Aditivos alimentícios – Ultraprocessados provocam disputa

O mercado de alimentos e bebidas se vê às voltas com uma polêmica acerca dos produtos ultraprocessados.

Química e Derivados - Aditivos alimentícios - Ultraprocessados provocam disputa entre ministérios ©QD Foto: Divulgação

As discussões vieram à tona quando se tornou público um ofício que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) enviou ao Ministério da Saúde (MS), solicitando reformulações no Guia Alimentar para a População Brasileira.

As principais críticas em relação ao documento dizem respeito à ideia de que quanto mais o alimento for processado, mais prejudicial à saúde ele será.

O imbróglio se fez, pois não se trata de um consenso. Aliás, está longe disso.

Meses antes, representantes da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) se reuniram com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e lhe entregaram uma nota técnica com um pedido de reavaliação do guia.

A discussão acabou desencadeando uma série de reações, como um manifesto de autoria da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, trazendo aos holofotes a temática dos alimentos ultraprocessados.

Num primeiro momento, a ministra considerou a possibilidade de promover alterações no conteúdo do guia, mas, no final das contas, rejeitou o ofício, devolvendo-o para a Secretaria de Política Agrícola, autora do texto, pedindo sua reformulação.

Segundo Carlos Monteiro, coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo Nupens/USP, a atitude da líder da pasta reforçou que aspectos relacionados às questões nutricionais são de competência da área da Saúde.

Química e Derivados - Aditivos alimentícios - Ultraprocessados provocam disputa entre ministérios ©QD Foto: Divulgação
Carlos Monteiro: guia alimentar teve grande aceitação internacional

“Há um claro conflito de interesses: a indústria lucra com a venda de alimentos ultraprocessados, e o agronegócio lucra com a venda de produtos de origem animal”, diz Monteiro.

 

Vale mencionar que as recomendações do guia, que funcionam como uma ferramenta de educação e norteiam políticas públicas de alimentação e nutrição, orientam para a redução do consumo de ultraprocessados e de carne vermelha.

A publicação existe desde 2006, e sua segunda e mais recente edição data de 2014. Apresentada como documento oficial do Ministério da Saúde, o guia contou com a colaboração técnica do Nupens/USP, da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde.

Monteiro explica que compete, portanto, ao MS a decisão sobre possíveis revisões.

Para ele, aliás, caso alguma alteração seja feita, a única adequada seria tornar restritas as recomendações sobre o consumo de alimentos de origem animal, que têm, comprovadamente, um grande impacto ambiental negativo.

O Guia – Guia Alimentar para a População Brasileira

 

O Guia Alimentar para a População Brasileira se pauta na classificação Nova, que agrupa os produtos segundo o nível de processamento.

Na prática, os alimentos ficam separados em quatro categorias: alimentos in natura e minimamente processados, ingredientes culinários, alimentos processados e alimentos ultraprocessados.

A orientação é clara: a população deve preferir consumir alimentos minimamente processados e evitar os ultraprocessados.

Este último grupo, de acordo com definição da publicação, abrange produtos em cujos rótulos há cinco ou mais ingredientes e nos quais são mencionados nomes pouco familiares e não usados em preparações culinárias, como gordura vegetal hidrogenada, óleos interesterificados, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa e ainda espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários outros tipos de aditivos.



O guia cita como exemplos de ultraprocessados bebidas adoçadas com açúcar ou adoçantes artificiais, pós para refrescos, embutidos e outros produtos derivados de carne e gordura animal, produtos congelados prontos para aquecer, produtos desidratados (como misturas para bolo, sopas em pó, “macarrão” instantâneo e “tempero“ pronto), além dos salgadinhos “de pacote”, cereais matinais, barras de cereal, bebidas energéticas, maioneses, molhos industrializados e biscoitos recheados, entre outros.

 

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