Adesivos: Diversificação por segmentos geram resultados animadores

Inovações geram resultados animadores, apesar da pandemia

O mercado de adesivos tem demonstrado fôlego para resistir aos efeitos deletérios da Covid-19.

No ano passado, os fabricantes conseguiram equilibrar as contas, sobretudo, por participarem de muitos e diversificados setores industriais.

Além disso, cada vez mais, o material está conquistando muitas aplicações que até então utilizavam fixação mecânica.

Abiquim, Carlos Motta Foto: Divulgação/Artecola Química
Motta: recuperação começou forte no segundo semestre

“O uso de adesivos depende da indústria em que é aplicado, volume de produção e tecnologia empregada”, explica o coordenador da comissão setorial de Colas, Adesivos e Selantes da Abiquim, Carlos Motta.

Ele conta que a pandemia causará impactos para o setor, mas como este atende vários segmentos, cada um poderá ter um resultado diferente.

Apesar de não atuar com estimativas, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) prevê a possibilidade de uma queda na produção de 2020.

No entanto, Motta observa uma recuperação iniciada já no segundo semestre do ano passado, que vem se mantendo nos primeiros meses de 2021.

A Henkel, líder global no mercado de adesivos, opera com um portfólio diversificado e bem balanceado, porém, ainda assim, não passou imune por 2020.

A companhia registrou um decréscimo de 8,2% em vendas de adesivos, abaixo do ano anterior, atingindo 8.684 milhões de euros.

Apesar desse recuo, a unidade de negócios Adhesive Technologies se mantém em destaque e segue responsável por 45% do faturamento global da empresa.

Antônio Castro - presidente da Henkel Brasil - Química e Derivados ©QD Foto: Divulgação/Artecola Química
Antônio Castro – presidente da Henkel Brasil

“Graças à amplitude de seu portfólio e soluções inovadoras de sucesso, o negócio provou sua robustez em uma crise econômica global”, afirma José Antônio Castro, diretor de Adesivos Industriais Brasil e presidente da Henkel Brasil.

Castro se mostra otimista. Já pensando na retomada da demanda industrial neste primeiro trimestre do ano, e com base em números preliminares, ele prevê para a unidade Adhesive Technologies um crescimento orgânico das vendas de 12,5%.

“No Brasil, atingimos recorde de produção nos meses de setembro, outubro e novembro de 2020, após o pico da pandemia global, e esperamos que a demanda industrial, bem como os segmentos de consumo relevantes para a nossa empresa, tenham uma recuperação em 2021”, diz Castro.

A saber: as duas unidades fabris do Brasil (Jundiaí-SP e Itapevi-SP) estão entre as três melhores operações de adesivos da Henkel no mundo, respectivamente em 2018 e 2019, em um universo de mais de 130 plantas.

O setor – Do ano passado para cá, o mercado de adesivos se viu às voltas com um aumento significativo nos valores das matérias-primas, grande parte delas importada.

Diante dessa realidade, Jean Pinheiro, diretor-comercial da Killing, estima que os faturamentos de 2020 e de 2021 serão muito altos, porém nem tanto pelo volume, mas pelos valores dos insumos.

Esse período de pandemia também provocou uma ruptura das cadeias de suprimentos, acarretando a falta de vários produtos químicos no mercado mundial.

“A referida escassez de matérias-primas acontece de forma localizada, num contexto que atinge não somente a indústria química, mas diversas cadeias de suprimentos da indústria brasileira; mas a indústria está preparada e sabe lidar com a situação”, assinala Motta.

Porém, de qualquer forma, o mercado de adesivos não foi impactado fortemente por este déficit. A Killing, por exemplo, não parou por falta de produtos; o que fez foi ampliar sua reserva.

Pinheiro conta que praticamente dobrou seu estoque, em comparação com dois ou três anos atrás.

