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29 de novembro de 2017

Adesivos: Importações crescem e consumo cai com atualização tecnológica

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Adesivos: Importações crescem e consumo cai com atualização tecnológica

    Depois de um hiato de três anos, a comissão de colas, adesivos e selantes da Abiquim voltou a atualizar e divulgar as estatísticas nacionais desse importante segmento industrial, consolidando uma série histórica de 2006 a 2016. Publicado em agosto, o estudo estatístico da comissão traz dados sobre produção, vendas, importação e exportação, configurando uma visão panorâmica adequada para apoiar a tomada de decisões, entre elas a de investir na atividade produtiva brasileira.

    A comissão agradeceu a participação de 31 das 48 companhias que produzem colas, adesivos e selantes no país, representando aproximadamente 75% da oferta nacional desses itens. Os dados relativos ao comércio internacional foram retirados do Sistema Alice (MDIC). Como apontou Paula Tanaka, da equipe de economia e estatística da Abiquim (que realizou o estudo, com dados individuais protegidos por sigilio), verificou-se que os adesivos base água sofreram o maior corte de produção entre 2015 e 2016, com queda de 39,4%, em toneladas. Nove unidades fabricadoras no país foram desativadas, fato que se reflete em sete pontos percentuais do resultado negativo. As vendas internas desses produtos também foram as mais afetadas no período, caindo 36% (em t). Os produtos de base água representaram 50% das vendas físicas de adesivos, colas e selantes no Brasil em 2016 (em t).

    Química e Derivados, Evolução do consumo aparente e importação

    Evolução do consumo aparente e importação

    Quando se olha para o agregado do segmento, verifica-se que a produção local manteve um ritmo de crescimento firme entre 2006 e 2011, ano em que superou a marca de 290 mil t. Porém, a partir de 2012, a inclinação da curva se inverteu, caindo para 233.593 t em 2015 e, depois, para 165.235 t em 2016. Ainda que se considere a influência da crise econômica na redução da quantidade produzida em 2015 e 2016, a tendência atual é declinante. Entre 2006 e 2016, a fabricação nacional desses itens caiu 26,9%.

    Em contrapartida, as vendas dessa indústria em reais cresceram 45,2% nos dez anos compreendidos pelo estudo. Em parte, as variações cambiais explicam essa diferença. Mas ela também revela aumento dos preços dos produtos vendidos.

    O estudo realizado pela Abiquim sobre o consumo aparente nacional (CAN) desse segmento apontou uma retração de 21,3%, em toneladas, entre 2006 e 2016, com aumento de 2,1% nas exportações e de 35,6% nas importações. “Essa substituição de produtos locais por importados é consistente com o acompanhamento conjuntural realizado pela Abiquim para todo o setor químico”, comentou Paula Tanaka.

    Química e Derivados, Brotherhood: produção nacional de adesivos crescerá por etapas

    Brotherhood: produção nacional de adesivos crescerá por etapas

    Murilo Brotherhood, líder de adesivos da Henkel para a América do Sul e coordenador da comissão de colas, adesivos e selantes da Abiquim, comentou que as tendências apontadas pelo estudo estatístico corroboram as linhas de atuação do setor em escala global. “Em todos os segmentos consumidores de adesivos, a tônica atual é fazer mais com menos produtos, ou seja, aumentar a eficiência geral da produção”, afirmou.

    Para alcançar esse objetivo, é preciso aplicar adesivos cada vez mais avançados, usados em quantidade mínima. “A indústria automobilística mundial quer reduzir o peso dos carros para ser mais sustentável e consumir menos combustível, os adesivos são fundamentais para isso, por permitir a adesão permanente de materiais diversos, como plásticos reforçados e aço, mas também pela redução do peso dos próprios adesivos aplicados”, afirmou. O resultado é a venda de quantidades menores de produtos cada vez mais caros, e com melhor desempenho.

    Brotherhood não se assustou com os números cadentes da produção local. Como avaliou, a indústria nacional está em uma etapa intermediária do processo de modernização e atualização tecnológica. “O ciclo começa com o aumento da importação para suprir as necessidades de mercado, depois começa a fabricação local dos adesivos com base nos ingredientes importados; por fim, tem início a produção nacional de todos os adesivos e dos ingredientes necessários, agora com um volume suficiente de demanda para justificar os investimentos”, explicou. “Os investimentos da indústria química são muito elevados e exigem um período de maturação longo, de cinco a dez anos”.

    O estudo estatístico permite observar e acompanhar as mudanças do perfil de consumo de adesivos, colas e selantes, identificando oportunidades de investimento em toda a cadeia produtiva. Pode ser adquirido no Centro de Documentação da Abiquim (Cedoc) pelos interessados, pessoalmente ou pelo tel.: 11 2148-4700.



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