Avanços em Aditivos e Pigmentos

Química e Derivados, Bonifacio: desinformação ainda prejudica aplicações de epóxi
Bonifacio: desinformação ainda prejudica aplicações de epóxi

A Huntsman aproveitou a ocasião para divulgar o recente início da fabricação nacional de poliamidas reativas ácidas, antes importadas da Alemanha. “Com o câmbio atual e as condições de mercado, verificamos a viabilidade de produzir essas poliamidas em Taboão da Serra-SP para suprir os clientes locais e também exportar”, explicou Wellington Bonifacio, diretor de materiais avançados para a América do Sul. Essas poliamidas atuam como agentes de cura em sistemas epóxi.

Do total de vendas da Huntsman no Brasil, entre 50% e 60% resulta de produtos feitos no país, segundo o diretor. Com atuação fortemente ligada aos epóxis, a companhia se abastece de insumos locais, como o bisfenol-A, mas também importa ingredientes de outras unidades da companhia ou de terceiros. A companhia produz a linha Jeffamines de aminas especiais, usadas em aplicações como pisos de epóxi e também em revestimentos de poliuretano e poliureia.

A linha de epóxi permite atender a segmentos de mercado diversos, sendo o mais conhecido o de adesivos, com a marca Araldite, com versões para uso industrial e doméstico. “Temos aplicações importantes em óleo e gás, seja na fabricação de acessórios, seja nos isolamentos”, comentou. Um grande cliente está na geração eólica, com grande consumo da resina na fabricação das pás dos aerogeradores. Também o isolamento de transformadores consome grande quantidade de epóxi, que tende a aumentar com o crescimento da fabricação dos transformadores a seco (sem óleo).

Além desses usos, a resina epóxi também tem largo emprego na formulação de tintas. “O epóxi é um material nobre, de alta resistência química e grande durabilidade, mas sofre por ser pouco conhecido tecnicamente pelos formuladores e pintores”, afirmou Bonifacio. Para melhorar a difusão da tecnologia, a Huntsman montou há dois anos um laboratório de aplicações para tintas em Taboão da Serra – a instalação anterior ficava em Santo Amaro, mas era pequena para as necessidades do mercado. “Melhoramos nosso atendimento aos clientes com isso.”

O diretor apontou desenvolvimentos na área, entre eles um epóxi monocomponente que está sendo estudado para entrar na linha de adesivos. Nas tintas, o controle do tempo de cura foi largamente melhorado. “Cada cliente tem uma necessidade, uns querem curar mais rápido, outros preferem ter mis tempo para aplicar o material, isso pode ser controlado na formulação”, explicou. Da mesma forma, a resistência ao ataque de radiação ultravioleta, considerada um problema para o material, pode ser aprimorada mediante o uso de aditivos.

O diretor avaliou 2015 como um ano difícil para o setor de tintas, situação que aparentemente se repetirá em 2016. “Perdemos um pouco de faturamento, mas não de market share”, finalizou.

Química e Derivados, Pereira Leite: biocida inovador gera efeito antiácaro em tintas
Pereira Leite: biocida inovador gera efeito antiácaro em tintas

Biocidas avançam – A brasileira Ipel apresentou no congresso internacional sua mais recente criação: a Linha 7000, que oferece proteção contra ácaros, conhecidos causadores de alergias e problemas respiratórios. “Trata-se de um aditivo biocida multifuncional, com efeito antibacteriano, antifúngico, algicida e também antiácaros, uma inovação nossa”, comentou Luiz Wilson Pereira Leite, diretor de marketing e novos negócios da companhia.

Embora ressalte que o mercado nacional, por força das circunstâncias, está retraído, buscando reduzir custos, ele acredita que a Linha 7000 terá boa acolhida por parte dos formuladores interessados em contar com um produto especial. “Com ele, pode-se criar uma tinta para quartos de crianças, ou para clínicas de alergia e dermatologia, por exemplo, garantindo redução de 90% da população de ácaros”, afirmou.

Pereira Leite explicou tratar-se de uma combinação complexa de ingredientes ativos orgânicos, mantida a sete chaves pela Ipel. Ele assegura que o aditivo é insolúvel em água, ficando retido na película seca na qual produz seus efeitos durante dois anos (com garantia). Como não existe um método internacionalmente aceito para avaliar o efeito antiácaro, foi preciso desenvolver um, proeza realizada com apoio das Faculdades de Farmácia e Odontologia da Universidade de São Paulo.

