Química

Adesivos: Base água ganha espaço no mercado de calçados e madeiras

Marcelo Furtado
24 de março de 2003
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    Produtora de adesivo bastante responsável por esse crescimento no segmento de colagem de solados, substituindo os tradicionais PU com solvente acetona, é a Una, de São Paulo. Desde que em março de 2000 a empresa lançou sua linha Unagreen, de adesivo bicomponente poliuretânico base água, a aceitação tem sido muito positiva, sobretudo de grandes fabricantes de calçados esportivos, os famosos tênis.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivos02.Aplicado com um agente catalisador isocianato base água (misturado em um percentual de 5% nos galões de PU na hora da aplicação e com o propósito de promover a reação de reticulação com os grupos hidroxilas da resina), o adesivo Unagreen une o chamado cabedal com o solado do tênis, após passagem por reativação térmica em estufas (de 80ºC a 100ºC).

    Química e Derivados: Adesivos: Maia - grandes clientes compraram a idéia.

    Maia – grandes clientes compraram a idéia.

    “Levamos cinco anos para ter o produto ideal, depois de pesquisar pelo mundo e de contar com o auxílio dos principais fornecedores de matérias-primas”, explicou o diretor-proprietário da Una, Orlando Sergio Maia. A iniciativa de seguir a tendência mundial sem ter sido pressionado por leis, que não existem, ou por exigência de clientes, ainda esporádicas, teve a ver mais com o pressentimento da Una de que um dia haveria a nova demanda. Há cerca de oito anos a empresa resolveu correr o mundo atrás de alternativas, mas bateu a cabeça antes de chegar à fórmula atual. Testou produtos italianos, mas que não vingaram por causa do alto preço, e outros produtos com desempenho questionável. “Além do alto preço e da falta de conhecimento de aplicação, o grande problema dessas dispersões aquosas era um só: o oxigênio”, afirmou Maia.

    O diretor da Una se refere à instabilidade provocada pelo oxigênio, que gera problemas biológicos, de deterioração e degradação. “O grande trunfo dos desenvolvimentos dos grandes fornecedores foi dar estabilidade ao produto final”, diz. Quando as primeiras alternativas de aquosos surgiram, a garantia do produto não conseguia ser superior a dois meses. E além do mais o adesivo não podia operar sob altas e baixas temperaturas. Hoje o Unagreen tem garantia de 15 meses e mantém estabilidade em temperaturas de 5ºC a 45ºC.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivos03. Com o produto livre de seus principais gargalos, mediante pesquisa própria e apoio dos fornecedores de resinas, o próximo passo foi saber vendê-lo, convencendo os clientes a utilizar um adesivo até quatro vezes mais caro. Para isso, foi realizado o mesmo trabalho dos produtores de matéria-prima, ou seja, investiu-se em suporte técnico, treinamento e na explicação pura e simples das vantagens da tecnologia ao mercado. “Como se tratava de revolução tecnológica em um mercado totalmente dominado pelos adesivos de solvente, precisamos lutar muito para convencer, amparar tecnicamente os clientes e ainda defender o produto de críticas infundadas dos concorrentes”, disse Maia. Está entre esses esforços, além dos treinamentos gratuitos, até o desenvolvimento de pincéis especiais para a aplicação do adesivo.

    Reebok adere – O esforço da Una foi recompensado com a aposta de um grande grupo calçadista em extingüir de modo espontâneo os solventes de seus processos de colagem, a Reebok, cujos tênis são produzidos no Brasil, sob licença da Vulcabrás, na cidade de Horizonte, no Ceará. No final de 2000, a empresa começou o processo de substituição por meio da colagem de solados de EVA e de outros substratos com o PU aquoso. Depois de seis meses, todos os demais componentes dos tênis já estavam utilizando quatro tipos diferentes desses adesivos para colar os mais variados materiais, desde borrachas naturais ou termoplásticas até PVC ou tecidos de náilon. Hoje a Reebok só cola com adesivo aquoso de PU. Apenas alguns primers ainda continuam a ser base solvente.

    Com o cartão de visita da Reebok, a Una começou a expandir as vendas para vários outros fabricantes. Empresas como Adidas e Nike possuem mesma meta de substituição, a primeira com o objetivo de cumpri-la ainda neste ano. Outras empresas menores também começam a adotar o produto, vencendo antigos traumas como o de “pagar mais caro por uma cola sem cheiro forte”, como lembrou Maia. “Se usarem a tecnologia de solvente, além de estarem com um produto inflamável e tóxico, com menor rendimento, vão desperdiçar cerca de 15% da cola, média dos excessos ocorridos nessas aplicações e que precisam ser evitadas nos aquosos”, completa.

    Segundo Maia, em dois anos a empresa passou a deter 85% do mercado de adesivos aquosos PU. Um levantamento citado pelo diretor estima o mercado de adesivos de contato base solvente por volta de 25 mil toneladas ano (2000). Destes, 35% são de policloropreno (8.750 t/ano), 55% de poliuretano (13.750 t) e 10%, de outros tipos (2.500 t). “Dá para substituir cerca de 60% das aplicações do PU solvente, chegando a uma média de 8.250 t”, diz. Hoje a participação da empresa é de cerca de 250 t/ano, volume que para ele deve dobrar anualmente nos próximos cinco anos.



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