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28 de agosto de 2015

Acrílico: Complexo da Basf inicia produção e estimula a cadeia produtiva

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Vista aérea do complexo da Basf, com destaque para as unidades de ácido acrílico (A), acrilato de butila (B) e polímeros superabsorventes (C)

    Vista aérea do complexo da Basf, com destaque para as unidades de ácido acrílico (A), acrilato de butila (B) e polímeros superabsorventes (C)

    Não é todo dia que se inaugura uma fábrica química de 500 milhões de euros (R$ 2 bilhões, aproximadamente) no Brasil. Aliás, não é todo ano, nem toda década. Há muitos anos o setor químico nacional não recebe um investimento do vulto do complexo de produção de ácido acrílico, polímeros superabsorventes e acrilatos inaugurado oficialmente pela Basf em Camaçari-BA, no dia 19 de junho.

    Química e Derivados, Goerck: produção de Camaçari é competitiva em escala global

    Goerck: produção de Camaçari é competitiva em escala global

    Proeza tão rara mereceu cerimônia concorrida, com a presença dos titulares dos poderes executivos municipal, estadual e até da república, acompanhados de todo o aparato de segurança requerido. O conjunto fabril, em operação efetiva desde janeiro deste ano, sobreviveu incólume aos modorrentos discursos oficiais. Ponto para os executivos da companhia que falaram pouco e bem, enfatizando a relevância desse projeto. “O investimento que fizemos na Bahia é o maior já realizado pela Basf em toda a América do Sul”, disse Ralph Schweens, presidente da companhia na região.

    Desataca-se na bela instalação da Basf em Camaçari o aspecto visual imponente e notavelmente prático: todas as tubulações e os equipamentos operacionais foram providos de competente isolamento térmico. O desenho das plantas, a tecnologia adotada e a preocupação com a eficiência térmica permitem operar com excelente aproveitamento energético. Sendo a produção do ácido acrílico exotérmica, as providências adotadas tornam o conjunto autossuficiente em calor, com excedente de vapor enviado para a Braskem, sua fornecedora de propeno grau químico, que gera eletricidade com esse recurso.

    “Desde 2000, a Basf vem reduzindo continuamente seu consumo de água e de energia nas suas fábricas em todo o mundo, atitude decorrente de sua política de sustentabilidade global. Nas unidades brasileiras, o consumo de água caiu 53% desde então e o de eletricidade, 17%”, comentou Rui Goerck, vice-presidente sênior da área de produtos químicos e de performance para a América do Sul.

    Química e Derivados, Importações de sapConjunto verbund – Famosa por se manter fiel ao conceito de produção integrada – verbund, em alemão –, a maior indústria química do mundo aplicou essa diretriz na fábrica inaugurada em Camaçari. O propeno grau químico, com aproximadamente 94% de pureza, produzido pela unidade de insumos básicos de Camaçari da Braskem, chega à Basf por duto exclusivo, alimentando o reator de produção de ácido acrílico, capaz de gerar 160 mil t/ano. A tecnologia empregada é da própria companhia, considerada a mais avançada no momento.

    Esse reator é o equipamento mais crítico do processo, pois as reações de oxidação de propeno a acroleína e desta para o ácido são exotérmicas, exigindo o controle perfeito da temperatura interna para manter a eficiência e proteger o catalisador. O equipamento também precisa impedir qualquer vazamento, lembrando que o ácido acrílico é altamente reativo e inflamável.

    O produto emergente do reator passa por um sistema de separação e purificação, este concentrado na coluna de 64 metros de comprimento e 480 t – cujo transporte do porto de Aratu-BA até o local de instalação representou a maior operação logística já realizada na Bahia – dando origem ao ácido glacial (99,9% de pureza), usado para a produção dos derivados. O total importado de ácido acrílico em 2014 chegou a 55 mil t, no valor de US$ 87 milhões, como aponta a Secex, órgão do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior (Mdic).

    Química e Derivados, Importações de ácido acrílicoA companhia não informou (para defesa de seus interesses comerciais) o destino exato do ácido gerado. Sabe-se que ele alimenta duas linhas distintas e integradas de produção, iniciadas simultaneamente. A produção de polímero superabsorvente (SAP), tecnicamente um poliacrilato de sódio (resultante da neutralização parcial do ácido com soda caústica e posterior polimerização), ocupa um prédio muito alto, com paredes brancas sem janelas ou aberturas visíveis. A grande caixa branca se explica pelo fato de o SAP ter seu maior uso comercial na confecção de artigos de higiene pessoal, como fraldas, fraldões e absorventes íntimos, que devem seguir normas sanitárias rígidas, entre elas o controle de partículas no ambiente fabril. Da polimerização e acabamento, o SAP segue para silos especialmente construídos. “O SAP tem a capacidade de absorver uma quantidade de água até 40 vezes superior ao seu peso, com isso, uma fralda carrega em média 8 g do polímero, que forma um gel estável quando entra em contato com líquidos, a exemplo da urina”, explicou Goerck.


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