Meio Ambiente (água, ar e solo)

Água: Indústria química faz plano de contingência e amplia reúso para superar período de seca

Antonio C. Santomauro
23 de abril de 2015
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    Química e Derivados, Werneck: opção pelo reuso ganha impulso com ameaça de escassez

    Werneck: opção pelo reuso ganha impulso com ameaça de escassez

    Legislação inexistente – Teoricamente, o reúso de água parece agora uma iniciativa recomendável por diversos fatores: entre eles, a necessidade de manter o suprimento desse insumo, e atender os preceitos da sustentabilidade ambiental. Porém, considerada apenas em seus aspectos financeiros, no Brasil nem sempre essa é uma opção vantajosa, afirma Sergio Werneck Filho, presidente da Nova Opersan (empresa de soluções relacionadas a abastecimento de água e tratamento de efluentes com cerca de 450 clientes em sua carteira). “Dadas as médias das tarifas de água hoje existentes no país, aqui o reúso ainda é financeiramente pouco atrativo”, argumenta.

    Mesmo na Grande São Paulo, especifica Werneck, dependendo do contrato estabelecido por uma indústria com a concessionária, o reúso pode ser financeiramente pouco interessante. “Mas, se as fontes tradicionais começam a escassear, é preciso pensar em outras possibilidades, e essa se torna uma alternativa a ser mais considerada”, pondera. “Não há nenhum problema de viabilidade técnica para o reaproveitamento de água; em Cingapura, água de reúso é destinada até mesmo para abastecimento doméstico”, ressalta.

    Química e Derivados, Unidade de tratamento instalada pela Nova Opersan em Jundiaí

    Unidade de tratamento instalada pela Nova Opersan em Jundiaí

    Reciclar a água para reaproveitá-la não é medida de implantação imediata. Dependendo do porte da empresa e da qualidade de seus efluentes, entre o estudos iniciais e o start up da operação, um projeto de uma estação de tratamento e reúso pode consumir até dois anos, calcula Mauro Gebrim, gerente comercial da Enfil (provedora de soluções ambientais que no segmento industrial atende cerca de 120 clientes).

    Gebrim considera o reúso da água alternativa competitiva com as opções mais tradicionais de abastecimento também nos quesitos financeiros, e crê que, mesmo sendo seu custo final superior aos cobrados por concessionária ou ao da captação direta, esse reaproveitamento pode ser importante por ajudar a empresa a se tornar autossuficiente no insumo, hoje estratégico. A análise desse custo, ele observa, deve considerar tanto a implantação quanto a operação: “Muitas vezes um custo de implantação maior pode ser compensado com um custo operacional menor”, argumenta Gebrim.

    Química e Derivados, Silva: faltam normas claras para apoiar o reúso de água

    Silva: faltam normas claras para apoiar o reúso de água

    Mas obstáculos cuja remoção não depende apenas das empresas podem, por enquanto, impedir uma elevação acelerada dos índices brasileiros de reúso de água. Entre eles, destaca-se a inexistência de normas específicas para essa reutilização. “Não existe nem lei federal nem estadual sobre esse tema, e as operações de reúso ficam dependentes das licenças dos órgãos ambientais que podem não apenas ser muito rígidos, mas variar bastante de um órgão para outro, e mesmo entre os escritórios regionais de um mesmo órgão”, relata Diego Domingos da Silva, encarregado de engenharia da unidade de negócios Mizumo, do grupo Jacto.

    Como produtos de linha, a Mizumo fabrica estações de tratamento de efluentes sanitários – provenientes de indústrias e de outros ambientes corporativos –, com capacidade variável entre quatro e 360 metros cúbicos por dia; sob demanda, desenvolve também projetos dedicados a volumes maiores. A água proveniente dessas estações pode ser imediatamente empregada em atividades como limpeza de pisos e irrigação, e se passar também por filtração estará apta ao uso em sanitários. Para empregá-la em processos industriais, é preciso submetê-la também a tratamentos com membranas ou tecnologias afins.

    Química e Derivados, Sistema modular de tratamento de efluentes para uso comercial

    Sistema modular de tratamento de efluentes para uso comercial

    Nos últimos meses, relata Silva, aumentou significativamente a procura por essas soluções e a área de pós-venda da Mizumo vem sendo bastante demandada por empresas que já as usavam apenas para condicioná-los para descarte, mas pretendem agora reutilizar a água neles existente. “E, se até há não muito tempo, menos de 5% da demanda por nossas soluções previa reutilização, esse índice está hoje próximo de 80%”, complementa.



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