Adesivos – Formulações adequadas aos clientes têm vendas aquecidas

Química e Derivados, Performelt CQ-3100, da Adecol, é feito com resina metalocênica
Performelt CQ-3100, da Adecol, é feito com resina metalocênica

O setor de adesivos mais uma vez consegue bons resultados, apesar da redução verificada na atividade de vários setores da atividade econômica nacional. Por participar de uma miríade de aplicações em segmentos diversos, os adesivos têm facilidade para encontrar clientes ativos e, adicionalmente, ampliar exportações.

Química e Derivados, Vieira: adesivos sem solvente já superam os convencionais
Vieira: adesivos sem solvente já superam os convencionais

O parágrafo acima vale especialmente para fabricantes com produção instalada no Brasil. Empresas que atuam mediante importação de produtos acabados tiveram resultado pior em 2015 e começam 2016 em desvantagem. A forte variação cambial do ano passado afetou os resultados. Além disso, os clientes locais precisam de produtos adaptados às condições de operação, em muitos casos requerendo customizações. Isso é mais fácil de ser provido por fabricantes com instalações locais.

A filial brasileira da multinacional italiana Coim, instalada em Vinhedo-SP, confirma essa avaliação de mercado. “Para nós, o mercado de adesivos está estável e poderá crescer 4% em 2016”, comentou Adriano Osni Vieira, gerente de contas da empresa. Como informou, o desempenho alcançado em 2015 foi bom, resultado que permaneceu no primeiro trimestre de 2016.

A Adecol, empresa de capital totalmente nacional, manteve a meta de expansão de faturamento em 20% para 2016, objetivo que pode ser considerado ousado quando se considera a atual circunstância brasileira. “Conseguiremos isso com forte atuação no mercado local e com o aumento da exportação, que ainda é uma novidade para nós, mas queremos manter nosso padrão de duplicar de tamanho a cada quatro anos”, explicou o diretor Alexandre Kiss. O início do ano revelou turbulências, pois janeiro registrou queda de vendas, revertida nos meses de fevereiro e março, com crescimento da ordem de 40%.

Química e Derivados, Kiss: produtor local consegue adaptar formulações rapidamente
Kiss: produtor local consegue adaptar formulações rapidamente

O bom desempenho de vendas é atribuído aos esforços empreendidos em várias frentes de atuação, uma das quais foi a conquista de algumas grandes contas que estavam sendo cortejadas há algum tempo. “O fato de termos produção local nos dá grande vantagem, pois temos flexibilidade para ajustar as formulações às necessidades dos clientes”, salientou.

Na avaliação de Kiss, 2015 foi um ano difícil para o setor como um todo, principalmente pela grande variação cambial, causadora de impactos pesados. Mesmo os fabricantes locais sofreram com o dólar mais caro, pois uma parte significativa dos insumos consumidos é produzida no exterior. “Mas a crise é uma oportunidade, permite apresentar novidades para os clientes, embora obrigue a fazer a lição de casa, ou seja, reduzir custos, buscar novas fontes de suprimento e aprender a lidar com as taxas cambiais”, salientou.

A Coim fabrica no Brasil quase 90% dos adesivos que comercializa no país, que também supre a América Latina. “Os 10% restantes, compreendendo a linha de PU alifático e outros itens, vêm prontos do exterior”, informou Vieira. O suprimento de insumos é estabelecido mediante contratos com fornecedores locais e internacionais, com taxas de câmbio negociadas previamente, minorando impactos com flutuações de moedas. “O principal é que, apesar de participarmos de um grupo internacional, temos ampla liberdade para formular e criar produtos aqui mesmo, porque as diferenças de mercado são significativas”, disse.

A companhia se esforça para resolver problemas dos clientes, mesmo em substratos difíceis, como o BOPP metalizado. “Temos uma laminadora própria para desenvolver adesivos e conseguimos para essa aplicação oferecer tempo de corte de 12 horas, em qualquer faixa de temperatura”, comentou.

A Wacker, líder de mercado e um dos maiores fabricantes mundiais de copolímeros de acetado de vinila-etileno (VAE) em dispersão aquosa, resinas de poliacetato de vinila (PVAc) e também das resinas baseadas nos copolímeros de cloreto de vinila (VC), fornece suas especialidades aos principais fabricantes de adesivos da América do Sul. “Temos um portfólio amplo e adequado para as diversas necessidades do mercado, atendendo os diversos setores da indústria de adesivos como, por exemplo, embalagens, cigarros, automotiva, moveleira, entre outras”, explicou Ricardo Gouvea, gerente regional de vendas para a América do Sul. Além do mercado de adesivos, a companhia de origem alemã também atua nos mercados de tintas e revestimentos, têxtil, carpete, selantes e papel.

