Adesivos – Inovações permitem disputar aplicações técnicas exigentes

A tecnologia dos adesivos evolui a passos rápidos e oferece novas respostas para problemas de engenharia, além de substituir outras formas de união de peças e partes, geralmente promovidas por meios mecânicos (soldas, rebites e parafusos).

Química e Derivados, Colagem de vidro em automóvel amplia segurança
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Mais leves, flexíveis e resistentes, essas formulações químicas dispõem de uma pletora de possibilidades de composição, desde as mais prosaicas colas de amido até os complexos sistemas poliuretânicos, passando por sistemas com base em solventes hidrocarbonetos, sempre criticados pela agressividade ao ambiente e à saúde humana. Isso motiva a desenvolver opções mais amigáveis, com alto desempenho e resultado econômico mais favorável para os clientes.

Química e Derivados, Macedo: custos não impedem avanços em sustentabilidade
Macedo: custos não impedem avanços em sustentabilidade

O mercado mundial de adesivos, selantes e tratamento de superfícies foi avaliado em € 60 bilhões em 2016, como informou Manuel Macedo, presidente da Henkel Brasil. Nesse ano, a companhia global de origem alemã registrou faturamento consolidado de € 18,7 bilhões, dos quais quase a metade, ou € 9 bilhões, foram obtidos pela unidade de negócios Adhesive Technologies. “O Brasil figura entre os dez maiores mercados mundiais de adesivos em âmbito global devido ao fato de contar com grandes indústrias consumidoras desses produtos”, comentou.

“O mercado global de adesivos está bastante consolidado, tanto em novas aplicações, quanto em maturidade dos mercados. A consolidação em mercados maduros faz com que o potencial de negócio se concentre nas economias emergentes, com transferência de tecnologias e consolidação em aplicações nas quais se identifique a necessidade de desempenho específico dos adesivos em produtos desenhados para aplicações com distintos níveis de exigência”, considerou Fábio Victor Wruck, gerente de vendas da Arkema Brasil, subsidiária da empresa de origem francesa (uma antiga divisão da Total) que adquiriu há anos a alemã Bostik, importante fabricante de adesivos.

Líder mundial em adesivos, a Henkel segmentou a atuação no setor em cinco divisões: adesivos industriais (produtos para indústrias diversas, como embalagens para alimentos e bebidas, moveleira, gráfica, higiene pessoal e outras); transporte e metal (automotiva, aeroespacial, fabricação de bobinas e embalagens metálicas – inclui adesão, vedação e tratamento de superfícies); eletrônicos (para todos os tipos de dispositivos, de lâmpadas a smartphones); adesivos gerais (atende à mais ampla variedade de indústrias, como a de linha branca, manutenção automobilística, máquinas agrícolas e outros); e produtos de consumo (colas brancas e as de secagem rápida, para venda aos consumidores, com marcas tradicionais, como Pritt, Tenaz, Cascola e Superbonder).

Por contar com amplo portfólio de tecnologias, produtos e segmentos atendidos, a companhia consegue manter e até aumentar suas vendas mesmo em momentos de crise econômica, caso atual do mercado brasileiro. O setor automotivo, explica Macedo, já está bem desenvolvido quanto ao uso de adesivos. “Um carro carrega em média 25 kg de adesivos, em várias composições e aplicações diferentes”, informou. “Mesmo na crise, surgem oportunidades para manter o crescimento por meio de inovações e soluções que geram mais valor para os clientes.” Adesivos substituem fixações mecânicas com vantagens em resistência, redução de peso e por permitir mais versatilidade ao design dos produtos finais.

A produção nacional de veículos automotores em 2012 chegou a 3,4 milhões de unidades (carros, caminhões e ônibus), segunda a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), despencando para 2,2 milhões em 2016. Considerando apenas os veículos leves, a fabricação nacional encolheu em 1,2 milhão, ou seja, deixaram de ser consumidos 30 mil t de adesivos no ano. “Conseguimos aumentar as vendas mesmo no setor automotivo, oferecendo soluções de maior valor agregado, capazes de tornar mais eficiente as operações dos clientes”, enfatizou Macedo.

Em contrapartida, a produção de máquinas agrícolas apresenta, em 2017, uma notável retomada de vendas. “Com uma boa safra em andamento, os agricultores voltaram a investir e isso aqueceu a produção dessas máquinas que usam uma grande quantidade de aplicações adesivas na sua fabricação”, apontou.

