Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Agroquímicos: Produção de formulados acompanha mudanças na China

Marcelo Fairbanks
13 de junho de 2019
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    Química e Derivados, Agroquímicos: Dependente de importações, produção local de formulados acompanha mudanças na China

    Hirata comentou que a reestruturação da produção chinesa de agroquímicos busca aumentar a qualidade e a competitividade no mercado global. “As empresas de fundo de quintal estão sumindo; em agroquímicos, eram 4.500 fabricantes, metade dos quais praticamente informais, isso acabou”, disse. O governo chinês quer, no máximo, três fabricantes chineses grandes por princípio ativo, com escala suficiente para suprir a demanda global.

    Essa perspectiva leva à formação de grandes conglomerados industriais naquele país. “A ChemChina, por exemplo, comprou a israelense Adama e fundiu seus negócios com a suíça Syngenta e, recentemente, também com a compatriota Sinochem, formando um gigante mundial em defensivos, fertilizantes e sementes”, apontou. Esse processo terá repercussões na revisão dos registros dos seus produtos no Brasil, prevê.

    A dinâmica comercial dos chineses por aqui também está mudando. “Em 1999, por exemplo, os chineses nem davam bola para o Brasil, vendiam produtos para quem fosse até lá comprar; hoje eles já estão atuando diretamente por aqui e querem agregar cada vez mais valor aos seus produtos”, explicou.

    Isso representa um risco para a indústria brasileira, uma grande formuladora de produtos finais. “O custo Brasil é maior do que o custo China, dependendo da logística e da política tributária, ou vamos importar produtos formulados lá ou os chineses virão formular aqui”, prevê. O Brasil tem disponibilidade ampla de ingredientes para fazer formulações, na sua avaliação.

    Nesse quadro, Hirata recomenda formar parcerias com os fornecedores chineses de insumos químicos, porém com alguma cautela. “Algumas empresas chinesas querem exclusividade e isso representa um risco elevado, pois o Brasil é grande e a logística é deficiente, talvez seja melhor ter mais de um fornecedor”, considerou. Ele também alerta para o fato de traders chinesas muitas vezes se identificarem como produtoras, e isso poderá impedir o registro no Brasil. “É preciso ir até lá para conhecer as instalações do fornecedor antes de qualquer acordo”, disse.

    A Índia está ganhando importância como produtora de agroquímicos, mas ainda está muito longe da posição chinesa. “A Índia tem complexos fabris que estão crescendo, já possuem excedentes para vender a outros países”, comentou. “Eles têm grande vantagem na produção do Fipronil, pois contam com uma cadeia de intermediários mais baratos e mais disponíveis que a China.”

    Hirata comentou que o Brasil perdeu o timming para se tornar um produtor de escala global de agroquímicos e dificilmente terá outra oportunidade. “Isso é natural, os Estados Unidos, por exemplo, não têm tecnologia para fazer um trem-bala, eles também estão atrasados no desenvolvimento da comunicação 5G, os chineses se tornaram craques nos dois casos”, comparou. China e Índia foram mais ágeis, desde a década de 1980, e também se esforçaram para abrir mercados para os seus produtos.

    Aliás, a China não se restringe a produzir genéricos, mas investe em pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas de uso na agricultura. “As grandes companhias europeias e americanas lançam cada vez menos produtos técnicos, os chineses estão muito mais ativos, porém precisam internacionalizar esses itens, submetendo-os a registro em outras regiões, inclusive no Brasil”, afirmou. “Temos o maior mercado do mundo para agroquímicos, quem quer ser grande no ramo precisa estar aqui.”

    Casos especiais – Nos últimos anos, duas pragas exóticas ameaçaram a produção de soja no Brasil: a helicoverpa (largarta com apetite voraz) e a ferrugem asiática (um fungo altamente danoso ao cultivo). O controle dessas infestações só foi possível com a aprovação rápida de defensivos agroquímicos. “Esse tipo de situação é classificada como caso prioritário e conta com uma via rápida de aprovação, com tempo reduzido pela metade para registro provisório”, explicou Hirata, para quem os critérios para enquadramento nessa situação deveriam ser mais técnicos. Isso está previsto no PL 6.299.

    Para o especialista, a aprovação rápida impediu a concentração de mercado em pouquíssimos fabricantes que já contavam com produtos registrados para os casos.

    Outra forma de fast track é a via judicial. “Quem entra com ação judicial contra a demora consegue mandado para que o governo se manifeste em 120 dias sobre o seu pleito, contados a partir da data do protocolo da ação”, explicou. Caso a documentação esteja completa e correta, pode haver uma aceleração no registro.

    Antes, as empresas esperavam vários anos antes de ingressar com ações judiciais. Atualmente, as ações estão se multiplicando. “Isso é ruim, quem consegue o mandado ‘fura a fila’ e acaba atrasando ainda mais os processos dos demais; o correto seria ter um sistema mais racional para todos.”



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