Adesivos – Setor continua a se modernizar e intensifica exportações

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Adesivos

Mercado bastante maduro, tanto em tecnologia como no aspecto comercial, o setor de adesivos e selantes tem conseguido nos últimos anos superar as intempéries macroeconômicas, mantendo taxas favoráveis de crescimento e se inovando com uma certa constância. Se o ritmo ainda não é o mesmo do verificado na China, cujo consumo de adesivos cresce em torno de 9% ao ano, a média brasileira também é respeitável. Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), de uso interno dos associados e recém-finalizados (alguns informados em primeiro mão à Química e Derivados), revelam que a produção brasileira de adesivos registrou taxas de crescimento de 4,6% ao ano, entre 2000 e 2003, sendo que no último ano a média foi de 5,2%, chegando a 176,2 mil t. Nada mal para um mercado avaliado em US$ 550 milhões pela consultoria americana Kusumgar, Nerlfi & Growney, em estudo de 2003, e em US$ 390 milhões segundo as estimativas da Abiquim (baseadas em dados de 30 empresas importantes).

Química e Derivados - Consumo de Adesivos Na Regiões grafico ©QD
Consumo de Adesivos Na Regiões

Essa escalada da produção nacional, mesmo não correspondente à do faturamento do setor, que em virtude da desvalorização cambial e dos aumentos internacionais de matéria-prima manteve taxas levemente negativas nesse mesmo período (de -1,2% a.a. entre 2000 e 2003), se explica principalmente pela modernização do consumo local. Isso porque os tipos de adesivos com maiores níveis de crescimento, e portanto os mais responsáveis pelo desempenho positivo global do setor, são aqueles cujas tecnologias costumam ser consideradas as mais avançadas e também mais limpas ambientalmente. Ou seja, foi a demanda pelo novo que fez a produção crescer.

Química e Derivados: Adesivos: Kampff comemora diminuição de déficit comercial. ©QD Foto - Cuca Jorge
Kampff comemora diminuição de déficit comercial.

Nesse caso, ganharam crescente destaque os adesivos hot-melt, com crescimento médio anual de 12% entre 2000 e 2003, registrando nesse último ano um acréscimo relevante de 14,3% na sua produção. Muito versáteis, 100% sólidos e termofundíveis, com alta produtividade e aplicações em vários setores, os hot-melts, com esse desempenho, provam substituir os adesivos base solvente, que por sinal registraram na pesquisa da Abiquim a menor taxa de crescimento, de apenas 3,7% ao ano nesse período, sendo que em 2003 houve até uma queda de 3,6% em confronto com o ano anterior.

Também substituindo os bases solvente, evitados em todo o mundo em razão dos problemas ocupacionais de algumas das formulações (com tolueno ou n-hexano), os adesivos aquosos demonstraram bom desempenho. A taxa média de crescimento anual no período alcançou 4,1%, com destaque para o aumento de 11,4% na produção registrado em 2003.

Uma outra família de adesivos cuja produção colaborou com o crescimento total foi a de especialidades, formada por adesivos como os cianoacrilatos, epóxis e poliuretanos. Este item, classificado na pesquisa da Abiquim como “outros”, teve crescimento médio de 12,3% no período abordado.

Brasil exporta – Além do aumento da produção, e do fato de ela ter se verificado em adesivos mais modernos, a pesquisa também revelou outro movimento de evolução do mercado brasileiro, segundo ressalta o coordenador da comissão setorial de colas, adesivos e selantes da Abiquim, Julio Muñoz Kampff.

“Os produtores brasileiros estão começando a exportar com mais seriedade, tanto para aproveitar a ociosidade de várias fábricas novas como para compensar a instabilidade do mercado interno”, diz Kampff, também diretor para América do Sul da Henkel Technologies.

