Acidulantes – Aditivo registra demanda crescente no setor

Aditivos conservam e melhoram alimentos

LIMITES PARA INGESTÃO DE ACIDULANTES (IAD)   

Commodity

“É um mercado bastante consolidado e basicamente de commodities, nos quais não se aplica alta tecnologia na utilização”, assim Andreia, define a indústria de acidulantes.

Até por conta dessa característica, oscilações nos preços das matérias-primas costumam movimentar o setor.

Na última década, investimentos na Ásia geraram a abertura de várias fábricas, o que provocou um excesso de capacidade e, com isso, uma disputa por preços e mercados.

Segundo Mirismar, os baixos patamares dos preços praticados pelos chineses levaram vários países a entrar com pedidos de investigação por direitos antidumping.

Andreia pontua que o Brasil possui leis de proteção ao mercado local impedindo, em algum grau, práticas predatórias.

“Temos grande escala de produção no mercado local e restrições de produtos importados, como ácido cítrico e fosfórico, em momentos de turbulência no mercado internacional ou desvalorização da moeda real”, afirma.

Recentemente, a Sweetmix observou que reajustes no frete de itens comprados da China impulsionaram a alta de preços para todos os produtos e criaram um cenário de incertezas.

E, por falar em indefinições, elas não faltaram em 2020, ano, no mínimo, desafiador. Até mesmo a robusta indústria de bebidas foi impactada. Dados da Abia revelam que, em vendas reais, essa categoria apresentou queda de 8,3%.

Mirismar atribui essa baixa ao desempenho dos segmentos de sucos e refrigerantes carbonatados, pois esses produtos foram afetados pela quarentena, com o fechamento de escolas e do food service.

Por outro lado, segundo ela, as vendas de produtos de limpeza e do ramo agrícola aumentaram. No balanço, o crescimento foi bem tímido. Sobre o que vem pela frente, ela não ousa arriscar. “As projeções para 2021 são difíceis, dado o cenário incerto”, diz.

Para a Sweetmix, 2020 foi um ano totalmente atípico, pois houve alta procura de acidulantes até nos períodos em que o volume, tradicionalmente, é menor, como no inverno.

Química e Derivados - Acidulantes - Polivalente e seguro, aditivo registra demanda crescente no setor de alimentos e bebidas ©QD Foto: Divulgação
Gabriela: procura pelo ácido tartárico aumenta a cada ano

Gabriela, da Vogler, avalia que o crescimento das vendas deste aditivo é constante, e explica o motivo:

“os acidulantes têm um papel básico e fundamental nas formulações de alimentos e bebidas; eles auxiliam na conservação e na performance dos alimentos e são livres de questionamentos quanto à sua ingestão”.

Segurança alimentar

Aliás, sobre esse último item, vale dizer que a maioria dos acidulantes nem tem IDA (Ingestão Diária Aceitável) estabelecida (veja tabela).

Química e Derivados - Acidulantes - Polivalente e seguro, aditivo registra demanda crescente no setor de alimentos e bebidas ©QD Foto: Divulgação
Limites para ingestão de acidulantes (IDA) – Principais Aplicações em Alimentos e Bebidas. Fontes: Ital – Sweetmix e Vogler

 

 

“O fato de o aditivo ter IDA não especificada significa que ele não representa risco à saúde”, explica Airton Vialta, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). Segundo ele, nesses casos, deve-se utilizar o limite quantum satis (q.s.), quantidade necessária para obter o efeito tecnológico desejado desde que não altere a identidade e a genuinidade do produto.

Se a IDA é especificada (caso dos ácidos fosfórico e tartárico), o índice serve de parâmetro para o estabelecimento do limite de uso do aditivo no produto.

No caso do ácido fosfórico, seu emprego em bebidas alcoólicas não pode ultrapassar 0,7 g/litro. Dessa forma, uma pessoa de 70 quilos precisaria ingerir sete litros de bebida por dia, uma vez que sua IDA seria 4,9 gramas.

Química e Derivados - Acidulantes - Polivalente e seguro, aditivo registra demanda crescente no setor de alimentos e bebidas ©QD Foto: Divulgação
Vialta: aditivo é seguro, mas deve obedecer limites legais

“É claro que uma pessoa não ingere essa quantidade de bebida contendo ácido fosfórico todos os dias, porém ela pode ingerir outros produtos alimentícios que o contenham”, diz Vialta.

A saber: a IDA é a quantidade máxima de uma substância que, mesmo ingerida diariamente, não causa prejuízo à saúde humana ao longo da vida.

Segundo o pesquisador, são realizadas revisões constantes dos aditivos e suas aplicações, devido à evolução dos conhecimentos científicos e tecnológicos.

“Tudo isso exige o devido acompanhamento e adaptação das agências regulatórias”, diz. A legislação brasileira, assim como a de outros países, estabelece limites de acidez para determinados produtos alimentícios. Além de normas especificando quais aditivos podem ser utilizados e em quais quantidades, existem os Padrões de Identidade e Qualidade (PIQ). Trata-se de um conjunto de parâmetros específicos que devem ser seguidos durante a elaboração de cada produto. “O nível de acidez pode ser um dos parâmetros a serem obedecidos”, exemplifica.

Vialta ressalta que os acidulantes são seguros e que seu uso é importante para cumprir determinadas funções tecnológicas e assim contribuir para o padrão de identidade e qualidade dos produtos, bem como para sua segurança.

“E isso vale para os demais aditivos, portanto, as pessoas podem consumir produtos contendo um ou mais aditivos sem receio”, reitera.

Para ele, faz-se necessário ter essa ideia em mente, sobretudo no momento atual, por causa de um sistema de classificação de alimentos chamado Nova, a partir do qual o Ministério da Saúde criou o Guia Alimentar para a População Brasileira.

Esse documento orienta a população a evitar os alimentos ultraprocessados e reduzir o consumo dos processados. Uma das razões para tais sugestões, segundo os autores do Nova, é justamente o uso de aditivos, que traria prejuízos à saúde. “Ele não tem sentido prático e não leva em consideração a ciência e a tecnologia de alimentos”, reforça Vialta.

Mais informações: Aditivos alimentícios – Ultraprocessados provocam disputa

A discussão é salutar, sobretudo atualmente, pois o consumidor está cada vez mais exigente e consciente acerca do que ingere.

Para Mirismar, há uma busca por alimentos com ingredientes mais simples e conhecidos. “Cada vez mais, vemos o consumidor interessado em ler nossos rótulos e buscar a origem dos ingredientes e o impacto deles no planeta”, diz.

Em certa medida, os acidulantes podem ser favorecidos por esse movimento. Além das suas características intrínsecas, o aditivo tem ótima reputação.

Mirismar revela dados de uma pesquisa feita nos Estados Unidos sobre como o consumidor percebe os ingredientes. O levantamento mostrou o ácido cítrico com boa pontuação e um impacto positivo para o consumidor.

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