Produtos Químicos e Especialidades

20 de Abril de 2011

Ácidos – Demanda cresce e incentiva produção local a investir

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Apesar de ainda importar cerca de 70% de seus principais nutrientes – integrados na sigla NPK, de nitrogênio, fósforo e potássio –, a indústria brasileira de fertilizantes é abastecida de ácido sulfúrico principalmente por empresas instaladas no país. Esse insumo, diz Roquetti, “é vital para o setor, que o utiliza para, por exemplo, gerar ácido fosfórico”.

    E a oferta nacional de ácido sulfúrico para a indústria de fertilizantes está agora sendo fortalecida também pela Vale, cujo complexo industrial da cidade mineira de Uberaba deve inaugurar ainda este ano uma nova unidade capaz de produzir 680 mil t/ano desse ácido.

    Química e Derivados, Ácidos, José Portinho Júnior, Nitro Química, sulfúrico e fertilizantes

    Portinho: sulfúrico depende da expansão dos fertilizantes

    O crescimento da oferta desse ácido com base na indústria dos fertilizantes não é, porém, fenômeno exclusivamente brasileiro: manifesta-se também em outros países, pois decorre da atual valorização das commodities agrícolas no mercado internacional, lembra Souza, da Paranapanema. Segundo ele, embora destine “pequena parte” de seu ácido sulfúrico para uma fabricante de fertilizantes integrante do mesmo grupo – a Cibrafertil –, a Paranapanema comercializa a maior fatia dessa produção para indústrias químicas instaladas nas proximidades de sua planta produtiva localizada na Bahia.

    Este ano, ele prevê, os negócios da Paranapanema no mercado de ácido sulfúrico crescerão cerca de 5%. “Não trabalhamos esse ácido como um subproduto, e sim como coproduto gerador de uma receita relevante”, enfatiza Souza.

    Na Nitro Química, projeta Portinho, as vendas de ácido sulfúrico deverão este ano elevar-se aproximadamente em 4% sobre 2010. Assim como nos demais fornecedores sem relacionamento direto com o mercado de fertilizantes, também nessa empresa o mercado consumidor é composto basicamente por indústrias do setor químico. “E, nesse segmento, devem agora crescer mais os negócios relacionados à indústria de papel e celulose”, especifica Portinho. Mas ele percebe ainda potencial para expansão mais acelerada também no setor das usinas de açúcar e álcool, nas quais o ácido sulfúrico é empregado no controle do pH do processo de fermentação da cana.

    Química e Derivados, Ácidos, Principais setores consumidores de ácido sulfúrico

    Tabelas: Principais setores consumidores de ácido sulfúrico – Clique para ampliar

    Para Fajardo, da Galvani (essa empresa produz o ácido também na Bahia, porém nesse caso apenas para consumo interno), a produção de papel e celulose e a indústria canavieira são segmentos consumidores nos quais pode haver evolução mais acelerada nos negócios com ácido sulfúrico. Na opinião de Fajardo, “é hoje necessário investir tanto na produção de fertilizantes quanto na ampliação da capacidade de oferta de ácido sulfúrico para o setor químico”.

    Pode-se hoje, na verdade, até mesmo pensar em futuros novos players desse mercado. Caso, por exemplo, da Petrobras, que disporá de grandes quantidades de enxofre com a implementação do processo de dessulfurização de seus combustíveis. Ainda em estágio inicial, esse processo deverá, porém, evoluir, seja pelas demandas ambientais, seja pela necessidade de adequação desses combustíveis às legislações internacionais.

    Ácido nítrico – Com capacidade de 470 mil t/ano, a Vale Fertilizantes é hoje responsável por aproximadamente 85% da produção nacional desse ácido, estima Luiz Antonio Veiga Mesquita, diretor comercial e de marketing da empresa. Além dela, também produzem ácido nítrico no Brasil a Petrobras – em sua unidade de fertilizantes – e a Rhodia, nesta, porém, é aproveitado apenas internamente, dentro da cadeia de produção de poliamida.

    Química e Derivados, Luiz Antonio Veiga Mesquita, Vale Fertilizantes, amônia e nítrico

    Mesquita: falta amônia no Brasil para ampliar a produção do nítrico

    Do total de ácido nítrico da Vale, cerca de 35% serve à produção de nitrato de amônio utilizado em fertilizantes. Os 65% restantes seguem para o setor químico, que o aproveita basicamente a 53% de concentração. Há, entretanto, quem o use em concentrações bem mais elevadas, até 99%, para assim empregá-lo na produção de nitrocelulose, nos intermediários poliuretânicos TDI e MDI, e explosivos (a Rhodia o consome na concentração 61%).

    Os explosivos, usados em grandes obras de engenharia civil, compõem um dos segmentos de mercado no qual, de acordo com Mesquita, cresce mais aceleradamente o uso do ácido nítrico. “Vem crescendo também o uso em limpeza industrial”, acrescenta.

    Mas o ácido nítrico tem inúmeras outras aplicações; por exemplo, na produção de medicamentos, na indústria têxtil, na metalurgia e na fabricação de tintas e cerâmicas. Atenta a esse potencial, a Vale já estuda a ampliação de sua capacidade de fornecimento desse produto – caso aprovada, ela ampliará essa capacidade em uma faixa que vai de 35% a 40%. “Temos em Cubatão-SP quatro unidades de produção de ácido nítrico. E todas hoje operam em plena carga, 24 horas por dia”, justifica Mesquita.

    Segundo ele, na produção do ácido nítrico destinado ao setor químico, a Vale Fertilizantes trabalha com amônia importada de Trinidad e Tobago, pois não há no Brasil oferta suficiente para atender a essa demanda. “E até o momento não é viável aumentar a produção de amônia no país, pois não há gás natural suficiente disponível e, mesmo que houvesse, seu preço está completamente fora do mercado mundial”, finaliza o diretor da empresa.

     


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