Química e Derivados: Adesivos: adesivos_grafico_02. ©QDOs números da Abiquim, coletados em 30 empresas que representam mais de 80% do mercado, dão conta de que as vendas externas de adesivos cresceram, em dólares, a uma média de 36,7% ao ano desde 2000, e em volume, por volta de 54% a.a.. Há casos impressionantes de crescimento, como em adesivos base água, com taxa média anual de 185%, em dólares, e de 218%, em volume. Isso se deve às várias novas produções de base água no Brasil, seja de adesivos de contato, em empresas como Alba e Brascola, ou de outros para laminação, em grupos como Henkel, Sovereign e Rohm and Haas. Chama a atenção ainda nesse novo cenário exportador o aumento nas vendas de hot-melts, de 40% a.a., em dólares, no período de 2000 a 2003, e de 18% no caso dos adesivos especiais. Isso sem falar no início das exportações de selantes (de PU e silicone), atividade então incipiente no País. Essa “estréia” fez a taxa de crescimento ser de 270% ao ano, em dólares, e de incríveis 820%, em volume.

Com esses números, o saldo comercial do setor, segundo números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), caiu 12%, de US$ 35,1 milhões, em 2002, para US$ 31,6 milhões, em 2003. Embora as importações tenham ainda aumentado no mesmo período, cerca de 4,3% – de US$ 53,7 milhões para US$ 56 milhões -, o aumento nas exportações foi muito maior, de cerca de 31%, passando de US$ 18,6 milhões para US$ 24,3 milhões.

“Esses resultados são muito positivos, principalmente porque mostra que a indústria nacional tem condições de exportar produtos manufaturados e com mais valor agregado, visto que grande parte das vendas foi de especialidades”, comemora Julio Kampff. Para ilustrar seu comentário, o dirigente cita o exemplo da própria Henkel. “Aumentamos as vendas para o exigente mercado americano e em itens como a linha de poliuretanos sem solvente para laminação de embalagens flexíveis, além de hot-melts e cianoacrilatos”, afirma. No cômputo geral, a Henkel aumentou no último ano 28%, em valores, as vendas externas.

Logicamente, os números da Abiquim refletem o ocorrido com várias outras empresas. Isso porque, se a maior parte dessas indústrias já tinha como tendência natural procurar novos clientes no exterior para escoar a produção, com o desempenho negativo do mercado interno de adesivos, que segundo a Abiquim registrou queda de 2,4% nas vendas em dólares em 2003, a ordem passou a ser “conquistar o mundo”.

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Consumo de Adesivos por Produto Final

Nacional se globaliza – Um exemplo bastante ilustrativo desse novo movimento ocorreu com a Brascola, de São Bernardo do Campo-SP, tradicional fabricante nacional de completa linha de adesivos de consumo e industriais. A lembrança da empresa vale sobretudo porque o início de sua nova estratégia de exportação coincide com a época em que o mercado interno entrou em período recessivo. Há pouco mais de um ano, o grupo decidiu deixar de lado sua postura tímida de vendas externas, que até então envolviam apenas 2% do seu volume de produção, assumindo um projeto de longo prazo para se firmar como competidor global.

Química e Derivados: Adesivos: Avelar - exportações vão da África aos Estados Unidos. ©QD Foto - Cuca Jorge
Avelar – exportações vão da África aos Estados Unidos.

O primeiro passo da empresa foi criar uma gerência de exportação. Para isso, contratou um profissional especializado, Carlos Avelar de Souza, com experiência em comércio exterior adquirida até em uma estada por três anos no Oriente Médio, quando era funcionário da Avibrás, fabricante de lançadores de foguetes. Sob a sua batuta, a Brascola criou uma estratégia de vendas que foi rapidamente colocada em prática, fazendo o gerente acumular milhagens aéreas em viagens por todo o mundo.

A tarefa inicial de Avelar foi eleger, dentro do portfólio de mais de 700 itens de produtos da Brascola, os considerados “exportáveis”. Mas para ser coerente, essa escolha precisou ser feita em conjunto com outra: a dos países e regiões com potencial de compra.

“Precisei usar uma rede internacional de contatos, e pesquisar muito, para saber quais as demandas de adesivos existem nas várias regiões do mundo e para entender a tradição de colagem de cada país”, explica. A estratégia tem explicação óbvia, dada pelo próprio gerente da Brascola: “Não adianta tentar vender para mercados com competição já consolidada”, diz.