A Linha 7000 é compatível com os sistemas de proteção in can convencionais e pode ser formulada para uso em sistemas de base água (derivados de zinco associados a ésteres halogenados) ou solvente (isotiazolinonas). “São versões diferentes do mesmo produto, com o mesmo desempenho”, comentou. A Ipel já atuava desde 2013 com a Linha 6000, com ação repelente a insetos rastejantes e voadores (focos nas baratas e nos pernilongos), mas que não protegia contra ácaros. “A linha 6000 vende muito bem na América Central e está começando a abrir mercado aqui no Brasil”, comentou o diretor, que ainda não alimenta expectativas para a 7000.

O mercado de tintas no Brasil apresenta redução sensível neste ano, como atesta Pereira Leite. Em tempos bicudos, alguns fabricantes de tintas diminuem a dosagem dos biocidas ou os substituem por ingredientes mais baratos.

“São iniciativas arriscadas e que demandam tempo; como os biocidas são aplicados em dosagem muito pequena na formulação, entendemos que não vale a pena correr o risco de ter um lote contaminado em troca de tão pouca economia”, criticou.

Do ponto de vista da Ipel, a variação cambial deste ano contribuiu para concorrer melhor contra concorrentes que importam seus aditivos. “No fim das contas, isso ajudou pouco, porque os clientes vendem em reais e a maioria dos insumos que usa é dolarizada, ou seja, o custo total final subiu”, avaliou. Com isso, a venda de tintas caiu, impactando a companhia que aufere no setor uma grande parte de seu faturamento. Outros segmentos clientes da Ipel, como domissanitários e cosméticos, estão em melhor situação econômica, registrando até crescimento de vendas.

Por ser altamente verticalizada, a Ipel aproveitou a desvalorização do real para aumentar sua participação internacional, especialmente na clorometil e metilisotiazolinona (CMIT/MIT). “Estamos vendendo nossos produtos até na Ásia, somos muito competitivos”, informou. A exportação de biocidas representa 20% do faturamento da empresa sediada em Jarinu-SP, contando com clientes na Europa, Ásia, América do Sul e Central, México e África. “Temos fábrica na China para fazer CMIT/MIT, fungicidas e algicidas”, comentou Pereira Leite.

Química e Derivados, Abrafati: Avanços em aditivos e pigmentosMelhorar é preciso: O padrão de qualidade das tintas brasileiras ainda é baixo, em comparação com produtos de outros países, até mesmo vizinhos.

“Na Europa, que tem um clima mais frio, é comum colocar até 2% de fungicida/algicida nas formulações, enquanto aqui a faixa de incorporação desses aditivos fica entre 0,15% e 0,3%”, criticou Ridnei Brena, diretor geral da Thor do Brasil. “Os brasileiros se preocupam com proteção na lata, mas dão pouca atenção ao filme seco, mesmo nas linhas premium.”

Como resultado, embora tenha disponibilidade para oferecer a linha AMI de biocidas encapsulados, muito usada na Europa, ele ainda não conseguiu viabilizar as vendas por aqui.

Durante a feira, Brena conversou com muitos clientes, que reportaram reduções de nnegócios da ordem de 20%, número coerente com o desempenho das vendas de biocidas. “Apesar disso, senti um alto grau de otimismo da parte deles, com certeza o país vai sair dessa fase”, afirmou. Um dos itens destacados pelos interlocutores é o interesse por inovações, tema de uma palestra da Thor no congresso internacional, apontando o desempenho e a sustentabilidade de uma nova mistura de moléculas biocidas.

No Brasil, a Thor tem atuado com ênfase na orientação dos clientes para manter suas linhas de produção sanitizadas, além de acompanhar a utilização dos seus ingredientes. “Verificamos que os slurries e os concentrados de pigmentos carregam muitas contaminações para as fábricas dos clientes, exigindo avaliação prévia e cuidados”, apontou. Um erro comum no setor está na aplicação do bactericida no início do processo de produção das tintas. “Quando o biocida é colocado no começo da linha, ele será consumido total ou parcialmente durante o processo, e não chegará à lata na concentração adequada para proteger a tinta”, explicou.

Brena conta com um extenso portfólio de biocidas para suprir as demandas locais. “Combinando adequadamente os ativos, podemos formular produtos sob medida para cada cliente, para isso temos o suporte do nosso laboratório, em Barueri-SP”, afirmou. Com o crescimento da produção de tintas na região Nordeste, o diretor já percebe a necessidade de instalar por lá um laboratório semelhante. A companhia oferece também cursos e treinamento de pessoal, além de oferecer serviços complementares de sanitização e monitoramento e linhas de produção.

“Infelizmente, a pressão regulatória é muito baixa no Brasil”, lamentou Brena. Ele salientou que algumas companhias internacionais seguem as determinações restritivas de suas matrizes, de forma voluntária. “Por exemplo, o carbendazim é proibido na Europa há anos, mas ainda é usado no Brasil por falta de regulamentação”, disse.

Química e Derivados, Abreu alcançou crescimento de 60% nas vendas, apesar da crise
Abreu alcançou crescimento de 60% nas vendas, apesar da crise

Cores e aditivos

A Colormix iniciou há quatro anos um trabalho de reorganização de portfólio, com objetivo de se fixar como fonte de pigmentos e aditivos de alta qualidade.

Há pouco mais de dois anos, a distribuidora conquistou a exclusividade dos negócios com os sofisticados pigmentos de efeito da Ekcart (BYK). Em 2015, foi a vez de assumir a distribuição da linha de aditivos da mesma fornecedora mundial, que estavam sendo comercializados pela Bandeirante Brazmo.

É preciso explicar a situação empresarial. A Bandeirante Brazmo pertence ao grupo Formitex, controlado por Alípio Gusmão dos Santos. Ele também é o acionista majoritário da Colormix, mas tem como minoritário Carlos Fernando de Abreu, diretor de novos negócios do grupo. “Como a composição de capital é distinta, a Colormix não integra o grupo Formitex, é uma empresa independente dele”, explicou Abreu.

Além da BYK, que é seu carro-chefe de vendas, a Colormix adicionou novos nomes à sua paleta de cores. “Nosso objetivo é atuar de forma consistente em especialidades químicas nas áreas de pigmentos, aditivos poliméricos e aditivos reológicos minerais, com focos em tintas e plásticos”, salientou Abreu.

Dessa forma, a distribuidora atraiu recentemente para seu portfólio a linha de orgânicos da Pidilite (Índia) e da Jeco (China), além de outras marcas que já representava, como Synthesia (República Tcheca). Nos inorgânicos, contava com a Lanxess (óxidos de ferro) e passou a receber os produtos da Ferro (atual proprietária da Nubiola), em ampla gama de cores e tipos.

“A inclusão de novos produtos e a atuação comercial firme nos permitiram aumentar em 60% nosso faturamento e vendas físicas neste ano, apesar da crise econômica nacional”, comentou Abreu. Desse faturamento 40% é obtido no setor de plásticos e há uma participação de vendas para o setor de produtos de beleza, mas a divisão de tintas, tintas de impressão e materiais de construção é a maior.

A expectativa de Abreu para 2016 é de encontrar um ambiente de negócios tão difícil quanto o de 2015, fortemente afetado pela variação cambial, que elevou o preço dos importados. “Maio foi o pior mês para as vendas, depois dele as coisas começaram a melhorar”, comentou. Nesse clima, a tendência dos clientes é de reduzir custos, optando por ingredientes de menor preço. “As commodities sofrem mais, porque é mais fácil trocar por outra marca, mas nos aditivos e pigmentos essa troca é muito mais difícil, sem comprometer a qualidade final”, salientou. Ele recomenda manter um cardápio de alternativas competitivas e focar mais nos itens sem produção local.

Comemorando o primeiro ano com alinha completa da BYK, Abreu apontou sete novos produtos lançados pela parceira nesta Abrafati. As novidades incluem dispersantes, umectantes, antiespumantes, ceras, aditivos reológicos e de superfície. “Todos eles são sustentáveis, tem baixo VOC ou são isentos disso, e tem custos menores em relação aos sucedâneos, com excelente desempenho”, afirmou.

Química e Derivados, Veloso: NXT Xirallic emite brilho apenas na cor dominante
Veloso: NXT Xirallic emite brilho apenas na cor dominante

Efeitos positivos: A Merck aproveitou a feira para apresentar a linha NXT Xirallic de pigmentos de efeito (metálicos), em três conceitos.

