Água: Mercado concentrado diversifica oferta de sistemas de resfriamento

Clientes de todos os tipos e tamanhos são hoje vistos com a mesma preocupação pelos competidores-líderes do concentrado setor de tratamento químico de água. Um exemplo da nova fase é o lançamento de sistemas para pequenas torres de resfriamento para prédios.

A concorrência no mercado nacional de tratamento de água industrial torna-se a cada dia mais acirrada. Reflexo de um setor bastante concentrado, clientes de todos os tipos e tamanhos são hoje cortejados pelos poucos e grandes competidores. Mais diversificadas, tanto em razão de suas aquisições como para acompanhar a concorrência, essas companhias não vêem muita distinção entre as grandes contas petroquímicas e os pequenos sistemas de resfriamento para prédios, por exemplo.

Química e Derivados: Água: Fernandes - soluções simples para clientes pequenos.
Fernandes – soluções simples para clientes pequenos.

Uma prova dessa postura é a forma como uma das líderes do setor, a BetzDearborn, vem agindo. Dona de contas importantes na petroquímica, com destaque para o tratamento das torres das centrais de matérias-primas baiana (Copene) e paulista (PQU), a empresa desenvolveu um pacote específico para o mercado institucional, que engloba prédios, hospitais, shopping centers, entre outros.

“Para esses mercados menores, a nossa proposta é oferecer soluções simples, com gasto mínimo de manutenção e operação facilitada”, afirma o gerente nacional de marketing da BetzDearborn Ricardo Fernandes. O pacote, denominado Redi Feed, é um sistema de dosagem de produtos sólidos para resfriamento com a vantagem de não requerer bombas dosadoras.

Essa dosagem sem bombas é possível graças a uma nova concepção do sistema. Os antiincrustantes, inibidores de corrosão e demais dispersantes são dispostos em pequenos tambores adaptados no meio das tubulações dos sistemas de resfriamento. “O condicionamento químico é garantido pela própria circulação da água”, diz Fernandes.

Essa tendência de procurar negócios com clientes pequenos e médios já se manifesta há algum tempo no mercado de água. A outra grande competidora, a Ondeo Nalco, enveredou por esse caminho ao adquirir a Kenisur dois anos atrás. A empresa paulista tinha forte atuação no mercado institucional. Também a japonesa Kurita credita a uma campanha de “pulverização” da carta de clientes a recuperação de seu desempenho registrada depois da perda de sua principal conta, o tratamento da torre CMP1 da Copene, em 2000, pela BetzDearborn.

Legionella – Um exemplo importante dessa tendência é o lançamento de programas de tratamento de água com foco principal no mercado institucional. As duas maiores empresas, BetzDearborn e Ondeo Nalco, estão fazendo promoção de programas de minimização de risco das bactérias Legionella, presentes na água de sistemas de resfriamento industriais e principalmente de prédios. A contaminação de pessoas, sobretudo pela espécie mais perigosa, a Legionella pneumophila, se dá por inalação das gotículas de aerosol contidas no ar que sai das torres ou pelos sistemas de ar condicionado.

Causadora da legionelose, moléstia variável desde um grau mais grave, conhecida por doença do Legionário, até a uma enfermidade similar a uma gripe, chamada febre de Pontiac, a Legionella tem sido objeto de preocupação no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, dentre os 25 mil casos da doença ocorrem 4 mil mortes por ano, enquanto no Brasil, sem estatísticas, segundo o gerente de marketing da BetzDearborn, Gustavo Villaça, muita gente contrai a doença sem saber. “Temos a informação de que vários diagnósticos de pneumonia e até quadros de gripe, na verdade trata-se de legionelose”, diz ele. Um caso famoso foi o do ministro das comunicações Sérgio Motta, falecido em 1998 com a doença do Legionário.

Para o combate, o tratamento químico é bastante amplo. Para começar, os tratadores precisam conhecer a quantidade e os tipos de colônias, entre as 37 diferentes, com testes em amostras de água, de lodo microbiano e sedimentos lodosos. Embora não se tenha comprovada a relação entre a quantidade de colônias e o risco de contaminação, a contagem é importante para o cumprimento das recomendações de tratamento contidas em estudos e pesquisas de entidades especializadas.

