Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Agroquímicos: Produção de formulados acompanha mudanças na China

Marcelo Fairbanks
13 de junho de 2019
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    Química e Derivados, Agroquímicos: Dependente de importações, produção local de formulados acompanha mudanças na China

    Pulverização sobre lavoura de soja em Rio Verde-GO

    Dependente de importações, produção local de formulados acompanha mudanças na China

    O Brasil é pródigo em paradoxos. Um dos mais curiosos consiste é o fato de o país ser um dos maiores produtores mundiais de produtos agropecuários e abrigar a sexta maior indústria química do mundo, mas não ser capaz de desenvolver uma indústria local de fertilizantes e de defensivos agrícolas. Esses dois grupos de produtos respondem por mais da metade do déficit comercial do setor químico de US$ 26,6 bilhões em 2018.

    São várias as causas desse descompasso entre a produção de demanda por insumos químicos no campo. No caso dos fertilizantes, é preciso considerar a baixa disponibilidade de recursos minerais de baixo custo, afetando diretamente a oferta de derivados de fósforo e potássio. Nos nitrogenados, dependentes basicamente de metano, o problema deriva da regulamentação do mercado que inibe investimentos em capacidades de produção de amônia e derivados.

    Química e Derivados, Marina: burocracia e gás caro brecam investimentos no setor ©QD Foto: Divulgação

    Marina: burocracia e gás caro brecam investimentos no setor

    “A indústria brasileira paga mais pelo gás natural do que a europeia, isso impede investimentos; e, com o desenvolvimento do Pré-Sal, temos uma oferta enorme de gás de baixo custo que poderia ser usado como matéria-prima industrial e também para gerar energia”, comentou Marina Mattar, diretora de relações insitutcionais e de sustentabilidade da Abiquim. Ela também coordena os trabalhos da comissão de agroquímicos da entidade.

    Marina informou que a Abiquim e a Frente Parlamentar da Inúdstria Química (composta por 240 deputados e senadores) discutem com os Ministérios da Economia e o de Minas e Energia medidas que possam ser implementadas para reduzir pela metade o custo do gás uso industrial. “Precisamos criar o Novo Mercado de Gás, estabelecendo a concorrência entre players, com direito de compartilhar a malhas de transporte existente”, disse. “Percebemos que há grande receptividade por parte do atual governo federal para esses pleitos.”

    Além de garantir a quantidade de gás natural, a Abiquim chama a atenção para a qualidade do suprimento. “Estamos pleiteando o limite de 9% de etano no gás comercializado, é o padrão mais aceito no mundo, isso dá mais estabilidade para os equipamentos consumidores e evita queimar o etano, molécula valiosa para a produção petroquímica”, afirmou.

    Outro entrave é burocrático. A diretora da Abiquim informou a criação da Mesa Executiva da Indústria Química por parte do Ministério da Economia, um canal direto de comunicação setorial (outros setores terão suas mesas específicas) voltado para o aumento da eficiência e competitividade. “Precisamos reduzir o peso da burocracia nos negócios, isso é fundamental”, comentou Marina. Além disso, as deficiências de infraestrutura logística prejudicam a atividade industrial. “Sai mais caro trazer um contêiner de Salvador-BA para Santos-SP do que trazer o mesmo contêiner da China.” Segundo a diretora, os entraves burocráticos no campo da logística representam um custo total de R$ 180 milhões apenas para setor químico. O dado foi obtido mediante o estudo Desburocratize a Química, liderado pela Abiquim.

    No campo dos produtos agroquímicos, Marina considera que manter uma estrutura de regulamentação e aprovação de produtos extremamente rígida e complexa, como a brasileira, acaba incentivando o contrabando, o roubo e a falsificação dos defensivos agrícolas. “Estamos atentos a isso, existe um Projeto de Lei de autoria do deputado Jerônimo Goergen, membro da FPQ, que pretende endurecer as penas contra essas práticas criminosas”, afirmou. Trata-se do PL 2079/2015, atualmente em análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara Federal.

    Recorde de aprovações – Em 2018, o Ministério da Agricultura registrou 450 produtos agroquímicos, um recorde histórico. Em 2017, apenas 277 produtos foram registrados. Esse dado foi divulgado de forma sensacionalista, de forma a criar a ilusão de que o país teria se tornado um paraíso para os fabricantes de “venenos” contaminantes de alimentos e destruidores do meio ambiente.

    Um olhar mais atento aos dados mostra que a situação é bem outra: o Brasil é o inferno para o registro de insumos agroquímicos. A aprovação recorde de 2018 não decorreu de nenhuma alteração legislativa ou de alguma pressão indevida por parte do governo federal de então. A maior atividade dos órgãos públicos registrantes – o porcesso envolve três ministérios, da Agicultura, Saúde e Meio Ambiente – pode ser explicado pela longa fila de espera pelas decisões oficiais, hoje estimada em mais de dois mil pedidos, e pela entrada em cena de um novo agente: o poder judiciário, que emite ordens para que a burocracia se manifeste com mais agilidade, quando provocado.



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