Tintas e Revestimentos

Abrafati: Tendências globais apontam o futuro do setor

Marcelo Fairbanks
23 de setembro de 2019
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    Em relação ao Sudeste, a região Nordeste apresenta consumidores com menor poder aquisitivo, sendo mais voltada para produtos de baixo custo. A entidade pretende enfatizar a importância de seguir as normas da ABNT para tintas, protegendo os consumidores contra produtos sem qualidade mínima. “O varejo nos apoia, as lojas querem ter mais informação nos pontos de venda”, afirmou.

    Tintas imobiliárias de qualidade são analisadas e aprovadas pelo Inmetro, que permite a colocação do seu selo nas embalagens. “O Inmetro verifica se o produto segue as normas da ABNT, mas não fiscaliza se essa qualidade está sendo mantida depois pelo fabricante”, apontou Oliveira. Para isso, foi criado o Programa Setorial da Qualidade (PSQ), que realiza auditorias trimestrais, coletando amostras aleatórias nas gôndolas das lojas em qualquer lugar do Brasil, e também visita as fábricas para verificar conformidades. O PSQ não se limita aos produtos aprovados pelo Inmetro, mas também avalia outras marcas, identificando casos de concorrência perniciosa. “Esses casos são notificados ao próprio fabricante irregular e também denunciados ao Ministério Público, tendo em vista a proteção ao consumidor”, comentou. “Como resultado, já tivemos dez denúncias que se converteram em Termos de Ajustamento de Conduta, abrangendo casos de baixa qualidade e até uso de chumbo, proibido nas tintas decorativas imobiliárias”, informou. Na avaliação da Abrafati, 90% das tintas imobiliárias comercializadas no Brasil são conformes às normas da ABNT.

    A Abrafati 2019 terá uma programação específica para tratar sobre aspectos ligados à qualidade das tintas e sua repercussão jurídica. “Teremos palestras específicas para os químicos formuladores e responsáveis técnicos das fábricas, apresentando as normas ABNT em vigor, o PSQ e a sua aplicação, porque esses profissionais são responsáveis perante a sociedade pelos produtos fabricados; conforme o caso, podem ser punidos até criminalmente”, salientou Oliveira.

    O Conselho Regional de Química da 4ª região falará exatamente sobre a regulamentação profissional aplicável e as punições às quais estão sujeitos os químicos responsáveis. A lista de palestrantes inclui juristas e especialistas ligados à Abrafati.

    Mercado fraco – A demanda por tintas acompanha o desempenho do PIB, que não anda muito animador. A mais recente previsão para o desempenho da economia nacional para 2019 é de crescimento de 0,8%, ou seja, positivo, mas não muito. “O momento é triste porque o ano começou com expectativas muito boas, com um governo novo, que já recebeu o país com tendência de recuperação, mas foram frustradas”, avaliou Oliveira.

    Com a confiança baixa no futuro, os consumidores preferem adiar compras, incluindo reformas de casas, troca de carros e outros, reduzindo a demanda por bens industrializados que consomem tintas.

    De modo geral, a previsão da Abrafati é de repetir em 2019 o desempenho do ano anterior. “Registramos crescimento de 0,8% nas vendas em 2018 e projetamos uma evolução de 1% para este ano”, informou. A indústria automobilística, consumidora de tintas de alto valor, obteve um pequeno crescimento neste ano, apesar da queda nas vendas de carros para a Argentina. As tintas para indústria geral, segmento de baixo volume, mas qualificado, está crescendo, puxado pela retomada de investimentos da Petrobras e pela exportação de máquinas agrícolas, em bom momento.

    A linha imobiliária, que representa a maior fatia de mercado em volume de vendas, caminha lentamente. “Isso poderia ser revertido com uma penada do Presidente da República”, disse Oliveira. Ele explica que a construção civil é movida a crédito, atualmente escasso e caro. “O Minha Casa Minha Vida está parado, com pagamentos retidos às construtoras, fala-se que retornará com outro nome, mas não há nenhuma sinalização do governo nesse sentido”, lamentou, salientando que a construção civil se reflete no nível de emprego e movimenta a economia.

    Uma questão importante para o setor discutir é a tradicional sazonalidade de vendas das tintas imobiliárias, cujas vendas sempre são maiores no segundo semestre de cada ano. “Operar uma parte do ano com ociosidade, pagando horas-extras na outra parte, ou carregar estoques, redunda em elevação de custos para os fabricantes, é injustificável”, disse. No Hemisfério Norte existe uma concentração de vendas no verão, a painting season, mas isso se explica pela ocorrência de invernos rigorosos que impedem a realização de pintura dos imóveis. Não é caso do Brasil.

    Além disso, por razões tributárias, persiste a concentração de vendas no fim de cada mês. “Isso exige manter estoques demais em toda a cadeia, além de sobrecarregar as operações logísticas”, explicou Oliveira. Isso precisa ser discutido por todos os participantes desse mercado.



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