Adesivos: Guerra de preços atrasa evolução dos hot-melts

Química e Derivados: Adesivos: Brenna testa adesão do PUR em publicação pesada - resistência garantida.
Brenna testa adesão do PUR em publicação pesada – resistência garantida.

Boas perspectivas – A presença da Sovereign no País também serve para ilustrar as perspectivas do mercado geral de hot-melts, avaliado em cerca de US$ 65 milhões e com consumo por volta de 40 mil t/ano. Se os planos com o PUR, segundo Silvana Reis, podem até contemplar a longo ou médio prazo a produção local, os hot-melts de EVA (etileno vinil acetato) são fabricados desde novembro de 2001, a um ritmo de 50 t/mês, em máquina pastilhadora Sandvik, de pouco uso e proveniente da Croda, de Campinas-SP.

“Temos informações de que o consumo de hot-melts no Brasil tende a crescer muito mais em comparação ao europeu e ao americano”, afirmou Silvana. Não por menos, a máquina da Sovereign deve dobrar a produção até o final do ano e, em seguida, ocupar o quanto for necessário de sua capacidade total de 290 t/mês.

Para erguer sua unidade em Vinhedo-SP, o grupo americano investiu US$ 2 milhões na construção civil, terreno e compra de maquinário. Nesse último item, foram adquiridos dois reatores encamisados para a mistura do hot-melt, dois para a produção de adesivos bas

e água para embalagens flexíveis e um outro para a produção de coatings base solvente também para filmes flexíveis. Com toda essa linha, a capacidade instalada da fábrica chega a 1.200 t/mês. No momento, a ocupação atinge 100 t/mês, com o objetivo de chegar a 200 t até o final de 2002.

Química e Derivados: Adesivos: adesivo9Outra maneira de demonstrar as boas perspectivas do hot-melt é revelar parte dos planos da brasileira Artecola. Segundo explica seu diretor-superintendente, Eduardo Kunst, ainda neste ano a empresa vai ampliar sua capacidade produtiva de hot-melts (principalmente) e demais adesivos em 50%.

“Queremos aumentar a participação no Chile e na Argentina e iniciar um trabalho intenso de vendas no norte da América do Sul e México, onde ainda somos fracos”, disse o diretor. A Artecola possui filial na Argentina, outra no Chile e uma terceira no México. Um outro escritório será aberto entre Colômbia, Venezuela e Equador ainda em 2002.

Mas, para Kunst, o motivo em ampliar a produção não foi só a intenção internacionalizante. O mercado brasileiro também inspira confiança, sobretudo a partir do segundo semestre. Mesmo com a redução acentuada nos investimentos em 2001, quando muitos clientes poderiam ter trocado velhas tecnologias de adesão pelos hot-melts, a tendência é o Brasil aumentar seu consumo per capita, ainda muito inferior a dos países desenvolvidos. “A difusão do uso do hot-melt está diretamente ligada à modernização da indústria e ao aumento do poder aquisitivo da população, o que acreditamos irá continuar a acontecer”, disse Kunst.

Química e Derivados: Adesivos: Silvana - nova fábrica de hot-melts em Vinhedo.
Silvana – nova fábrica de hot-melts em Vinhedo.

Também vale como exemplo do potencial do mercado a estratégia da Bostik Findley, grupo de origem americana com controle da francesa TotalFinaElf.

Desde 1997 comercializando no Brasil hot-melts com EVA e elastômeros para o mercado de fraldas e absorventes higiênicos, há cerca de dois anos a empresa montou uma estrutura de adesivos industriais para diversificar sua atuação.

Segundo o diretor comercial Aguinaldo Dal Pogeto, depois de uma pesquisa de mercado a empresa decidiu por segmentar a participação comercial nas áreas automotiva, de embalagem, construção civil e auto-adesivos.

Para dar início à nova estratégia, a Bostik Findley centralizou sua operação de distribuição nacional dos adesivos importados nas dependências de uma fábrica da Atofina, o braço químico do grupo, em Jundiaí-SP. Dali saem desde hot-melts EVA, PSA, PUR até os de APAO (alfa-poliolefina amorfa) para aplicações de alta resistência química. De acordo com Dal Pogeto, não está ainda nos planos passar a produzir no Brasil hot-melts. Mas, vale acrescentar, a empresa já possui fábrica de selantes e calafetadores em Caxias do Sul-RS.

Química e Derivados: Adesivos: Reatores na Sovereign - investimento de US$ 2 milhões.
Reatores na Sovereign – investimento de US$ 2 milhões.

Qualidade cai – Apesar das boas perspectivas para o mercado, conhecedores do setor consideram a atual fase como bastante delicada no quanto à política de preços adotada pelos competidores, que vem comprometendo a qualidade desses adesivos. Para adaptar os custos à nova realidade imposta pela desvalorização cambial, a maioria dos produtores, que importam até 60% das matérias-primas, iniciou um processo de substituição de insumos que não só abaixou bastante o preço do quilo do hot-melt – de uma média nunca inferior a US$ 2,50 para até US$ 1,60 – como também o seu desempenho.

Compartilha dessa opinião o diretor comercial da National Starch and Chemical, Gabriel Birenbaum. Segundo ele, em razão de a produção não ser normatizada, a queda na qualidade de certa forma torna-se legalizada.

E, o pior de tudo, é que até os grandes clientes, por exemplo da área de embalagens, adotam a mesma conduta de dar preferência ao preço. “Muitas empresas comprometem coleiros, mangueiras e bicos de alto desempenho utilizando hot-melts de segunda categoria”, diz.

O barateamento na formulação, a grosso modo, significa um maior uso de éster de breu como resina base, em detrimento de resinas de hidrocarbonetos e EVAs mais nobres, ou então a pouca utilização ou a ausência de antioxidantes na formulação.

Química e Derivados: Adesivos: Kunst - Artecola pretende exportar mais.
Kunst – Artecola pretende exportar mais.

 

Química e Derivados: Adesivos: Aguinaldo - nova divisão de adesivos industriais.
Aguinaldo – nova divisão de adesivos industriais.

“A médio prazo, essa combinação bombástica, num primeiro momento benéfica em razão do baixo preço, vai entupir mangueiras caras de US$ 4 mil e coleiros de até US$ 20 mil”, completa Birenbaum.

Os adesivos de baixa qualidade oxidam muito mais rápido nos equipamentos, entupindo todo o sistema e obrigando manutenções caras (não menos do que US$ 5 mil) e mais freqüentes. Em um teste de resistência à temperatura, de acordo com Birenbaum, o bom hot-melt resiste mais de 120 horas na temperatura de aplicação de 120ºC a 170ºC, enquanto o de baixa qualidade não passa de 24 horas e a partir daí começa a oxidar.

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