Química e Derivados: Água: Santiago - identificação de Legionella em laboratório próprio de Suzano-SP.
Santiago – identificação de Legionella em laboratório próprio de Suzano-SP.

Essa necessidade de contagem microbiológica fez com que as empresas passassem a contar com a assistência de laboratórios especializados. A Ondeo Nalco optou pela construção de um deles em sua fábrica de Suzano-SP. Já a BetzDearborn preferiu um acordo com o laboratório Controlbio, de São Paulo. “É fundamental conhecer o grau e tipo de contaminação para se poder utilizar as ações indicadas para minimizar o risco da Legionella ”, diz Villaça.

No caso da BetzDearborn, a ação se baseia na aplicação de altas dosagens de cloro e do uso de bromo e de vários outros biocidas, cuja formulação pode conter isotiazolina, glutaraldeído, peróxido de hidrogênio, entre outros ingredientes ativos. Essas dosagens devem ser empregadas em conjunto com um programa de manutenção preventiva para evitar corrosão, incrustação e contaminação.

Uma peculiaridade do programa da BetzDearborn é a utilização de pastilhas de cloro, bromo e de biocidas não-oxidantes à base de amônia quaternária, especialmente produzidas para esse fim. Essa apresentação facilita o emprego dos produtos em bandejas de condensação de ar condicionado e em condensadores evaporativos de sistemas de resfriamento prediais.

Também a proposta de controle da Ondeo Nalco, de acordo com seu gerente de marketing, Paulo Santiago, somente torna-se possível após a identificação dos microrganismos no laboratório. “Nossos técnicos foram treinados no laboratório do grupo na Inglaterra para criar dosagens de biocidas que eliminam a proliferação da Legionella”, diz. Uma das formulações com maior probabilidade de uso é o bromo estabilizado Stabrex.

Química e Derivados: Água: Villaça - só é possível minimizar o risco de contrair legionelose.
Villaça – só é possível minimizar o risco de contrair legionelose.

Não elimina – Apesar de algumas empresas menores começarem vender biocidas a esmo como solução para os males da Legionella, Ricardo Fernandes, da Betz, alerta para o fato de o cloro ser a base do tratamento. “O principal é uma superdosagem de O,5 ppm até 2 ppm de cloro livre na torre”, diz. Essa quantidade é bastante elevada, perto do normalmente aplicado em torres (0,2 a 0,3 ppm) para controle biológico. Além disso, a cada seis meses a ação contempla assepsias das torres com cargas de até 10 ppm de cloro livre.

Até mesmo quando o tratamento segue o estado-da-arte do controle dessas bactérias, nada garante a total imunização dos locais. As entidades orientadores das ações, como a Cooling Institute Technology (CTI) e a American Society for Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers (ASHRE), são claras em afirmar que as medidas apenas minimizam os riscos. “Quem apregoa acabar definitivamente com a Legionella está mentindo”, afirma Gustavo Villaça.

Essa aparente incerteza no controle não prejudica o futuro desse mercado. Aliás, o combate à Legionella já foi até regulamentado pela Portaria 3523/98 do Ministério da Saúde, que disciplina a limpeza e manutenção dos sistemas de ar condicionado.

A BetzDearborn já fechou bons negócios com o Banco Itaú, visando a aplicação da tecnologia em todas as suas agências bancárias, medida também adotada no sistema de resfriamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e na rede de hotéis Tropical. Mesmo com maior ênfase no mercado institucional, a perspectiva, tanto para a Betz como para a Ondeo Nalco, é introduzir esses programas também nas torres de resfriamento das indústrias.

Para a Kurita, aliás, esse mercado já existe desde 1983. Segundo as afirmações do seu superintendente de operações, José Aguiar Jr., a Legionella desde aquele período faz parte das preocupações dos técnicos responsáveis pelo controle microbiológico das torres de seus clientes.

“Essa bactéria é um dos microrganismos que analisamos em testes de matéria orgânica atmosférica”, diz. “Mas a desestabilização microbacteriológica só vai ocorrer se não se adotar boas práticas no tratamento convencional da água.”

Química e Derivados: Água: Aguiar - campanha de seis anos na Copesul é a próxima meta da Kurita.
Aguiar – campanha de seis anos na Copesul é a próxima meta da Kurita.