O Pantera Silver traz tons de preto, cinza, prata e branco, enquanto o Leonis Gold ressalta tons de dourado, terrosos, verdes e azuis. Por sua vez, o Tigris Blue ressalta os azuis. “A linha NXT altera a saturação de cor de efeito, emitindo brilho apenas na cor dominante, mais limpa que em outras séries”, explicou Francisco Veloso, gerente de marketing de materiais decorativos e coordenador de materiais de performance para o Brasil.

A linha NXT é composta por óxidos de alumínio sintéticos em um processo que gera os cristais que passarão por um tratamento posterior e específico de superfície. Com isso, conseguem apresentar os efeitos desejados.

Os pigmentos de efeito da Merck têm dois mercados principais: a produção de cosméticos, cujo consumo ainda permanece crescendo no Brasil, e as aplicações industriais, das quais a principal está no setor automobilístico. “Nós sofremos com eles a retração de vendas deste ano”, apontou Veloso.

Essa queda foi mais sentida em alguns modelos econômicos que ainda usavam pinturas metálicas, hoje pouco demandadas nessa categoria. “Os modelos de topo de linha e os intermediários não sofreram tanto, porque a pintura metálica pesa menos no custo final do carro e, em alguns caos, é item de série”, explicou.

Há três anos, a Merck decidiu concentrar suas ações nos produtos de alto valor, como os efeitos especiais e perolizados. “Os modelos mais novos no mercado de carros, como o HR-V e o Renegade, demandam tecnologia superior e isso mudará a mentalidade setorial”, prevê.

As inovações em pigmentos permitem à companhia preservar seu core business e ampliar seus interesses. “Com isso, tivemos uma redução de vendas, porém muito menor que os 27% da produção automotiva nacional”, ressaltou.

Teve grande destaque no estande da Merck um Ford Mustang clássico, dos anos 1960, pintado de vermelho com pigmento Xirallic Radiant Red, com brilho intenso em pontos minúsculos.

Química e Derivados, Bonaldi: GBU de pigmentos vai se tornar empresa independente
Bonaldi: GBU de pigmentos vai se tornar empresa independente

Paleta completa – Com linha ampla de resinas, pigmentos e dispersões, a Basf levou muitas novidades para a Abrafati 2015.

Agora com produção de ácido acrílico e acrilato de butila em Camaçari-BA, a companhia pode garantir o suprimento ao mercado local, mas enfrenta um período de preços baixos em âmbito global. “O dólar ficou mais caro no Brasil e isso poderia nos favorecer, porém a demanda mundial está fraca e os preços, especialmente na Ásia, seguem baixos, pressionando bastante nossa posição”, afirmou Anderson Bonaldi, diretor de negócios em coatings da divisão de dispersões e pigmentos da Basf na América do Sul.

No mercado brasileiro, a demanda também segue em baixa, porém ele recomenda olhar com atenção cada segmento de mercado, pois há variações importantes entre eles. “Em 2014, as vendas foram ruins, mas o setor de embalagens aproveitou a Copa do Mundo para crescer e isso puxou a venda de tintas e vernizes para latas de bebidas, por exemplo”, disse. Neste ano, no setor de coatings, as linhas para embalagens seguem em melhor situação que as demais, seguidas pelo setor cosmético.

A indústria de tintas avança por duas tendências distintas, a primeira com foco no preço e a outra de olho na qualidade e nas inovações, buscando diferenciação. “Nós atuamos nessas duas vertentes”, afirmou.

“Temos a BS 701, dispersão acrílica em água para formulação de esmalte sintético com alto desempenho, sem amarelar, indicada para tintas para madeira e telhado”, salientou Paulo Rafael Penteriche, gerente de vendas de coatings, da mesma divisão. Essa dispersão tem a característica de não apresentar pega (aderência), aspecto muito desejado quando se pintam portas, janelas e seus respectivos batentes.

Para as tintas decorativas imobiliárias, a companhia apresentou pigmentos com efeito perolizado (linha Glacier) e toque suave (Firemist). A linha Lumina se destaca por apresentar elevada saturação cromática, obtida pela distribuição mais estreita das suas partículas. As tintas industriais ganharam uma opção de pigmento isento de chumbo, o Irgazin Scarlet L 3553 HD.

