Solventes defendem mercado – Abrafati – Tintas

Química e Derivados, Abrafati: Solventes defendem mercadoA Braskem participou da exposição com duas linhas distintas de negócios: a oferta de um grade de polipropileno específico para a confecção de baldes para embalagem de tintas e com a apresentação dos solventes petroquímicos (xileno, tolueno, AB 9, AB 10 e AB 11). Nesse campo, disputa mercado com os derivados de refino de petróleo comercializados pela BR Distribuidora (aguarrás, xileno, tolueno e outros).

“A Braskem investiu em instalações e software para obter cortes mais precisos de cada corrente e também desenvolver formulações de blends específicos para algumas necessidades de mercado”, comentou Eduardo Perez, gerente do negócio de solventes da companhia. No caso das formulações, elas são preparadas por distribuidores autorizados e equipados para tanto, ou por clientes de grande porte, com as instalações adequadas.

Perez salientou que a Braskem conta com uma rede de distribuidores autorizados que inclui a quantiQ, Brenntag, Bandeirante Brazmo, Coremal e Aromat, mas apontou um aumento na venda direta de solventes pela petroquímica. “Antigamente, a distribuição recebia 70% da nossa produção, hoje o canal absorve apenas 50%”, informou. O faturamento dos negócios de solventes monta a R$ 700 milhões por ano para a companhia.

Recentemente, a Braskem investiu para acertar o corte da faixa do AB 10, adequando-o ao item do Chemical Abstract (CAS). Com isso, passou a competir diretamente com solventes importados nessa faixa de evaporação.

“O mercado de agroquímicos migrou do AB 9 para o AB 10 porque precisa de solventes um pouco mais pesados”, verificou Perez. “Conseguimos, então, produzir um AB 10+, ligeiramente mais pesado que o AB 10 comum.” Ele informou que as resinas alquídicas consomem solventes com pontos mais altos de evaporação, mas a indústria de tintas muitas vezes formula seus próprios solventes, combinando vários produtos leves, médios e pesados. “O mercado tende a preferir os solventes já formulados”, disse.

Química e Derivados, Perez: corte mais preciso de frações amplia competitividade
Perez: corte mais preciso de frações amplia competitividade

Nos alifáticos, Perez anunciou a transferência da produção de hexano e ciclohexano da unidade de Camaçari-BA para Santo André-SP, buscando maior proximidade com as empresas de extração de óleos vegetais e produtores de etanol, os maiores consumidores dessa faixa de hidrocarbonetos. “Temos alifáticos de cadeia aberta com sete a nove carbonos que disputam aplicações com o ciclohexano e têm preço mais baixo”, informou.

Embora sejam considerados solventes mais amigáveis aos seres humanos, os alifáticos apresentam baixo poder de solvência para as resinas usadas em tintas. As faixas com cadeias mais longas e ponto mais elevado de ebulição desse tipo de solvente encontram maior demanda no setor. É o caso das isoparafinas, comercializadas pela Braskem em quatro faixas de evaporação: 3-16 (de 30 a 160ºC), 13-15 (130 a 150ºC), 17-22 (170 a 220ºC) e 22-25 (220 a 250ºC). As duas últimas são as mais usadas pela indústria, segundo Perez.

Do ponto de vista toxicológico e ambiental, os solventes sintéticos oxigenados não podem ser considerados muito superiores aos hidrocarbonetos de corte mais preciso. “Os oxigenados também contém compostos orgânicos voláteis, os VOC, e isso deve ser levado em consideração pelos formuladores”, afirmou.

Água x solvente

Há muito tempo se discutem alternativas para reduzir a emissão de compostos orgânicos a partir das tintas e vernizes. Nas formas líquidas, duas vertentes disputam a preferência do mercado: as formulações base água e as tintas com alto teor de sólidos (com menor participação de solventes). Essa disputa é particularmente importante nas tintas para pintura original de automóveis, segmento muito exigente na aparência final, mas também rigoroso quanto à qualidade e à durabilidade da película aplicada.