Campanhas longas – A busca pela diversificação de clientes é apenas uma das novas faces do competitivo mercado de tratamento de água. Outras tendências continuam a se desenvolver, em alguns casos sob ritmos mais lentos e, em outros, com maior velocidade. No primeiro exemplo, encaixa-se a oferta de sistemas integrados e completos de utilidades, que incluem desde a captação da água até o seu descarte ou reuso. No segundo caso, destaca-se a busca em oferecer aos clientes programas e produtos que consigam aumentar as campanhas de seus sistemas de resfriamento.

Para começar pelo último exemplo, cuja resposta no mercado tem sido mais veloz, vale citar o serviço realizado pela Kurita na central petroquímica gaúcha, a Copesul. Na parada para manutenção da planta 1 da central de matérias-primas, no começo do ano, a Kurita comemorou os cinco anos da campanha contínua de na torre de resfriamento. “Nunca foi necessário sequer mini-paradas, já que os trocadores de calor dos condensadores de propileno mostraram estar em ótimo estado”, diz o superintendente José Aguiar Jr. “O próximo desafio acordado com a Copesul é para campanha de seis anos.”

Para Aguiar, tanto a meta atingida como a próxima esperada se devem união de três fatores. Em primeiro lugar, destaca-se a garantia de uma água de reposição de qualidade, seguida por um controle rigoroso de seus padrões. Depois desses cuidados operacionais, que Aguiar considera possíveis somente por meio de um bom entendimento entre fornecedor e cliente, o outro fator importante é o uso de polímeros resistentes.

No caso Copesul-Kurita, foi utilizado o dispersante Kuriroyal F-509, um dos grades de nova geração produzido no Japão. Para Aguiar, seu principal trunfo é permitir operação com alta concentração de sílica, sem demandar produtos químicos para abaixar o pH a fim de evitar incrustação. O F-509 suporta até 300 ppm de sílica, com variações de pH até 8,7 e temperatura até 70 ºC.

Apesar da extrema importância de controle operacional, o aumento de campanhas depende muito da tecnologia dos polímeros, que precisam cada vez mais suportar elevadas temperaturas, altas concentrações de sais e de tempos de retenção. No caso dos polímeros da Kurita, Aguiar afirma que cada situação da água demanda um tipo da linha Kuriroyal, disponível no Brasil em 12 grades diferentes. “Há alguns mais indicados para situações onde há níveis altos de sólidos suspensos, outros para água com presença acentuada de ferro e assim por diante”, explica.

Inteligência artificial – Outra prova dessa crescente demanda por produtos mais resistentes é uma série de lançamentos da Ondeo Nalco. Como parte de um novo pacote de serviços completos para tratamento de água, denominado Engineering Approach (enfoque de engenharia), a empresa está lançando uma geração de dispersantes terpolímeros acrílicos para operação em condições críticas da água em temperatura, salinidade e tempos de retenção. Os polímeros foram classificados como HSP (high stress polymers), por suportarem o sintoma classificado pela companhia como “estresse elevado” da água do sistema de resfriamento.

Química e Derivados: Água: Sabol - inteligência artificial diminui dependência de soluções da matriz.
Sabol – inteligência artificial diminui dependência de soluções da matriz.

De modo geral, como afirma o gerente de marketing da divisão industrial para América Latina, Anthony Sabol, o HSP pode suportar temperaturas de até 100 ºC, concentrações de sais de até 10.000 mS/cm e dureza cálcica até 2.000 ppm.

“Esses produtos são bem menos consumidos em águas muito contaminadas, com baixa velocidade de fluxo e em ciclos altos”, acrescenta Sabol.

A versão de produtos resistentes da BetzDearborn é a linha denominada Dianodic Plus. Para o gerente Gustavo Villaça, esses polímeros, já largamente utilizados e produzidos pela empresa no Brasil em Sorocaba-SP, suportam condutividade de até 8 mS/cm, dureza cálcica de 2.000 ppm e sólidos suspensos até 200 ppm. Para ele, com o uso da linha e de outras medidas mecânicas e operacionais, a empresa contabilizou para os clientes economia de US$ 5,8 milhões por ano em consumo de água, redução de tratamento de efluentes e consumo de produtos. “Esses valores são confirmados pelos clientes”, ressalta.