Para entender melhor o trabalho de prospecção, basta conhecer seus resultados, ou seja, onde efetivamente a Brascola estabeleceu contatos e iniciou exportações. Na América Latina, a empresa já fechou bons contratos com o México, para onde passou a fornecer ao setor de calçados. Trata-se aí de um mercado formado por grandes indústrias, produtoras de até 30 mil pares diários e exportadoras para o exigente Estados Unidos.

A determinação do mercado americano, bastante restritiva ao uso de adesivos base solvente, faz a indústria mexicana de calçados precisar empregar alternativas base água. Dessa forma, a Brascola em 2004 passou a fornecer galões de 4,5 l e 9 litros do adesivo de contato de poliuretano monocomponente base água (marca AquaPren), empregados na colagem de solados. Embora não revele os clientes nem a quantidade fornecida, para evitar o interesse de novos concorrentes, Avelar afirma “tratar-se de contratos importantes com mais de um produtor”.

Os outros fornecimentos na América Latina servem como explicação para as peculiaridades que precisam ser compreendidas pelo exportador. No restante dos países latinos, não comprometidos como o mexicano com o mercado americano, a demanda da indústria calçadista é por adesivos de contato base solvente. “Além de não terem essa preocupação ambiental e ocupacional, esses países compram mais por preço”, afirma o gerente de exportação. Nesses casos, a Brascola procurou atender à demanda e vem fechando bons pedidos, segundo ele.

Química e Derivados: Adesivos: Linha da Brascola - vendas externas quase triplicaram em um ano. ©QD Foto - Cuca Jorge
Linha da Brascola – vendas externas quase triplicaram em um ano.

Subindo um pouco o continente, a Brascola conseguiu, de acordo com Avelar, superar um desafio no quesito exportação: vender para os Estados Unidos. “O mercado americano é muito competitivo, maduro e difícil de atender a todas as exigências tarifárias ou não (como as ambientais)”, diz. Acrescente-se a isso os novos procedimentos restritivos ao transporte e comercialização de produtos químicos pós-11 de setembro e a tarefa tornou-se ainda mais hercúlea. “Para vender para os americanos hoje em dia é preciso mandar um contêiner de documentos”, brinca Avelar.

Apesar de todas as dificuldades, a Brascola fechou contratos de private label (produtos embalados com a marca da empresa varejista) com uma grande rede americana de supermercados. Será produzida para esse cliente, mantido em sigilo, toda a linha da marca Araldite de adesivos de borracha epóxi, tradicional bicomponente de uso doméstico, nas formas pastosa, em bisnagas e seringas, ofertados em variados tempos de cura. A Brascola, aliás, tem a concessão de comercialização no Brasil do Araldite, produzido localmente pela americana Huntsman, detentora da marca.

O contrato de private label, segundo Avelar, servirá para a Brascola também como um cartão de visitas nos Estados Unidos e em outros países. Embora nesse tipo de negócio não se venda diretamente a marca, que não pode vir estampada na embalagem, a informação a outros possíveis clientes de que a empresa vende para um grande grupo varejista abre as portas para novas negociações. E, aliás, não é só essa modalidade de negócio que a Brascola já conseguiu realizar nos Estados Unidos. Serão enviados contêineres de adesivos de contato de policloropreno base solvente (linha Colabrás) para uma indústria de móveis.

Química e Derivados: Adesivos: Silvana cura por UV e EB é a próxima tendência.
Silvana cura por UV e EB é a próxima tendência.

Mas as vendas externas da empresa não param no continente americano e se estendem a localidades mais “exóticas”. Para começar, a Brascola aproveita um momento de trégua nas guerras étnicas em vários países africanos para vender adesivos vinílicos para colagem de tubos de PVC rígido (marca Super Cola Tubo). “Esses países passam por um momento de reconstrução e fazem compras por meio de seus governos”, diz. Para evitar calotes, Avelar recebe antes da entrega. A idéia na África é iniciar as vendas por esses adesivos, mais baratos, e depois expandi-las para outros com maior valor agregado. Outra investida é no Leste Europeu, mercado em processo de desenvolvimento pós-comunismo, para onde venderão em breve hot-melts para aplicação em embalagens.

