Química

Adesivos: Base água ganha espaço no mercado de calçados e madeiras

Marcelo Furtado
24 de março de 2003
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    Solvente “limpo” – Apesar do consenso em torno da periculosidade dos solventes, e da guerra justa que se empreende contra eles, não se pode também adotar posicionamento radical. Há solventes ambientalmente mais corretos, que podem substituir os perigosos tolueno (de maior toxidez e mais barato, por isso o mais usado), o n-hexano e a acetona. São os chamados solventes oxigenados, ésteres derivados de acetona (cetônicos) e os acéticos (acetatos de etila e butila) produzidos no Brasil pela Rhodia em sua fábrica de Paulínia-SP.

    Química e Derivados: Adesivos: Tomassini - vale a pena pagar 20% a 40% a mais.

    Tomassini – vale a pena pagar 20% a 40% a mais.

    Para provar a viabilidade da substituição por seus solventes, a Rhodia encomendou no ano passado testes no laboratório Tecam Tecnologia Ambiental, de Cotia-SP. Formulações com os solventes oxigenados em adesivos base borracha CR foram comparadas a outros que continham tolueno. Segundo explicou o gerente de desenvolvimento e aplicação da Rhodia, Wagner Lourenço, os solventes oxigenados mostraram ser muito mais “amigáveis” que os tradicionais.

    Em medidas de dosagem letal em ratos, demonstraram nenhuma toxidez, ao contrário do tolueno. Outro ponto a favor foi a alta TLV, ou limite tolerável máximo de exposição. Trabalho iniciado em 2002, as formulações com os solventes oxigenados precisam passar ainda por testes de campo para sofrer possíveis ajustes finais. Isso se deve principalmente ao fato de não solubilizarem com muita facilidade a borracha de policloropreno. Empresas como Azaléia e Amazonas testam essas formulações. Outra barreira a ser ultrapassada é a questão do preço. Por partir de frações mais caras, álcool e acetona, ao contrário dos petroquímicos, custam desde 20% até 40% mais caro. “É o preço que se paga para banir o perigo dos solventes”, afirmou o gerente de marketing da Rhodia Químicos de Perfomance, Carlos Tomassini.

    Ociosidade e matéria-prima cara preocupam o setor

    Química e Derivados: Adesivos: Kampff - a solução é exportar para a Europa e Ásia.

    Kampff – a solução é exportar para a Europa e Ásia.

    Como boa parte da indústria, o setor de adesivos passa por um momento econômico difícil. Dependente da cadeia petroquímica em quase todos os seus segmentos, vive um período de alta nos custos de suas principais matérias-primas. A situação é reflexo direto dos aumentos acumulados de 62%, desde janeiro de 2002, do barril do petróleo. Junte-se a isso a desvalorização do real frente ao dólar, de 51%, e ao euro, de 84%, com a conseqüente desaceleração da economia, e o cenário torna-se mais desanimador.

    “Tentamos evitar repasses, mas o máximo que conseguimos foi diminuir nossas margens de lucro”, afirmou o coordenador da câmara setorial de colas, adesivos e selantes da Abiquim, Julio Muñoz Kampff, também diretor da Henkel, líder mundial e local do setor. Um levantamento do aumento de algumas matérias-primas básicas demonstra a dificuldade dos produtores: de mais de 40% do MEG (monoetilenoglicol), de 18% do DEG (dietilenoglicol), de 25% do anidrido ftlático e superior a 20% no álcool. O resultado foi que pelo menos a desvalorização da moeda teve de ser embutida ao preço médio dos adesivos.

    unto com o aumento das matérias-primas, Kampff coloca a ociosidade e o déficit comercial como os outros grandes impasses. A utilização média, em razão da desaceleração da economia, está na casa dos 70%. Já o déficit é provocado em grande parte pelas desonerações tarifárias de alguns grandes produtores que possuem fábricas em países do Mercosul. Nesse caso, a importação de hot-melts da Argentina é o melhor exemplo.

    A compensação para o cenário sombrio do segmento passa pelo estímulo às exportações. Trabalha com essa perspectiva a divisão de adesivos industriais da Henkel, dirigida por Julio Kampff. Segundo ele, a partir do segundo semestre a empresa deve colher os frutos da estratégia. “Queremos passar da atual faixa de 15% das vendas externas para até 30% em 2004”, diz. A fábrica de Jacareí-SP tem capacidade de sobra para atender novos pedidos, por haver sido triplicada nos últimos anos para 6 mil t/ano.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivos06. A idéia da Henkel é colocar seus hot-melts excedentes em novos mercados, sobretudo na Europa, aproveitando a supervalorização do euro. “Hoje as exportações estão muito concentradas na América do Sul, mas devemos começar a vender tanto para a Europa como para a Ásia”, explica Kampff. Para isso, já foi iniciado um plano de marketing internacional para divulgação dos hot-melts granulados (Technomelt), de PSA base borracha (Euromelt) e de adesivos de poliuretano Liofol para laminação de filmes de embalagens para alimentos. Neste último caso, aliás, a Henkel lança uma linha especial sem solventes, capaz de evitar a migração de aminas aromáticas para os alimentos, conforme prescrevem as exigências européias atuais.



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