Tintas e Revestimentos

Abrafati: Avanços em aditivos e pigmentos

Marcelo Fairbanks
11 de março de 2016
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    O mercado de tintas no Brasil apresenta redução sensível neste ano, como atesta Pereira Leite. Em tempos bicudos, alguns fabricantes de tintas diminuem a dosagem dos biocidas ou os substituem por ingredientes mais baratos. “São iniciativas arriscadas e que demandam tempo; como os biocidas são aplicados em dosagem muito pequena na formulação, entendemos que não vale a pena correr o risco de ter um lote contaminado em troca de tão pouca economia”, criticou.

    Do ponto de vista da Ipel, a variação cambial deste ano contribuiu para concorrer melhor contra concorrentes que importam seus aditivos. “No fim das contas, isso ajudou pouco, porque os clientes vendem em reais e a maioria dos insumos que usa é dolarizada, ou seja, o custo total final subiu”, avaliou. Com isso, a venda de tintas caiu, impactando a companhia que aufere no setor uma grande parte de seu faturamento. Outros segmentos clientes da Ipel, como domissanitários e cosméticos, estão em melhor situação econômica, registrando até crescimento de vendas.

    Por ser altamente verticalizada, a Ipel aproveitou a desvalorização do real para aumentar sua participação internacional, especialmente na clorometil e metilisotiazolinona (CMIT/MIT). “Estamos vendendo nossos produtos até na Ásia, somos muito competitivos”, informou. A exportação de biocidas representa 20% do faturamento da empresa sediada em Jarinu-SP, contando com clientes na Europa, Ásia, América do Sul e Central, México e África. “Temos fábrica na China para fazer CMIT/MIT, fungicidas e algicidas”, comentou Pereira Leite.

    Química e Derivados, Abrafati: Avanços em aditivos e pigmentosMelhorar é preciso – O padrão de qualidade das tintas brasileiras ainda é baixo, em comparação com produtos de outros países, até mesmo vizinhos. “Na Europa, que tem um clima mais frio, é comum colocar até 2% de fungicida/algicida nas formulações, enquanto aqui a faixa de incorporação desses aditivos fica entre 0,15% e 0,3%”, criticou Ridnei Brena, diretor geral da Thor do Brasil. “Os brasileiros se preocupam com proteção na lata, mas dão pouca atenção ao filme seco, mesmo nas linhas premium.”

    Como resultado, embora tenha disponibilidade para oferecer a linha AMI de biocidas encapsulados, muito usada na Europa, ele ainda não conseguiu viabilizar as vendas por aqui.

    Durante a feira, Brena conversou com muitos clientes, que reportaram reduções de nnegócios da ordem de 20%, número coerente com o desempenho das vendas de biocidas. “Apesar disso, senti um alto grau de otimismo da parte deles, com certeza o país vai sair dessa fase”, afirmou. Um dos itens destacados pelos interlocutores é o interesse por inovações, tema de uma palestra da Thor no congresso internacional, apontando o desempenho e a sustentabilidade de uma nova mistura de moléculas biocidas.

    No Brasil, a Thor tem atuado com ênfase na orientação dos clientes para manter suas linhas de produção sanitizadas, além de acompanhar a utilização dos seus ingredientes. “Verificamos que os slurries e os concentrados de pigmentos carregam muitas contaminações para as fábricas dos clientes, exigindo avaliação prévia e cuidados”, apontou. Um erro comum no setor está na aplicação do bactericida no início do processo de produção das tintas. “Quando o biocida é colocado no começo da linha, ele será consumido total ou parcialmente durante o processo, e não chegará à lata na concentração adequada para proteger a tinta”, explicou.

    Brena conta com um extenso portfólio de biocidas para suprir as demandas locais. “Combinando adequadamente os ativos, podemos formular produtos sob medida para cada cliente, para isso temos o suporte do nosso laboratório, em Barueri-SP”, afirmou. Com o crescimento da produção de tintas na região Nordeste, o diretor já percebe a necessidade de instalar por lá um laboratório semelhante. A companhia oferece também cursos e treinamento de pessoal, além de oferecer serviços complementares de sanitização e monitoramento e linhas de produção.

    “Infelizmente, a pressão regulatória é muito baixa no Brasil”, lamentou Brena. Ele salientou que algumas companhias internacionais seguem as determinações restritivas de suas matrizes, de forma voluntária. “Por exemplo, o carbendazim é proibido na Europa há anos, mas ainda é usado no Brasil por falta de regulamentação”, disse.



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