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Agroquímicos: Safra recorde anima, mas entraves regulatórios freiam avanço tecnológico

Marcelo Fairbanks
21 de agosto de 2017
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    Química e Derivados, Benavides: outros países têm sistemas mais ágeis e seguros

    Benavides: outros países têm sistemas mais ágeis e seguros

    Ruim para a indústria – A demora em obter o registro de novos princípios ativos ou formulações de moléculas já conhecidas prejudica os agricultores, afastando-os de tecnologias mais modernas, capazes de melhorar sua eficiência produtiva e a sustentabilidade das lavouras. Prejudica também a indústria química, que poderia colocar sua criatividade a serviço dessa atividade econômica, cujo desempenho positivo contrasta com o modorrento andar da economia nacional.

    “Os ingredientes de formulação chamados inertes, porque não se confundem com os ativos, diferenciam o desempenho dos produtos e a sua aplicação”, explicou Tlacaelel Benavides, gerente e marketing de soluções industriais da Dow para a América Latina. “O ciclo de uso de tecnologias no Brasil é muito longo, outros países são mais ágeis, isso limita o desenvolvimento de produtos por aqui.”

    Entre as qualidades que os inertes podem agregar às formulações de agroquímicos constam a redução de deriva (desvio do produto para fora do alvo desejado durante a aplicação), compatibilização de substâncias da mistura, aumento de concentração de ativos, formulação de combos, entre outros. O portfólio oferecido pela Dow para esse mercado é amplo e compreende solventes sintéticos, surfactantes (com efeito emulsificante, umectante, dispersante e estabilizante), aminas neutralizantes, modificadores reológicos, anticongelantes e biocidas. Parte desses itens tem produção local, em Aratu-BA e Guarujá-SP, enquanto os demais são importados dos Estados Unidos.

    “Aqui no Brasil, qualquer modificação nos inertes da formulação, ainda que o princípio ativo seja exatamente o mesmo, exige passar pelo mesmo rigoroso processo de registro, que demora mais de sete anos”, lamentou Benavides. Ele salientou que mudanças de formulação com o mesmo ativo são registradas em 48 horas nos Estados Unidos. “Eles trabalham com uma lista negativa, contendo as substâncias que não podem ser usadas, as restantes estão liberadas, é muito rápido e seguro”, comentou. “A Europa é menos liberal que os EUA, mas os registros nesse caso também são muito mais rápidos do que no Brasil.” Segundo ele, a vizinha Argentina não demora mais do que seis meses para registrar novos produtos e isso resultará em vantagens para sua produção agrícola.

    Benavides salienta que a introdução ou substituição de inertes é feita mediante estudos específicos para cada caso. “Não são modificações triviais, temos laboratórios nos Estados Unidos e no Brasil para estudar as solicitações que, depois, os formuladores precisarão testar no campo antes de iniciar a produção em escala comercial”, ressaltou. Como disse, a química oferece muitas possibilidades, mas é preciso traduzir os benefícios para os clientes.

    Química e Derivados, Santos: formulações avançadas reduzem as perdas por deriva

    Santos: formulações avançadas reduzem as perdas por deriva

    Um dos aspectos que ainda se mantém entre as tendências mundiais do setor é a substituição dos solventes aromáticos nas formulações de defensivos agrícolas. “São substâncias com elevado poder de solvência e baixo custo, que funcionam muito bem com vários ativos, mas há uma preocupação internacional com sua toxicidade, embora ainda não exista uma solução única para todos os casos”, comentou Luís Gustavo dos Santos, especialista técnico de soluções industriais da Dow para a América Latina.

    Outra tendência, essa mais recente, é a preocupação com formulações que reduzam a ocorrência de deriva durante as aplicações. “Isso se consegue controlando o peso e o tamanho da gota e também da reologia da formulação; estão sendo obtidos bons resultados de uns cinco anos para cá”, afirmou Santos, enfatizando a disponibilidade de produtos no mercado internacional para esse objetivo.

    Benavides chama a atenção para a falta de regulamentação específica para os produtos coadjuvantes de uso agrícola. São os óleos minerais, agentes umectantes ou espalhantes adesivos, entre outros, comercializados separadamente das formulações de defensivos. “Assim, embora não contenham nenhuma substância ativa contra pragas, essa classe de produtos precisa seguir o processo de registro dos defensivos, passando pelos mesmos ensaios complexos”, lamentou. “Esse seria um grande campo para introduzir inovações químicas que oferecessem características e propriedades diferentes para melhorar o desempenho dos defensivos.”

    Outra tendência internacional que está atrasada no Brasil é o uso de apresentações sólidas como alternativa para os defensivos vendidos na forma líquida. “Os sólidos são mais concentrados, reduzem o espaço de armazenagem, custo de embalagem e transporte, além de apresentar mais facilidade no manuseio”, afirmou. Porém essa opção exige investimentos em equipamentos diferentes de produção, feita mediante outros processos industriais. Além disso, nem todos os ativos são adequados para esses processos.

    Benavides considera que os órgãos oficiais de controle no Brasil estão atentos aos problemas regulatórios e já começaram a fazer consultas públicas e esforços para mudar as normas que regem esse sistema. “De qualquer forma, nós da indústria química não podemos desanimar e parar de pesquisar, porque o mercado é dinâmico”, completou.



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