Tintas e Revestimentos

Solventes defendem mercado – Abrafati – Tintas

Marcelo Fairbanks
7 de março de 2016
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    Em 2011, o governo da China propôs instituir uma regulamentação que retirasse os solventes orgânicos das tintas OEM. Isso consolidaria o mercado daquele país para formulações de base aquosa. “Isso pode funcionar nas tintas imobiliárias, mas nas indústrias que já tem sistemas de coleta e abatimento de gases isso é ruim”, avaliou. Esses sistemas capturam os gases efluentes das instalações de pintura e os condensam, permitindo recuperar o hidrocarboneto como solvente ou como combustível para equipamentos térmicos. O governo chinês pretendia ir além do limite de tolerância europeia, de 35 gramas de VOC por metro quadrado de tinta aplicada.

    Ao lado de empresas do porte da Basf, a Eastman estudou os sistemas existentes e recomendou a adoção de linhas compactas com tintas de altos sólidos, que apresentaram melhor resultado ambiental. O estudo contou com uma parceria com a IHS, consultoria internacional que tem acesso aos dados efetivos de várias instalações de pintura em todo o mundo, item fundamental para a sua realização.

    “É preciso considerar, além do VOC, o quanto de gases do efeito estufa são lançados na atmosfera”, considerou Pierce. Ou seja, contabilizar as emissões de gás carbônico gerados por aquecedores e estufas de secagem de pinturas. Mesmo os equipamentos elétricos precisam ser avaliados, pois, em muitos países, a exemplo da China, a eletricidade é gerada pela queima de combustíveis fósseis.

    A comparação de cinco sistemas de pintura automotiva OEM mostrou que os melhores resultados de emissão de CO2 ficaram com os sistemas compactos (com apenas uma passagem por estufa), com ligeira vantagem para o de altos sólidos, que consome menos energia para evaporação e também na aplicação por spray. Quanto à emissão de VOC, quando considerado sistema de coleta e abatimento, todos os sistemas estudados ficaram abaixo do limite europeu de 35 g/m2. Sem considerar o abatimento, porém, apenas os sistemas compactos de base água conseguem atender esse limite.

    Química e Derivados, Basso: coalescentes sem VOC atendem padrões mais rigorosos

    Basso: coalescentes sem VOC atendem padrões mais rigorosos

    No caso brasileiro, como é muito caro converter todo um paint shop de montadora automotiva para o sistema compacto com tintas base água, a adoção gradual de sistemas com altos sólidos, de 15% para 45%, por exemplo, melhora o desempenho ambiental e também a produtividade da instalação. “Algumas montadoras estão renovando seus paint shops, voluntariamente, porque não há regulamentação no Brasil que as obrigue”, comentou Marcos Aurélio Basso, gerente de desenvolvimento de vendas para a América Latina.

    Ainda considerando aspectos ambientais, Pierce coloca uma questão que está na ordem do dia: “os sistemas de base água consomem muita água, que é evaporada, essa atitude pode ser considerada sustentável?” A solução ideal seria usar tintas base água com alto teor de sólidos, porém essa tecnologia ainda não foi inventada. “É viável pensar em um sistema de altos sólidos com um solvente menos agressivo”, considerou, descartando as tintas em pó nessa aplicação, pela dificuldade para acertar a cor.

    A Eastman desenvolveu aditivos de ésteres de celulose de baixo peso molecular, da linha Solus, que podem ser aplicados para formular tintas de altos e médios sólidos sem a necessidade de incorporar outros aditivos, nem de modificar a linha de pintura. “Isso permite um ganho de produtividade considerável”, salientou Basso. O Solus 3050 é específico para tintas automotivas ou para produtos base água.

    A companhia também lançou coalescentes para tintas arquitetônicas que respeitam as novas regulamentações de VOC em vários países da América Latina. São eles o Texanol, compatível com grande número de emulsões aquosas, sendo capaz de aumentar o desempenho dos modificadores reológicos e, assim, reduzir sua dosagem; e o Optifilm enhancer 300, aditivo no-VOC (como exigido pelo Green Building Council) e sem cheiro. “Mudamos nossa cadeia logística para podermos importar o Optfilm a granel, entamborando o produto na fábrica de Mauá-SP; isso melhorou nossa competitividade”, comentou Basso, salientando que a companhia se concentra na oferta de especialidades químicas no Brasil, um segmento de mercado que é mais resistente às crises, até pela facilidade de encontrar novos mercados.



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