Abrafati 2017: Visitantes terão mais conforto para conhecer as mais recentes inovações

Química e Derivados, Abrafati 2017: Visitantes terão mais conforto para conhecer as mais recentes inovações

SERVIÇO:

Abrafati 2017 – 3 a 5 de outubro
São Paulo Expo – Exhibition & Convention Center – Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 (Jabaquara)

  • 150 estudos, sendo 90 conferências técnicas, incluindo sessão pôster e seminários RadTech South America e Consumo Responsável de Solventes
  • 3 sessões plenárias
  • 50% dos palestrantes são estrangeiros, para mais de 800 congressistas
  • 180 expositores nacionais e internacionais
  • Mais de 10 mil visitantes esperados, nacionais e estrangeiros
  • Site oficial: www.abrafati2017.com.br
Química e Derivados, Oliveira: consumidor evolui e exige quebrar paradigmas
Oliveira: consumidor evolui e exige quebrar paradigmas

A cadeia de produção e consumo de tintas tem encontro marcado em São Paulo, de 3 a 5 de outubro, no centro de eventos São Paulo Expo. Depois de dois anos, a Abrafati 2017 volta a reunir o setor para apesentar o que há de mais avançado em ciência e tecnologia de tintas. Pela décima-quinta vez, o congresso internacional atrai os olhares mundiais dos pesquisadores e técnicos especializados e a exposição de produtos e serviços ajuda a consolidar a transferência de conhecimento dos fornecedores para os usuários, contribuindo para a evolução do setor.

Desde 1989, quando os associados da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati) realizaram o primeiro congresso internacional do setor no país, esse encontro ganhou corpo e relevância, sempre tendo por objetivo a qualificação da indústria e também de todo o mercado. Ao longo dos anos, os temas foram sendo adaptados à realidade de cada período. Nos encontros mais recentes, aspectos ligados à proteção ambiental e à saúde ocupacional ampliaram sua participação, refletindo as preocupações da sociedade atual. Ao mesmo tempo, permaneceu o interesse setorial por ingredientes que contribuem para melhorar o desempenho das tintas sem sobrecarregar o preço de venda.

O aspecto econômico das formulações ganhou ainda mais força com a crise nacional, iniciada em 2014, período que começa a ser superado. Ainda assim, o bolso e a confiança dos consumidores permanecem vazios, impondo restrições aos negócios.

“Ainda não conseguimos ser muito otimistas, mas já esperamos resultados melhores para 2017”, afirmou Antonio Carlos de Oliveira, presidente-executivo da Abrafati desde abril deste ano. “Projetamos um crescimento de vendas de um ponto percentual acima da variação do PIB, hoje estimada pelo governo em 1%, ou seja, esperamos aumentar em 2% as nossas vendas totais.” Os saques das contas inativas do FGTS e a exportação crescente de automóveis contribuem para melhorar as expectativas.

Química e Derivados, Abrafati 2017: Visitantes terão mais conforto para conhecer as mais recentes inovações

Química e Derivados, Telma: congresso terá espaço adequado para as palestras
Telma: congresso terá espaço adequado para as palestras

Oliveira aponta um rol extenso de oportunidades para o desenvolvimento setorial. Após três anos consecutivos de retração econômica, o Brasil precisa voltar a investir com urgência em infraestrutura e habitação, ambas grandes consumidoras de tintas. “Além disso, não se pode esquecer que há 60 milhões de domicílios no país que precisam ser repintados periodicamente para não sofrerem deterioração acelerada, é um mercado muito importante”, observou.

A Abrafati 2017 ocupará 20 mil m² (pavilhões 3 e 4) do total de 100 mil m² disponíveis do São Paulo Expo, além de seis auditórios situados no mezanino. “Ter um espaço próprio para o congresso é muito melhor para todos os participantes”, comentou Telma Florêncio, diretora de eventos corporativos da Abrafati.

Como relatou, o encontro setorial tem forte receptividade na cadeia produtiva, fato verificável pelo elevado percentual de renovação de reserva de espaço logo após o término de cada edição. “Quase 80% dos expositores participam frequentemente do evento, já sabem qual o espaço que melhor atende às suas expectativas e não registramos nenhuma redução de área ocupada, nem cancelamento de participação”, enfatizou Telma.

