Abrafati 2015 – Estreantes bem conhecidas

Química e Derivados, Abrafati 2015 - Estreantes bem conhecidasHá novos nomes no mercado de insumos para tintas, porém alguns deles representam empresas e negócios bem conhecidos, sendo frutos de operações de reorganização de portfólio, desmembramento ou venda de divisões de negócios. Neste ano, tiveram destaque Covestro, Chemours e Olin.

A Covestro é uma companhia nova, formada a partir da divisão MaterialScience da Bayer. A gigante alemã segue como controladora da nova empresa, mas esta já tem ações sendo negociadas na bolsa de valores de Frankfurt desde outubro e tem atuação independente, concentrada em polímeros de alta tecnologia, entre os quais o poliuretano, muito procurado em tintas e vernizes com aplicações industriais.

Na Abrafati, a Covestro apresentou o Desmodur eco N 7300, um isocianato com 70% de seu conteúdo carbônico derivado de biomassa (fonte natural e renovável). Trata-se do diisocianato de pentametileno (PDI), um trímero com os mesmos padrões de desempenho que os derivados do diisocianato de hexametileno (HDI), com grande facilidade de substituição. O PDI é isento de solventes hidrocarbonetos. A companhia informou que já existem polióis de origem natural no mercado, ao contrário dos reticulantes.

A empresa também apresentou o primeiro endurecedor termolatente Desmodur blulogiq 3190. Isso quer dizer que o material pode ser manuseado sem problemas imediatamente após a cura, reduzindo perdas e retrabalhos. O produto também permite secagem mais rápida que os sistemas convencionais, sendo altamente compatível com vários polióis, oferecendo maior pot life, secagem mais rápida, com nivelamento e aspecto de pintura original. E pode ser aplicado facilmente às formulações de PU.

Química e Derivados, Barboza: relação com clientes foi preservada na transição
Barboza: relação com clientes foi preservada na transição

Titânio novo – A Chemours nasceu do desmembramento da divisão de produtos de performance da DuPont, envolvendo várias linhas de produtos, como fluorquímicos, soluções químicas e dióxido de titânio, sendo este o item relevante para a Abrafati 2015. “Esta foi a primeira participação da Chemours em uma feira, em âmbito mundial, uma verdadeira estreia”, comemorou Marco Aurélio Barboza, diretor de negócio de Tecnologias de Titanium Brasil.

O executivo comentou que, a exemplo dele mesmo, toda a equipe de dióxido de titânio que estava trabalhando na DuPont migrou para a Chemours. Isso deu estabilidade de atendimento e suporte durante a troca de identidade corporativa. “Conversamos com os nossos clientes e distribuidores para que a transição fosse transparente, mantendo os contratos anteriormente firmados e garantindo o volume e a qualidade do material”, ressaltou. Apesar disso, ele aponta que a Chemours nasceu com uma estrutura empresarial mais enxuta e eficiente.

A nova configuração, por exemplo, levou ao fechamento da unidade fabril de Edgemoor, Delaware (EUA). “Era a fábrica mais antiga da companhia e produzia tipos específicos de TiO2 para papel, um mercado que despencou nos Estados Unidos e não justificava mais a sua continuidade”, explicou Barboza. Para ele, a fábrica de Altamira (México) – atualmente em fase de aumento significativo de capacidade – poderá suprir essa demanda, ao lado de outras unidades da companhia.

Aliás, o investimento em Altamira é paradigmático, pois desde 1993, quando a DuPont inaugurou a fábrica de Taiwan, nenhum projeto dessa envergadura foi conduzido no mundo. O projeto de Altamira prevê agregar à capacidade atual de 150 mil t/ano de TiO2 uma linha nova, capaz de ofertar ao mercado mais 200 mil t/ano do insumo. O total de 350 mil t/ano chega perto do volume da demanda pelo pigmento em toda a América Latina (400 mil t/ano), mas a unidade também fornecerá o material para a Europa e Estados Unidos. “A linha antiga de Altamira produz tipos para a fabricação de laminados e de tintas; a nova unidade também oferecerá grades para plásticos”, ressaltou.

