Produtos Químicos e Especialidades

20 de Abril de 2011

Ácidos – Demanda cresce e incentiva produção local a investir

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Química e Derivados, Ácidos, Produção e importação do ácido clorídrico, sulfúrico, nítrico

    Tabela: Produção e importação dos ácidos clorídrico, sulfúrico e nítrico no Brasil – Clique para ampliar

    No ano passado, conta Cerqueira, da Braskem, os principais incrementos no consumo de ácido clorídrico no Brasil ocorreram nos segmentos de metalurgia e siderurgia – expansão de 17,5% –, química/petroquímica e distribuição (crescimentos, respectivamente, de 8,1% e 10,1%). Agora, ele projeta: “Em função da crescente demanda dos produtos finais oferecidos por eles, os maiores potenciais de crescimento permanecem nos segmentos de metalurgia e siderurgia, química e petroquímica.”

    Na opinião de Cerqueira, mesmo quando analisado em prazos maiores, o mercado brasileiro de ácido clorídrico apresenta perspectivas de expansão. “Esse crescimento estará associado ao crescimento da indústria de alimentos, química e petroquímica, e siderurgia e metalurgia, que, juntos, representaram cerca de 76% da demanda brasileira por esse produto”, ele detalha.

    Ácido sulfúrico – Ácido inorgânico produzido em maior quantidade no Brasil e destinado em sua esmagadora maioria ao preparo de fertilizantes. O maior produtor do país, a Vale Fertilizantes, sequer o comercializa atualmente, pois consome integralmente os 4 milhões de toneladas que gera a cada ano.

    Mas seu uso é fundamental em inúmeras outras aplicações industriais: metalurgia, indústria de papel e celulose, fabricação de explosivos, pigmentos; entre outras. Aliado à perspectiva de ampliação do consumo em fertilizantes, esse uso disseminado gera um contexto de oferta de ácido sulfúrico, para o setor químico, no qual praticamente não há sobras capazes de servir como margem de manobra.

    Química e Derivados, Ácidos, Principais consumidores de ácido clorídrico

    Gráfico: Principais consumidores de ácido clorídrico – Clique para ampliar

    Existe, porém, ao menos um projeto de ampliação da oferta desse produto não relacionado diretamente à produção de fertilizantes. Ele está sendo desenvolvido na Paranapanema, como coproduto no processo de produção de cobre. De acordo com Luis Fernando Rogério de Souza, responsável pela divisão de matérias-primas e químicos da Paranapanema, “já foi aprovado um plano de investimentos, e a partir de 2012 iniciaremos um processo de ampliação de nossa capacidade de produção de ácido sulfúrico, que em 2013 deverá ser entre 10% e 15% superior à atual”. Hoje, a capacidade de produção de ácido sulfúrico da companhia chega a 550 mil toneladas anuais.

    Há planos de expansão também na Galvani, produtora de cerca de 400 mil t/ano de ácido sulfúrico em Paulínia-SP, metade das quais usada em seus próprios fertilizantes, destinando o restante ao mercado. “Estudamos a instalação de uma nova planta de fertilizantes na região de Patrocínio, em Minas Gerais”, revela Celso Fajardo, diretor comercial da empresa. “Aumentando a capacidade de produção de fertilizantes, cresce também a produção de ácido sulfúrico, e os fabricantes podem, a cada momento, considerar as demandas dos diferentes mercados. Prova disso é que há dois ou três anos havia excesso de oferta desse insumo”, pondera.

    Este ano, prevê Fajardo, o consumo de ácido sulfúrico pelo setor químico – ou seja, desconsiderando os fertilizantes – deve ser algo entre 5% e 7% superior àquele registrado em 2010. “A oferta de ácido sulfúrico para esse setor está hoje muito ajustada à demanda por duas razões: primeiramente, porque a valorização das commodities agrícolas aquece a indústria de fertilizantes. Depois, porque a própria indústria química vem crescendo, em praticamente todos os seus segmentos”, informa.

    Diferenciais competitivos – Enquanto as empresas produtoras de fertilizantes ou de outros processos pensam em ampliação de capacidades, esse gênero de investimento parece mais complexo para aquelas que geram o ácido por meio de um processo específico: “É um produto commoditizado, e é difícil pensar em ampliar sua produção imaginando que, no caso de queda da demanda no mercado de fertilizantes, uma empresa desse setor pode inundar o mercado com enormes quantidades de ácido sulfúrico”, observa José Portinho Júnior, gerente geral comercial da Nitro Química, que hoje produz cerca de 240 mil t/ano do ácido em São Paulo. Mas essa possível desvantagem competitiva pode de certa forma ser compensada por empresas que, caso da própria Nitro Química, queimam enxofre para produzir ácido sulfúrico, pois nesse processo elas obtêm também energia.

    Na Elekeiroz, associada a outros processos exotérmicos – como aqueles relacionados ao ácido maleico –, a queima de enxofre para obtenção de ácido sulfúrico pode atualmente suprir até 70% das necessidades de energia da planta da cidade de Várzea Paulista-SP (onde a empresa produz esse ácido). E, de acordo com Roberto Rossit, gerente executivo nacional de vendas da Elekeiroz, “existem algumas evoluções tecnológicas que podem disponibilizar maior quantidade de energia elétrica”.

    Atualmente, destaca Rossit, há nesse mercado demanda mais intensa pelo ácido sulfúrico na concentração 98%. “Existem algumas concentrações para demandas específicas, mas concentrações menores implicam transporte de água, e aí o custo fica inviável”, argumenta. O oleum – ácido sulfúrico fumegante – também tem aplicações específicas, em detergentes, por exemplo. “Mas é um produto mais agressivo, para o qual falta transporte especializado”, ressalva Rossit.

    Segundo ele, os fertilizantes hoje consomem mais de três quartos da produção nacional de ácido sulfúrico, vindo a seguir, nesse ranking, a indústria química e a metalurgia (ver quadro). “Mas, apesar de terem participações menores, os outros segmentos consumidores, além dos fertilizantes, também devem apresentar crescimentos expressivos”, prevê o gerente da Elekeiroz, cuja capacidade atual chega a 264 mil t/ano de ácido sulfúrico.

    Papel, celulose e álcool – Embora devam crescer também as demandas em outros segmentos, os fertilizantes ao menos manterão sua já elevadíssima participação no consumo desse insumo. Afinal, lembra David Roquetti Filho, diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), a consultoria RC – referência nesse setor – prevê para este ano um consumo total, no Brasil, de 26 milhões de toneladas de fertilizantes, quantia 6% superior àquela registrada no ano passado.


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