Tintas e Revestimentos

Abrafati: Tendências globais apontam o futuro do setor

Marcelo Fairbanks
23 de setembro de 2019
    -(reset)+

    Congresso qualificado – Após exaustivo trabalho do comitê científico, foram selecionados os 90 trabalhos científicos e tecnológicos que serão apresentados durante o 16º Congresso Internacional de Tintas, dos quais a metade terá palestrantes estrangeiros, comprovando o alcance mundial dessa reunião. Além disso, dezenas de trabalhos foram aceitos para participar da sessão pôster.

    Química e Derivados - Elaine: momento de repensar estrutura da produção do setor

    Elaine: momento de repensar estrutura da produção do setor

    “Neste ano, o foco do congresso está direcionado para soluções para a indústria de tintas que envolvem matérias-primas de origem renovável, reaproveitamento de materiais e aspectos ligados à produção que resultem em aumento de eficiência e redução de custos”, informou Elaine Poço, diretora de Desenvolvimento e Sustentabilidade da AkzoNobel Tintas Decorativas para a América Latina e integrante do comitê técnico da Abrafati. “Há inovações, também, o conteúdo ficou parecido com o que foi exposto no European Coatings Show, não estamos muito distantes dele”.

    Observando o cenário global do setor, Elaine entende que o momento atual favorece avanços graduais, sem notáveis rupturas tecnológicas. A meta dos grandes players é buscar aumento de durabilidade e de desempenho das tintas. “Talvez ainda estejamos digerindo os avanços mais profundos apresentados nos anos anteriores”, avaliou.

    No caso brasileiro, com o mau desempenho de vendas nos últimos dois anos, a preocupação das indústrias está na redução de custos para produzir os mesmos produtos e melhorar a competitividade. “Com isso, há uma tendência à estagnação tecnológica, que mudará com a retomada da economia, quando ela vier”, comentou.

    Neste ano, ela verificou o aumento da participação de universidades e institutos de pesquisa, entidades que têm uma vocação natural para inovação, porém “com os pés no chão”. “Eles fazem pesquisas que respeitam a realidade econômica do país”, disse. Entre os trabalhos selecionados deste grupo, ela identificou a ênfase no desenvolvimento sustentável, olhando para o impacto dos compostos orgânicos voláteis (VOC) e a toxicidade dos insumos.

    Os fornecedores de insumos químicos mantêm sua participação destacada, apresentando novidades com custo adequado ao mercado local, seja substituindo outros ingredientes com economia, ou agregando diferenciais, porém de forma acessível ao bolso dos consumidores.

    No campo dos polímeros, Elaine identificou o aumento do número de trabalhos inscritos, com inovações voltadas para tintas de alto desempenho. Nos pigmentos, há novidades no campo dos anticorrosivos especiais. A participação de trabalhos sobre aditivos é sempre extensa, pela pluralidade de aplicações e desenvolvimentos, em especial nas tintas decorativas base água.

    Elaine ressaltou a presença de vários trabalhos que tratam da regulamentação dos biocidas, advogando que o Brasil adote parâmetros mais restritivos. “A Europa avançou muito nas limitações ao uso de cloro-metil isotiazolinona, a CMIT, por exemplo; por lá, já é comum encontrar tintas sem biocidas”, disse.

    Ela também ressalta que as condições de produção e de mercado aqui são diferentes. “No caso brasileiro, o desafio para os biocidas é maior porque, além do clima quente e úmido, o setor trabalha mais com slurries, que exigem maior cuidado”, explicou.

    A adoção do sistema global de identificação de substâncias químicas GHS já está completa no país. “O Brasil tinha adotado uma versão antiga do sistema, mas agora está implantando a versão mais atualizada, mais próxima da usada na Europa, que é até mais branda”, comentou. Embora considere que os consumidores daqui ainda não tenham o hábito de observar as informações contidas nas embalagens, ela observa que algumas formulações de tintas foram alteradas para que o produto final tivesse rótulo limpo, ou seja, sem as mensagens mais desagradáveis de alerta.

    Na comparação com o congresso europeu, Elaine verificou que lá houve maior participação de trabalhos sobre automação de processos, na linha da Indústria 4.0. “A participação de equipamentos no congresso é, em geral, pequena; precisamos dar mais espaço para desenvolvimentos em automação nas edições futuras”, apontou.

    A relevância do tema para o Brasil pode ser explicada pela própria evolução do setor. Como explicou Elaine, nas décadas de 1990 e 2000, as indústrias instaladas no país, mesmo as multinacionais, buscaram obter o máximo de soluções nos processos produtivos. “Hoje, estamos no momento de pensar na renovação das estruturas da produção, é um fenômeno cíclico, não restrito à indústria, mas também chega aos seus clientes”, afirmou. Ela cita a China como exemplo: suas fábricas são mais recentes e mais eficientes porque incorporam tecnologias mais atuais.

    “Na AkzoNobel, por exemplo, buscamos apoio em start-ups tecnológicas (projeto global Path to the Future), visando projetos de longo prazo e disruptivos, provocando também os nossos fornecedores de modo a repensar a produção, aplicação e economia circular, de forma integrada”, salientou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *