Meio Ambiente (água, ar e solo)

Água: Indústria química faz plano de contingência e amplia reúso para superar período de seca

Antonio C. Santomauro
23 de abril de 2015
    -(reset)+

    Diversificação das fontes – A busca por novos canais de abastecimento é item também presente nas estratégias montadas pela indústria química para enfrentar a seca. Entre as fontes antes desprezadas, mas agora valorizadas, aparece a água de chuva, que a Dow pretende aproveitar em maior escala com um projeto, iniciado no ano passado, em seu site de Guarujá-SP. Composto pela construção de um tanque de armazenamento e ajustes na bacia de contenção, tem por meta recuperar anualmente 50 milhões de litros de águas pluviais.

    Deve se acentuar também a abertura de poços artesianos, que a Fiesp busca incentivar com um estudo – cujos resultados iniciais devem ser divulgados em março –, destinado a averiguar o potencial de exploração de águas subterrâneas ainda existente em regiões como a Grande São Paulo e a bacia administrada pelo consórcio PCJ. “As empresas decidirão o que fazer com os resultados desse estudo, podendo inclusive pensar em explorar conjuntamente eventuais novos poços”, pondera Reis.

    Ele qualifica como “estressante” o cenário atual, no qual o problema da falta de água – e possivelmente também de eletricidade – combina-se com uma conjuntura econômica desfavorável. “A indústria química será uma das mais impactadas por essa conjuntura, pois depende muito de água; a preocupação no setor é enorme”, enfatiza o vice-presidente da Fiesp.

    Mas também empresas sucroalcooleiras começam a ter suas atividades prejudicadas pela falta de água, diz Riedel, da EP Engenharia. “Teremos, provavelmente, um único impacto positivo dessa escassez: todos irão repensar os conceitos de uso desse bem”, afirma.

    Esse uso mais consciente é prognosticado também por Ramos, da Dow. Ele vê, nessa necessidade de racionalização no uso da água um estímulo ao seu reúso em maior escala nas empresas já dotadas da tecnologia necessária para tanto. “Até por questões de segurança operacional, grande parte das indústrias brasileiras já utiliza processos de desmineralização da água, muitas vezes se valendo de membranas; elas poderiam reaproveitar essa água, em vez de simplesmente descartá-las, como fazem várias delas”, observa.

    Caso planeje otimizar seu consumo de água, uma indústria deve inicialmente fechar seus circuitos sempre que isso for possível, recomenda Gebrim, da Enfil. “Muitas operações industriais, como resfriamento, podem ser realizados em circuitos fechados e, com isso, seu consumo de água se não é zerado, é significativamente reduzido”, exemplifica. “Simultaneamente, deve-se desenvolver um trabalho intenso de minimização das perdas em pontos de consumo e nas redes de distribuição, e considerar seriamente a possibilidade do reuso”, finaliza.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *