Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Adesivos: Construção verde incentiva uso de tecnologias híbridas e isentas de solventes

Marcelo Furtado
28 de junho de 2013
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    Matéria-prima verde – Os fornecedores de matérias-primas para a indústria de adesivos e selantes também percebem a demanda pela construção sustentável e, é bom ressaltar, muitas vezes até a estimulam, por meio de desenvolvimentos de tecnologias com potencial de inovação dos produtos finais. A alemã Wacker, importante fornecedora de polímeros e silicones da área, representa bem esse movimento.

    Química e Derivados, Wacker, Camila Dietrich, alfa-silanos já estão em produtos acabados no Brasil

    Camila: alfa-silanos já estão em produtos acabados no Brasil

    Desde o ano passado, a empresa está divulgando no Brasil sua tecnologia híbrida de adesão e vedação Geniosil (ver QD-523, julho de 2012), baseada nos chamados polímeros terminados em alfa-silanos (STPE). E neste ano, segundo revelou a gerente de vendas Camila Dietrich, a empresa já está fornecendo para fabricantes de adesivos, em opções prontas para o envase, a tecnologia Geniosil N, ou apenas os pré-polímeros para serem misturados com a formulação dos próprios clientes. Embora não possa revelar o nome dos usuários, a gerente afirma que a tecnologia híbrida está no varejo para colagem e vedação em geral, para janelas, boxes, espelhos, cubas de banheiro e cozinha, piso de madeira, entre outras aplicações indicadas.

    A tecnologia Geniosil, processo patenteado pela Wacker, emprega silanos especiais para polímeros orgânicos e silicones para promover a adesão de cura rápida. Em virtude de seu processo de polimerização, o produto hidrolisa mais rápido do que sistemas convencionais e pode assim atuar com sequestrante de água e como reticulador rápido, substituindo, com maior capacidade de adesão, produtos como o poliuretano. Além de não ter o cancerígeno isocianato (MDI) como o PU concorrente, o produto não precisa de catalisadores de estanho como os híbridos antigos de PP, não demanda plastificantes ftalatos e solventes e, como bônus, tem cura rápida, a ser projetada na formulação para períodos de 15 a 40 minutos, enquanto os sistemas convencionais levam horas. “Ele é uma opção limpa e mais eficiente”, disse Camila.

    Afora os novos polímeros terminados em alfa-silanos, para cooperar com a construção sustentável, a Wacker conta ainda com sua linha de dispersões de acetato de vinila e etileno, disposta em copolímeros ou em terpolímeros (com mais outro monômero funcional). Trata-se dos polímeros Vinnapas, que concorrem com as resinas aquosas acrílicas, estireno-acrílicas e os látex de estireno-butadieno. De acordo com o gerente de vendas de polímeros e resinas da Wacker, Ricardo Gouvêa, a grande vantagem da linha é a sua baixa emissão de componentes voláteis.

    Conforme explica Gouvêa, a característica ambientalmente correta se deve ao fato de o etileno, presente na cadeia polimérica, atuar como plastificante na formulação do adesivo de contato. Isso dispensa o uso dos indesejáveis ftalatos. Além disso, o etileno também torna o produto bastante macio, não demandando solventes como agentes formadores de filme, os chamados agentes coalescentes, que precisam ser incluídos mesmo em formulações base água. “Por não precisar de plastificante e nem de solvente, o adesivo fica sem ter causadores de emissões prejudiciais. E o etileno fica polimerizado, sem sair da superfície”, disse.

    A linha Vinnapas, produzida nos Estados Unidos e na Alemanha, gera adesivos de contato para pisos de madeira, forros de lã de vidro, placas de gesso cartonado, joint-compound (revestimento entre as placas de gesso) e para colagem de dry-wall. Para forro de vidro, há uma opção com copolímero de acetato e cloreto de vinila chamada Vinnol, que melhora a retardância à chama e diminui em até 30% a necessidade de inclusão de aditivos antichama no revestimento, como sais de boro e estrôncio.

    Embora esses polímeros especiais tenham preço unitário mais alto do que seus concorrentes, a formulação, sem solventes e plastificantes, acaba ficando mais barata, um ponto a favor difícil de ocorrer em se tratando de produtos ecológicos. Uma aplicação em ascensão é na colagem de carpetes, segundo Gouvêa. Mas várias outras estão em desenvolvimento entre os clientes. Recentemente, a Wacker lançou o Vinnapas EP 7000, com 70% de teor de sólidos (o normal é 50% em dispersões), secagem rápida, baixo teor de monômero residual (VAM) e sem APEOs (alquilfenoletoxilados), surfactantes em banimento na Europa. “Ele é para formulações de adesivos com altos sólidos e baixa viscosidade”, explicou. Outro produto da linha com boa aceitação é o Vinnapas 920, indicado para adesivos de laminação, na colagem de vários materiais, como alumínio, papel e fibra de vidro, em substratos difíceis como os metálicos, PP e PE. O grade é um terpolímero, com acetato de vinila e etileno e um terceiro monômero não revelado.



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