Química

Água – Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

Marcelo Furtado
15 de fevereiro de 2010
    -(reset)+

    Química e Derivados, Luís Guilherme da Rocha, coordenador de projetos, Água - Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

    Rocha: Fluid fez parceria com a alemã Wherle para difundir MBR no Brasil

    Para se fortalecer nos fornecimentos de MBR, e aumentar assim as vendas em tratamento de efluentes e reúso, a Fluid assinou contrato de parceria com a alemã Wherle, cuja expertise é na engenharia de aplicação de reúso com membranas. “Eles têm mais de 200 MBRs instalados na Europa”, revelou o coordenador. Esse conhecimento, de acordo com Rocha, é fundamental para poder ofertar a tecnologia com mais confiança. “No Brasil, ninguém tem experiência suficiente em MBR para conhecer todos os problemas operacionais que podem ocorrer em uma planta.”

    Os MBRs mais antigos no Brasil, aliás, têm cerca de dez anos: os da Natura, em Cajamar, e do parque Hopi Hari, em Vinhedo-SP, ambos com tecnologia da GE (na época Zenon). Há ainda outros mais recentes instalados pela Centroprojekt do Brasil na unidade da Colgate de São Paulo, com tecnologia de placas planas da japonesa Kubota, cujo start-up foi em setembro de 2009, quando passou a tratar a uma vazão de 20 m3/h o efluente com DBO de 2.600 mg/l. A mesma empresa também instalou outro sistema da Kubota na produtora de anidrido ftálico Petrom, de Mogi das Cruzes-SP, para 10 m3/h de efluente com DBO de 450 mg/l, feito em quatro módulos de membranas a partir de outubro de 2008. Antes disso, porém, a empresa também havia instalado outras quatro unidades, a partir de 2006, em uma indústria de alimentos e bebidas (que não quer divulgar seu nome com medo de que os leitores imaginem que ela usa água de reúso em seus produtos).

    O uso das membranas da Kubota, de acordo com o superintendente comercial da Centroprojekt, Aguinaldo Segatti, mostrou-se bastante resistente e de fácil manutenção. “Nunca trocamos as membranas do Brasil que operam já há quatro anos e há plantas no exterior com mais de dez anos que só trocaram 5% das placas”, disse. Segundo o consultor técnico-comercial da empresa, José Corrêa Carmo Jr., ao contrário das membranas tipo espaguete fibra oca, que com o tempo perdem a permeabilidade por incrustação, as de placas são facilmente limpas por ar. E só precisam de limpeza por hipoclorito de sódio a 0,5% duas vezes por ano, em um processo de duas horas em que um módulo de cada vez tem sua válvula do permeado fechada. “Por ser tão pouco frequente, a limpeza nem precisa ser automatizada, a não ser que o cliente faça questão”, disse.

    Química e Derivados, Francisco Faus, gerente-comercial da Fluid, Água - Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

    Faus vendeu MBR para tratar efluente de produtora de hormônios

    Submersa ou não – A questão da manutenção das membranas de MBR é um tema recorrente entre os debates comerciais dos fornecedores. Além das diferenças entre as membranas planas e tipo espaguete, outro embate se dá entre as tecnologias submersas ou externas. As primeiras são aquelas em que as membranas ficam mergulhadas dentro do tanque biológico e a segunda conta aquela em que há tanques independentes para cada etapa.

    A Norit é a principal defensora da tecnologia com membranas fora do tanque biológico e apenas se utiliza desse expediente para recomendar seus integradores de equipamentos. “É muito mais limpo e seguro. O operador não precisa remover as membranas do tanque biológico para a limpeza, expondo-se a contaminações. E também não há o risco de haver vazamento das membranas, que podem contaminar o lodo ativado e estragar o processo”, disse o diretor da Norit do Brasil, Roberto Freire.

    Na sua opinião, a opção por separar a ultrafiltração do processo biológico é consenso internacional, assim como o fluxo do permeado ser sempre de dentro para fora, no caso das espaguetes. “Tem menos chances de haver incrustação da membrana”, disse. Essa última preocupação, por sinal, fez a Norit desenvolver o sistema air lift em membranas de ultrafiltração para MBR, pelo qual bolhas de ar são constantemente injetadas dentro dos espaguetes, de baixo para cima e junto com o lodo. Esse ar borbulhado ajuda no fluxo e evita a incrustação. “Temos estudos para comprovar que o sistema evita em até 40% a necessidade de paradas para limpeza”, afirmou Freire.

    Química e Derivados, Aguinaldo Segatti, superintendente comercial da Centroprojekt, Água - Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

    Segatti: membranas da Kubota têm manutenção facilitada

    A empresa de membranas do grupo holandês Norit (que ainda conta com mais sete empresas) oferece três tipos de produtos: a Xiga X-Flow, sistema de ultrafiltração para quando não há muitos sólidos suspensos na água; o AquaFlex, membrana cross-flow mais resistente, para água com cargas maiores de sólidos; e a cross-flow MBR, de alta resistência, voltada para esgotos e efluentes contaminados, disponível também na versão air lift.

    Segundo Roberto Freire, a empresa tem vendido bastante no Brasil. Em maior volume, para OEMs que fabricam sistemas pequenos de MBR para shopping centers e condomínios. Em segundo lugar, porém, vêm as indústrias, de variadas matizes. Estão para ser anunciadas, aliás, duas grandes obras para aplicações na indústria, uma delas a maior estação de MBR cross-flow do mundo. “Já está fechado, mas ainda não posso anunciar”, revelou Freire.

    Nos últimos meses, a Norit criou uma divisão para saneamento, não só para participar das concorrências anunciadas no começo dessa reportagem, mas para abordar principalmente concessionárias privadas e algumas companhias de saneamento melhor administradas. O primeiro caso, segundo Freire, tem sido mais receptivo e com vontade real de investir. “Vão sair negócios com esses grupos, que são mais habituados a usar tecnologia avançada”, disse. Já as empresas públicas, apesar de ameaçarem uma mudança de rumo, no geral ainda demonstram escassez de verba para investir.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *