Química

Abrafati – Feira mostra alta tecnologia, mas se adapta ao custo local

Hilton Libos Marcelo Fairbanks e Rose de Moraes
30 de novembro de 2007
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    “O novo látex, além de super-hidrofóbico, oferece tensão superficial muito baixa, comparável à das ceras. Hoje, os silicones têm essa característica, mas, em contrapartida, apresentam custo muito elevado, enquanto nossos látices serão muito mais competitivos e apresentarão melhor performance”, considerou De Notta.

    Outra característica inovadora do novo látex é a elasticidade. Enquanto matérias- primas convencionais alcançam 70% de alongamento, o novo látex, ainda sem denominação comercial, é capaz de alcançar níveis bem superiores, até 500%, sem trincas.

    Química e Derivados, Hugo Tomas De Notta, Líder de desenvolvimento de sistemas emulsionados da Dow Latin America, Abrafati - Feira mostra alta tecnologia, mas se adapta ao custo local

    De Notta: nanotecnologia gerou látex hidrofóbico

    Em fase de pré-lançamento na Abrafati2007, anovidade já começou a ser produzida na fábrica de San Lorenzo,300 quilômetrosdistante de Buenos Aires, capital da Argentina, encontrando-se em fase de qualificação em cinco grandes fabricantes de tintas do Brasil, Argentina e Chile. O lançamento oficial, porém, somente deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2008 e será feito na América Latina, sendo bem provável que se concretize no Brasil, onde conta com grande torcida. O segundo grande mercado a conhecer a novidade da Dow deverá ser a China. Na seqüência, estão previstos lançamentos nos Estados Unidos e na Europa.

    A Dow oferece exclusivamente ao mercado de tintas 16 famílias de produtos, incluindo químicos básicos e de performance. Considerada líder no Brasil nos segmentos de epóxi, solventes oxigenados e espessantes celulósicos, a empresa provê a indústria de revestimentos com resinas, aditivos e solventes, três dos quatro mais importantes componentes básicos utilizados para fabricar tintas.

    Inovações para vernizes e pigmentos – Com planos de investir 252 milhões de euros na América do Sul, entre 2007 e 2011, volume de recursos destinado a modernizar processos nos segmentos de matérias-primas para a agricultura e dispersões, a Basf se apresentou com grande destaque, montando bancadas de laboratório para demonstrar novos produtos. Um deles foi o verniz base água Acronal LR 9014, desenvolvido para madeiras, exceto para aplicaçõesem pisos. Seumaior diferencial, além de ser atóxico, consiste em manter o mesmo nível de brilho ao longo do tempo, enquanto um verniz base solvente, por ser sensível à luz solar, apresenta perda de brilho e baixa durabilidade perante as intempéries.

    Outra grande novidade ficou por conta do pigmento negro frio Sicopal Black K 0095. “Trata-se de um cristal misto de óxido de ferro e cromo III, que deu origem a um pigmento preto com baixa absorção dos raios infravermelhos, capaz de refletir parcialmente esse tipo de radiação”, explicou Edson C. Couto, gerente de marketing e vendas da Basf. Em relação ao negro-de-fumo, a grande vantagem, segundo ele, é que estes absorvem a luz solar em todos os comprimentos de onda e, portanto, toda a radiação infravermelha, sofrendo aquecimento.

    Outra inovação apresentada foi a resina em base água desodorizada (Acronal DS 6255) por arraste de vapor, indicada para aplicações de baixo odor. Desenvolvida para tintas acrílicas estirenadas do segmento decorativo, essa resina apresentou percentual inferior a 10% de monômeros residuais (medidos em ppm) em comparação com uma resina convencional.

    A Basf também destacou na exposição o lançamento da resina acrílica estirenada Acronal BS 805, altamente resistente à água e que já começa a ser produzida na fábrica de Guaratinguetá- SP. Testes de lavabilidade realizados com tintas contendo essa resina revelaram níveis de resistência de190 a200 ciclos, quando escovadas com pastas abrasivas, enquanto uma resina convencional resiste a apenas 125 ou, no máximo, 130 ciclos.

    Entre os destaques, a Basf, única produtora global de monômeros acrílicos presente na América do Sul, ainda apresentou a resina acrílica Joncryl, para tintas industriais, tintas de impressão e tintas para embalagens, inserida no portfólio da companhia com a aquisição global da Johnson Polymers, além da dispersão em base aquosa e sem odor Acronal Eco, isenta de alquifenóis etoxilados (por exemplo, nonilfenol) e que dispensa coalescentes na formulação das tintas, permitindo a ocupação dos ambientes em menos de uma hora após a pintura.

    Abrafati quer manter crescimento

    O empenho pelo avanço tecnológico, aliado à proteção ambiental, e o incremento da capacitação profissional para aumentar a competitividade devem ser as linhas mestras do planejamento estratégico que irá nortear a agenda da Abrafati nos próximos anos. “Fabricantes e fornecedores devem se preparar no longo prazo para manter e ampliar essa fase de crescimento que o setor experimenta”, aconselhou Rui Goerck, presidente do conselho diretivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).

    Química e Derivados, Rui Goerck, Presidente do conselho diretivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas(Abrafati), Abrafati quer manter crescimento

    Goerck credita sucesso do setor à publicidade

     

    Para justificar concretamente seu otimismo em relação às perspectivas do mercado de tintas imobiliárias, Goerck analisou a somatória de condicionantes macroeconômicos, tais como a redução da taxa de juros, que estimulou o segmento da construção civil habitacional, e ainda, desoneração das obras, a própria valorização dos imóveis e a melhoria no perfil de renda da população. Esses principais fatores externos influenciam positivamente a atual etapa de crescimento do setor.

    Atuação corporativa – Os fatores internos que contribuem para oxigenar a atual fase da indústria de tintas imobiliárias e industriais, segundo Goerck, são os investimentos em publicidade, a valorização dos programas de qualidade das tintas e o repasse aos preços finais das reduções tributárias conquistadas. “Os fabricantes de tintas abriram os olhos para a necessidade de se comunicar com os seus vários públicos e mercados, aumentando significativamente os investimentos nas campanhas publicitárias, ações promocionais e a participação em feiras”, salientou.

    As intervenções corporativas da entidade durante este ano também foram importantes na atual onda de crescimento. Ele citou como exemplo a atuação em conjunto com a União Nacional da Construção para incentivar obras de engenharia civil e estimular as vendas de materiais de construção. “Também seguimos com a campanha de desenvolvimento da capacitação profissional”, adiantou Goerck, ao explicar que o desenvolvimento de estatísticas setoriais e a ampliação do programa de qualidade de tintas permanecem na pauta da associação.

    Diferencial qualitativo – O Programa Setorial da Qualidade é apontado por Goerck como outro avanço na relação entre a Abrafati e seus associados: “O programa avançou, hoje o mercado reconhece o fator qualidade como diferencial no ponto-de-venda.” Para ele, essa questão é fundamental e o programa deverá ser estendido para os segmentos das tintas automotivas e industriais, nos moldes criados para as linhas imobiliárias em termos de padrão de qualidade, proteção ambiental, sustentabilidade, capacitação e competitividade. “Não podemos incorrer no erro das empresas americanas com fábrica de brinquedos na China, que agora representam um risco para o consumidor. Nossas matérias-primas têm de ter qualidade internacional”, advertiu Goerck.

    Mais produção e consumo – A cada ano, todos os elos da cadeia produtiva nacional vêm registrando crescimento: em 2006, foi de 2,9% e, para 2007, espera-se algo acima de 6,5%. “Vamos continuar o trabalho para aumentar a produção e o consumo”, adiantou Goerck. Segundo ele, o País está em sétimo lugar no consumo interno de tintas com 6,1 kg/capita, atrás dos Estados Unidos (19,7), Alemanha (16,1), Japão (14,7), África do Sul (8,5), Tailândia (7,3) e Rússia (6,47).

    Nas tintas industriais, a ação interna que mais impactou positivamente o segmento foi o desempenho das tecnologias mais recentes, as tintas em pó e coil coatings. Na visão do diretor da Abrafati, a tendência é de que o aumento da produção industrial acima do PIB, as exportações de manufaturados em alta e o desenvolvimento de projetos em infra-estrutura e energia impulsionem os negócios durante 2008.

     

    Quanto à oferta de pigmentos, a empresa destacou a linha Heliogen, produzida em Guaratinguetá-SP, em várias tonalidades de azul e verde, além de pigmentos orgânicos amarelos preparados em diversas composições químicas para tintas. Por último, ainda foram destaque as preparações de pigmentos orgânicos e inorgânicos contendo agente dispersante não-iônico. Utilizadas em tintas de emulsão, até mesmo acetinadas, tintas de resinas em base água, tintas hidrossolúveis, acabamentos texturizados, tintas para papéis de parede e papéis coloridos, as preparações pigmentárias incluíram mais recentemente um novo produto especialmente para tintas em pó.



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