Aditivos para Concreto – Química ajuda a construir estruturas mais resistentes com maior rapidez

Da multinacional de origem norte-americana CP Kelco – presente no Brasil com uma fábrica de insumos para a indústria alimentícia –, a Braschemical está importando um aditivo integrante do grupo dos modificadores de viscosidade, com o qual é possível produzir o concreto autoadensável (apto a moldar-se nas formas apenas sob influência de seu peso, sem necessidade da vibração). “Esse aditivo tem como base a goma diutana, e permite usar agregados de menor qualidade e métodos mais ágeis de aplicação, entre outros”, diz Rafael Bueno de Carvalho, gerente de negócios da Braschemical.

Química e Derivados, Evolução das resistências, Aditivos para concreto
Tabela 1: Clique para ampliar – *Estimativa de vendas no mercado interno

Oferta diversificada – Além de lançar novos produtos, empresas do setor buscam diversificar as fontes de seus insumos: as emulsões poliméricas para argamassas impermeabilizantes da Clariant, antes desenvolvidas principalmente com acrilato de butila, hoje têm versões baseadas também em ácido versático (essa é, aliás, a base dos polímeros em pó lançados neste ano pela empresa para argamassas colantes e de rejuntamento).

Reinaldo de Arruda Sampaio, gerente técnico e de vendas da área de construção da unidade de negócios de emulsões da Clariant, vê nessa diversificação um fator de maior flexibilidade e competitividade. “O ácido versático também gera algumas características de produtos mais específicas, como elevada elasticidade”, acrescenta.

Em sua unidade industrial application, a Clariant produz outros aditivos – e insumos a eles destinados –, como incorporadores de ar, antiespumantes e aditivos antipoeira. Na opinião de Márcia Rios, gerente dessa unidade da empresa na América Latina, a evolução tecnológica desses produtos atualmente privilegia construções mais rápidas, leves e seguras. “Argamassas que não apresentem contaminação microbiológica em ambientes úmidos também são desejadas no mercado de construção”, ela complementa.

Denominados biocidas, os aditivos capazes de gerar essas argamassas resistentes a micro-organismos nocivos mesmo em ambientes úmidos são produzidas por empresas como a própria Clariant, e também por outras, como a Thor, uma especialista no tema.

Desenvolvidos com moléculas do grupo das isotiazolinonas, esses biocidas podem beneficiar tanto os usuários dos produtos – por exemplo, combatendo fungos, algas e bactérias em argamassas de rejunte colocadas em ambientes úmidos – quanto os fabricantes, que com eles protegem seus estoques.

Para argamassa de rejunte, a Thor disponibiliza aditivos em aplicações dry film (filme seco). “Eles protegem a argamassa contra o crescimento e a proliferação de fungos e algas, com todas as propriedades requisitadas pelo mercado e pelas questões técnicas e regulatórias”, afirma Ridnei Brenna, diretor-geral da Thor Brasil. “Para concreto, temos ativos biocidas direcionados aos aditivos baseados em lignosulfonatos e resinas sintéticas”, ele acrescenta. No caso do concreto, os aditivos são fornecidos pela Thor em sistemas líquidos.

Já a Wacker comercializa produtos aproveitados principalmente em argamassas colantes, mas com utilizações também em impermeabilizantes, argamassas autonivelantes e para isolamento térmico, entre outras. Desenvolvidos com um copolímero de acetato de vinila com etileno, eles encontram no crescente uso dos porcelanatos um fator de incremento de demanda. “Em peças cerâmicas tradicionais, como os azulejos, o cimento penetra nos poros e aumenta de volume após a sua hidratação, promovendo aderência física; no porcelanato, que é pouco poroso, uma argamassa convencional não consegue aderir”, explica Leonardo Dias, gerente de marketing da Wacker na América do Sul.

Química e Derivados, Ricardo Faria, Vedacit / Otto Baumgart, aditivos para concreto
Faria: plastificantes representam o maior volume desse negócio

E a Vedacit/Otto Baumgart disponibiliza aditivos plastificantes, superplastificantes, incorporadores de ar, retardadores e aceleradores de pega, aceleradores de resistência, compensadores de retração e impermeabilizantes para concreto; para argamassas, tem plastificantes, compensadores de retração e impermeabilizantes. Por enquanto, como destacou Ricardo Faria, engenheiro civil do departamento técnico-comercial da Vedacit/Otto Baumgart, os aditivos plastificantes ainda compõem o segmento gerador do maior volume de negócios. “Mas aqueles que hoje ganham mais espaço no mercado são os superplastificantes tipo II, devido à sua eficiência e à melhoria de suas condições comerciais”, especifica Faria, referindo-se aos produtos desenvolvidos com moléculas de policarboxilato.

Rompendo fronteiras – Além de acelerar as obras, os aditivos potencializam possibilidades antes pouco usuais de aplicação de produtos feitos de cimento, como as paredes de concreto, em escala ascendente de utilização, especialmente em conjuntos habitacionais dirigidos ao público de baixa renda. Essa possibilidade, aliás, também decorre da busca por processos construtivos mais rápidos.

Juntamente com a ABCP e o Instituto Brasileiro de Telas Soldadas (IBTS), a Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem (Abesc) integra um grupo de trabalho focado nessas paredes, que, de acordo com Arcindo Vaquero y Mayor, consultor técnico desta, “exigem superplastificantes, pois o concreto deve ser suficientemente fluido para preencher as formas cujas espessuras têm média de dez centímetros”.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página
Mostrar mais

7 Comentários

  1. ola boa tarde! vou fazer estacas de concreto para cerca de arame liso, gostaria se alguem pode informa um tipo de cimento que inibe a oxidaçao da armaçao e a proporçao do concreto, areia, brita e o cimento indicado.

    grato Francisco Ediel

  2. Gostaria de saber se há um aditivo para colocar no concreto que será piso de um free stall, pois a urina das vacas é corrosiva. Portanto um anti-corrosivo para urina de vacas….agradeço e aguardo

    1. Rosângela, bom dia! Você pode fazer o concreto com um Cimento sulfo aluminoso ou, os tipos CP III – RS que contém altas quantidades de escória e o CP IV que é um cimento que tem Pozolana ( Cinzas Volantes)..Eles evitam que a urina das vacas corroam o concreto..Qualquer coisa, me contate via e-mail: moreira.Rubens@outlook.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios