Ácido Cítrico: Aplicações Novas e Tradicionais Indicam Alta na Demanda

Novas e tradicionais aplicações indicam alta na demanda, mas produção registra dificuldades

O mercado mundial de ácido cítrico deverá movimentar cerca de US$ 3,9 bilhões até 2024, resultado de um crescimento da ordem de 4,5% ao ano.

A previsão faz parte de um estudo da Global Industry Analysts Inc., publicado recentemente nos Estados Unidos, que analisa perspectivas, oportunidades e desafios de um mercado pós-Covid-19 “significativamente transformado”.

Segundo a empresa de pesquisas, a Europa irá responder por uma participação estimada de 34,6% dos negócios totais, o equivalente a US$ 1,3 bilhão.

A liderança, entretanto, caberá à China, que emergirá como o mercado regional de expansão mais rápida, com uma taxa de 6,2%.

As transações envolvendo ácido cítrico estão sendo impulsionadas pela crescente aplicação do ingrediente como conservante, acidulante, agente aglutinante, e tamponante e antioxidante na indústria de alimentos e bebidas e em aplicações não alimentícias.

O estudo ressalta que a “crescente importância como ingrediente em alimentos e bebidas, farmacêuticos, detergentes, produtos de higiene pessoal e aplicações industriais apresenta perspectivas bem favoráveis”.

O ácido cítrico desempenha um papel crítico ao conferir acidez aos alimentos e realçar os sabores, assim como no prolongamento da vida útil desses produtos, inibindo o crescimento microbiano.

Na indústria farmacêutica, a demanda por ácido cítrico está aumentando na fabricação de produtos digestivos.

O insumo também está encontrando cada vez mais uso como agente de limpeza, após a proibição imposta aos fosfatos em várias regiões.

Química e Derivados - Ácido cítrico - Aplicações novas indicam alta na demanda ©QD Foto: iStockPhoto
Refrigerantes contam com o produto para alcançar acidez ideal ©QD Foto: iStockphoto

Na América do Norte e na Europa, a alta demanda por alimentos embalados e de conveniência e a crescente conscientização sobre alimentos saudáveis contribuem para fortalecer o consumo de ácido cítrico.

A China é classificada como um grande produtor e exportador.

É um mercado de alto crescimento, alavancado pela rápida expansão da indústria de alimentos e bebidas na região.

Na definição da Global Industry Analysts, o ácido cítrico é um ácido orgânico altamente solúvel e fraco encontrado predominantemente em frutas cítricas, como o limão. É um conservante natural.

A preparação comercial utiliza processo de fermentação resultando em cristais incolores e brancos à temperatura ambiente. É mais comumente usado como agente quelante, aromatizante e acidificante.

Desde 1919, aproximadamente 99% da produção mundial de ácido cítrico manufaturado é desenvolvida a partir do fungo Aspergillus niger, mais conhecido como bolor negro.

Ele converte açúcares em ácido cítrico com eficiência e sua fermentação também é geralmente reconhecida como segura pelo FDA.

Guia do Ácido Cítrico e seus fornecedores no GuiaQD

Empresas: A diretora comercial da Nicrom Química, Marisa Camacho Gemelgo, afirma que o mercado de ácido cítrico “tem enfrentado uma fase há muito tempo não vivida.

A escassez do material localmente tem parado linhas de produção de fábricas e levado empresas a pagarem preços nunca antes imaginados pelo quilo do produto”.

Ela reconhece que, para os distribuidores, os negócios cresceram sim, “visto que muitos clientes que eram atendidos pelos fabricantes diretos, perderam esses volumes e saíram para o mercado, aumentando as vendas e a demanda na distribuição”.

Marisa acredita que essa escassez também se apresenta por conta de o mercado mundial estar superaquecido, comprador, com taxa de dólar alta, o que favorece muito a exportação, diminuindo a quantidade do produto ofertado localmente.

Ácido cítrico: Foto de oão Miguel T. Chamma, diretor-superintendente da Metachem
João Miguel T. Chamma, diretor-superintendente da Metachem ©QD Foto: Divulgação

O diretor-superintendente da Metachem, João Miguel T. Chamma, constata que desde 2020 a oferta de ácido cítrico vem sendo reduzida, com forte diminuição durante 2021:

“Isto levou à falta de produto no terceiro e no quarto trimestres do ano”. Assim, ele diz que não há como avaliar comportamento ou crescimento do mercado.