Mas, para Anthony Sabol, apesar do progresso dos polímeros, o emprego deles é apenas parte de proposta que a Ondeo Nalco pretende passar a oferecer ao mercado como forma de aumentar a eficiência e duração das campanhas. “Antes de avaliar a química dos sistemas, precisamos considerar os aspectos mecânicos e operacionais, onde boa parte dos problemas existem”, diz.

Na proposta do Engineering Approach, a empresa recolhe todas as informações químicas, mecânicas e operacionais do sistema de resfriamento do cliente para alimentar uma base de dados eletrônica denominada Consultant. Segundo afirma Anthony Sabol, essa etapa, por meio de modelagens matemáticas, gera informações (cálculos, relatórios e gráficos) sobre o desempenho das torres analisadas e o nível de estresse que elas suportam. “Instalamos o programa no cliente e repassamos os dados para a matriz nos Estados Unidos”, diz.

Após ter os dados preliminares em mãos, a fase seguinte é utilizar um software chamado Wizard. Considerado pela empresa uma espécie de “inteligência artificial”, por ter armazenado as soluções e as experiências de vários casos de clientes do mundo inteiro, o software é capaz de gerar recomendações práticas para problemas de corrosão, incrustação, reciclo e reuso de água, e de otimização de programas.

“A inteligência artificial faz com que cada engenheiro de vendas no Brasil, no seu computador pessoal, tenha as mesmas condições de oferecer soluções que qualquer outro expert do grupo espalhado pelo mundo”, afirma Paulo Santiago. Uma outra ferramenta para complementar esse conhecimento acumulado eletronicamente é um fórum internacional organizado na Ondeo Nalco. “Qualquer situação inusitada pode ser colocada em discussão no fórum e, em 24 horas, será respondida por um dos nossos funcionários no mundo”, diz.

Por enquanto, a empresa possui no Brasil apenas quatro clientes se utilizando da nova metodologia de trabalho do Engineering Approach: Deten, Copene, Ream e Ultrafértil. “Mas dentro de pouco tempo muitos outros surgirão”, enfatiza o norte-americano Anthony Sabol, desde junho lotado na subsidiária brasileira.

Gestão completa – Em outra vertente de negócios, a de terceirização total de utilidades, o prazo estimado pelo gerente da Ondeo Nalco para se desenvolver mais negócios no Brasil e no mundo é de cerca de dois anos. Quando começarem, aliás, o gerente será o encarregado no País pela coordenação das operações que envolverão as empresas-irmãs Ondeo Degrémont, de engenharia de equipamentos e sistemas; Ondeo Services, para serviços municipais; e ainda a Tractebel para assuntos de energia, empresa também pertencente ao grupo controlador francês Suez.

Conforme Sabol, embora a nova estrutura pós-aquisições já tenha sido concluída, ainda não houve tempo suficiente para conseguir clientes integrados. “Por estarem mais atualizadas, as multinacionais serão as primeiras a deixar para mãos de especialistas as suas utilidades”, diz. A integração dos serviços entre as empresas co-ligadas da Ondeo, por enquanto, resumem-se a pequenas cooperações. Exemplos disso são os tratamentos das torres e da clarificação de água para a Gerasul, geradora gaúcha controlada pela Tractebel, ou então os serviços de reciclagem de tambores realizados para a Ondeo Nalco pela Vega, também do grupo.

Porém, a concorrente da Ondeo, a BetzDearborn, em parceria com a francesa Vivendi, já está negociando alguns serviços completos de utilidades. O primeiro contrato conjunto foi para a siderúrgica Usinor, em São Francisco do Sul-SC, um BOT de 15 anos com valor aproximado de R$ 70 milhões, que engloba abastecimento e operação de água potável e industrial, bem como tratamento para caldeiras e efluentes, gerenciamento de resíduos industriais e fornecimento de gases industriais e energia.

Mas, pelo andar das cotações, a tendência é aumentar o número desses clientes. A proposta em estado mais adiantado, segundo informa o gerente da BetzDearborn Ricardo Fernandes, é junto à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Volta Redonda-RJ. Ainda não foi fechada pela demora típica da complexidade desses projetos. “Trabalhamos há seis meses na proposta da CSN”, diz Fernandes. “Só para fazer um projeto se leva normalmente um ano e, para começar a operá-lo, depois das construções, mais outro”, concorda o gerente da Ondeo Nalco, Anthony Sabol.