Embora tenha mudado de local, a Abrafati 2017 deverá ter o mesmo tamanho do encontro de 2015. “Os visitantes e participantes encontrarão instalações mais confortáveis e mais modernas, permitindo desempenhar melhor seu trabalho”, considerou. Ela verificou que os preços de aluguel de espaços, alimentação e serviços foram inflacionados pela realização da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, mas agora tendem a se acomodar em um patamar mais baixo, próximo da realidade econômica do país.O congresso internacional continua a atrair a comunidade científica, tendo sido recebida grande quantidade de trabalhos pelo comitê organizador. “Foram selecionados 90 trabalhos de alta qualidade e relevância para conferências técnicas, na visão dos especialistas da associação”, salientou Telma. Além disso, outros 60 estudos serão apresentados na sessão pôster, e também durante o Seminário Abrafati-RadTech South America e o Seminário sobre Consumo Responsável de Solventes.

Oliveira comenta que o consumo per capita de tintas no Brasil ainda é baixo, situado em 7,5 litros por habitante/ano. “O brasileiro pinta pouco a sua casa porque isso representa um custo elevado, pela falta de mão-de-obra qualificada e porque a pintura representa um incômodo na vida da família, faz sujeira pela casa”, comentou, com base em pesquisas de mercado. “Precisamos quebrar paradigmas para atender às novas realidades dos consumidores, o congresso contribui muito para isso”, salientou.

Química e Derivados, Maria Cristina: LED-UV ainda é tecnologia nascente no país
Maria Cristina: LED-UV ainda é tecnologia nascente no país

Novidades a conferir – O congresso internacional deste ano promete apresentar muitas novidades que contribuirão para o avanço da indústria local de tintas. “Tivemos uma oferta muito grande de trabalhos que exigiu um esforço enorme para selecionar os mais interessantes e posso adiantar que o nível técnico-científico será elevado”, comentou Maria Cristina Kobal de Carvalho, diretora da Renner Sayerlack e integrante do comitê científico da Abrafati.

Essa também é a percepção de Elaine Poço, diretora de desenvolvimento e sustentabilidade da AkzoNobel e também integrante do comitê que selecionou os trabalhos para o congresso. “Foram selecionados 90 trabalhos para apresentação na forma de palestras, fora os pôsteres, é díficil apontar os melhores”, afirmou.

Além de unir a cadeia produtiva, o congresso permite apresentar de uma só vez tudo o que foi desenvolvido durante os últimos dois anos para o setor. “Ele ajuda a pensar do ponto de vista tecnológico, ver o que há de novo para criar novas e melhores tintas, um trabalho demorado, mas que resulta em benefícios para a sociedade”, ressaltou.

Elaine apontou que alguns trabalhos oferecem soluções para melhorar o desempenho das tintas, reduzindo alguns defeitos. “Por exemplo, buscam mitigar a extração de ingredientes solúveis e também melhorar a proteção anticorrosiva em epóxis base água”, detalhou. Aliás, segundo a especialista, há vários trabalhos voltados para formulações em base água, muitos deles enfocando alternativas para melhorar o resultado da aplicação sobre metais e madeira.

Química e Derivados, Elaine: sustentabilidade é uma preocupação legítima do setor
Elaine: sustentabilidade é uma preocupação legítima do setor

“Ao mesmo tempo, muitos trabalhos abordam a sustentabilidade, mediante aprimoramento do isolamento térmico, qualidade do ar, uso mais intenso de ingrediente de origem renovável, diminuição de VOC, entre outros aspectos”, comentou. Do ponto de vista dos fabricantes, há uma procura pela redução de problemas causados pela presença de solventes orgânicos.

“A ciência contribui para o aumento da sustentabilidade”, complementou Maria Cristina Carvalho, ressaltando a ampla presença de trabalhos oriundos de universidades e institutos de pesquisas, ambos independentes das indústrias. Ela também prevê uma grande presença de profissionais do ramo no congresso, apesar da crise econômica. “A crise tem um lado positivo, pois as empresas precisam buscar inovações para serem mais eficientes, fazer mais com menos, além de atender às novas normas de produção e ao sistema de rotulagem GHS, que afetam toda a cadeia”, comentou.

Como informou, os trabalhos deste ano estão muito voltados para aspectos de sustentabilidade. Chamaram a sua atenção pigmentos capazes de refletir mais a luz solar incidente sobre telhados e paredes, permitindo reduzir o consumo de energia com sistemas de ar condicionado.

