Química

Água – Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

Marcelo Furtado
15 de fevereiro de 2010
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    No privado – Os fornecedores de membranas e sistemas de MBR aguardam com ansiedade a expansão de uso da tecnologia para tratar esgoto sanitário. E isso não só nas primeiras obras em Campos do Jordão e Campinas como principalmente em concessionárias privadas de saneamento, mais abertas a novas tecnologias e com a promessa de em breve instalarem desses sistemas Brasil afora. Vale citar que a Foz do Brasil, empresa de saneamento do grupo Odebrecht, que fará o projeto de reúso Aquapolo para o polo petroquímico de Mauá-SP, definiu o MBR como o tratamento terciário na recuperação do esgoto da ETE ABC da Sabesp, que será interligado e fornecido por tubulação ao polo. Nesta ETE, aliás, já há uma planta piloto da Koch Membrane em teste.

    Química e Derivados, Água - Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

    Unidade de ultrafiltração trata água de abastecimento na Holanda

    Mas, apesar do ânimo e do potencial existente no tratamento de esgoto, os fornecedores também demonstram estar fazendo bons negócios com o setor privado. Há cada vez mais casos em empresas de pequeno, médio e grande porte. Não há dúvidas de que a grande impulsionadora da tecnologia foi a Petrobras, que em seus recentes investimentos em refinarias modernizou suas estações de tratamento de água e efluentes, instalando grandes unidades de MBR, osmose reversa, eletrodeionização, ultrafiltração e várias outras tecnologias. No caso dos biorreatores a membrana já há instalações na Revap, de São José dos Campos-SP, na Repar, em São José dos Pinhais, e no Cenpes, no Rio de Janeiro. As duas primeiras utilizam as membranas de fibra oca da GE Water e a terceira, da japonesa Kubota. E ainda haverá outras instalações, na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca-PE (cuja concorrência foi vencida pela Centroprojekt), e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

    A obra no Comperj, em licitação nesse primeiro semestre, desperta muita cobiça entre os integradores de sistemas para água. Primeiro porque o vencedor se encarregará da engenharia de todas as correntes de água e efluentes, um negócio de R$ 1 bilhão. E, mais especificamente no caso do MBR, o interesse se justifica porque no complexo será construído o maior sistema industrial do mundo, com vazão de 2.200 m3/h.

    De acordo com Rubens Francisco Jr., superintendente de tecnologia da Haztec Aquamec, uma das participantes da concorrência no Comperj, o vencedor do fornecimento deverá escolher entre as tecnologias qualificadas pela estatal para o MBR (Koch, GE, Norit e Kubota). Além do pré-tratamento convencional, com separador água-óleo, físico-químico e com filtro de casca de nozes, após o MBR na unidade haverá polimento com filtro de carvão ativado e, por fim, eletrodiálise reversa (EDR) para desmineralizar a 70% a água e assim alimentar as torres de resfriamento do complexo. “Eles têm escassez de água na região e restrições por causa da Baía de Guanabara”, afirmou Francisco.

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    Skid com membranas Puron voltadas para reúso de esgoto

    Além de participar da concorrência, e por isso mesmo por obrigação estar atenta às opções de MBR, a Haztec Aquamec já instalou uma unidade com a tecnologia para recuperação de chorume no aterro Nova Iguaçu, pertencente ao grupo Haztec (que em dezembro de 2009 comprou totalmente a Aquamec). Com tecnologia de membranas cross-flow da holandesa Norit, o sistema com vazão de 600 m3/dia consegue abater o DQO de 6 mil mg/l, o DBO de 1.500 mg/l e a amônia de 1.500 mg/l desse efluente resultante do aterro. Com pré-tratamento para desnitrificação e nitrificação, há remoção biológica total da amônia e o DQO fica inferior a 200 mg/l.

    Segundo o superintendente, o sistema instalado, que conta ainda com polimento em membranas de nanofiltração da Dow para remoção de sais bivalentes e matéria orgânica, está em processo de patente porque não tem perdas. O concentrado da nanofiltração passa por oxidação química com peróxido de hidrogênio e por dosagem de coagulante férrico, podendo assim voltar para o início do processo na câmara anóxica para ajudar na desnitrificação. “O fechamento do circuito é uma inovação”, comemorou Francisco Jr.

    Parceria – Outras empresas de engenharia também têm o que contar com relação ao MBR. A Fluid Brasil, que em janeiro inaugurou fábrica nova em Jundiaí-SP com 3 mil m2 de área construída, fez planta piloto de MBR para 500 l/h em um contêiner que usa para realizar testes em clientes interessados na tecnologia. Para a demonstração, fez skid com as membranas da Norit Air Lift e Cross Flow. Mas, mais do que a planta piloto, a empresa já começa a implantar sistemas em escala real e promete ter muitas novidades em breve, segundo afirmou o coordenador de projetos, Luís Guilherme da Rocha. “Há muitas cotações em clientes industriais que em breve passarão a usar MBR”, disse.

    No momento a Fluid fornece para a farmacêutica Diosynth, do grupo Merck, um MBR com tecnologia cross-flow da Norit para tratar 6 m3/h de efluente da produção de hormônio com alto grau de contaminação: DQO de 24 mil mg/l e DBO de 27 mil mg/l. De acordo com Rocha, a opção pela tecnologia foi em virtude do alto custo que a empresa tem para despejar o efluente na rede de tratamento da companhia de saneamento, já que o cálculo é baseado no chamado fator K, multiplicador que no final das contas onera os efluentes mais contaminados. “O investimento vale a pena e ainda vai gerar reúso para a torre de resfriamento”, completou o gerente-comercial da Fluid, Francisco Faus. O projeto deve ser entregue em setembro de 2010.



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