A maior vantagem da nova instalação reside no fato de aproveitar todos os desenvolvimentos tecnológicos gerados nos últimos anos. Com isso, será a mais moderna instalação produtora de dióxido de titânio do planeta, com baixo consumo de energia e ampla flexibilidade para acabamentos.

A Chemours aproveitou a ocasião para lançar o TS 6300, um tipo rutilo específico para tintas base água, embora também aceite participar de formulações base solvente, gerando películas foscas com alto teor de pigmento e grande poder de cobertura.

“O TS 6300 conta com um tratamento superficial especial, capaz de manter espalhados e convenientemente afastados entre si os grânulos de TiO2, com o objetivo de criar uma superfície que espalhe a luz em múltiplas direções, eliminando o brilho”, explicou Barboza.
Os slurries preparados para suprimento aos produtores de tintas devem, porém, evitar concentrações acima de 60% de sólidos (geralmente têm 75%), para prevenir a quebra dos grânulos e a atenuação do efeito pretendido.

Barboza avaliou o mercado brasileiro de dióxido de titânio como sendo muito concorrido. Além da presença de vários fornecedores mundiais, com amplo espectro de qualidade, ele aponta o uso abusivo de extensores que reduzem a aplicação do opacificante e pigmento branco. “Em outros países, essa substituição do titânio não é tão grande”, comentou.

A iminente retirada do benefício de redução de alíquota do imposto de importação de 12% para 2% deverá impactar a cadeia produtiva das tintas, embora ele entenda que essa conduta, na forma como era desenvolvida, resultava em vantagem muito pequena para os usuários. “Para que eles tivessem acesso aos 10% de diferença, era preciso pagar adiantado pela importação, carregando estoques elevados que ficavam sujeitos à tributação”, comentou. “Calculando bem, a vantagem líquida era de 5%, no máximo.”

Pensando em uma forma de reduzir custos na cadeia de tintas de modo eficiente, Barboza sugere aumentar um pouco a alíquota do imposto de importação para todos e, em contrapartida, extinguir as cotas. “Fica mais fácil até para o governo, que se livra da fiscalização dessas cotas”, disse.

Novo nome no epóxi – A Olin comprou os negócios de soda/cloro, epóxi (bisfenol-A e epicloridrina) e solventes clorados da Dow Chemical em negociação completada em 5 de outubro último, pouco dias antes da feira. A Dow manteve, porém, as atividades de Aratu-BA, onde usa o cloro para produzir óxido de propeno e polióis. Cerca de 40% do site de Freeport, Texas (EUA), passou ao controle da Olin, que compartilhará as utilidades de processo (vapor, energia, tubovias e outros) com a vendedora, mediante contrato.

A notícia é recente e a feira pegou as empresas em fase de transição. “Estávamos operando sob o nome de projeto Blue Cube, agora precisamos acertar a denominação social para Olin, realocar nossas equipes que ainda permanecem nos escritórios da Dow no Brasil, mas também contratar pessoal técnico e comercial para criar uma estrutura mais forte nesse mercado”, explicou Thiago Faria, da área de serviço técnico e desenvolvimento da Olin Epoxy. Os negócios da companhia na América Latina foram colocados sob o comando de Luís Pimentel (ex-Dow).

Como explicou Faria, a área de P&D no país deverá ser alocada no Guarujá-SP, onde está a fábrica local de resinas (os endurecedores são importados). “Estamos atendendo muito a área de produção de pás eólicas, mas queremos avançar em coatings, pisos, isolamentos elétricos e outros, temos um portfólio amplo para tanto, mas precisamos planejar esse crescimento”, comentou.

Ao longo dos anos, a Dow já havia manifestado várias vezes o desejo de vender os negócios de epóxi, porém sem encontrar comprador. Sem o status de core business, a área tinha pouco prestígio nos investimentos da companhia. Por sua vez, a Olin havia concentrado seus interesses em soda cáustica, produto no qual possui liderança mundial. A companhia já teve atuação no Brasil, mas deixou o país há vários anos, retornado agora com essa transação.

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