Jean Pinheiro, diretor-comercial da Killing ©QD Foto: Divulgação/Artecola Química
Pinheiro: produtividade leva calçadistas ao hotmelt e PUR

“Se eu planejo com seis meses de antecedência, consigo absorver e resolver possíveis atrasos na entrega, principalmente na compra de matérias-primas importadas, que são extremamente necessárias para a produção de adesivos”, diz.

A Henkel Brasil também não foi prejudicada.

Castro conta que a companhia vem desenvolvendo produtos que tenham em sua composição um alto teor de matérias-primas renováveis e com cadeia de abastecimento local.

Sustentável

Não por acaso, o fato que mais chamou a atenção de Motta, na história recente do mercado, é a necessidade cada vez maior de o adesivo contribuir para a sustentabilidade, ora permitindo que o produto final seja reciclável ou compostável, ora atendendo às exigências do uso de matérias-primas de fontes renováveis.

Ainda que no Brasil o preço seja uma barreira, as indústrias procuram continuadamente soluções que promovam a eficiência e a sustentabilidade de seus processos.

São inúmeros os polímeros com características importantes e adaptáveis às novas demandas.

Segundo o presidente executivo da Artecola, Eduardo Kunst, o grande movimento do mercado está na busca por hotmelts, pois este material favorece a velocidade de aplicação no cliente e reduz a quantidade utilizada na colagem.

Química e Derivados - Adesivos - Diversificação por segmentos geram resultados animadores ©QD Foto: Divulgação/Artecola Química
Kunst: tecnologia acaba com a carbonização nos coleiros

“Vemos a forte evolução dos poliuretanos reativos, que resultam em colagens inigualáveis e resistentes”, comenta.

Para ele, o ponto mais importante se refere à busca por matérias-primas de fontes renováveis, bem como polímeros de fonte renovável e biodegradáveis, o que já se configura como uma realidade no dia-a-dia da Artecola Extrusão.

Com 72 anos, a companhia conta com três áreas de negócios – Indústria, Consumo e Extrusão – com um total de nove plantas produtivas no Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, México e Peru.

“Nosso esforço de vendas tem sido no sentido de, cada vez mais, ampliar a participação de nossas linhas sustentáveis no mercado”, afirma.

A família de produtos Supera reforça essa postura da Artecola. Trata de um adesivo hotmelt, cuja tecnologia não carboniza no coleiro e apresenta vantagens por não haver paradas de linha de colagem e promover menos manutenção de equipamentos e limpeza de coleiros.

Novos cenários – Para o mercado de espumas, colchões e estofados (incluindo o segmento voltado ao setor automotivo), a Artecola ampliou a linha disponível de adesivos à base de água, a partir da parceira tecnológica com a Simalfa.

Para Kunst, um detalhe é a apresentação spray, que reduz a quantidade de adesivo usada e garante aplicação mais uniforme nas superfícies a serem coladas.

“Disponibilizamos a condição para que as empresas brasileiras migrem para a mesma tecnologia”, afirma o executivo.

Vale mencionar que a grande maioria dos adesivos utilizados para esta aplicação no Brasil ainda é feita com solventes.

O produto ecológico, por unidade, é caro.

Por isso, Pinheiro conta que busca outros meios para minimizar o impacto ambiental.

Em vez de trocar o produto, a companhia atua dentro da cadeia para reduzir o consumo total.

O processo de embalagem, de logística e de aplicação na fábrica é voltado para evitar desperdícios e criar uma economia de até 20% no custo.

“Com isso, temos uma redução de aproximadamente 20% de componentes voláteis que são os principais agressores do meio ambiente”, diz.

Sob a mesma temática, Castro aborda uma preocupação global em diminuir a poluição causada pelo plástico no ambiente, vislumbrando dessa forma, o crescimento do segmento de utensílios de papel.

Segundo ele, a empresa tem soluções (as linhas Aquence e Loctite Liofol) para esta demanda que foram desenvolvidas com alta tecnologia, para serem resistentes a diferentes tipos de líquidos e temperaturas durante o uso, além de atender a rígidas normas de segurança alimentar.

“A sustentabilidade está intimamente ligada à maneira como conduzimos nossos negócios há décadas”, reforça.

A evolução tecnológica dos adesivos vem redefinindo alguns setores.

Para Pinheiro, nos últimos anos, o segmento calçadista, que ainda é 95% base solvente, se abriu para os produtos base água, hotmelt e, sobretudo, à linha de adesivos à base de Poliuretanos Reativos (PUR).

“São produtos que têm uma colagem superior e uma produtividade por quilo muito mais elevada, que faz com que o custo do par colado seja reduzido”, comenta Pinheiro.

Ele relata também a movimentação no segmento de colchões, o qual migrou de base solvente para hotmelt, e agora está começando a inserir adesivos base água na sua composição.

“Na revenda moveleira, os adesivos de base solvente são preferidos, e o setor automotivo saiu da base solvente para base água, tendo uma evolução significativa nesse sentido”, acrescenta.

Sobre o mercado calçadista, Pinheiro aponta uma peculiaridade.

A entrada de adesivos à base de água no segmento reduziu em cerca de 50% o consumo na aplicação.

A inserção do hotmelt também teve o mesmo efeito, podendo diminuir em 80% o uso de adesivos no segmento, em comparação ao tradicional adesivo base solvente.

“O segmento calçadista em adesivos é um mercado em declínio”, afirma. Estima-se que por par colado, o consumo de adesivos encolha em torno de 5% ao ano.

“Muitas empresas saíram do mercado porque ele vai diminuindo cada vez mais”, conta.

Para sobreviver, a Killing usou como estratégia ampliar a sua participação em vários setores.

E tem dado certo. A companhia cresceu 18% em volume neste primeiro semestre de 2021e hoje produz entre 2 a 3 milhões de quilos de adesivos por mês.

“No caso dos calçados, a Killing tem várias tecnologias em nível de preparação de substratos, vários primers e também tecnologias de colagem que dão mais produtividade”, afirma Pinheiro.

A Kisafix é uma marca da Killing, e está presente em diversos segmentos como o de calçados, móveis, colchões e estofados.

Líder em adesivos para calçados no Brasil, a empresa traz em seu portfólio uma ampla linha com tecnologias base solvente, base água, hotmelt e PUR, entre outras.

No setor há cerca de 60 anos, a companhia tem investido em novas plantas; planeja ampliar a capacidade produtiva de adesivos no Brasil e no ano passado abriu fábrica no México.

“Esperamos continuar crescendo em dois dígitos ao longo do ano”, conclui Pinheiro.

Plural – O adesivo transita entre os diversos setores da indústria, seguindo a demanda mais aquecida. No momento, são as embalagens a bola da vez.

Segundo Motta, a categoria das embalagens flexíveis vem se destacando, pois nesse segmento a tecnologia está cada vez mais avançada e demanda adesivos igualmente eficazes.

Castro concorda. Para ele, trata-se de um setor que evoluiu muito nos últimos anos, em especial em relação aos adesivos para laminação de embalagens flexíveis.

“Essas embalagens são cada vez mais utilizadas pela indústria de alimentos, bebidas e ração para pets”, comenta.

Essa categoria também embute questões quanto à segurança dos alimentos.

Castro explica que uma das preocupações se dá quanto à presença de aminas aromáticas primárias, substâncias cancerígenas, provenientes da migração dos monômeros de isocianato do adesivo de poliuretano (utilizado na laminação de embalagens plásticas).

“Sem os adesivos adequados e cuidados necessários no processo de cura, os grupos de isocianato podem migrar para dentro da embalagem e, dessa maneira, reagir com água ou óleo, presentes, por exemplo, em molhos de tomate ou maionese, formando aminas aromáticas”, detalha.

Para evitar essa migração, é preciso que haja a cura completa, e não apenas mecânica do adesivo.

A resposta da Henkel a essa demanda é a família Loctite Liofol.

Castro explica que o desenvolvimento resiste a diferentes tipos de líquidos e temperaturas durante o uso.