Na CSN, o projeto será no sistema mais integral de negócio, o DBOOM (design, build, operate on maintenance, ou, em português, projetar, construir, operar e fazer a manutenção). O propósito da siderúrgica é reduzir seu custo de água, para diminuir o impacto do breve plano de cobrança sobre sua captação no Rio Paraíba do Sul. Para se responsabilizar pelo tratamento de água e efluentes, e pela reforma de equipamentos, a BetzDearborn contará no consórcio com a parceria das empresas da Vivendi. Além de fabricar equipamentos e sistemas, o grupo francês é dono da Resicontrol-Onyx, de gerenciamento de resíduos, e da Dalkia, especializada em operação de centrais de utilidades.

Negócios em energia – Antes de o mercado de gestão completa deslanchar, os fornecedores vão aproveitando oportunidades pontuais. A mais simbólica, nesse aspecto, é sem dúvida a surgida com a crise energética brasileira. A construção acelerada de usinas termoelétricas, o chamado mercado IPP (independent power plant), engordou a receita das empresas.

Há uma estimativa de que dentro de dois anos praticamente todas as 46 usinas térmicas planejadas pelo Governo estejam em operação. Por enquanto, apenas a BetzDearborn já fechou contrato com 20 delas. E trata-se de grandes negócios, visto que as usinas demandam caldeiras de alta pressão, com média de 160 kgf/cm², e grandes torres de resfriamento, em níveis de vazão de 20 mil m³ ou 30 mil m³.

Para o gerente Ricardo Fernandes, o bom desempenho nesses negócios deve-se aos muitos contratos corporativos internacionais que a Betz possui com a maioria dessas geradoras independentes. São empresas americanas como El Paso Energy e AES, entre outras. Na opinião dele, isso fez com que se obtivesse índice de aproveitamento nas centrais térmicas de 91,5%.

“Os fornecimentos para as geradoras exigem know-how específico, que começa na pesquisa pela melhor forma de captação de água e segue até as orientações para uso de equipamentos”, diz. Uma especificação típica dessa área se refere às restrições ambientais rigorosas das centrais, impostas na maioria das vezes pelo financiador do projeto, o Banco Mundial.

Uma dessas exigências é a proibição de descartes de zinco nos efluentes. Por exemplo, em uma usina da El Paso, em Macaé-RJ, todo o tratamento químico realizado pela Betz será orgânico, utilizando-se dispersantes de alquilepóxi carboxilado (AEC). Nesse caso, foi necessário também deixar de usar fosfatos, proibidos pelo órgão ambiental local.

Não só as termoelétricas representam vendas surgidas no encalço da crise do apagão. O mercado de co-geração de energia pela química de bagaço de cana nas usinas sucroalcooleiras também cresceu. De acordo com o gerente da área da BetzDearborn Mariano Gracino, a grande maioria das usinas hoje é auto-suficiente e um percentual delas caminha para a venda no mercado atacadista de energia. “O único fator um pouco inibidor é a queda do preço do kWh nos últimos meses, depois de ter passado por um boom pós-racionamento”, diz Gracino.

Independente de projetos de co-geração, o setor sucroalcooleiro, para Gracino, passa por uma fase modernizante benéfica a novas vendas. Segundo ele, as usinas, sobretudo as paulistas, começam a se auto-encarar como indústria alimentícia. “Isso se deve à boa parte delas ter migrado da exclusiva produção de álcool para passarem a ser também do ramo do açúcar”, diz. Além disso, de olho em exportações, essas indústrias querem se tornar mais competitivas.

Como conseqüência dessa mudança de mentalidade, as usinas estão demandando produtos químicos para caldeiras com registro na agência americana de administração de alimentos e remédios (FDA). Para atendê-los, a empresa lançou na Fenasucro, em Sertãozinho-SP, neste setembro, uma geração de antiincrustantes, sequestrantes orgânicos e inorgânicos, além de vários outros dispersantes com registro na agência. “Todas as matérias-primas são certificadas pelo órgão americano e podem ser auditadas para comprovação”, garante Gracino.

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