Adesivos, Colas e Selantes

Adesivos – Setor continua a se modernizar e intensifica exportações

Marcelo Furtado
2 de abril de 2004
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    Química e Derivados: Adesivos adesivos_abertura. ©QD

    Adesivos

    Mercado bastante maduro, tanto em tecnologia como no aspecto comercial, o setor de adesivos e selantes tem conseguido nos últimos anos superar as intempéries macroeconômicas, mantendo taxas favoráveis de crescimento e se inovando com uma certa constância. Se o ritmo ainda não é o mesmo do verificado na China, cujo consumo de adesivos cresce em torno de 9% ao ano, a média brasileira também é respeitável. Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), de uso interno dos associados e recém-finalizados (alguns informados em primeiro mão à Química e Derivados), revelam que a produção brasileira de adesivos registrou taxas de crescimento de 4,6% ao ano, entre 2000 e 2003, sendo que no último ano a média foi de 5,2%, chegando a 176,2 mil t. Nada mal para um mercado avaliado em US$ 550 milhões pela consultoria americana Kusumgar, Nerlfi & Growney, em estudo de 2003, e em US$ 390 milhões segundo as estimativas da Abiquim (baseadas em dados de 30 empresas importantes).

    Química e Derivados - Consumo de Adesivos Na Regiões grafico ©QD

    Consumo de Adesivos Na Regiões

    Essa escalada da produção nacional, mesmo não correspondente à do faturamento do setor, que em virtude da desvalorização cambial e dos aumentos internacionais de matéria-prima manteve taxas levemente negativas nesse mesmo período (de -1,2% a.a. entre 2000 e 2003), se explica principalmente pela modernização do consumo local. Isso porque os tipos de adesivos com maiores níveis de crescimento, e portanto os mais responsáveis pelo desempenho positivo global do setor, são aqueles cujas tecnologias costumam ser consideradas as mais avançadas e também mais limpas ambientalmente. Ou seja, foi a demanda pelo novo que fez a produção crescer.

    Química e Derivados: Adesivos: Kampff comemora diminuição de déficit comercial. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Kampff comemora diminuição de déficit comercial.

    Nesse caso, ganharam crescente destaque os adesivos hot-melt, com crescimento médio anual de 12% entre 2000 e 2003, registrando nesse último ano um acréscimo relevante de 14,3% na sua produção. Muito versáteis, 100% sólidos e termofundíveis, com alta produtividade e aplicações em vários setores, os hot-melts, com esse desempenho, provam substituir os adesivos base solvente, que por sinal registraram na pesquisa da Abiquim a menor taxa de crescimento, de apenas 3,7% ao ano nesse período, sendo que em 2003 houve até uma queda de 3,6% em confronto com o ano anterior.

    Também substituindo os bases solvente, evitados em todo o mundo em razão dos problemas ocupacionais de algumas das formulações (com tolueno ou n-hexano), os adesivos aquosos demonstraram bom desempenho. A taxa média de crescimento anual no período alcançou 4,1%, com destaque para o aumento de 11,4% na produção registrado em 2003.

    Uma outra família de adesivos cuja produção colaborou com o crescimento total foi a de especialidades, formada por adesivos como os cianoacrilatos, epóxis e poliuretanos. Este item, classificado na pesquisa da Abiquim como “outros”, teve crescimento médio de 12,3% no período abordado.

    Brasil exporta – Além do aumento da produção, e do fato de ela ter se verificado em adesivos mais modernos, a pesquisa também revelou outro movimento de evolução do mercado brasileiro, segundo ressalta o coordenador da comissão setorial de colas, adesivos e selantes da Abiquim, Julio Muñoz Kampff.

    “Os produtores brasileiros estão começando a exportar com mais seriedade, tanto para aproveitar a ociosidade de várias fábricas novas como para compensar a instabilidade do mercado interno”, diz Kampff, também diretor para América do Sul da Henkel Technologies.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivos_grafico_02. ©QDOs números da Abiquim, coletados em 30 empresas que representam mais de 80% do mercado, dão conta de que as vendas externas de adesivos cresceram, em dólares, a uma média de 36,7% ao ano desde 2000, e em volume, por volta de 54% a.a.. Há casos impressionantes de crescimento, como em adesivos base água, com taxa média anual de 185%, em dólares, e de 218%, em volume. Isso se deve às várias novas produções de base água no Brasil, seja de adesivos de contato, em empresas como Alba e Brascola, ou de outros para laminação, em grupos como Henkel, Sovereign e Rohm and Haas. Chama a atenção ainda nesse novo cenário exportador o aumento nas vendas de hot-melts, de 40% a.a., em dólares, no período de 2000 a 2003, e de 18% no caso dos adesivos especiais. Isso sem falar no início das exportações de selantes (de PU e silicone), atividade então incipiente no País. Essa “estréia” fez a taxa de crescimento ser de 270% ao ano, em dólares, e de incríveis 820%, em volume.

    Com esses números, o saldo comercial do setor, segundo números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), caiu 12%, de US$ 35,1 milhões, em 2002, para US$ 31,6 milhões, em 2003. Embora as importações tenham ainda aumentado no mesmo período, cerca de 4,3% – de US$ 53,7 milhões para US$ 56 milhões -, o aumento nas exportações foi muito maior, de cerca de 31%, passando de US$ 18,6 milhões para US$ 24,3 milhões.

    “Esses resultados são muito positivos, principalmente porque mostra que a indústria nacional tem condições de exportar produtos manufaturados e com mais valor agregado, visto que grande parte das vendas foi de especialidades”, comemora Julio Kampff. Para ilustrar seu comentário, o dirigente cita o exemplo da própria Henkel. “Aumentamos as vendas para o exigente mercado americano e em itens como a linha de poliuretanos sem solvente para laminação de embalagens flexíveis, além de hot-melts e cianoacrilatos”, afirma. No cômputo geral, a Henkel aumentou no último ano 28%, em valores, as vendas externas.


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