Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Agroquímica: Insumos garantem safras recordes, mas sofrem com regulação estatal lenta

Marcelo Fairbanks
24 de julho de 2013
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    A safra de grãos que está na fase de colheita é recorde, foi avaliada em 185 milhões de toneladas pela Conab. Com preços favoráveis, os produtores rurais investiram para aumentar a produtividade e, como resultado, seus rendimentos. Estatísticas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) mostram que o setor movimentou US$ 9,7 bilhões de janeiro a dezembro de 2012, 14% acima dos US$ 8,5 bilhões do ano anterior. A relação cambial durante 2012 ficou perto de R$ 2,00 por dólar em boa parte do período, contra a média de R$ 1,60 a R$ 1,70 de 2011, impactando o resultado.

    Química e Derivados, Brasil aplica defensivos com eficiência

    Brasil aplica defensivos com eficiência

    “Os agricultores se comportam de acordo com o mercado: quando as indicações de preço são ruins, eles reduzem a aplicação de fertilizantes e defensivos, mas quando a tendência é de alta, eles investem mais na produção”, comentou. Uma potência agrícola tropical como o Brasil é um prato cheio para os defensivos. Com terra e clima que permitem cultivos sucessivos, sem ter o inverno gelado dos produtores situados na zona temperada, o país também sofre com a maior infestação de pragas e fungos. Isso coloca o país como o campeão mundial de consumo de defensivos, em volume.

    Daher comenta com cautela essa observação. “Realmente somos os maiores consumidores, mas também somos o país campeão no uso eficiente dos defensivos”, afirmou. O Brasil consumiu, em 2011, US$ 7,39 de defensivos por tonelada produzida de produtos agrícolas. O índice da China é de US$ 1,31/t; dos EUA, US$ 9,42; da Argentina, US$ 12,44; e da União Europeia, US$ 20,65. “A cada cem dólares de defensivos que aplicamos nas lavouras, obtemos 13 t, enquanto a França obtém 4 t e o Japão apenas uma tonelada.”

    Embora o país seja líder agrícola e tenha bons indicadores de uso de fertilizantes e defensivos, ainda há muito a melhorar. Por não observar a necessidade de rotacionar cultivos ou, pelo menos, deixar o terreno vazio por um intervalo de tempo (a janela sanitária), algumas pragas e doenças apresentaram forte evolução, caso da ferrugem da soja e do “lagartão” (Helicoverpa) polivalente, que ataca vários cultivos. “Temos deficiências também na tecnologia de uso e aplicação, apesar dos esforços que as empresas vêm fazendo há anos para difundir conhecimento”, salientou. Ele também enfatizou a necessidade de alternar os princípios ativos usados, evitando a seleção de espécies resistentes, como é o caso de algumas ervas invasoras que já resistem ao glifosato – fato verificado no Brasil e na Argentina.

    Química e Derivados, Ranking dos importadores

    Ranking dos importadores

    No caso dos defensivos, a questão das importações é semelhante à verificada nos fertilizantes. O Brasil é um grande consumidor, mas depende da importação de princípios ativos. Mais recentemente, a importação de produtos finais embalados começou a aparecer como alternativa para reduzir custos, colocando em risco até a atividade de formulação local. “Por depender de importação, as variações cambiais pesam no negócio; e como o preço da soja e de outros cultivos tem subido lá fora, um fenômeno compensou o outro”, considerou. Ele acredita que os produtores sentiram mais o peso dos defensivos nos custos pela necessidade de promover maior número de aplicações, especialmente de fungicidas para controlar a ferrugem da soja.

    “Como não há investimentos na produção química, vamos continuar dependendo das importações de princípios ativos, embora tenhamos um mercado consumidor gigantesco”, disse Daher. A Andef reúne 13 companhias internacionais que tradicionalmente investem no desenvolvimento de novas moléculas agroquímicas, um trabalho lento e caro. O retorno desse investimento é obtido durante o período de proteção conferido pela patente, de vinte anos, quando explora com exclusividade a sua invenção.



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