Química

Água – Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

Marcelo Furtado
15 de fevereiro de 2010
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    A engenharia compacta do MBR também chamou a atenção dos técnicos da Sanasa. O terreno para a construção já havia sido comprado há alguns anos, quando a ideia era construir uma estação com tratamento anaeróbico, nos moldes de outras existentes da Sanasa. Com 180 mil metros quadrados, nem metade da área será ocupada pelos tanques que adequarão o coração do tratamento, ou seja, os módulos com 48 cassetes e 36 mil m2 de área de membrana cada. “Só o que se economiza de área, ao não precisar de decantadores, já é um argumento importante para uma companhia de saneamento pensar no MBR”, afirmou o gerente de operação de esgoto, Renato Rossetto.

    O valor da obra na estação de Capivari chegará, nos dois lotes, no total de R$ 149 milhões, porque ainda engloba a construção de 41 quilômetros de interceptores e coletores-tronco com diâmetros de até 1.200 mm, além de 8 km de linhas de recalque, sete elevatórias de esgoto bruto, sendo três delas de grande porte, para 290 l/s. Já a concorrência para a ETE Boa Vista (R$ 36 milhões), que ajudará a Sanasa a cumprir seu plano de universalização total dos serviços de água e esgoto até 2012, envolverá apenas a estação completa com o módulo de MBR de 180 l/s, pois o interceptor está pronto. A data para essa concorrência ainda não está definida.

    MBR na serra – Em Campos do Jordão, cidade no alto da Serra da Mantiqueira em São Paulo, haverá o outro MBR para tratamento de esgoto público, em concorrência a ser realizada em breve pela Sabesp (12 propostas foram entregues em 18 de fevereiro). Nesse caso, chama a atenção o motivo que levou a companhia paulista a adotar a tecnologia de membrana: o fato de a estação ter como corpo receptor um rio classe 2 de baixa vazão (Rio Sapucaí-Guassu), com pouca capacidade de diluição dos efluentes tratados e ao lado do Horto Florestal, unidade que faz parte do Parque Estadual de Campos do Jordão.

    Química e Derivados, Renato Rossetto, gerente de operação de esgoto, Água - Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

    Rossetto: economia de área e boa água obtida do esgoto

    Segundo o memorial descritivo da concorrência, em virtude das condições locais, os parâmetros de qualidade do efluente tratado foram de exigência extrema, sobretudo no que diz respeito à remoção de DBO, N nitrato e de coliformes fecais. O rigor fez com que a Sabesp chegasse à conclusão de que apenas alternativas de alto desempenho atenderiam os requisitos. Seria o caso de se usar processos biológicos de alta eficiência (de larga idade do lodo) para abater o DBO total e realizar a nitrificação-desnitrificação. Além disso, seria necessário um processo químico para remoção de fósforo e, para conseguir a forte redução de coliformes fecais, da ordem de 107 para menor de 103 NMP/100 ml, precisaria ser feita a opção ou pela maneira química, com a aplicação de inúmeros desinfetantes, ou pela física, com o uso de radiação ultravioleta ou membranas de ultrafiltração.

    O processo convencional de separação de sólidos suspensos, por decantação e flotação, não seria capaz de garantir o DBO total igual ou inferior a 5 mg/l de forma contínua, concluíram os técnicos da Sabesp. Mesmo sendo mais onerosa, segundo relatou o próprio memorial descritivo, a associação de membranas com o processo de lodos ativados (na variante de aeração prolongada) garantiria a qualidade final do efluente exigida e a estabilidade do processo biológico.

    O sistema em concorrência contará com unidade de tratamento preliminar do esgoto bruto que inclui peneiras, caixa de areia e peneiras finas, para daí alimentar caixa aerada de separação de óleos e graxas, onde serão aplicadas soluções diluídas de hidróxido de sódio para controle do pH no processo biológico e de cloreto férrico para precipitação de fósforo. Após isso, o efluente vai para reatores anóxicos, utilizando misturadores submersíveis. O licor, depois, vai por gravidade para a câmara aeróbica, com difusores de ar tipo bolhas finas. Em seguida, o fluxo segue para elevatória de recirculação, de onde é bombeado para um canal de distribuição dos tanques de membranas. O sistema projetado deve permitir a operação do biorreator com concentração de sólidos suspensos na faixa de 8 mil a 15 mil mg/l e o MBR pode ser com membranas submersas no tanque biológico ou não, em reator separado.

    Química e Derivados, Membranas de fibra oca, Água - Efluentes: Cresce uso da tecnologia de MBR no Brasil na indústria e no saneamento

    Campinas vai usar tecnologia de membranas de fibra oca

    As membranas serão instaladas em quatro tanques de concreto, com cinco cassetes cada. Isso será para a primeira fase do projeto, a contar a partir de 2010. Na fase final, prevista para o longínquo 2040 e seguindo as projeções de crescimento populacional, deverão ser acrescentadas mais duas linhas de membranas, totalizando seis tanques. Mas essa etapa final não faz parte do escopo do fornecimento, disputado com muita ansiedade pelos consórcios de empreiteiras (cujo vencedor cotará o MBR entre os fornecedores de membranas qualificados pela Sabesp).

    A ETE vai tratar o esgoto de toda Campos do Jordão e também da cidade de Descansópolis. É uma obra de R$ 90 milhões e vem solucionar um problema antigo na região, já que a elegante estância climática despeja até então o esgoto in natura nos rios. Nessa primeira fase, o MBR será dimensionado para atender à demanda de geração de horário de pico em alta temporada de 235 l/s, em 2010, até projetados 327 l/s em 2033, cujas operações de vazão média diária serão, respectivamente, de 143 l/s e 202 l/s. Isso significa que o sistema biológico de início precisa de um volume aeróbico total de 10.150 m3. Como qualidade esperada do efluente tratado, a DBO deverá ser inferior a 5 mg/l, nitrogênio-nitrato menor que 10 mg/l, nitrogênio amoniacal menor que 1 mg/l, fósforo total inferior a 0,1 mg/l , turbidez abaixo de 1 NTU e coliformes fecais no limite de 200 NMP/100 ml.



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