Química e Derivados, Gouvea: diversidade de setores atendidos sustenta negócios
Gouvea: diversidade de setores atendidos sustenta negócios

Segundo o gerente regional, apesar do atual ambiente econômico brasileiro não favorecer novos investimentos, o mercado de adesivos é extremamente promissor, “principalmente devido a sua diversidade e atendimento aos mais diversos setores da indústria, como a indústria de conversão, automotiva, construção civil e outras”. Nesse ambiente, os clientes se preparam para a retomada econômica, buscando inovações e produtos de mais alto valor agregado. “Como consequência, tivemos um aumento real no volume de vendas para o segmento de adesivos na América do Sul em 2015 e as expectativas de crescimento para os próximos anos também são positivas”, informou Gouvea.

Diversificação – A Adecol ingressou nos adesivos pelas formulações de PVA, ainda a linha de maior volume produzida, com grande participação em embalagens, envelopes e sacolas. “Existem vários tipos de PVA, dos mais corriqueiros aos mais valiosos e, nesses casos, nem sempre são os adesivos mais baratos, porém eles têm grande aceitação por funcionar bem nos equipamentos e por não consumir energia no processo”, comentou Kiss.

A companhia mantém um ritmo de ingressar em uma família nova de adesivos a cada dois anos. Depois do PVA, ela começou a oferecer hot melts, que foram sendo aprimorados ao longo dos anos. “Há cerca de um ano e meio lançamos um hot melt metalocênico, fabricado com resina fornecida pela Dow, específico para embalagens do tipo cartucho (papel cartão estruturado) para o setor farmacêutico”, ressaltou. Como esse segmento de mercado é muito regulamentado, sua demanda é suprida com adesivos tipo premium. Segundo Kiss, esse hot melt especial apresenta baixa temperatura de fusão, com alta resistência após a aplicação, permitindo obter excelentes resultados com baixo peso, alta velocidade em máquina e economia de energia. Esse hot melt metalocênico, da linha Performelt, conta com aprovação FDA para contato indireto com alimentos, podendo ser usado também em filmes laminados e aplicações supercongeladas.

Nos últimos cinco anos, a companhia desenvolveu adesivos especiais para colar as várias camadas das fraldas descartáveis. “Somos o único formulador local desses itens, contando com fornecedores parceiros de insumos, que também nos ajudaram com tecnologia”, destacou Kiss. Cada peça de uma fralda moderna possui uma função específica e requer um adesivo adequado. Dependendo do grau de sofisticação do produto final e do processo produtivo, o fabricante da fralda pode usar vários adesivos específicos para cada parte, ou apenas um para cobrir todas as situações. “É importante que o produto não prejudique a velocidade de operação do equipamento e tenha excelente desempenho no produto final”, salientou.

Há três anos, começou a produzir a família de adesivos de PUR (poliuretano reativo) monocomponente. A indústria de produtos de madeira (móveis, laminados, prensados, fingers e outros) usa muito PUR em algumas aplicações, embora Kiss ateste o grande volume de PVA consumido nesse segmento.

No campo dos adesivos estruturais, usados para resolver problemas de fixação em indústrias diversas, da construção civil à automobilística, a Adecol representa desde 2015 a Kömmerling, uma companhia com mais de 150 anos de atuação, contando com um portfólio de elevado desempenho, incluindo PU bicomponente e MS. Esses produtos permitem ingressar em novos mercados, como a construção de barcos e de painéis solares. “O setor automotivo está passando por um momento difícil no Brasil, mas é um cliente com grande potencial”, explicou Alexandre.

Há uma tendência mundial de substituição de sistemas de fixação, como parafusos, rebites e presilhas, por adesivos especiais. Com isso, haveria uma aceleração da produção desses bens, com desempenho superior. “O Brasil está evoluindo bem nessa tendência, temos alguns itens em linha que são usados nesses casos, mas também há situações que exigem adaptações nas formulações”, salientou Kiss.

Como informou, uma convertedora de embalagens instalada no Brasil é diferente de uma análoga operando na Europa ou nos Estados Unidos. “Temos um clima quente e as linhas de produção não têm isolamento térmico, ou seja, funcionam em temperatura ambiente elevada, que influencia o desempenho; nem sempre o adesivo que vai bem lá fora consegue dar bons resultados nessas condições”, apontou, salientando a necessidade de adaptação das formulações de adesivos.

Mercados ativos – A Coim possui grande participação no setor de embalagens, mas também atende os setores moveleiro, alimentício e automobilístico. A companhia também produz solados para calçados, feitos de poliuretano termoplástico. “Nosso maior segmento é o de embalagens, ao qual fornecemos adesivos de base água ou monocomponentes com solvente”, comentou Adriano Vieira.

Segundo comentou, a companhia conta com uma ferramenta de desenvolvimento de mercado que permite entender exatamente o que o cliente deseja e facilitar o desenvolvimento de alternativas. “O mercado quer adesivos coloridos, produtos menos agressivos à saúde e ao maio ambiente”, comentou.

O desempenho dos poliuretanos evoluiu aceleradamente. Como explicou o especialista, a primeira geração desses adesivos apresentava muitos grupos hidroxila livres. “Isso os deixava muito viscosos, com lento escoamento nas máquinas que acabavam reduzindo a produção”, explicou. Os produtos mais modernos feitos de PU eliminaram esse problema, permitindo rodas as linhas com alta velocidade sem formação de névoa e com tempo de corte curto. Segundo informou, o tempo de corte inicial era de 48 h, mas já está na casa de 12 h, sem prejuízo da resistência química e térmica.

Vieira comentou que o uso de solventes hidrocarbonetos é cada vez mais restrito no setor e os clientes adotam alternativas. A indústria calçadista, por exemplo, deixou de usar o tolueno por pressão da sociedade. “Atualmente, há uma exigência crescente contra o uso de isocianatos aromáticos em adesivos”, comentou.

O futuro, porém, é risonho e franco para o poliuretano. “O PU tem possibilidade de gerar muitos desenvolvimentos tecnológicos, é uma fonte de novidades para o setor”, afirmou Vieira. Antigamente, o PU era considerado problemático por ter um tempo de utilização (pot life) muito curto, provocando entupimento nas máquinas. “Hoje, oferecemos ao mercado produtos com pot life longo, que não seca na máquina, porém com tempo de corte reduzido e elevada produtividade”, explicou.

A Coim tem desenvolvido produtos sem solvente e sem catalisador. “Os monocomponentes servirão para todos os usos”, prevê. No momento, esses adesivos encontram mais aplicações nas linhas de papel, material poroso. Segundo Vieira, existem alternativas para colar tudo, mas o custo nem sempre é adequado. Há clientes que procuram reduzir custos de inventário adotando um adesivo universal, para todas as suas necessidades. Vieira entende que pode ser mais interessante combinar um item mais econômico e outro mais sofisticado, para aplicações mais exigentes. “É preciso considerar que o adesivo representa apenas 5% do custo da embalagem, é pouco”, explicou.

A preferência de mercado pelos adesivos sem solvente é clara, especialmente na região Sul do país. “Mesmo os adesivos com altos sólidos têm solventes, como acetato de etila, que evaporam e isso é uma perda que é preciso contabilizar”, salientou. Além disso, ele aponta que o avanço tecnológico das linhas solvent less já as colocam em um patamar de desempenho (produtividade, resistência química e física) acima dos produtos tradicionais com solvente.

Veira explica que a velocidade de aplicação em máquina de adesivos sem solvente já alcança 470 m/min, enquanto os adesivos com solvente não passam de 350 m/min. Ainda haveria um mercado para adesivos com solvente nos produtos cujo processo estipula permanecer por mais de uma hora sob temperatura de 120ºC, caso de alguns molhos e preparações alimentícias. “Já temos alternativas para isso, como no caso dos stand up pouches, antes dominados pelos solventes, hoje 90% está com adesivos sem solvente”, afirmou.

Outra aplicação considerada complexa é a colagem de chapas de PVDC (cloreto de polivinilideno) para confecção de embalagens. “É um mercado pequeno, atuando com um material difícil de trabalhar que exige equipamento especial”, explicou Vieira.

No segmento de embalagens, ele aponta novidades que deverão suportar o crescimento de vendas da companhia. É o caso dos laminados de ráfia com papel e também de laminados de papel com polietileno, estes usados para elaborar sacos de rações para equinos. Demaquilantes estão consumindo mais embalagens feitas de laminados com adesivos sem solventes. Comidas prontas industrializadas exigem adesivos que suportem altas temperaturas durante o processamento e congelamento subsequente. A mais recente inovação é um adesivo que pode ser aplicado sobre embalagens plásticas que foram submetidas a um processo de impressão do tipo jato de tinta, indicado para produções em pequenas quantidades. “É um desenvolvimento exclusivo da Coim, pode ser aplicado sobre a tinta, sem problemas”, salientou.

Outra inovação, ainda dependente de importação da Itália, é um adesivo sintético do tipo self release, que permite até nove aberturas e fechamentos com resistência adequada. “Esse tipo de adesivo era produzido com base em látex natural, mais havia um problema de rotulagem no sistema internacional, superado pelo sintético”, comentou. Quando a demanda local por esse produto crescer, ele poderá ser fabricado no Brasil.