O ímpeto globalizante da Brascola, que fez a empresa quase triplicar as exportações em um ano, segue também um plano geral de ampliação da empresa. Isso tudo começou, há três anos, com a compra dos 50% das ações ainda em mãos da alemã Kömmerling, tornando-se a partir daí inteiramente nacional. “A ordem então foi fortalecer a empresa como grupo brasileiro”, explica Avelar. Fez parte dessa iniciativa a compra da produtora de hot-melts Colabene, do Rio de Janeiro (ver QD-395, pág 57), e a da fabricante de bisnagas Labortube, de Diadema-SP. Cinqüentenária em 2004, e de propriedade da família Mergenthaler, a Brascola quer crescer mais e projeta no mínimo dobrar de novo suas vendas para o exterior em 2004.

Gosto por novidade – Mesmo com o desempenho do mercado interno aquém do desejado nos últimos dois anos, o que de certa forma levou as empresas à exportação, a evolução tecnológica do consumo de adesivos no Brasil caminha a passos largos. Como provaram as estatísticas da Abiquim, demonstrando que os adesivos base água, hot-melts e especialidades ganharam terreno em detrimento dos bases solvente, os fornecedores são unânimes em notar uma mudança para melhor na consciência dos clientes. Um certo gosto por novidades do consumidor industrial brasileiro ajuda nessa tendência de modernização.

Foi o ocorrido, por exemplo, no mercado gráfico, grande consumidor de adesivos hot-melts para encadernação (bookbinding) de livros e revistas. Tradicionalmente, as gráficas brasileiras utilizavam os de EVA (ver QD-401, pág. 10). Ocorre que de uns anos para cá os principais fornecedores de adesivos (Henkel, Sovereign, National Starch, principalmente) começaram a demonstrar as vantagens que um hot-melt de poliuretano reativo (PUR) possui sobre os vinílicos e a importar para venda-teste em algumas gráficas interessadas. Pois bem, essa migração deu certo e hoje trata-se de mercado consumado.

Química e Derivados: Adesivos: PU reativo 'invadiu' as gráficas nacionais. ©QD Foto - Divulgação
PU reativo ‘invadiu’ as gráficas nacionais.

“Várias gráficas trocaram de equipamento para usar o PUR, que tem muito mais qualidades”, afirmou a gerente geral da Sovereign do Brasil, Silvana Reis, que importa de sua matriz americana desses adesivos. Segundo ela, o consumo cresceu tanto que não seria de se estranhar se em breve algum dos produtores passasse a produzi-lo no Brasil. A única dúvida, porém, é se essa nacionalização valeria a pena, pelo menos no caso da Sovereign. Isso porque as matérias-primas teriam que continuar a ser importadas.

As vantagens do PUR são muitas. Para começar, possuem resistência a temperaturas bem mais elevadas, de 90ºC contra até 50ºC dos de EVA. Além disso, também contam com maior resistência a frio, sem provocar alterações no livro abaixo da temperatura de congelamento. Voltado para publicações mais duradouras, como livros didáticos e Bíblias, segundo Silvana o percentual de aplicação do PUR no Brasil cresceu tanto que chegou a superar o indíce de alguns países desenvolvidos. Compartilha desse otimismo com o PUR o diretor da Henkel, Julio Kampff, para quem as vendas do produto marca PURmelt crescem a ponto de justificar no futuro a produção local.

Esse gosto por novidades dos clientes brasileiros incentiva os fornecedores com mais know-how tecnológico a tentarem introduzir mais tecnologias. A própria Sovereign, com fábrica inaugurada há dois anos em Vinhedo-SP (ver QD-401, pág. 14), está fazendo divulgação intensa no Brasil para tentar vender uma nova tecnologia de adesivos com cura por UV (raios ultravioletas) e por eletrobeam (por feixe de elétron, EB). Voltado para o mercado de laminação de embalagens flexíveis, trata-se de adesivos (monômeros e oligômeros especiais) 100% sólidos que têm a propriedade de aderir instantaneamente por meio da radiação ou de raios UV ou de feixe de elétrons.

