Tintas e Revestimentos

ABRAFATI – Tintas assumem novas funções para mercados em recuperação

Rose de Moraes
17 de outubro de 2009
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    Química e Derivados, Marcos Fernandes de Oliveira, Químico especialista do laboratório automotivo da DuPont, ABRAFATI

    Marcos Fernandes de Oliveira: técnicas melhoram adesão a plásticos

    No processo de flambagem, que consiste na aplicação de uma chama sobre o substrato durante alguns segundos, as temperaturas de aquecimento irão provocar a “excitação” das moléculas do plástico e a consequente liberação de grupos químicos que irão reagir com a tinta, proporcionando uma ligação química entre o plástico e a camada de tinta. Já o plasma, que consiste numa descarga elétrica sobre as peças plásticas, realizada em câmara selada e com atmosfera de gases como argônio, nitrogênio, oxigênio ou CO2, cada qual promovendo mudanças na tensão da superfície do polímero de maneira diferente, além de gerar grupos químicos (hidroxilas e carboxilas) como na flambagem, irá alterar a topografia das peças, deixando-as mais rugosas e com tensão superficial que irá favorecer a aderência das tintas. A aplicação de poliolefinas cloradas previamente à pintura, por sua vez, favorece a aderência porque o cloro apresenta a característica única de exercer maior atratividade por ser eletronegativo, sendo atraído pelo plástico, enquanto que a parte orgânica da poliolefina irá se ligar à tinta.

    “Um parachoque, por exemplo, formado por uma matriz de PP e contendo no seu interior uma fração de elastômero, ao ser submetido à aplicação da poliolefina clorada em solução sobre sua superfície, esta irá se difundir passando pelo plástico e chegando à fração do elastômero, expandindo-a e fazendo-a migrar para a matriz de PP, quebrando a sua cristalinidade e favorecendo a aderência, o que ocorre a 500 nanômetros da superfície, promovendo alterações, sem degradar propriedades”, ilustrou Oliveira.

    Dispersor de alta capacidade – Na área de equipamentos, uma das grandes novidades dessa edição da feira foi divulgada ao público pela Adexim-Comexim. Trata-se de dispersor provido de rotor/estator de alta velocidade, na faixa de 7 mil até 8 mil rotações por minuto, com capacidade para produzir por sistema contínuo desde 50 galões até 100 galões de tinta por minuto, ou seja, o correspondente a 360 litros por minuto. “Fabricado pela Kady Mill, nos Estados Unidos, essa é a menor versão até o momento disponível, para atender às necessidades de grandes fabricantes de tintas”, informou Carlos Russo, diretor técnico da empresa.

    Na versão-padrão, os dispersores de alta velocidade in-line ocupam espaço de apenas 1,5 m2, e também produzem até 11 milhões de litros de slurries por mês, em dois turnos de operações contínuas. “Para pigmentos ou cargas de maior dureza, o tempo de residência na câmara de dispersão pode ser controlado por meio de bomba dosadora, sendo possível ainda operar por looping-recirculação”, acrescentou o diretor. A câmara de dispersão propicia reduzir as quantidades de pigmentos e aumentar o poder de tingimento, produzindo slurries com até 75% de sólidos ou dispersões de TiO2 de alto sólidos, com uma efetiva redução das partículas por desaglomeração, produzindo tintas em uma única operação.

    Outra novidade destacada pela empresa foi o aditivo antimicrobiano atóxico Ionpure IPL. Fabricado pelo grupo japonês Ishizuka Glass, trata-se de um íon de prata disperso em vidro nanométrico, denominado vidro solúvel, para aplicações em masterbatches, sistemas plásticos flexíveis e resinas de todos os tipos, nas quais atua como verniz sanitário, oferecendo cinco anos de durabilidade às tintas.

    Todas as peças e materiais contendo Ionpure IPL, com indicações de uso desde 0,3% até 0,5% sobre o teor de sólidos dos revestimentos para o efetivo controle de bactérias, podem ter contato direto com alimentos, sendo possível realizar testes de avaliação de eficiência antimicrobiana nos laboratórios do fabricante instalados no Japão, segundo informou o diretor.

    Química e Derivados, Carlos Russo, Diretor técnico da Adexim- Comexim, ABRAFATI

    Carlos Russo exibiu dispersor de alta capacidade e novo microbicida

    “Os grandes fabricantes de tintas já utilizam essa tecnologia, que assegura a isenção de bactérias durante período de cinco anos, em fábricas na Europa e nos Estados Unidos, principalmente para a produção de tintas para uso em hospitais, laboratórios e frigoríficos. No Brasil, Ionpure IPL é bastante requisitado pelos fabricantes de tintas em pó”, revelou Russo.

    Vantagens do aço – O setor de embalagens para tintas também contou com algumas inovações. A Brasilata apresentou a embalagem de aço de 18 litros, considerada solução inédita e segura para acondicionar produtos perigosos, como tintas em base solvente, e que atende à norma mundial recomendada pela Organização das Nações Unidas, a ONU, exigindo a realização de vários testes de resistência, como queda livre à altura de 1,20 m, um dos mais rigorosos para que seja obtida a homologação para transporte de produtos perigosos.

    No projeto da nova embalagem, desenvolvido em parceria entre a empresa e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em vez de aumentar a espessura da folha de aço, para o reforço do corpo da embalagem, foram aplicados frisos em formato de dente de serra, para a maior absorção de energia, resultando na maior proteção das recravações, ou seja, das ligações do corpo com o fundo e com o anel da embalagem, que evitam o seu rompimento mesmo em situações críticas de queda em quina.

    Mais resistentes a choques, quedas e oscilações de temperatura, as latas de aço também contribuem para a sustentabilidade pelo seu alto potencial de reciclabilidade (100%) e seu relativamente curto ciclo de vida, degradando-se em cinco anos quando descartada na natureza, segundo enfatizou a Associação Brasileira da Embalagem de Aço, a Abeaço, também presente à Abrafati 2009.

    Por sua vez, a Metalúrgica Prada apresentou seu galão de 3,6 litros da linha safety can. Conta com design inovador que permite o total aproveitamento do conteúdo, eliminando resíduos. Essas latas são facilmente empilháveis, possuem alça e orelhas que facilitam o transporte e manuseio, além de contar com um lacre exclusivo, que garante a segurança do produto embalado. Após o rompimento do lacre, a lata pode ser aberta e fechada com facilidade, sem precisar de ferramentas.



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    Um Comentário


    1. boa tarde, gostaria de saber quando será a ABRAFATI 2013, se possível adoraríamos participar das cotações dos projetos de stands deste evento..
      aguardo e obrigado
      Rogerio



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