Química

Adesivos: Base água ganha espaço no mercado de calçados e madeiras

Marcelo Furtado
24 de março de 2003
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    Para embasar a divulgação, a Alba realizou testes de bancada para provar a eficácia dos adesivos base água. Em análises de resistência à tração, as madeiras coladas sob 30 kgf/cm2 suportaram os mesmos sete dias dos adesivos base solvente. Em testes para avaliar resistência térmica provou não descolar os substratos a temperaturas de até 80ºC, característica importante para móveis de cozinha instalados próximos a fogões. Além disso, com teor de sólidos de 48% a 52% e pH de 10 a 11 (temperatura de 25º), o Cascola base água foi testado para comprovar sua boa estabilidade, que lhe confere prazo de garantia de até um ano.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivos05

    Química e Derivados: Adesivos: Tadeu - tropicalização de fenólicas para base água.

    Tadeu – tropicalização de fenólicas para base água.

    Parque nacional cresce – No referente a solventes, o Brasil só possui legislação para controlar o limite de exposição máximo aos voláteis, de 48 horas semanais, e uma lei no Rio Grande do Sul que determina a redução do tolueno em 15% nas formulações até 2005. Nos países desenvolvidos, há restrições claras e de âmbitos nacionais ou até continentais. Nos Estados Unidos, a legislação limita a emissão de componentes voláteis a 20%, com tendência de recrudescimento. Na Comunidade Européia, no setor de calçados, o limite é de emissão de voláteis a 25 gramas por par, lei aplicada em empresas com consumo menor do que 5 t/ano. A mesma diretriz determina que até outubro de 2005 deve-se reduzir em 50% a emissão, e até 2007 atingir integralmente o valor limite.

    Embora já tenham havido tentativas de regulamentações semelhantes, inclusive com uma inusitada e frustrada lei paranaense que obrigava os adesivos de contato apresentar odores fétidos para evitar o uso como entorpecente (que também inviabilizava pelo mau cheiro o seu uso profissional), o Brasil deve seguir o exemplo asiático. Naquele continente, a mudança de tecnologia no mercado de calçados se deveu à iniciativa pioneira dos próprios fabricantes, grandes grupos como Nike, Reebok, Adidas, entre outros. Ou seja, o próprio mercado, em efeito dominó, deve forçar a mudança.

    O efeito no Brasil fica nítido ao se observar a movimentação junto aos fornecedores de matéria-prima, que começam a se preparar para atender a demanda dos formuladores. Para começar, vale lembrar a Bayer, que aumentou a estrutura de suporte técnico local de suas resinas importadas Dispersol U (PU aquoso) e Dispersol C (CR aquoso), provenientes dos Estados Unidos e da Alemanha. Mas há até casos de grupos estrangeiros que resolveram nacionalizar a produção de insumos.

    Química e Derivados: Adesivos: Victório - lançamentos para aproveitar potencial do setor.

    Victório – lançamentos para aproveitar potencial do setor.

    Foi o caso da americana Schenectady, produtora de resinas fenólicas, utilizadas nas formulações de adesivos de contato de policloropreno. Obrigatório para conferir melhor flexibilidade, adesão, coesão e estabilidade térmica, essas resinas alquilfenólicas sempre foram empregadas nos adesivos base solvente e precisaram ser reformuladas para se adequar aos base água. Há cinco anos, a Schenectady trouxe dos EUA os primeiros lotes das dispersões aquosas. A partir de 2001, com a demanda em ascensão, nacionalizou a produção em Atibaia-SP.

    De acordo com o gerente de produto Marcos Tadeu André, a empresa produz extensa linha dessas resinas, que inclui além das alquilfenólicas, as terpeno-fenólicas e as terpênicas. Em Atibaia não precisou haver mudanças para a nova produção, porque foi aproveitada uma linha existente para fabricação de resinas base água para papel autocopiativo. A decisão pela tropicalização possibilitou à empresa parar de importar “água”, ou seja, as dispersões aquosas. A necessidade das fenólicas na formulação dos adesivos se explica pela influência positiva dessas resinas na estabilidade térmica, flexibilidade, adesão e na coesão dos adesivos.

    Outra novidade no mercado nacional, em se tratando de fornecimento de matéria-prima para adesivos de contato base água, é a oferta da Rohm and Haas, com fábrica em Jacareí-SP, da linha Roplex, de adesivos ecológicos base acrílico. Para produtos do-it-yourself (DIY), com funções de colagem de contato em madeira, tecido e sapatos, trata-se do grade CA 597. A empresa vende a base acrílica, responsável por 95% da formulação, para fabricantes de adesivos embalarem e comercializarem da forma desejada.

    Química e Derivados: Adesivos: Lourenço - Rhodia experimenta solventes oxigenados.

    Lourenço – Rhodia experimenta solventes oxigenados.

    Aliás, a tendência de adesivos base água para a Rohm and Haas é levada a sério. A empresa está em fase de lançamento de uma infinidade deles, para os mais variados setores. Forte em adesivos de PU e poliéster para laminação de embalagens flexíveis, a empresa lança nova linha base água, mono ou bicomponente, que permite corte imediato dos filmes logo após a laminação, enquanto os de base solvente precisam de dez dias. “Isso sem falar que ele vem pronto para o uso”, afirmou o gerente técnico da Rohm and Haas, José Paulo Victório. Por enquanto, a linha de emulsões Robond (L90D, mono, e L100CR2, bicomponente) é importada, mas em breve será nacionalizada em Jacareí.

    De acordo com Victório, faz parte da estratégia do grupo americano procurar alternativas base água em todos os seus adesivos. “As taxas de crescimento desse mercado, em todos os segmentos, são altíssimas”, diz. Também produtora de adesivos PSA (pressure sensitive adhesive), de base acrílica, a empresa se prepara para lançar versões base água de adesivos de aplicação médica em fitas tipo band-aid ou microporos e para drug-patchs (emplastros). Também está nos planos o lançamento de látex de borracha natural base água para fitas crepes.



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