Segundo o gerente de vendas da Sovereign, José Américo Tondato, o investimento do cliente em um primeiro momento é trocar o forno e a unidade de secagem uitlizados para os adesivos bases água ou solvente por lâmpadas de UV ou pela estação de cura por EB. No primeiro caso, trata-se de um investimento de cerca de US$ 50 mil (dependendo das lâmpadas) e no segundo, de US$ 250 mil.

Mas após o investimento, para ele, a empresa só terá ganhos. Em primeiro lugar, porque a cura é instântanea, ao contrário dos adesivos convencionais de poliéster e poliuretano que levam no mínimo 72 horas. “Isso possibilita o corte da embalagem na hora”, diz Tondato. Além disso, por serem sólidos, não haverá evaporação de solventes e a velocidade de processo também será muito maior. A única ressalva, com relação ao adesivo por UV, é ainda não ter sido aprovado pelo americano FDA, por falta de prova de sua não-migração para os alimentos. Mas isso não impedirá, na opinião da gerente geral Silvana Reis, que esses adesivos sejam a próxima etapa evolutiva da colagem de filmes laminados. “A primeira evolução foi a dos solventless; a segunda será a dos UV e EB”, explica.

Química e Derivados: Adesivos: Tondato - cura e corte na hora.
Tondato – cura e corte na hora.

Para Silvana, essa tecnologia também reitera o foco da empresa em especialidades, não só de adesivos como de revestimentos (também fornece vernizes UV e microesferas de enchimento). Com uma produção de cerca de 140 t/mês em Vinhedo, a empresa atua principalmente em adesivos base água e de alta perfomance (com barreiras de proteção a gorduras, por exemplo) para laminação. Isso não impede, porém, que a empresa continue a produzir hot-melts EVA, responsáveis por grande volume de vendas, mas não pelos maiores lucros.

Essa preocupação da Sovereign em se concentrar em especialidades, sobretudo por atuar bastante no mercado de adesivos de PU e PS para laminação de embalagens flexíveis, é compreensível. Trata-se de nicho muito concorrido no Brasil, no qual três grandes indústrias diputam os fornecimentos: Henkel, a italiana Coim e a Rohm and Haas. E para agravar a situação, o perfil do setor de embalagens brasileiro é considerado muito pulverizado, com várias empresas médias e pequenas, que acabam provocando uma guerra de preços.

Compartilha dessa opinião o diretor para América Latina de adesivos e selantes da Rohm and Haas, Guillermo Laborato. Na sua avaliação, esse mercado avaliado em até US$ 80 milhões na América Latina realmente tem um caráter diferente no Brasil. “Nos outros países latinos, há poucos e grandes laminadores”, diz. Com fábrica nova em Jacareí-SP, a empresa, segundo Laborato, consegue driblar essa concorrência acirrada ampliando seu leque de adesivos especiais. Ganha destaque aí a linha base água Robond de cura rápida (2 a 3 horas), produzida no Brasil desde o final de 2003, e outros de alta perfomance, como os de adesivos PU sem isocianato.

Adesivos – Custo ainda preocupa

As agruras com a concorrência são apenas parte dos problemas para a indústria de adesivos. Um fundamental que vem se agravando com os anos é o do aumento dos custos de matéria-prima. Por ser um mercado no qual a maior parte dos insumos são petroquímicos, fica fácil entender, sobretudo ao se constatar que o preço do barril do petróleo está em níveis estratosféricos (US$ 40).

Química e Derivados: Adesivos: Laborato - competição acirrada em laminados.
Laborato – competição acirrada em laminados.

Estima-se que as altas de diversas matérias-primas, apenas no mercado de emulsões poliméricas para adesivos, tenham representado oscilações de custos em adesivos de 20% a 80% nos últimos dois anos.

Só para citar o exemplo da Rohm and Haas, segundo o diretor Laborato, apenas no primeiro trimestre de 2004, em comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento no propeno de 28% e nos álcoois de 15%. Isso fez com que o preço dos monômeros acrílicos aumentassem 20%. Empregados em uma infinidade de adesivos, desde os pressure sensitive (PSA) até os de laminação e os automotivos, dá para se ter uma idéia do prejuízo. Sobretudo ao considerar que a indústria de adesivos não consegue repassar todo o reajuste. A Rohm and Haas anunciou mundialmente aumentos de apenas 5% a 8% em suas emulsões acrílicas.