Bonaldi ressalta que a companhia adquiriu vários fabricantes internacionais de pigmentos e suas tecnologias, a exemplo da Ciba, Engelhard, Cognis, Johnson Polymer. “Esse negócio cresceu tanto, que a companhia decidiu criar uma unidade global de negócios só para ele, que deverá ser separado como empresa independente, um processo que já está em andamento”, explicou.

Nos ligantes, destaque para o Acronal ECO, indicado para tintas decorativas, com um apelo mais amigável aos usuários.

“A partir de problemas relatados pelos clientes, desenvolvemos dois novos antiespumantes, mais eficazes, capazes de estourar as microbolhas e evitar o aparecimento de um defeito conhecido como olho de peixe”, comentou Penteriche. É o caso do Foamstab 2410, que começou a ser produzido no site de Jacareí-SP. O aditivo é feito com base em óleo mineral especial, patenteado pela Basf.

Bonaldi comentou que a companhia mudou em 2012 o foco de abordagem no mercado de tintas industriais, buscando maior aproximação com mercado, obtendo interação mais efetiva. “Desde então, um único profissional atende cada cliente em todas as suas necessidades, contando com o apoio de uma equipe de especialistas”, disse.

Química e Derivados, Blanco: consumo automotivo é fundamental para negro de fumo
Blanco: consumo automotivo é fundamental para negro de fumo

Nova estrutura regional: A Birla Carbon, empresa do grupo indiano Aditya Birla, reorganizou suas atividades globais em quatro regiões:

América do Norte, América Latina, Europa/Oriente Médio e Próximo/África, e Ásia (Extremo Oriente). “Com isso, o México passou a integrar o grupo dos países latino-americanos, ficando a região da América do Norte apenas com Canadá e Estados Unidos”, explicou Robert M. Blanco, diretor de vendas de special blacks para a América Latina. A mudança foi atribuída à maior proximidade cultural entre os países latinos, que facilitará o intercâmbio de produtos e experiências.

A Birla possui três fábricas de negro de fumo na América do Norte (duas nos EUA e uma no Canadá), além de duas unidades na América Latina, ambas no Brasil (Cubatão-SP e Camaçari-BA). “Os tipos descritos nas normas ASTM, usados em pneus e artefatos de borracha, são supridos pela produção interna de cada região, por serem negociados em grandes volumes”, comentou Blanco. “Por sua vez, os negros de fumo especiais são comercializados em pequenas quantidades, sendo produzidos em poucas fábricas altamente especializadas ao redor do mundo, equipadas para realizar tratamentos específicos.”

A ligação da indústria de negro de fumo com a produção automobilística é muito forte. “Nenhum outro setor consome tanto negro de fumo em tantas aplicações diferentes, pois ele é ingrediente de pneus, peças de borracha e de plásticos, mas também está nas tintas aplicadas aos automóveis”, afirmou. Daí a preocupação com o desempenho do setor automotivo na região.

Blanco comenta que os países da América Latina vivem momentos diferentes. Brasil e Argentina enfrentam sérios problemas políticos, enquanto a Venezuela está em declínio econômico. “Acredito que esses países poderão se recuperar mais cedo ou mais tarde, possivelmente a partir do final de 2016”, afirmou. Em contrapartida, Blanco aponta o bom desempenho econômico do México, que está recebendo pesados investimentos de montadoras de automóveis, a exemplo da BMW.

Durante a reunião global da Birla, realizada em abril, Blanco reafirmou seu compromisso com a ampliação das vendas e com o reforço da estrutura de assistência técnica para a região, principalmente no Brasil. “A ideia é aproveitar mais os conhecimentos disponíveis nos nossos laboratórios de pesquisas”, disse.

Em termos de inovação, ele apontou novidade para o setor de plásticos. “Lançamos um negro de fumo que traz vantagens não só para o fabricante de masterbatch, mas também para o transformador”, afirmou. São pigmentos de alta carga, com baixo teor de resíduos, elevado poder tintorial e subtom azulado, fabricados na planta coreana da companhia. “Eles são mais fáceis de processar, resultando em economia de eletricidade e diminuição de perdas em toda a cadeia produtiva”, explicou Douglas Araújo, coordenador de vendas de special blacks para a região.