Os adesivos estão ingressando em muitas aplicações que até então utilizavam fixação mecânica. Kunst, assim como os outros executivos, destaca as vendas para o mercado de embalagens e aponta o setor moveleiro como um importante consumidor de adesivos, atualmente.

“O segmento tem substituído as fixações mecânicas por adesivos nos últimos anos, apoiando o crescimento acelerado da demanda”, reforça.

A indústria automotiva também entra nesse rol, na medida em que intensifica a adoção do material como estratégia para reduzir o peso dos veículos e agregar resistência e flexibilidade no design das peças frente às fixações mecânicas.

“Esse setor tem crescido enormemente nos últimos anos, sendo este forte demandante de novas tecnologias”, afirma.

A pluralidade do material também tem aberto novos caminhos. Kunst aponta como tendência a crescente utilização dos adesivos em aplicações das áreas de eletroeletrônicos e da medicina, para sutura de cortes, entre outras.

Novidades – Para atender a este vasto mercado consumidor, as fabricantes abastecem o setor com novidades constantemente.

Desenvolvido com matérias-primas locais, a Henkel lançou o Technomelt PUR 3351, um adesivo hotmelt à base de poliuretano para a fabricação da lombada de livros.

Para Castro, o produto oferece a possibilidade de operação em temperaturas 10°C mais baixas em comparação aos adesivos convencionais e permite atingir a força satisfatória (5,5 N/cm) após seis horas de aplicação e força máxima depois de 18 a 24 horas do adesivo aplicado no material.

Além disso, o material promove resfriamento rápido, facilitando o manuseio após a aplicação e também proporciona menor desgaste dos equipamentos operacionais, segundo a fabricante.

Química e Derivados - Adesivos - Diversificação por segmentos geram resultados animadores ©QD Foto: Divulgação/Artecola QuímicaUm destaque da Artecola é o lançamento do adesivo desenvolvido para os produtores de frutas do nordeste brasileiro.

Trata-se do Artemelt HM 2050, um hotmelt (adesivo sólido) para fechamento de caixas usadas no armazenamento e transporte de frutas produzidas majoritariamente em locais onde a temperatura nos galpões chega a 44°C.

Kunst lembra que, por suas especificidades, a maioria dos produtores de frutas acabava comprando adesivos importados da Europa.

Para essa aplicação, o desempenho do adesivo é bastante particular.

O material precisa resistir ao calor e cristalizar muito rápido para manter a adesão.

Por outro lado, não pode sucumbir a baixas temperaturas, pois as caixas são em seguida levadas para ambientes refrigerados, nos quais o adesivo precisa ser flexível para não enrijecer demais e desfazer a colagem.

Outra novidade vem da família Artemelt PUR de adesivos hotmelt.

Trata-se de um desenvolvimento em parceria com a italiana Taka para os mercados de móveis, madeira e esquadrias.

O produto é apresentado com o apelo de que resiste a temperaturas até 150°C e mantém a colagem mesmo em locais extremamente úmidos, entre outras características.

A indústria brasileira de adesivos é muito diversificada, com um grande número de pequenos players atuando em segmentos de mercados específicos.

De uns tempos para cá, muitas fusões movimentaram esse cenário, conectando as empresas globalmente e evidenciando uma tendência que deve se manter por alguns anos.

No mercado mundial de adesivos e selantes, o Brasil é o décimo país em faturamento, avaliado em torno de US$ 1,3 bilhão, segundo dados de 2019 divulgados por Castro.

Porém, ainda assim, há muitas diferenças entre o mercado nacional e o de outros países.

Motta exemplifica que a indústria automobilística na Europa e nos Estados Unidos usa muito mais adesivos em seus veículos do que por aqui, seja pelos tipos de modelos fabricados ou pela tecnologia empregada.

Aplicação dos adesivos e colas na construção civil brasileira, sobretudo no que se refere ao uso de isolantes acústicos e térmicos, é outra prova de que o consumo nacional ainda está aquém do de mercados mais maduros.

Ou seja, apesar dos progressos, ainda há muito a avançar.

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