Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Agroquímica: Insumos garantem safras recordes, mas sofrem com regulação estatal lenta

Marcelo Fairbanks
24 de julho de 2013
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    Química e Derivados, Defensivos começaram bem o ano de 2013

    Defensivos começaram bem o ano de 2013

    No caso do gás natural – o metano é o melhor hidrocarboneto para a síntese de amônia, como doador de hidrogênio no processo Haber-Bosch; e o carbono liberado pode ser aproveitado mais tarde na produção de ureia –, a descoberta do gás de xisto (shale gas) nos Estados Unidos está influenciando mudanças drásticas no mercado de nitrogenado. “Pela primeira vez, em 2012, o preço da ureia desacoplou das cotações do petróleo”, apontou o diretor executivo da Anda.

    Ainda é cedo para dizer se os Estados Unidos voltarão a ser exportadores de nitrogenados, mas, de qualquer forma, a tendência dos preços internacionais é de queda. O Brasil tem o pré-sal para explorar, com grande quantidade de gás natural associado ao óleo, e também possui reservas de xisto de possível exploração. No futuro, isso poderá alavancar a indústria de nitrogenados. Os dados disponíveis da IFA (sobre 2010) ainda não registram o impacto do shale gas.

    Química e Derivados, Ranking dos consumidores de fertilizantes

    Ranking dos consumidores de fertilizantes

    A comparação entre os rankings de produtores e consumidores mundiais de NPK (ver tabelas) permite verificar que o consumo é mais concentrado em poucos países. Isso se explica pelo fato de existirem vários países com disponibilidade de matérias-primas fundamentais. O Oriente Médio e a Rússia, por exemplo, têm muito gás natural barato disponível. O Canadá conta com jazidas abundantes de potássio, que são exploradas com competência. O Brasil tem mais facilidade para produzir fósforo e nitrogênio, pois conta com poucas ocorrências comerciais de potássio. Mas a lista de obstáculos à produção é grande.

    O caso do ICMS é o mais emblemático das complicações para se produzir no Brasil. “Quando um fertilizante cruza a fronteira estadual, ele é taxado em média em 8,4% de ICMS sobre operações interestaduais, ou seja, se o produto importado for desembaraçado no estado de consumo, ele não será tributado”, informou Roquetti. Isso cria uma distorção que pune o fabricante nacional, pois a produção é concentrada em algumas unidades de alta escala.

    Química e Derivados, Ranking dos produtores

    Ranking dos produtores

    A venda de fertilizantes sintéticos deve se manter aquecida, pois a população mundial cresce a cada ano e precisa de alimentos. “O Brasil é um dos poucos países que ainda tem terra de uso agrícola disponível, mas a chave para enfrentar o problema da fome mundial está no aumento da produtividade”, comentou Roquetti. Ele informou que, em 1992, a produtividade das 16 principais culturas do país era de 1,4 tonelada por hectare cultivado. Em 2010, esse indicador chegou a 15 toneladas por hectare. “Isso foi conseguido pela aplicação de um pacote tecnológico, que inclui sementes melhoradas, fertilizantes, defensivos, maquinário e práticas de manejo, e permitiu evitar o uso de 80 milhões de hectares adicionais”, explicou.

    “Além disso, o Brasil é considerado o país que apresenta o uso mais equilibrado de fertilizantes, evitando os exageros que eram vistos na Europa e nos Estados Unidos, mas na quantidade que repõe os nutrientes retirados pelos cultivos”, disse Roquetti, com base em estudos do International Plant Nutrition Institute (IPNI).

    Química e Derivados, Daher: aprovação lenta de moléculas retarda combate às pragas agrícolas

    Daher: aprovação lenta de moléculas retarda combate às pragas agrícolas

    Defensivos em boa fase – Os resultados do primeiro trimestre de 2013 animaram os produtores de defensivos agroquímicos. “Entre janeiro e março, registramos um aumento de vendas de 22%, chegando a R$ 2,3 bilhões”, afirmou Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). Os inseticidas perderam um pouco de participação de mercado, caindo de 45% para 40%, na comparação com o mesmo trimestre de 2012. Enquanto isso, os herbicidas passaram de 34% para 36% das vendas, crescimento superado pelos fungicidas, de 15% para 19% do total.

    Daher avalia que o desempenho excepcional do trimestre pode ser explicado por duas razões. A primeira se refere a um atraso nos cultivos de algumas regiões, explicado pelo clima. Isso teria retardado algumas aplicações de insumos, transferidas de 2012 para 2013. A outra explicação diz respeito à formação de hedge contra variações cambiais. “Os grandes produtores formaram estoques de insumos porque estão muito capitalizados e, como o seu produto é de exportação, temem eventuais mudanças na relação cambial, que seriam desfavoráveis a eles”, comentou.

    Mesmo considerando essa antecipação de compras, Daher acredita que o bom desempenho nos primeiros meses do ano seja capaz de garantir os resultados do ano todo. “Tudo indica que a renda agrícola irá crescer no Brasil, a soja e o milho estavam com estoques mundiais baixos, os preços subiram e devem permanecer nesse patamar em 2013, mas em 2014 isso pode mudar”, alertou, chamando a atenção para os efeitos da crise mundial nos preços das commodities agrícolas.



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