Química

Abrafati – Abrafati 2007 reúne público qualificado e enfatiza temas ligados a ambiente e saúde

Hilton Libos Marcelo Fairbanks e Rose de Moraes
30 de novembro de 2007
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    Mesmo assim, a repintura automotiva representa um faturamento mundial de US$ 6,2 bilhões, segundo os dados do IPPIC. Isso representa 39% das vendas de tintas para usos especiais que, por sua vez, equivale a 18,8% do mercado mundial de tintas e vernizes, de US$ 80 bilhões, em 2006. A maior fatia desse bolo fica com as linhas decorativas imobiliárias, com 45,1% das vendas. As tintas de uso industrial assumem a vice-liderança com 36,1%, tendo o segmento de tintas originais automotivas (OEM) e para plásticos uma participação de 31%, ou US$ 9 bilhões.

    Desenvolvimento ecológico – Em todo o mundo, a indústria de tintas investe para adotar sistemas mais amigáveis ao meio ambiente. Essa mentalidade tem favorecido o desenvolvimento de linhas de base aquosa, tintas curáveis por radiação ultravioleta e tintasem pó. Totalmentesólidas e isentas de solventes, as tintas em pó são consideradas negócios novos e em fase de grande crescimento. A China desponta como líder nesse campo, com um consumo estimado em US$ 1,5 bilhão, seguida pelos EUA, com US$ 840 milhões. Em terceiro lugar aparece a Alemanha, com um consumo de US$ 221 milhões e uso promissorem automóveis. Omercado mundial de tintas em pó chega a 1,8 bilhão de toneladas, com faturamento de US$ 4,5 bilhões e expectativa de desenvolvimento da ordem de 4,5% a 5% ao ano. “Esse percentual já foi de dois dígitos”, lamentou Donnelly.

    Além das pressões ambientais, a tecnologia de tintas caminha na direção de revestimentos funcionais, oferecendo mais conforto aos consumidores. É o caso da incorporação de biocidas nas formulações, para produzir revestimentos antibacterianos e fungicidas. Há casos de produtos capazes de recobrir sozinhos os riscos nas pinturas (self healing), uma característica, derivada da nanotecnologia, desejável principalmente nas linhas automotivas. O executivo também citou as tintas termossensíveis, voltadas para aplicações de segurança.

    Merece destaque, segundo Donnelly, a procura por ingredientes químicos de origem natural e renovável para compor formulações. “Esse é um campo de grande potencial de crescimento”, afirmou, ressaltando a importância de aprimorar os métodos de aplicação das tintas, cada vez mais amigáveis.

    Desafios a enfrentar – A indústria de tintas conseguiu avanços notáveis em qualidade e eficiência, mas não está isenta de novas e rigorosas exigências. A principal delas é trazer novidades ao mercado, sem aumentar custos. “Oferecer qualidade e inovação sem elevar preços é uma tarefa que só será cumprida com o auxílio de toda a cadeia produtiva setorial”, disse Donnelly, atestando que os preços dos produtos finais têm caído consistentemente ao longo dos anos.

    Ao mesmo tempo, ele comentou que a elevação dos custos de matérias-primas e energia pressiona as margens de lucro de forma assustadora. Aos fabricantes de tintas só resta apostar na criatividade dos formuladores e engenheiros para adaptar ingredientes e processos às novas condições.

    Outro desafio consiste na convivência com índices de crescimento díspares entre segmentos de mercado e entre regiões geográficas. Isso requer maior conhecimento das exigências e características de cada mercado para oferecer os produtos mais adequados a cada situação.

    Como se não bastassem esses problemas, as pressões ambientalistas recrudescem, com reflexos nas normas oficiais, exigindo acompanhamento e adaptação. A indústria responde com a redução de uso de metais pesados e de materiais orgânicos voláteis, com o aumento da eficiência nas linhas de produção, reduzindo perdas, e com o melhor gerenciamento e manipulação de materiais potencialmente perigosos. Inovações, como as tintas em pó curáveis por UV, são bem-vindas.

    Fusões e aquisições – Também as constantes fusões e aquisições constituem um desafio para o setor de tintas pela modificação dos padrões de escala e competitividade entre companhias. Recentemente, a holandesa Akzo comprou os negócios de tintas da inglesa ICI, formando o maior conglomerado mundial do setor, com vendas somadas de US$ 12,8 bilhões em 2006 (pro forma). Algumas operações da ICI devem ser desmembradas por constituírem redundância com linhas da compradora. A expectativa do mercado é da absorção dessas linhas pela também gigante Henkel, a segunda maior companhia do ramo, com vendas de US$ 6,3 bilhões no mesmo ano.

    “Creio que os movimentos de fusões e aquisições não terminaram e o quadro final tende a ser formado por menos e maiores companhias”, ponderou Donnelly. É natural que os pequenos fabricantes se dediquem a nichos especializados de mercado ou a regiões geográficas restritas, nas quais tenham alguma vantagem de mercado. Os médios tendem a sofrer mais com a concorrência com os gigantes. “Os médios produtores devem procurar oportunidades para se manter competitivos, talvez promovendo fusões e aquisições entre si e ganhar escala”, comentou.



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