Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Adesivos – Mercado prefere produtos sem aromáticos e os de base aquosa

Marcelo Furtado
15 de julho de 2012
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    Colocar sob a mesma perspectiva de análise os dois usos, para defender ou não o seu banimento, para o diretor da Rhodia. retardou uma medida que já deveria ter sido adotada, em virtude do grande problema social que ocasiona. Mas, segundo ele, a Anvisa já sinalizou firme para as empresas que pretende banir os solventes de tolueno dos adesivos de contato vendidos no varejo. “A informação é a de que a Anvisa chegou à conclusão de que a RDC 345 não surtiu o efeito desejado e caminha para a proibição, seguindo o que ocorre na Europa, onde eles são apenas utilizados pela indústria, com o uso de EPIs”, afirmou.

    Apesar de seu uso controlado na indústria ser aceitável, Antonio Leite lembra que há casos já no Brasil de indústrias calçadistas e moveleiras que baniram os solventes aromáticos de suas linhas de produção. “Eles querem se precaver de possíveis ações trabalhistas”, disse. Mas mesmo assim o fundamental para ele é a mudança nos adesivos de consumo, o que precisa ser feito por iniciativa ou de uma lei, o que está prestes a ocorrer, ou pela consciência dos fabricantes de adesivos. “É simples: o solvente, apesar de representar 80% do volume do adesivo, é apenas o meio do produto. E as tecnologias disponíveis fazem o mesmo”, reiterou. Bom lembrar que os adesivos de contato para esse mercado são formulados normalmente com resinas de policloropreno e poliuretânicas.

    Antecipados – A fabricante de adesivos Henkel, por seguir diretriz rígida da matriz alemã de conduta sustentável, tem papel pioneiro na adoção dos solventes ecológicos. “Desde 2009 abolimos o toluol da nossa linha de varejo”, disse o presidente da Henkel Mercosul, Julio Muñoz Kampff. E, segundo ele, a mudança não diminuiu em nada o desempenho da linha Cascola, pelo contrário, os adesivos passaram a ter cura mais rápida. “Fizemos um trabalho muito grande de treinamento, pelo qual mais de 40 mil marceneiros foram ensinados a usar os novos adesivos. E posso dizer que a aceitação foi muito positiva”, disse. Todo o trabalho de modificação das formulações foi feito com fornecedores locais, que encontraram as soluções ideais para cada item dos produtos Henkel.

    Adesivos, Química e Derivados, Presidente Henkel Mercosul, Julio Muñoz Kampff

    Kampff: sem tolueno, adesivos apresentam desempenho superior

    A iniciativa de se antecipar a possíveis proibições tem a ver com o compromisso global da Henkel de atingir metas sustentáveis, renovadas a cada cinco anos, que englobam não só indicadores internos – redução de consumo de água, energia e geração de resíduos – como na comercialização de produtos ecologicamente corretos. Além dos adesivos de contato sem toluol, em 2011 a empresa lançou um novo hot-melt estirênico denominado Dispomelt Cool, voltado para o mercado de higiênicos descartáveis (fraldas e absorventes), que pode trabalhar com temperaturas mais frias para sua fusão. “Ele economiza muita energia e adesivo e prolonga a vida útil dos equipamentos, menos desgastados com as temperaturas menores, exigindo também menos manutenção e reposição”, explicou Kampff.

    A postura da Henkel com relação às questões ambientais tem peso no mercado por ser ela hoje a líder mundial na área, o que se concretizou com a aquisição da National Starch. Sua receita global em 2011 foi de 15,6 bilhões de euros. A América Latina foi a região com o maior crescimento do grupo, de 11%, totalizando 1,065 bilhão, sendo 826 milhões de reais o faturamento brasileiro. O desempenho na região tem sido tão bem-visto pela matriz que um investimento de R$ 30 milhões foi aprovado para construir nova unidade de adesivos de poliuretano em sua fábrica de Jundiaí-SP, a entrar em operação no primeiro trimestre de 2013. “Esse aporte foi o segundo maior do grupo mundialmente, só perdendo para um realizado na China”, revelou o presidente.

    Mais verdes – O movimento verde parece mesmo dar o tom na indústria de adesivos. É difícil não encontrar, principalmente entre os grandes grupos fornecedores de matérias-primas para a área, discursos afiados para divulgar alternativas tecnológicas de baixo impacto ambiental. As soluções englobam não só o uso dos solventes menos agressivos ou dos hot-melts (sem solventes), mas também formulações base água e até novos polímeros com características alteradas quimicamente.

    Nesse último caso, chama a atenção um recente lançamento da alemã Wacker. Especializada em selantes de base silano (silicones), trata-se de um novo sistema híbrido com silanos especiais para polímeros orgânicos e silicones para promover a propriedade de adesão de cura rápida. A tecnologia é baseada nos chamados alfa-silanos, obtidos por meio de um processo de polimerização pelo qual o propileno, normalmente empregado pela maioria dos silanos como espaçador entre o átomo de silício e o grupo funcional do selante, foi substituído por uma ponte de metileno. Daí resultam os alfa-silanos, caracterizados por uma reatividade extremamente elevada, em virtude da ativação das funções alcoxi no átomo de silício pela proximidade de um doador eletronegativo como o nitrogênio ou o oxigênio na posição alfa relativa ao átomo de silício. Esses polímeros terminados em silano (STPE) hidrolisam mais rápido em caso de entrada de água e assim podem atuar como selantes ou adesivos, não apenas como sequestrantes de água, mas como reticuladores rápidos.



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    2 Comentários


    1. JOSE MAURICIO DE MATOS

      PRECISO DE UMA COLA RESISTENTE A 450 GRAUS


    2. Claudio Barbosa

      Tomara que a Anvisa realmente obrigue as empresas a abolirem de vez os solventes entorpecentes das colas de sapateiros. É um absurdo que ainda não o tenham feito. Parabéns pela reportagem.



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