Ele também comentou que, durante períodos de crise, muitas empresas adiam a decisão de promover novos investimentos, aumentando a demanda por serviços de manutenção dos equipamentos em operação. “Isso alavanca as oportunidades para a área de manutenção e reparo, integrante do nosso segmento de adesivos gerais”, disse.
“O Brasil é um mercado importante, com grande potencial, e acreditamos na sua recuperação econômica do país, com isso, certamente é grande o interesse de ampliação produtiva”, comentou Wruck. A companhia concentra os esforços para ampliar a oferta de adesivos e consolidar as tecnologias desenvolvidas para a região. Os segmentos de maior interesse são os da indústria de transformação e o de bens de consumo.

A Dow tem diversos negócios para o mercado de adesivos e ocupa papel de grande relevância em alguns segmentos. “Por exemplo, a companhia é líder no segmento de adesivos para o mercado automotivo no Brasil e oferece produtos desenvolvidos sob medida para as montadoras, adequando as soluções às necessidades e processos de cada uma delas”, informou Sarah Valle, gerente de marketing de Packaging de Customer Solutions. Com a aquisição da Dow Corning, a Dow adicionou ao seu portfólio o silicone, no qual também é líder no mercado de adesivos sensíveis à pressão (PSA). Também oferece soluções em silicones para o mercado automotivo, eletrônico, médico e autoadesivos para etiquetas e fitas. Esse material oferece propriedades únicas, como aplicação em diferentes temperaturas, resistência ao UV, propriedades de isolamento elétrico e adesão a superfícies de baixa energia.

Dentre as opções em silicones, destacam-se as soluções para indústria de autoadesivos (PSA), que podem ser utilizados na produção de fitas de alta performance para uso em temperaturas elevadas, fitas para mascarar, fitas de baixa adesão para filmes protetivos, entre outras aplicações. Também no segmento de autoadesivos, a Dow oferece revestimentos de silicone (release coatings) para produção de liner tanto para adesivos orgânicos quanto para adesivos à base de silicone. Além disso, outros mercados são importantes: médico (utilizados como sistemas de liberação de fármacos, fitas e curativos para tratamento de feridas e fixação de dispositivos médicos, como fitas cirúrgicas e cateteres); eletrônico e automotivo (fixação de componentes eletrônicos, montagem de displays, vedação de smartphones para resistência à água, fixação de painéis solares fotovoltaicos e módulos eletrônicos, vedação de luminárias LED, faróis automotivos, motores e caixas de transmissão); e construção civil (fachadas de vidro, fabricação e instalação de janelas), relatou Sarah.

“Dentro do segmento automotivo, vale destacar os adesivos para colagem de vidro (Betaseal) e estruturais (Betamate), e outros para colagem metal com borracha (linha Thixon e Megum), para uso em controle de vibração, vedações e juntas, correias, buchas e no painel dos veículos. O Betamate pode ser utilizado para colagem de chapas metálicas (aço, AHSS, alumínio, magnésio) bem como materiais dissimilares, tais como aço e compósito, alumínio e aço, etc. Entre seus principais benefícios estão redução de peso, melhoria da durabilidade do veículo, aumento da segurança, redução de ruídos e melhoria da eficiência energética.

Além disso, a Dow disponibiliza diversas soluções de poliuretano, como adesivos para painéis de construções e isolamento, para esponjas de uso doméstico e para mercados de filtração, como filtros automotivos e industriais. “Com o poliuretano é possível fornecer matérias-primas de adesivos e pré-polímeros para produção de adesivos mono e bicomponentes que podem ser usados em diferentes tecnologias de produção, como base água e base solvente”, comentou Sarah. Para soluções de PU, a Dow comercializa produtos da linha Voramer que atendem às necessidades dos mercados de painéis para construção e isolamento e esponjas. Para filtros, a linha oferecida há mais de 20 anos é a Specfil.

Tecnologia atualizada – O desenvolvimento tecnológico dos adesivos é dirigido por quatro fatores principais: por necessidade de mercado, por exigência específica de um cliente ou usuário final, para se tornar referência no mercado com foco em inovação, e para atender regulamentações. Neste caso, Macedo cita o caso da embalagem segura de alimentos (programa Food Safety Package). “Sempre pensamos e desenvolvemos tecnologias para otimizar processos, aumentar a eficiência produtiva e garantir a segurança, seja do operador industrial ou de uma criança fazendo trabalho escolar”, ressaltou o presidente.

