Tintas e Revestimentos

Abrafati 2015: Sustentabilidade atrai visitantes qualificados para congresso e feira

Marcelo Fairbanks
16 de março de 2016
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    Da mesma forma, a ocorrência de acidentes de grandes proporções, como o incêndio em tanques de combustíveis em Santos-SP e a recente explosão de uma empresa de armazenamento de produtos no terminal portuário de Tianjin, na China, representa uma ameaça para todo o setor químico, em sentido amplo, que inclui a fabricação e tintas e vernizes.

    “Além dos mortos e feridos, essa explosão provocou até a desvalorização da moeda chinesa, colocando em xeque todos os procedimentos daquele país em relação às cargas perigosas, a ponto de indicar a edição de normas mais rígidas no futuro”, apontou Lacerda. E os efeitos vão além: o governo chinês deverá sobretaxar os produtos que contenham solventes hidrocarbonetos em sua composição. Todas essas medidas devem aumentar os custos de produção, logística e armazenamento naquele país, a maior fonte de suprimento mundial de vários insumos. “Esse caso evidencia por que a segurança é um pilar da sustentabilidade”, ressaltou.

    Olhando para a situação brasileira, Lacerda expôs uma avaliação pessimista. “O primeiro trimestre de 2016 deverá ser o pior período da economia brasileira, com desemprego em alta e redução do poder aquisitivo da população, gerando um clima ruim na sociedade”, prevê. Os resultados de 2015 apontam queda de 8% no faturamento geral do setor, com redução nas vendas da linha imobiliária e de pintura automotiva original. A desvalorização do real tem impacto direto no setor, pois cerca de 60% dos insumos que consome são dolarizados. “Há uma clara pressão para o downgrade dos produtos, precisamos evitar isso para impedir o retrocesso do setor, a exemplo da volta das tintas prontas na repintura automotiva”, salientou.

    Olhando para os próximos meses, o quadro setorial ganha tintas ainda mais sombrias. Segundo Lacerda, a reoneração da folha de pagamento terá um impacto anual de US$ 20 milhões no setor. Além disso, termina em 2015 o sistema de cotas para importação de dióxido de titânio com isenção do imposto de importação. “É um insumo fundamental para o setor e essa mudança aumentará os nossos custos em US$ 30 milhões por ano, mesmo valor que incidirá contra o setor pela elevação dos salários e das tarifas de eletricidade em 2016”, alertou. “As indústrias do setor precisam compartilhar ideias, conceitos e soluções para que possamos nos tornar mais competitivos.”

    Dilson Ferreira salientou os esforços já empreendidos pelo setor no Brasil, como a consolidação do sistema de qualidade, eliminação da presença de chumbo nas tintas, e iniciativas para redução do consumo de água e eletricidade. “A chave do crescimento é a inovação”, afirmou, lembrando que o mercado nacional para tintas está estagnado desde 2013, registrando uma queda em 2015. “Precisamos nos organizar mais para que, quando o mercado voltar a crescer, estejamos mais fortes e capazes para aproveitar as oportunidades”, concluiu.



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