Química e Derivados, Pierce: além de VOC, avaliação deve observar emissões de CO2
Pierce: além de VOC, avaliação deve observar emissões de CO2

A Eastman trouxe para o congresso internacional de tintas o especialista Jason Pierce, líder do grupo de acéticos da divisão de desenvolvimento de químicos da companhia, para comentar o desempenho ambiental de vários sistemas de pintura original base solvente (altos sólidos) e base água, a partir de estudos recentes por ele conduzidos.

Como informou o especialista, desde 2009 a Eastman começou a elaborar estudos de ciclo de vida (LCA, de Life Cycle Assessment), respondendo à pressão europeia por melhor qualidade ambiental. Com esses estudos, que envolviam visitas a várias instalações de pintura OEM, foi possível formar uma visão holística desse tema.

“Queríamos comparar com segurança os vários sistemas existentes, mas as normas ISO não abrangiam todos os aspectos de LCA, dificultando a padronização dos resultados”, afirmou. A alternativa encontrada foi reunir outras indústrias químicas fabricantes de tintas para elaborar um sistema normativo mais completo, de adesão voluntária, para apoiar os estudos. “O LCA é uma importante ferramenta para orientar a tomada de decisões estratégicas, desenvolvimentos e assuntos regulatórios”, afirmou.

Em 2011, o governo da China propôs instituir uma regulamentação que retirasse os solventes orgânicos das tintas OEM. Isso consolidaria o mercado daquele país para formulações de base aquosa. “Isso pode funcionar nas tintas imobiliárias, mas nas indústrias que já tem sistemas de coleta e abatimento de gases isso é ruim”, avaliou. Esses sistemas capturam os gases efluentes das instalações de pintura e os condensam, permitindo recuperar o hidrocarboneto como solvente ou como combustível para equipamentos térmicos. O governo chinês pretendia ir além do limite de tolerância europeia, de 35 gramas de VOC por metro quadrado de tinta aplicada.

Ao lado de empresas do porte da Basf, a Eastman estudou os sistemas existentes e recomendou a adoção de linhas compactas com tintas de altos sólidos, que apresentaram melhor resultado ambiental. O estudo contou com uma parceria com a IHS, consultoria internacional que tem acesso aos dados efetivos de várias instalações de pintura em todo o mundo, item fundamental para a sua realização.

“É preciso considerar, além do VOC, o quanto de gases do efeito estufa são lançados na atmosfera”, considerou Pierce. Ou seja, contabilizar as emissões de gás carbônico gerados por aquecedores e estufas de secagem de pinturas. Mesmo os equipamentos elétricos precisam ser avaliados, pois, em muitos países, a exemplo da China, a eletricidade é gerada pela queima de combustíveis fósseis.

A comparação de cinco sistemas de pintura automotiva OEM mostrou que os melhores resultados de emissão de CO2 ficaram com os sistemas compactos (com apenas uma passagem por estufa), com ligeira vantagem para o de altos sólidos, que consome menos energia para evaporação e também na aplicação por spray. Quanto à emissão de VOC, quando considerado sistema de coleta e abatimento, todos os sistemas estudados ficaram abaixo do limite europeu de 35 g/m2. Sem considerar o abatimento, porém, apenas os sistemas compactos de base água conseguem atender esse limite.

Química e Derivados, Basso: coalescentes sem VOC atendem padrões mais rigorosos
Basso: coalescentes sem VOC atendem padrões mais rigorosos

No caso brasileiro, como é muito caro converter todo um paint shop de montadora automotiva para o sistema compacto com tintas base água, a adoção gradual de sistemas com altos sólidos, de 15% para 45%, por exemplo, melhora o desempenho ambiental e também a produtividade da instalação. “Algumas montadoras estão renovando seus paint shops, voluntariamente, porque não há regulamentação no Brasil que as obrigue”, comentou Marcos Aurélio Basso, gerente de desenvolvimento de vendas para a América Latina.

Ainda considerando aspectos ambientais, Pierce coloca uma questão que está na ordem do dia: “os sistemas de base água consomem muita água, que é evaporada, essa atitude pode ser considerada sustentável?” A solução ideal seria usar tintas base água com alto teor de sólidos, porém essa tecnologia ainda não foi inventada. “É viável pensar em um sistema de altos sólidos com um solvente menos agressivo”, considerou, descartando as tintas em pó nessa aplicação, pela dificuldade para acertar a cor.

