamento químico aplicado”.

Sabe-se – prossegue – que, geralmente, há uma sazonalidade da qualidade da água bruta, exigindo avaliação contínua pela assistência técnica. No caso de efluentes industriais, flutuações na demanda ou alterações nos processos de produção podem também resultar na mudança das características dos efluentes, demandando adequações para manutenção do desempenho.

Gustavo alega que “os clientes buscam reduzir estoques e custos, adquirindo produtos de menor qualidade, com preços mais baixos”. Fernando afiança que os consumidores não partem para essa redução “desde que comprovado o custo-benefício do produto melhor, como é o caso do polímero em emulsão que substitui o floculante em pó em alguns casos”.

Igor Freitas enxerga a crise de outra maneira. Um dos principais diferenciais da empresa é o suporte técnico que trabalha em parceria com os clientes na busca de soluções. “Nesse sentido, a equipe técnica tem realizado testes em qualidades muito precárias de água bruta e efluentes para indicar os produtos recomendados, dosagens mais eficientes e alinhar os resultados esperados. Dessa maneira, é possível obter um melhor desempenho dos coagulantes/floculantes e, consequentemente, o melhor custo-benefício no tratamento como um todo, sem abrir mão de produtos de qualidade”.

Com essa estratégia, ele mostra que a crise acaba sendo uma oportunidade “para as empresas darem um salto, ao invés de diminuírem a qualidade dos seus produtos químicos com a visão estrita de redução de preços”. Assim “acabam testando produtos mais modernos em busca de maior eficiência, como no caso dos coagulantes inorgânicos com cadeias polimerizadas de alto rendimento”.

Portfólio – Ricardo Fernandes informa que a Kurita possui em seu portfólio uma linha de floculantes e coagulantes para diversas aplicações industriais, bem como de equipamentos para controle e monitoramento. Ele destaca o Kuriauto S-sensing CS, que viabiliza a dosagem automatizada em função da turbidez da água bruta (no caso de tratamento de afluentes) ou a turbidez do efluente tratado, possibilitando uma redução sensível no consumo de coagulantes inorgânicos e também a otimização na dosagem.

Química e Derivados, Sensing CS acerta a dosagem conforme a variação da turbidez
Sensing CS acerta a dosagem conforme a variação da turbidez

Quanto à competitividade comercial, a Kurita divulga ter vantagens significativas quando a aplicação dos produtos não é tratada como venda de commodities e sim como um programa de soluções e acompanhamento (assistência técnica). O posicionamento da multinacional japonesa nesse campo “é consistente e tende a ser cada vez maior, mediante a aplicação integrada de produtos, serviços e monitoramentos, e atuação de um corpo técnico qualificado”, enfatiza.O lado satisfatório para a GE, segundo Alexandre Moreira, é ter sempre novos floculantes patenteados para vários segmentos, o que lhe garante um bom destaque até a duração da patente em alguns países, pois, normalmente, são “produtos com resultados técnicos superiores aos do mercado”.

“O lado muitíssimo mais vantajoso é que conseguimos adequar esses produtos ao nosso atual carro-chefe de automação nas dosagens e monitoramentos (software GE Insight). Acreditamos que esta ligação produtos/serviços/Insight nos coloca em um patamar diferenciado”, comenta.

Química e Derivados, Moreira, com o Insight: sistema permite melhorar desempenho
Moreira, com o Insight: sistema permite melhorar desempenho

Em Cotia-SP ou por iPhone, o corpo técnico sempre recebe inputs de todos os dados operacionais e e-mails automáticos alertando sobre leituras fora dos limites. Isto é válido para todas as linhas de aplicação (ETA, ETE, membranas, processo, cooling, boiler etc).

“Através do Insight, conseguimos melhores resultados técnicos e econômicos nos clientes, e garantimos contratos mais duradouros. Essa é uma ferramenta do tipo ganha-ganha; ganha o cliente na estabilidade de seus resultados e na redução de custos nas dosagens; e ganha a GE com contratos maiores”, explica.

Gustavo Fernandes sustenta que a Basf é reconhecida pela qualidade de seus produtos, desempenho eficiente, presença de mercado e suporte técnico. “De modo geral, o investimento no produto resulta na alta performance que ele apresenta, gerando valor ao cliente com a redução de custos de produção, transporte e estoque”.

E acrescenta: “atuamos em todos os negócios relacionados a floculantes para tratamento de águas com produtos e equipamentos de aplicação. E nossos parceiros complementam as necessidades dos clientes com assistência técnica supervisionada pela Basf”.

Igor comunica que a Bauminas Química, empresa totalmente nacional, apresenta um portfólio amplo e reconhecido, com linhas de produtos específicas para diferentes ramos, como no caso do saneamento, papel e celulose e processos industriais. Com mais de 55 anos de história, a empresa se apresenta como líder nacional em coagulantes para o tratamento de água e efluentes.

Com 15 unidades produtivas e 2 escritórios administrativos, atende às principais empresas de saneamento e processos industriais do país. Os seus produtos estão em uso em mais de 3, 5 mil municípios, beneficiando mais de 100 milhões de pessoas com acesso à água tratada. Contando com jazidas próprias de minérios (da Bauminas Mineração), possui uma produção vertical de matérias-primas. Além disso, “apresenta a maior capacidade produtiva dentre as empresas do setor no país, propiciando segurança de abastecimento, e está apta a atender demandas emergenciais”.

“A Bauminas Química se destacae pela tecnologia e lançamento constante de produtos inovadores, que são frutos dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Ostenta um portfólio de produtos consagrados, a linha de coagulantes mais completa do mercado”, discorre o gerente de marketing. Através do Sistema de Gestão Integrado (SGI), padroniza as principais diretrizes das mais renomadas certificações internacionais para todas as unidades fabris, garantindo o padrão de qualidade.