Além disso, a diretora também destacou temas ligados ao desempenho das tintas. “Há revestimentos autorreparadores (self healing) que sozinhos encobrem riscos e aranhões, isso já era conhecido em pinturas automotivas, mas agora está sendo aplicado em móveis e paredes, em alguns casos com aplicação localizada de UV”, comentou. Também devem ser percebidas novas resinas e aditivos para conferir funcionalidades adicionais.“As tintas brasileiras evoluíram muito, em parte pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela Abrafati”, afirmou Maria Cristina. “A tinta brasileira tem boa qualidade, mas como a população tem baixo poder aquisitivo talvez não exista mercado para produtos superpremium”, avaliou. Há muitos anos dedicada ao desenvolvimento de novos produtos, ela salienta que a inovação precisa ser adequada à necessidade e ao poder de compra do consumidor para alcançar sucesso. “Existem muitos ingredientes fantásticos que poderiam ser usados no setor, mas são inviáveis economicamente, isso às vezes desanima o formulador.”

Elaine Poço salienta que a maior parte dos trabalhos está voltada para as tintas decorativas imobiliárias, o maior segmento de mercado em volume e valor de vendas. “Há também vários trabalhos para os demais segmentos, como automotivo, pintura de madeira, revestimentos protetivos e outros”, ressaltou.

Química e Derivados, Abrafati 2017: Visitantes terão mais conforto para conhecer as mais recentes inovações

Os segmentos de mercado mais próximos das indústrias geralmente seguem normas e especificações adotadas pelos clientes globais, ficando muito perto do estado da arte internacional. Nas tintas decorativas, são os próprios clientes locais que apontam o rumo dos desenvolvimentos.

“Culturalmente, os brasileiros preferem tintas que sirvam tanto para interiores quanto para exteriores, isso é diferente das exigências de outros mercados que diferenciam as tintas pelo local de aplicação”, comentou Elaine, salientando que as tintas premium nacionais já enfatizam essa característica.

Como explicou, quando se formula uma tinta para atuar nos dois ambientes (interno e externo) não é possível aproveitar as melhores opções para cada caso. “O formulador precisa equilibrar o custo/benefício, é complicado fazer isso sem essa diferenciação de produtos”, explicou.

As tintas para exteriores precisam resistir mais à luz, chuvas e outros fatores ambientais diferentes das encontradas pelas linhas para dentro das casas. “Houvesse essa percepção por parte dos consumidores, a indústria poderia usar tecnologias mais inovadoras”, reforçou. Como informou, a Coral (marca da AkzoNobel) está fazendo esforços para educar o consumidor para que ele entenda e valorize as diferenças entre interior e exterior. “Outros fabricantes também estão atuando nesse sentido.”

Ela salientou que o congresso da Abrafati sempre contribuiu para o avanço do setor, cuja preocupação com a sustentabilidade é real e legítima. “Um consumidor pinta a sua casa a cada cinco anos, nem se lembra da marca de tinta que usou na última vez, ele não está preocupado com VOC e outros temas, por isso cabe à indústria garantir a segurança do produto e sua eficiência”, salientou.

Quanto à oferta local de ingredientes químicos, a especialista, formada em química e engenharia química, verifica que pouca coisa mudou. “A indústria de tintas teria mais facilidade para oferecer mais produtos base água para as linhas decorativas, por exemplo, substituindo esmalte sintético, caso contasse com suprimento local de alguns insumos”, afirmou. Isso é importante porque as aplicações residenciais não são feitas em ambiente controlado, como acontece nas instalações industriais.

Elaine citou o caso dos secantes para esmaltes que usam cobalto e zircônio, ingredientes cada vez mais caros. “Eles são necessários às formulações, mas são caros e não têm fontes renováveis”, comentou. “Seria possível criar novos secantes a partir de outras fontes, seria um avanço muito útil.”

Cura por UV – Integra a programação do congresso da Abrafati a realização do 5º Seminário da RadTech South America, entidade internacional sem fins lucrativos voltada para a difusão de conhecimentos sobre a tecnologia de cura de revestimentos pela incidência de radiação na faixa do ultravioleta (UV) e por feixe de elétrons (EB).

Também presidente da seção da RadTech para a América do Sul, Maria Cristina de Carvalho observa que o número de empresas associadas não está crescendo, embora a tecnologia avance a passos largos e tenha conquistado mercados importantes na indústria moveleira e nas artes gráficas, por exemplo.

“Neste ano, teremos apresentações de trabalhos importantes sobre fotoiniciadores e oligômeros, além de uma grande atenção aos avanços da radiometria”, ressaltou a dirigente da entidade. Como explicou, essa técnica permite medir a radiação incidente sobre o substrato, de modo a garantir a uniformidade do revestimento curado. “Cada aplicador deveria ter seu próprio radiômetro, mas isso não é tão frequente assim”, disse.