Para Marisa, 2022 apresenta-se desde já muito desafiador: “Os fabricantes indicam que ainda teremos tempos de ´vacas magras`. E já não se espera uma calmaria para o primeiro trimestre. Existe uma demanda represada no consumo de produtos finais e em novos nichos que surgiram.

Mesmo com a regressão da pandemia, até a indústria retomar o seu ritmo normal, ainda levará um tempo. A Nicrom está bem cautelosa na oferta de cítrico, privilegiando consumidores tradicionais do produto. Seguiremos assim em 2022”.

Chamma tem a esperança de que em 2022 haverá melhora na oferta do ingrediente, “mas com mais certeza para o segundo semestre do ano. O mercado consumidor do produto seguirá crescendo. No longo prazo vemos uma normalização da oferta”.

Em consequência do desequilíbrio entre demanda e oferta, Chamma informa que “o preço do produto teve uma forte pressão de alta, que deve se manter para o primeiro semestre de 2022. Em termos mundiais, o ácido cítrico segue pressionado pela disponibilidade de contêineres, a alta do açúcar e a pouca oferta. Consequentemente, os preços dispararam. O mercado brasileiro já vem sentindo os impactos desse cenário”.

Marisa comenta que a demanda pelo produto sempre foi alta, já que é utilizado em várias aplicações, de alimentos a cosméticos. “Mas o mercado contava com a entrada de produto importado, que cobria parte do produto consumido. Com o aumento de preço dos fretes internacionais, aliado às altas taxas de dólar, muitos deixaram de importar e passaram a demandar produtos de reposição local, o que dificultou o atendimento por parte dos produtores nacionais. Ou seja, o preço do produto disparou, fazendo valer a lei da oferta x procura”.

Aplicações do Ácido Cítrico:

Chamma relata que, no Brasil, o ácido cítrico é usado como acidulante e realçador de sabor, além de atuar como conservante em diversos produtos alimentícios, tendo como destaque a aplicação em bebidas variadas, como refrescos em pó, sucos e refrigerantes. Além da aplicação alimentícia, também é utilizado em nutrição animal e em mercados industriais.

O interessante é que novos nichos de mercado estão sempre se abrindo com a tendencia do uso de matérias-primas naturais. “O ácido cítrico ganha, a cada ano, maior destaque em novos nichos”, afirmou.

De acordo com Marisa, o principal uso está na indústria de alimentos e bebidas, em que os fabricantes costumam atender grande parte do volume.

Química e Derivados - Ácido cítrico - Aplicações novas indicam alta na demanda ©QD Foto: iStockPhoto
Marisa Camacho Gemelgo, diretora comercial da Nicrom Química ©QD Foto: Divulgação

“Para nós, distribuidores, temos chances nos clientes menores, nos novos entrantes de diversas áreas e grandes oportunidades no segmento de produtos nutricionais, que está em alta no momento e consideramos que crescerá consideravelmente”.

Indagado sobre planos e estratégias, Chamma explicou que “a Metachem está bastante inserida no mercado alimentício de forma geral, incluindo sucos e bebidas, setores onde temos o maior consumo de ácido cítrico. Temos na nutrição humana um foco de crescimento e expansão de portfólio de produtos, oferecendo aos clientes sempre novos ingredientes, que acompanham as tendências globais e locais de alimentação”.

Ele conclui dizendo que a Metachem seguirá investindo neste setor industrial, como tem feito já há vários anos, expandindo portfólio, preparando a equipe para maior e melhor atendimento às demandas da clientela.

Marisa observa que, “antes mesmo de se falar especificamente sobre produto, o mercado vive de relacionamentos”. A Nicrom conta muito com o investimento que tem feito nesse quesito e com o comportamento diante do que acontece no momento.

Conforme a executiva, “muitos não têm bem desenhada uma política de crise, com estratégias para que a maior parte dos consumidores sejam atendidos, mesmo que em menores volumes. De modo que o impacto da falta seja minimizado, tanto em relação ao produto em si, como em relação ao custo”.

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