Recentemente, a empresa fez um trabalho de revisão e modernização do seu portfólio de produtos, lançando linhas específicas para saneamento, papel e celulose e processos industriais, de modo a maximizar a sua eficácia e propiciar alta performance. “A linha de saneamento tem marcas consagradas, como Bausan, Coagulan e Salfer, com ampla experiência de uso pelas principais companhias de saneamento, e coagulantes da nova geração, com cadeias polimerizadas de alto rendimento, caso do PAC Floc, Polisal e Polifer”, acentua.

Química e Derivados, Uso de coagulantes e floculantes contribui para a produção de água de qualidade
Uso de coagulantes e floculantes contribui para a produção de água de qualidade

Gustavo Fernandes frisa que, há alguns anos, a Basf lançou a sua linha de polímeros Ultra. São polímeros catiônicos de alta performance que associam peso molecular e estrutura ramificada. Essa característica aumenta as resistências dos flocos, ideais para uso em sistemas de desidratação, gerando uma torta mais seca com uma dosagem menor.

Fernando conta que a Solenis possui fabricação local de floculantes em emulsão, o que lhe garante disponibilidade do produto e facilidade de distribuição, não estando sujeito à variação cambial. “Isso faz com que ofereçamos a possibilidade de produção taylor-made, de acordo com a necessidade do cliente”. A empresa importa os polímeros em pó. Ele complementa: “A Solenis se posiciona como um player forte, com um completo portfólio de produtos, suporte técnico diferenciado e forte acompanhamento técnico na aplicação do produto”.O executivo adiciona que a empresa realiza investimentos globais constantes em inovação. Recentemente, foi inaugurado em Paulínia-SP o Centro de Tecnologia para atender a América Latina. Possui, aproximadamente, mil m2 de área construída e estrutura para gerenciar as necessidades de aplicações dos clientes da região e o desenvolvimento de novos produtos. Este é o 7º centro de tecnologia da companhia no mundo. Os outros seis estão localizados em Wilmington (Estados Unidos), Krefeld (Alemanha), Barendrecht (Holanda), Shanghai (China), Drammen (Noruega) e Terrassa (Espanha).

A inauguração do novo laboratório amplia, como explicou Fernando, a capacidade de estabelecer parcerias estratégicas com o fornecimento de especialidades químicas para o tratamento de águas industriais e aditivos para processos nas unidades de celulose e papel, açúcar e álcool e mineração.

Química e Derivados, Freitas: mineração própria gera vantagem competitiva
Freitas: mineração própria gera vantagem competitiva

Planos – Indagado sobre o lançamento de algum novo produto, Ricardo Fernandes responde que a Kurita “sempre busca lançar floculantes com melhor desempenho, assim como equipamentos que permitam o controle e o monitoramento de suas aplicações”.

Entre os planos da empresa está a orientação de “investir cada vez mais no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e competitivas com foco no reuso e reciclo de efluentes”. A razão é óbvia: “ A escassez de água de boa qualidade deverá se tornar uma realidade cada vez mais frequente nos próximos anos e a melhor utilização das correntes existentes na indústria certamente será um diferencial competitivo”.

A meta da Bauminas é, de acordo com Igor Freitas, manter-se na liderança e na vanguarda das novas tecnologias em produtos, propiciando que os clientes adicionem cada vez mais qualidade e eficiência no tratamento de água e efluentes com “excelente custo-benefício”, contribuindo para o maior acesso da população brasileira à água tratada e de qualidade.

“A Basf entende que o mercado de águas é um dos pilares do desenvolvimento humano mundial e trabalha constantemente no desenvolvimento de tecnologias, seja em polímeros ou em outros tipos de produtos e equipamentos”, expõe Gustavo Fernandes. “A demanda por água tem mudado muito ao longo do tempo e tecnologias como reuso, dessalinização, entre outras, ganham força e participação ao longo do tempo. A Basf está inserida em todos esses segmentos, com portfólio de produtos e tecnologias”.

A Solenis enxerga um importante potencial de crescimento na América do Sul. Fernando Agostinho faz questão de especificar que, “atualmente, a empresa investe 2,2% do seu faturamento anual em P&D. Além disso, 25% dos novos produtos comercializados têm menos de 5 anos de vida, demonstrando o compromisso com a entrega da inovação de que o setor necessita”.

No momento, o grupo Kurita aplica, anualmente, quase 2,5% do seu faturamento em P&D. Possui centros de tecnologia no Japão, Alemanha e Singapura. “A empresa também tem investido em equipamentos de controle e monitoramento das aplicações de floculantes”, conclui Ricardo.

A Bauminas Química investe em pesquisa e acredita que a inovação constante é a melhor maneira de manter posição e destaque onde atua. Para tanto, criou o CTB – Centro Tecnológico Bauminas, voltado à P&D de novos produtos. “Contamos com profissionais experientes e moderna estrutura para realização de testes comparativos e análises técnico-laboratoriais”, relata Igor Freitas. Cada unidade fabril possui um laboratório coordenado pelo CTB, que alinha as diretrizes de P&D de novos produtos, de modo a garantir que eles sejam amplamente testados e avaliados.

A Basf faz investimentos em diferentes aplicações, “como polímeros naturais e biodegradáveis, produtos mais eficientes e de menor consumo”, cita Gustavo.

A filosofia da GE é a seguinte: toda inovação deve estar em todos os clientes ou nos novos clientes em, no máximo, cinco anos. Com isso, Alexandre quer dizer que os centros de pesquisas da empresa em todo o mundo trabalham constantemente.

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