Química e Derivados, Abrafati: Avanços em aditivos e pigmentosAditivos minerais: Em pó ou na forma de slurries, ingredientes minerais conseguem aprimorar características das tintas, oferecendo funcionalidades que ainda têm um largo campo para crescer.

“Não se fala mais em carga mineral, esse é um conceito antigo que não valoriza o desempenho proporcionado por ingredientes convenientemente tratados e combinados”, ressaltou Edson Teixeira, gerente de marketing para a América do Sul para plásticos, tintas e revestimentos da Sibelco.

De origem belga – fundada em 1872 –, a companhia ingressou no mercado brasileiro com a compra da Unimin, cuja marca por ser mais conhecida foi mantida aqui e na América do Sul até há quatro anos, quando foi concluído o processo de aquisição. A Sibelco possui duas unidades próprias para a fabricação de slurries minerais no Brasil, em Salto-SP e Mogi das Cruzes-SP, além de uma fábrica de carbonato de cálcio precipitado em Minas Gerais. “Essa fábrica dispõe de três processos diferentes de secagem, que resultam em produtos diversos, da marca HiWhite, esse é um diferencial da companhia”, explicou.

Atualmente, a empresa investe R$ 150 milhões na construção de uma terceira linha de produção de slurries, dessa vez em Jarinu-SP. “Um slurry é uma formulação de vários aditivos minerais – nacionais ou importados – e outros ingredientes, todos eles dispersos em água”, disse Teixeira. A combinação dos aditivos gera os benefícios desejados pelos clientes, entre eles a redução de consumo de 10% a 15% do dióxido de titânio em algumas tintas. “Cada mineral tem suas características cristalográficas ou advindas do processamento, como granulometria, difração de luz, as misturas deles geram sinergias importantes”.

O problema com os slurries está no custo da operação logística, desde as minas até os clientes, passando pela unidade de formulação. Segundo o gerente de marketing, os ganhos compensam os custos. “Atualmente, temos como suprir até os pequenos usuários, antes isso era uma vantagem dos grandes fabricantes que tinham tanques para guardar o material”, comentou Emerson Delegá, gerente de vendas da companhia.

Os slurries são adequados para tintas de base água, geralmente da linha decorativa imobiliária. Tintas de base solvente usam minerais em pó. “Alguns minerais são particularmente interessantes para usos industriais, conferindo maior resistência ao risco e ao intemperismo para vernizes de madeira ou automotivos”, comentou Teixeira.

A demanda do setor de tintas representa cerca de 40% do faturamento da Sibelco no Brasil. “Temos produtos que funcionam bem em todos sistemas de tintas e vernizes, oferecendo funcionalidades competitivas para cada um deles”, completou Delegá.

Resinas e aditivos: Criada em 2001, a Wana Química percorreu uma trajetória notável, na qual montou sua fábrica de Jacareí-SP (em 2009) e passou a contar com filial no Nordeste (a Petrowan, em Eusébio-CE). É reconhecida pelas resinas acrílicas puras e estirenadas que fornece para o setor de tintas, da linha Wancril.

A Wancril IMP-09 é indicada para impermeabilizantes, enquanto a 1019 foi desenvolvida para cobrir pisos de quadras esportivas. Por sua vez, a RD-051 é destinada às aplicações de demarcação viária, e a ES-01 serve para produzir esmaltes base água com alto brilho. Mais recente é a Wancril WF, acrílica premium fosca. “Essa resina é naturalmente opaca, leitosa, e isso reduz a quantidade de dióxido de titânio a ser empregada como opacificante”, explicou Rita Censi, técnica de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

A linha conta com um extensor de TiO2, o Wfiller SW 6800 (fosco), composto por mistura de minerais ultramicronizados.

Nos espessantes, a empresa oferece o Wanol 187, derivado acrílico capaz de eliminar respingos e proporcionar melhor espalhamento da tinta com rolo.

Como novidades, a Wana apresentou o WSupra, uma bentonita queternária que impede a absorção de água em massas, com resultado superior ao da CMC, segundo a especialista. O grade RA-7 é indicado para tintas hidrorrepelentes. Também exibiu o WTurbo, linha de aditivos amínicos modificados polimericamente, capazes de melhorar a lavabilidade da película seca.

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