Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Adesivos: Substituição da fixação mecânica garante crescimento a longo prazo

Marcelo Furtado
14 de agosto de 2013
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    A tecnologia anteriormente utilizada pela Mitsubishi brasileira (Grupo Caoa) para essa aplicação era o epóxi monocomponente. Mas, ao contrário do acrílico, que cola em 20 minutos em temperatura ambiente, o epóxi só cura em forno do revestimento no final da produção do carro. Isso significa que a colagem incompleta faz a peça perder o seu dimensional, durante o movimento da linha de produção, exigindo ajuste posterior. Além disso, afora o epóxi, pontos de solda eram necessários para firmar a peça, o que exige uma linha apenas para lixar e retirar as saliências. “O adesivo é mais caro, mas o ganho na produção, com a retirada da solda e dos retrabalhos, paga rapidamente o seu uso”, disse. Em final de homologação em outra montadora no Brasil, a tecnologia é padrão nos Estados Unidos em montadoras como Chrysler, GM e Ford; e na Europa, na Mercedes-Benz e na BMW.

    Outro mercado no qual a Lord desenvolveu aplicações no Brasil – e, aliás, com mais facilidade, por serem empresas nacionais que não precisam homologar seus processos nas matrizes – foi o náutico. Um trabalho conjunto com os principais fabricantes de barcos permitiu que os processos manuais, em que cada peça do barco era colada uma a uma no chassi com rolos ou pincéis ou fixada com parafusos, fossem substituídos por uma colagem única com adesivo acrílico 100% sólidos. “O que levava uma semana passou a levar três horas para curar sob pressão toda a estrutura interna do barco”, comemorou o gerente.

    O campo de ação da Lord para difundir mais aplicações para seus adesivos no Brasil e na América Latina é muito grande, segundo explicou Leonhardt. Há potencial de sobra na indústria de transporte (por exemplo, para colagem de trailers de caminhões, hoje ainda sob o domínio das centenas de rebites) e, mais recentemente, o mercado de óleo, gás e energia passou a ser visto como uma nova frente de negócios para a empresa globalmente. Neste caso, o Brasil, com vários investimentos na camada do pré-sal e na colagem de pás eólicas, por exemplo, torna-se um alvo para a venda de adesivos estruturais (conexão de tubulações de petróleo ou gás seria um possível uso). Bom lembrar que a Lord também é tradicional fornecedora de compósitos elastoméricos antivibração, muito comuns na indústria aeroespacial e na de transportes em geral, que podem ser usados em tubulações de óleo e gás.

    A confiança nos mercados emergentes é tanta que a Lord investe R$ 50 milhões em nova fábrica em Itupeva-SP, a ser inaugurada em 2015 e que aumentará sua capacidade atual de produção de mil toneladas/ano para 2,5 mil t, com espaço para maior crescimento. A nova unidade, em terraplanagem, ocupa terreno de 40 mil m2, contra 8 mil m2 da atual, a ser descontinuada.

    A meta global da Lord incorpora essa confiança nos BRICs. Hoje, 50% dos negócios da empresa estão nos Estados Unidos, mas o objetivo, para 2030, é fazer com que 70% das vendas sejam oriundas de outros países. Cumprindo esta meta, que inclui dobrar de tamanho a cada cinco anos, a Lord chegará em 2030 a um faturamento global de US$ 4 bilhões, contra o faturamento de US$ 1 bi previsto para 2013. E a perspectiva de os seus adesivos tomarem o mercado dos ultrapassados sistemas de fixação mecânica, sobretudo em países emergentes, com certeza deve contribuir com a estratégia da empresa.



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    2 Comentários


    1. Moni

      O adesivo epoxi e poliuretana são bons demais, e podem ser feitos a partir de fonte renovável (o que daria uma ideia mais verde). Talvez esse adesivo epoxi usado não estava acompanhado de um endurecedor a T ambiente, ou é necessário epoxi com grupos que colem melhor peças metalicas (epoxi com titanio, prata). Eu como estou começando com o epoxi, levanto a bandeira do grupo oxirano que é bem reativo, por causa da tensão do anel.


    2. Adriano

      Olá amigo, ótimo texto.
      Eu gostaria de desenvolver meu TCC sobre esse tema: Vantagens de aplicação de Adesivos e relação a processos convencionais (Rebites, Parafusos, Solda).
      Você saberia me indicar alguma empresa que poderia me apoiar fornecendo amostras, estudos, pesquisa, relatórios, etc. Qualquer coisa seria útil. Eu quero comparar as propriedades mecânicas, custo-benefícios, e outras vantagens e desvantagens dessa inovação tecnológica.
      E também algumas referências bibliográficas sobre o tema?
      Eu queria fazer esse trabalho, mas não estou conseguindo fontes suficientes para desenvolver esse estudo.
      Grato pela atenção, aguardo retorno. Adriano



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