A Eastman desenvolveu aditivos de ésteres de celulose de baixo peso molecular, da linha Solus, que podem ser aplicados para formular tintas de altos e médios sólidos sem a necessidade de incorporar outros aditivos, nem de modificar a linha de pintura. “Isso permite um ganho de produtividade considerável”, salientou Basso. O Solus 3050 é específico para tintas automotivas ou para produtos base água.

A companhia também lançou coalescentes para tintas arquitetônicas que respeitam as novas regulamentações de VOC em vários países da América Latina. São eles o Texanol, compatível com grande número de emulsões aquosas, sendo capaz de aumentar o desempenho dos modificadores reológicos e, assim, reduzir sua dosagem; e o Optifilm enhancer 300, aditivo no-VOC (como exigido pelo Green Building Council) e sem cheiro. “Mudamos nossa cadeia logística para podermos importar o Optfilm a granel, entamborando o produto na fábrica de Mauá-SP; isso melhorou nossa competitividade”, comentou Basso, salientando que a companhia se concentra na oferta de especialidades químicas no Brasil, um segmento de mercado que é mais resistente às crises, até pela facilidade de encontrar novos mercados.

Dispersão com baixo VOC

A Rhodia, empresa do grupo Solvay, lançou dois dispersantes para dispersões pigmentárias concentradas, ambos de baixa emissão de VOC e isentos de alquilfenóis, o Rhodoline 3000 e o Rhodoline 4000. Ambos oferecem alta estabilidade e viscosidade ideal para uso, permitindo obter elevada intensidade de cor, com uso fácil em formulações de tintas imobiliárias, industriais e de impressão.

Além dessa família de ingredientes, a companhia oferece surfactantes Rhodafac, monômeros funcionais Sipomer, entre outros. Para melhor atender seus clientes, acabou de concluir investimento de 100 mil euros na modernização do laboratório de coatings, instalado em Paulínia-SP.

Coalescente nacional

A distribuidora Agroquímica Maringá, aos 48 anos de operação, aproveitou o encontro para oferecer aos seus clientes o Ultrafilm 260 LV, inovação produzida pela Oxiteno, um coalescente derivado de fenilglicol com elevado grau de sustentabilidade. “É um produto que ocupa uma faixa de mercado preocupada com emissão de VOC e produção de tintas de baixo odor”, comentou o diretor Silvio Mosseri.

A Maringá mantém extensa linha de produtos para o setor de tintas, com destaque para os produtos da Oxiteno, como os etilenoglicóis e as etanolaminas; a linha Dow, com derivados de propilenoglicol, acrilatos e acrílicos puros (Paraloids, da antiga Rohm and Haas), além dos aditivos especiais da Angus (atualmente controlada por um fundo de investimentos), entre outros.

Mosseri classifica 2015 como difícil, com mercado fraco e sujeito a instabilidades políticas e econômicas. “Estamos revendo posições, ajustando a política de estoques e realocando o pessoal nos vários negócios, sem tirar o olho do câmbio”, comentou. A Maringá formou inventário no início do ano, antes da escalda cambial, colhendo bons resultados financeiros. “Hoje dia, uma distribuidora química precisa ter caixa robusto e não pode errar nas compras”, recomendou.

Na sua avaliação, 2016 tende a ser um ano fraco também, pois o Brasil tem uma extensa lição de casa para fazer, mas sempre a adia. Sem as reformas reclamadas há tantos anos, o país permanecerá empacado.

Apesar disso, a distribuidora investiu para construir um novo conjunto de oito tanques de aço inoxidável para 80 m³ cada um na sua sede, em Diadema-SP. “Tiramos dois tanques de 500 m³ para instalar os novos, com isso ganhamos mais volume e mais flexibilidade para manobras”, explicou.

Neste ano, também o setor de tecnologia de informação recebeu aporte de um milhão de reais, a frota de caminhões foi reforçada e o site ganhou algumas melhorias. “Estamos nos preparando para o futuro”, afirmou.

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