Tintas e Revestimentos

Abrafati: Avanços em aditivos e pigmentos

Marcelo Fairbanks
11 de março de 2016
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    A ligação da indústria de negro de fumo com a produção automobilística é muito forte. “Nenhum outro setor consome tanto negro de fumo em tantas aplicações diferentes, pois ele é ingrediente de pneus, peças de borracha e de plásticos, mas também está nas tintas aplicadas aos automóveis”, afirmou. Daí a preocupação com o desempenho do setor automotivo na região.

    Blanco comenta que os países da América Latina vivem momentos diferentes. Brasil e Argentina enfrentam sérios problemas políticos, enquanto a Venezuela está em declínio econômico. “Acredito que esses países poderão se recuperar mais cedo ou mais tarde, possivelmente a partir do final de 2016”, afirmou. Em contrapartida, Blanco aponta o bom desempenho econômico do México, que está recebendo pesados investimentos de montadoras de automóveis, a exemplo da BMW.

    Durante a reunião global da Birla, realizada em abril, Blanco reafirmou seu compromisso com a ampliação das vendas e com o reforço da estrutura de assistência técnica para a região, principalmente no Brasil. “A ideia é aproveitar mais os conhecimentos disponíveis nos nossos laboratórios de pesquisas”, disse.

    Em termos de inovação, ele apontou novidade para o setor de plásticos. “Lançamos um negro de fumo que traz vantagens não só para o fabricante de masterbatch, mas também para o transformador”, afirmou. São pigmentos de alta carga, com baixo teor de resíduos, elevado poder tintorial e subtom azulado, fabricados na planta coreana da companhia. “Eles são mais fáceis de processar, resultando em economia de eletricidade e diminuição de perdas em toda a cadeia produtiva”, explicou Douglas Araújo, coordenador de vendas de special blacks para a região.

    Química e Derivados, Abrafati: Avanços em aditivos e pigmentosAditivos minerais – Em pó ou na forma de slurries, ingredientes minerais conseguem aprimorar características das tintas, oferecendo funcionalidades que ainda têm um largo campo para crescer. “Não se fala mais em carga mineral, esse é um conceito antigo que não valoriza o desempenho proporcionado por ingredientes convenientemente tratados e combinados”, ressaltou Edson Teixeira, gerente de marketing para a América do Sul para plásticos, tintas e revestimentos da Sibelco.

    De origem belga – fundada em 1872 –, a companhia ingressou no mercado brasileiro com a compra da Unimin, cuja marca por ser mais conhecida foi mantida aqui e na América do Sul até há quatro anos, quando foi concluído o processo de aquisição. A Sibelco possui duas unidades próprias para a fabricação de slurries minerais no Brasil, em Salto-SP e Mogi das Cruzes-SP, além de uma fábrica de carbonato de cálcio precipitado em Minas Gerais. “Essa fábrica dispõe de três processos diferentes de secagem, que resultam em produtos diversos, da marca HiWhite, esse é um diferencial da companhia”, explicou.

    Atualmente, a empresa investe R$ 150 milhões na construção de uma terceira linha de produção de slurries, dessa vez em Jarinu-SP. “Um slurry é uma formulação de vários aditivos minerais – nacionais ou importados – e outros ingredientes, todos eles dispersos em água”, disse Teixeira. A combinação dos aditivos gera os benefícios desejados pelos clientes, entre eles a redução de consumo de 10% a 15% do dióxido de titânio em algumas tintas. “Cada mineral tem suas características cristalográficas ou advindas do processamento, como granulometria, difração de luz, as misturas deles geram sinergias importantes”.

    O problema com os slurries está no custo da operação logística, desde as minas até os clientes, passando pela unidade de formulação. Segundo o gerente de marketing, os ganhos compensam os custos. “Atualmente, temos como suprir até os pequenos usuários, antes isso era uma vantagem dos grandes fabricantes que tinham tanques para guardar o material”, comentou Emerson Delegá, gerente de vendas da companhia.

    Os slurries são adequados para tintas de base água, geralmente da linha decorativa imobiliária. Tintas de base solvente usam minerais em pó. “Alguns minerais são particularmente interessantes para usos industriais, conferindo maior resistência ao risco e ao intemperismo para vernizes de madeira ou automotivos”, comentou Teixeira.

    A demanda do setor de tintas representa cerca de 40% do faturamento da Sibelco no Brasil. “Temos produtos que funcionam bem em todos sistemas de tintas e vernizes, oferecendo funcionalidades competitivas para cada um deles”, completou Delegá.



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