Química e Derivados, Adesivos de epóxi exigem a combinação de dois componentes
Adesivos de epóxi exigem a combinação de dois componentes

Em linhas gerais, dada a diversidade de materiais a aderir, com diferentes sistemas de aplicação e requisitos técnicos, Macedo entende que não é possível pensar em uma “tecnologia universal”, que possa ser considerada melhor que outra. “Os poliuretanos, por exemplo, tem a vantagem de ser oferecidos sem solventes, ou à base de água ou ainda com solvente orgânico, aderem a vários substratos, são flexíveis após a cura e apresentam elevada resistência química e térmica, sendo por isso uma opção muito vantajosa, no entanto existem outras opções mais adequadas, a depender do requisito geral e necessidade de aplicação”, considerou.
Como afirmou Wruck, a segmentação tecnológica no mercado é bastante ampla, seja global ou local, porém os maiores direcionadores de demanda tecnológica se distinguem pelo grau de sofisticação do produto a ser aderido, bem como pela necessidade em cada uma das aplicações adesivas. “O Brasil sofre um efeito de estagnação em novas aplicações pela atual situação do setor industrial, porém à medida que o nível de sofisticação dos produtos aumente, novas aplicações e tecnologias acompanharão esta demanda”, comentou. A Arkema possui como critério estar entre as líderes nos segmentos em que atua, mantendo neles a liderança nas tecnologias-alvo.

Dentre as diversas tecnologias, a Arkema/Bostik possui expertise nas linhas solvent free para PSA (adesivos sensíveis à pressão), tais como hot-melt e hot-melt reativo. “Como uma empresa formuladora de soluções, contamos com produção regionalizada de todas as tecnologias, as quais trazem valor e garantia de desempenho aos exigentes requerimentos de nossos clientes, por isso desenvolvemos uma matriz tecnológica ampla para atender todas as necessidades dos mercados sul-americanos”, afirmou. A regionalização produtiva traz consequências para toda a cadeia de fornecimento, sendo necessário desenvolver localmente opções para os insumos consumidos em todas as famílias de adesivos.

“As principais tendências de mercado são sempre ligadas à inovação, já que os clientes buscam, continuamente, melhorar sua operação”, comentou Sarah Valle, da Dow. Assim, soluções que otimizem processos, aumentem a durabilidade, reduzam etapas e melhorem a produtividade são prioridades para qualquer segmento. Nas soluções com base em poliuretanos, os clientes buscam por menor tempo de cura e adesivos resistentes ao fogo para painéis de PU para construção.

Como explicou Sarah, na indústria automobilística há também uma tendência de busca ou melhoria em eficiência energética, com redução de peso e emissões. “O adesivo Betamate permite à indústria atingir patamares de redução de peso por meio da fixação de estruturas e ligas metálicas de diferentes componentes, mais leves e de menor espessura, em substituição à aplicação de solda e outros fixadores como parafusos e rebites que não conseguiriam atender a mesma necessidade ou condição de processo”, disse.

No segmento de autoadesivos, o uso de adesivos de silicone tem crescido ao longo dos anos, especialmente com os avanços e o crescimento na indústria eletrônica. De modo geral, a gerente de marketing da Dow aponta uma crescente demanda por mais eficiência, aplicações cada vez mais exigentes tecnicamente e controle sobre os custos.

Sustentabilidade – Embora relevantes, para a Henkel, os custos nunca foram considerados como dificuldade para manter a sustentabilidade dos negócios da companhia. “Quando um produto apresenta alto potencial de vendas, mas não é sustentável, para nós isso significa que ele não é inovador e, então, não entra em desenvolvimento”, informou.

Além disso, o custo final no produto acabado é infinitamente menor do que o custo associado à ineficiência de um equipamento de produção. O fator tempo é mais decisivo para o uso de adesivos no reparo de máquinas, por exemplo. “E quando se fala em segurança operacional, o custo não será o fato decisivo, pois as regulamentações ditam as regras a seguir”, afirmou.

A companhia mantém esforços constantes para desenvolver soluções mais sustentáveis, inclusive com a substituição de derivados de petróleo em sua composição. “No ano passado, desenvolvemos no Brasil a linha Loctite Liofol, voltada para embalagens flexíveis de alimentos, que atende às regulamentações nacionais e internacionais e conta com 85% de suas matérias-primas com origem renovável e nacional”, comentou Macedo. Esses produtos foram desenvolvidos no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos da Henkel em Jundiaí-SP.

A partir de uma visão global, as adequações regionais permitem compreender e atender as necessidades locais. A Arkema/Bostik busca atender essas demandas, oferecendo soluções nas quais a sustentabilidade se torna elemento importante no desenvolvimento da tecnologia, seja pelo uso de recursos renováveis, análise de impacto na sociedade ou por análise de ciclo de vida (LCA). “As demandas regionais são os principais drivers para uma adequação ou desenvolvimento de uma nova tecnologia, alinhando as políticas globais de meio ambiente e de plataforma de produtos”, disse Wruck.

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