Os poliuretanos também encontram aplicações interessantes no setor moveleiro, ainda muito ligado ao PVA, cujo custo é mais baixo. Novas aplicações nesse campo podem ampliar o consumo de PU. “Está sendo desenvolvido um sistema de reciclagem de poliéster para a produção de chapas que são colocadas sobre placas de MDF, configurando um laminado que pode ser usado para portas de guarda-roupas”, comentou Vieira. Esses laminados exigem um adesivo de PU especial, sem solventes.

A eliminação dos solventes também é prioridade na Adecol. Mas, segundo Alexandre Kiss, o mercado se preocupa mais com os aspectos de saúde ocupacional e dos consumidores do que com a questão ambiental. “Como o foco é a saúde, além dos solventes hidrocarbonetos, a preocupação se estende aos ftalatos, também eliminados das nossas formulações”, comentou.

Como exemplo, ele citou o desenvolvimento de um adesivo base água para a fabricação de colchões, tirando de cena os solventes. “Falta uma norma ténica que restrinja o uso de solventes nessa aplicação, muito embora os grandes fabricantes só usem hot melt”, comentou.

“Devido à diversidade do mercado de adesivos, várias tecnologias podem ser utilizadas durante a formulação, entretanto, a escolha do polímero certo irá depender da aplicação final e dos requisitos necessários do produto final”, destacou Ricardo Gouvea, da Wacker.

A companhia oferece os copolímeros Vinnapas VAE que permitem formular adesivos com baixo VOC (índice de compostos orgânicos voláteis) e isentos de plastificantes, atendendo as mais exigentes regulamentações existentes, por exemplo, as normas FDA e BfR. “Além disso, não são utilizados surfactantes à base de APEO (alquilfenol etoxilado) ou biocidas doadores de formaldeído no desenvolvimento de nossos polímeros, fazendo com que os nossos produtos estejam alinhados com as normas ambientais cada vez mais rigorosas”, enfatizou.

Os copolímeros Vinnol se baseiam no cloreto de vinila (VC), monômero conhecido pela sua retardância de chama. O VC pode ser polimerizado com monômeros de etileno e de acetato de vinila, para formar copolímeros e terpolímeros. Além de serem retardantes de chama, as dispersões Vinnol são ideais para aplicações em adesivos de alto desempenho, devido a sua hidrofobicidade e outras propriedades, como elevada resistência química.

Na indústria de adesivos, as resinas Vinnapas PVAc são utilizadas em adesivos base solvente devido a sua excelente adesão aos mais diversos substratos, como madeira, parquete, papel, tecidos, couro, EPS e vários outros. Outra importante aplicação das resinas Vinnapas PVAc é a sua utilização como aditivo capaz de proporcionar estabilidade dimensional em adesivos estruturais, evitando assim a sua contração após a cura total.

Investir para crescer – Kiss salientou que a Adecol está investindo para ampliar sua atuação geográfica, especialmente no setor gráfico. “Temos boa participação na América Latina, com foco no Mercosul, porque conhecemos bem as necessidades regionais”, salientou. Neste ano, a empresa vai participar pela primeira vez da Drupa, a grande feira de artes gráficas e embalagens, realizada na Alemanha.

Embora não atue no segmento de embalagens flexíveis, o setor é interessante para os negócios da Adecol. Seguindo o diretor, o mercado está voltado a usar mais as caixas de papelão, deixando um pouco de lado os sistemas de empacotamento com filmes plásticos encolhíveis (shrink).

A Coim aponta o crescimento das suas exportações a partir da filial brasileira, com destaque para o Peru e Colômbia, com foco no segmento de embalagens. “Temos gerentes em todos os países da região e as vendas estão indo bem, tanto nos adesivos quanto nos solados”, confirmou Vieira.

Com o objetivo de acompanhar a evolução da demanda, a Coim investiu recentemente R$ 25 milhões na montagem de seu centro de logística, em Vinhedo-SP, contendo mais de duas mil posições porta-pallets, para armazenar até 2 mil t de produtos. “Ampliamos também a produção, com a inclusão de novos reatores, além de trabalharmos com sistema de melhoria contínua com base no Kaizen”, explicou Vieira. Assim, a fábrica da empresa enfatiza a produtividade.

A Adecol investe continuamente nas suas instalações e em novos projetos e promete anunciar em breve novidades na linha de cola branca e PUR. “Estamos nos preparando para uma expansão futura, já compramos o terreno adjacente à nossa instalação para abrigar futuras novas unidades”, informou.

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