“Se mundialmente esse cenário já preocupa, quanto mais no Brasil”, relatou o diretor da Henkel, Julio Kampff. A observação do executivo tem a ver com o aumento do Custo Brasil logo no início do ano, por meio do incremento da carga tributária (leia-se aí Cofins) sobre o setor produtivo. “Foi a pior hora para aumentar impostos”, diz. O único alento, neste ano, tem sido a recuperação de uma economia importante para o Brasil, a Argentina, e o lento renascimento do mercado interno, que para alguns, como a Rohm and Haas e a própria Henkel, já demonstra estar comprando um pouco mais. Agora é só manter viva a esperança.

Química e Derivados: Adesivos: Factori prevê novas fábricas de selantes. ©QD Foto - Cuca Jorge
Factori prevê novas fábricas de selantes.

Degussa confia nas vendas de silanos

A modernização do mercado nacional de adesivos e selantes atrai o interesse dos grandes grupos de especialidades químicas. A alemã Degussa é um deles. Segunda maior produtora mundial de silanos, atrás apenas da General Electric, a empresa fortalece sua atuação na venda desses importantes promotores de adesão empregados nas formulações de selantes de silicone e poliuretano.

“Temos recebido muitas consultas de grupos interessados em transferir produção de selantes para o Brasil”, afirmou o gerente de produto da Degussa, Edson Factori. Sem revelar os nomes, essa procura encontra correspondência com as taxas de crescimento do mercado de selantes no Brasil, registradas pelas estatísticas da Abiquim e já citadas na presente reportagem.

Os silanos são fundamentais para os selantes, não apenas como promotores de adesão, mas também como agentes cross-linkers na síntese dos polímeros e como seqüestradores de umidade.

Química e Derivados: Adesivos: Fabretti - sílicas para aquosos. ©QD Foto - Cuca Jorge
Fabretti – sílicas para aquosos.

Sua propriedade de ancoragem química, provocada por duas reações (da hidrólise do radical tri-alcóxi e desta com a hidroxila da superfície aderida), é vantajosa por permitir adesão da matriz polimérica em qualquer substrato inorgânico, como metal e vidros.

Muito dependentes do mercado de construção civil e automobilístico, onde os selantes são mais usados, os últimos dois anos não foram muito animadores, apesar de em 2003, segundo Factori, ter havido uma certa recuperação do mercado de reposição de selantes de PU (empregados em colagem de pára-brisa principalmente).

Adicionado na formulação em percentuais de 1% a 5% sobre o polímero, como promotor de adesão, e de 10% a 15% como cross-linker, a preços que variam desde US$ 15 até US$ 500/kg, os silanos da Degussa (linha Dynasylan) são importados da Alemanha (Rheinfelder) e dos Estados Unidos (Mobile). Recentemente, aliás, a empresa lançou na Europa uma versão de silano hipoalergênica (Dynasylan 1146), já que algumas pessoas são alérgicas ao produto.

Química e Derivados: Adesivos: Produção local de selantes cresce a cada ano. ©QD Foto - Divulgação
Produção local de selantes cresce a cada ano.

Mas a Degussa não fornece apenas os silanos para adesivos. Outra linha de produto é a de sílicas pirogênicas (linha Aerosil), empregadas como agentes tixotrópicos (redutores de viscosidade por agitação) em quase todos os tipos de adesivos, de hot-melts até borrachas de silicone.

Química e Derivados: Adesivos: pistola_2. ©QDE também há uma novidade nessa área. Recentemente, a Degussa lançou um tipo específico para sistemas base água, o COK-84. Segundo o chefe de produto, Alex Fabretti, com um teor de óxido de alumínio combinado com o dióxido de silício a empresa conseguiu resolver um problema nas formulações aquosas. “Esses adesivos tradicionalmente perdiam efeito de tixotropia”, explicou.

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