ABTCP 2011 – Celulose e papel traçam planos de expansão no país

química e derivados, Carlos Farinha, ABTCP
Farinha: ritmo da economia chinesa orientará os projetos brasileiros

Mas se a economia chinesa determina a construção de novas fábricas pelo mundo, é a alta produtividade das florestas brasileiras de pinus e eucalipto, a qualidade da madeira, a eficiência energética das fábricas e o preço que colocam o Brasil no 4º lugar em produção de celulose e no 9º lugar na de papel.

Efeito crise – Mesmo a China sendo um mercado em potencial, o cenário mundial apresenta muitas dúvidas quanto à instabilidade econômica global e a possibilidade do aparecimento de outra crise, a exemplo do que ocorreu em 2008. Para o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, a hipótese de uma nova crise parece distante, porque não há bancos paralelos nem papéis tóxicos, como há três anos. “A alavancagem dos bancos é muito menor e não há travamento do crédito”, afirmou. Para ele, o maior risco para o Brasil no momento é de baixo crescimento.

Os fatores que poderiam detonar uma nova crise financeira seriam o calote da dívida grega, a quebra de algum grande banco europeu e a desaceleração da economia chinesa, com efeito direto sobre os mercados mundiais e as exportações brasileiras. A China representa hoje 17,5% das vendas externas do Brasil.

Segundo Maílson, as tendências para o cenário econômico brasileiro – e para o setor de celulose, que exporta grande parte de sua produção e vinha sendo afetado pela desvalorização do dólar – são: uma taxa de câmbio em alta, com o dólar situando-se em R$ 1,75 ao final deste ano e em R$ 1,65 ao final de 2012, superávit da balança comercial e taxas de juros em queda.

Papel e mercado interno – O aquecimento da economia do Brasil, reflexo da melhora do poder aquisitivo da população, tem garantido o bom desempenho do consumo de papéis, principalmente aqueles para embalagens e também os tipos tissue (para fins sanitários).

O parque industrial papeleiro é constituído por empresas integradas e não integradas, sendo que sua idade tecnológica está defasada da indústria de celulose dadas as condições conjunturais da cadeia produtiva.

Para aumentar a competitividade do papel nacional, Afonso Moura, gerente técnico da ABTCP, aponta a logística como o grande desafio, já que o produto requer cuidados especiais de transporte e armazenamento. “A falta de canais de distribuição eficientes que permitam a comercialização no mercado interno e no externo é um grande empecilho. As fábricas normalmente estão distantes dos centros consumidores, o que dificulta o fornecimento do papel”, salientou.

Moura alerta ainda para a oportunidade atual, surgida com o fechamento de fábricas de papel na América do Norte. “Temos de aproveitar agora e preencher esse vácuo com o papel nacional”, afirmou.

De acordo com Antonio Maciel, presidente da Cia. Suzano, o que barra a competitividade do setor é a carga tributária. “Pagamos 17% de impostos. Após um período, recuperamos créditos relativos a apenas 7%, mas os 10% restantes não existem em nenhum outro país do mundo. Isto é um problema muito sério para a indústria brasileira”, relatou o executivo.

Para Francisco Valério, diretor industrial e de engenharia da Fibria, se o setor quiser ser o vencedor do mercado global, terá que mudar a regra do jogo, trabalhando na redução de 10% a 15% dos seus custos, especialmente os ligados aos insumos químicos e à energia. “A formação de pessoal capacitado, profissionais competentes, é outro desafio”, disse Valério.

 

Não deixe de conferir também:

[box_light]ABTCP 2011 – Feira destaca economia de água e energia[/box_light]

[box_light]ABTCP 2011 – Escassez de profissionais ameaça a competitividade[/box_light]

Página anterior 1 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios