Tintas e Revestimentos

Abrafati 2017: Visitantes terão mais conforto para conhecer as mais recentes inovações

Marcelo Fairbanks
2 de outubro de 2017
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    “As tintas brasileiras evoluíram muito, em parte pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela Abrafati”, afirmou Maria Cristina. “A tinta brasileira tem boa qualidade, mas como a população tem baixo poder aquisitivo talvez não exista mercado para produtos superpremium”, avaliou. Há muitos anos dedicada ao desenvolvimento de novos produtos, ela salienta que a inovação precisa ser adequada à necessidade e ao poder de compra do consumidor para alcançar sucesso. “Existem muitos ingredientes fantásticos que poderiam ser usados no setor, mas são inviáveis economicamente, isso às vezes desanima o formulador.”

    Elaine Poço salienta que a maior parte dos trabalhos está voltada para as tintas decorativas imobiliárias, o maior segmento de mercado em volume e valor de vendas. “Há também vários trabalhos para os demais segmentos, como automotivo, pintura de madeira, revestimentos protetivos e outros”, ressaltou.

    Química e Derivados, Abrafati 2017: Visitantes terão mais conforto para conhecer as mais recentes inovações

    Os segmentos de mercado mais próximos das indústrias geralmente seguem normas e especificações adotadas pelos clientes globais, ficando muito perto do estado da arte internacional. Nas tintas decorativas, são os próprios clientes locais que apontam o rumo dos desenvolvimentos.

    “Culturalmente, os brasileiros preferem tintas que sirvam tanto para interiores quanto para exteriores, isso é diferente das exigências de outros mercados que diferenciam as tintas pelo local de aplicação”, comentou Elaine, salientando que as tintas premium nacionais já enfatizam essa característica.

    Como explicou, quando se formula uma tinta para atuar nos dois ambientes (interno e externo) não é possível aproveitar as melhores opções para cada caso. “O formulador precisa equilibrar o custo/benefício, é complicado fazer isso sem essa diferenciação de produtos”, explicou.

    As tintas para exteriores precisam resistir mais à luz, chuvas e outros fatores ambientais diferentes das encontradas pelas linhas para dentro das casas. “Houvesse essa percepção por parte dos consumidores, a indústria poderia usar tecnologias mais inovadoras”, reforçou. Como informou, a Coral (marca da AkzoNobel) está fazendo esforços para educar o consumidor para que ele entenda e valorize as diferenças entre interior e exterior. “Outros fabricantes também estão atuando nesse sentido.”

    Ela salientou que o congresso da Abrafati sempre contribuiu para o avanço do setor, cuja preocupação com a sustentabilidade é real e legítima. “Um consumidor pinta a sua casa a cada cinco anos, nem se lembra da marca de tinta que usou na última vez, ele não está preocupado com VOC e outros temas, por isso cabe à indústria garantir a segurança do produto e sua eficiência”, salientou.

    Quanto à oferta local de ingredientes químicos, a especialista, formada em química e engenharia química, verifica que pouca coisa mudou. “A indústria de tintas teria mais facilidade para oferecer mais produtos base água para as linhas decorativas, por exemplo, substituindo esmalte sintético, caso contasse com suprimento local de alguns insumos”, afirmou. Isso é importante porque as aplicações residenciais não são feitas em ambiente controlado, como acontece nas instalações industriais.

    Elaine citou o caso dos secantes para esmaltes que usam cobalto e zircônio, ingredientes cada vez mais caros. “Eles são necessários às formulações, mas são caros e não têm fontes renováveis”, comentou. “Seria possível criar novos secantes a partir de outras fontes, seria um avanço muito útil.”

    Cura por UV – Integra a programação do congresso da Abrafati a realização do 5º Seminário da RadTech South America, entidade internacional sem fins lucrativos voltada para a difusão de conhecimentos sobre a tecnologia de cura de revestimentos pela incidência de radiação na faixa do ultravioleta (UV) e por feixe de elétrons (EB).

    Também presidente da seção da RadTech para a América do Sul, Maria Cristina de Carvalho observa que o número de empresas associadas não está crescendo, embora a tecnologia avance a passos largos e tenha conquistado mercados importantes na indústria moveleira e nas artes gráficas, por exemplo.

    “Neste ano, teremos apresentações de trabalhos importantes sobre fotoiniciadores e oligômeros, além de uma grande atenção aos avanços da radiometria”, ressaltou a dirigente da entidade. Como explicou, essa técnica permite medir a radiação incidente sobre o substrato, de modo a garantir a uniformidade do revestimento curado. “Cada aplicador deveria ter seu próprio radiômetro, mas isso não é tão frequente assim”, disse.

    O desenvolvimento de diodos emissores de luz (LED) para substituição das lâmpadas nas linhas de cura por UV é constante, justificado pelo aumento da vida útil dos elementos e pela redução do consumo de eletricidade, fatores que compensam a diferença de preço entre os produtos. Mesmo assim, a penetração dos LEDs no mercado é menor do que a esperada.



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