O desenvolvimento de diodos emissores de luz (LED) para substituição das lâmpadas nas linhas de cura por UV é constante, justificado pelo aumento da vida útil dos elementos e pela redução do consumo de eletricidade, fatores que compensam a diferença de preço entre os produtos. Mesmo assim, a penetração dos LEDs no mercado é menor do que a esperada.

“Os LEDs emitem luz em comprimentos de onda muito bem definidos, por exemplo, 395 nanômetros, ou 365, 385, até 405 nm, são faixas estreitas que exigem fotoiniciadores compatíveis, igualmente mais caros”, explicou Maria Cristina. Atualmente, é comum colocar um LED em um ponto específico da linha de aplicação em madeira, como afirmou, mas não substituir todas as lâmpadas, que emitem luz em uma faixa mais ampla de comprimentos de onda. “O LED ainda é uma tecnologia nascente e está crescendo no mundo; as reuniões técnicas realizadas nos Estados Unidos e na Europa dedicam sessões inteiras para ele”, informou. Como toda tecnologia nova, ela começa cara, mas seus custos vão baixando ao longo do tempo.

Química e Derivados, Kátia: asiáticos e brasileiros formulam tintas com alto PVC
Kátia: asiáticos e brasileiros formulam tintas com alto PVC

Indústrias participam – A Rhodia, empresa do grupo Solvay, é participante habitual do congresso e da exposição da Abrafati. Neste ano, não será diferente, apesar da retração de mercado verificada há três anos. “2017 também está sendo um ano desafiador, mas já identificamos sinais de melhoria na evolução do PIB, redução de desemprego e da inflação, portanto começou a aparecer uma luz no fim do túnel e os mercados em que atuamos já estão mais otimistas”, considerou Katia Braga, diretora regional de coatings da Solvay Novecare para a América Latina. “A Abrafati 2017 permite o contato direto com clientes de vários lugares do Brasil e de outros países, especialmente os da nossa região.”

Tempos de crise forçam as empresas a reavaliar seus produtos e processos em busca de aumento de competitividade. “É hora para mudanças e nos pretendemos oferecer soluções inovadoras para o setor”, salientou. No congresso, a divisão Coatis apresentará uma palestra, enquanto a Novecare terá outra, esta para tratar dos vários aditivos de alto desempenho disponíveis, que será ministrada por Homer Jamasbi, diretor global de pesquisa e desenvolvimento de coatings da divisão.

Além disso, três experientes profissionais da área técnica dos Estados Unidos e da Ásia estarão presentes na exposição para transferência de tecnologia global. “O mercado asiático é muito parecido com o brasileiro, ambos usam tintas com alto PVC [conteúdo de pigmentos e cargas por volume], característica típica das linhas standard e econômica”, comparou Katia. Para esses tipos de tintas, a Solvay apresentará o Sipomer SR, produzido em Itatiba-SP, um monômero funcional que aumenta a lavabilidade de tintas decorativas com alto PVC. “Esse produto foi desenhado para as condições locais e é muito necessário”, considerou.

Ao lado dele, também será apresentado o dispersante para pigmentos e cargas Rhodoline WA 1801, desenvolvido em paralelo com a unidade da Ásia para uso no mesmo tipo de tintas, com a função de reduzir a pega de sujeira à pintura (dust pick up) e de aumentar a resistência à abrasão. “São produtos totalmente novos que se complementam”, explicou.

A companhia também levará para a feira o Sipomer PAM 600, monômero funcional que aumenta a adesão a substratos difíceis e reforça a resistência à corrosão e amplia a lavabilidade. “Ele é compatível com formulações base água com resinas acrílicas e acrílicas modificadas de tintas e adesivos, sendo aplicado em baixa dosagem, apresentando baixa viscosidade que facilita a aplicação”, salientou. Está disponível o PAM 200, que admite uso em base solvente. Os produtos da linha PAM são importados e já estavam sendo oferecidos no exterior.

Além deles, a Solvay Novecare reforçará a linha Rhodoline 3000/4000 de dispersantes para concentrados de pigmentos as linhas Abex e Rhodapex de surfactantes para polimerização isentos de alquilfenóis.

Por sua vez, a divisão Coatis comunicará ao mercado investimentos de 7,5 milhões de euros (R$ 22,5 milhões) para implantar nova linha de produção dos solventes sustentáveis Augeo. Também destacará o programa de Aromatics Free, que utiliza acetatos de etila, n-butila e n-propila para atender ao mercado de tintas de impressão para embalagem.

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