Abrafati 2013: Pigmentos geram mais efeitos e enfrentam concorrência feroz

Química e Derivados, Friedrich: demanda por pigmento metálico escuro surpreendeu
Friedrich: demanda por pigmento metálico escuro surpreendeu

A área de pigmentos foi uma das mais concorridas da Abrafati 2013, com grande número de empresas ofertando sofisticadas inovações ou alternativas (contratipos) mais econômicas para insumos tradicionais. Nas palestras, mereceu destaque a apresentação de Ricardo Tadeu Abrahão, da DuPont, que propôs um modelo matemático preditivo para avaliar a energia a ser aplicada para dispersar um pigmento, tomando por base a tensão superficial do líquido e a rugosidade das partículas sólidas. Entre os pôsteres, a mesma companhia apresentou um trabalho de Carlos Manuel P. Fernandez Ramirez e Michael P. Diebold, que desenvolveram um método para determinar a melhor concentração econômica de dióxido de titânio em um filme de tinta. Ambas as palestras apontam caminhos para o melhor aproveitamento do insumo, um dos itens mais relevantes no custo de produção do setor.

Nos pigmentos de efeito, a disputa ficou mais forte entre os fornecedores. A Eckart, do grupo Altana, mostrou seus produtos no estande próprio e também no da Colormix, sua distribuidora local (exceto para as linhas de impressão, com a Clariant). A mais recente inovação, em escala mundial, é o Metalure Liquid Black, pigmento PVD obtido pela sublimação do cromo trivalente (atóxico), que confere um efeito metálico escuro à superfície pintada, com alto espelhamento e elevada resistência química. “Esse pigmento foi criado pensando na indústria automotiva, mas estamos encontrando forte demanda também em peças sofisticadas para decoração de interiores”, comentou Cláudio Friedrich, gerente de vendas de coatings e plásticos da Eckart. Ele informou que a novidade ainda está sendo produzida em escala piloto.

O Metalure Liquid Black pode ser aplicado no base coat em sistemas base água ou solvente, e também em tintas curáveis por UV/EB. “Recomendamos usar em sistemas de baixos sólidos e em uma única demão, para formar uma camada fina, de 2 a 5 micrômetros, e garantir a melhor distribuição do pigmento na superfície pintada, extraindo o máximo efeito”, comentou. Bons resultados foram alcançados com tintas PU e poliésteres, mas os efeitos ficaram mais pronunciados com nitrocelulose.

Química e Derivados, Maul: novidades combinam efeitos fortes com dispersão mais fácil
Maul: novidades combinam efeitos fortes com dispersão mais fácil

Por ser um pigmento de alta resistência, a aplicação de um verniz de acabamento pode ser dispensada, dependendo da aplicação. “Nesse caso, é recomendado que o solvente do verniz não dissolva a resina do base coat, fato que reorientaria o pigmento aplicado, prejudicando o efeito”, explicou Robert Maul, líder global de marketing e apoio técnico de pigmentos de efeito da Eckart. Segundo informou, esse pigmento (assim como as demais novidades da companhia) dispensa a etapa de pré-dispersão, que é requerida nos pigmentos de alumínio tradicionais.

Atenta aos desejos dos designers do setor industrial e automotivo, a empresa se preocupou em desenvolver novas opções de efeitos metálicos, perolados e pretos e brancos especiais. Com isso, a linha Luxan cresceu, oferecendo novas formas de cintilações em preto e branco. “Os pigmentos Luxan contêm de 0,3% a 1,5% de flocos de vidro borosilicato, que refletem a luz incidente de forma concentrada, produzindo efeito cintilante intenso”, comentou. Os brancos e pretos cintilantes estão tendo boa aceitação para a confecção de embalagens de plástico ou de metal, em especial no setor de cosméticos.

A Eckart também trouxe novos pigmentos de alumínio, feitos pelo processo de deposição de vapor (PVD), os tipos Metalure A 61006 BG (seis micrômetros) e A 61010 BG (dez micrômetros), capazes de gerar alto grau de espelhamento em pinturas automotivas, também aplicáveis em tablets e aparelhos eletroeletrônicos diversos. Maul também ressaltou a chegada de novos pigmentos magneticamente orientáveis Ferricon, agora aplicados na indústria de couro sintético, produzindo efeitos diferenciados.

“Sempre há demanda por novidades, nós precisamos estar sempre evoluindo para oferecer novos efeitos, brilhos especiais, mais resistência química e mais facilidade de aplicação, que resulta em economia de energia e tempo, sem precisar recorrer a aditivos”, considerou Maul.

Química e Derivados, Veloso: linha Meoxal oferece croma intenso com brilho
Veloso: linha Meoxal oferece croma intenso com brilho

A Merck, outra gigante dos pigmentos de efeito, levou para o encontro do setor os novos produtos da linha Meoxal, lançados há apenas dois meses em âmbito global, o Wahiba Orange, Taklamakan Glod e Atacama Red. “Escolhemos nomes de desertos porque esses pigmentos possuem brilho intenso em vários tons, premiando o trabalho de desenvolvimento iniciado há dez anos”, explicou Francisco Veloso, gerente de marketing para materiais decorativos e de performance da Merck no Brasil.

A companhia atua há cinquenta anos com pigmentos perolizados, iniciando seus trabalhos com micas utilizadas como substrato e recobrindo-as com óxidos metálicos. “Com o tempo, passamos a usar núcleos sintéticos, que permitem reprodução perfeita das cores e facilidade para produzir efeitos”, salientou. A nova linha Meoxal usa, pela primeira vez, um núcleo de alumínio (tipo silver dollar), coberto por uma camada de passivação sobre a qual se aplicam óxidos metálicos. Nessa configuração, é possível usar os pigmentos em base água ou solvente, sem problemas. “Esses pigmentos podem ser misturados com os outros tipos da Merck para ampliar o leque de cores, sem perder os efeitos”, informou o gerente de marketing.

Esses pigmentos são fornecidos umectados com carbitol, facilitando a etapa de dispersão, que deve ser feita com velocidade baixa e com o equipamento adequado, para evitar a quebra do material. A recomendação da companhia é de usar 1,5% de pigmento em tintas automotivas e 10% em masterbatches (de qualquer resina).

Veloso aponta o bom desempenho técnico dos novos produtos, como poder de cobertura e facilidade de uso, como um atrativo para o mercado de tintas e de plásticos. “A linha Meoxal tem preços de 20% a 25% mais baixos que a linha premium Xirallic, esta com pontos de brilho mais intensos, porém a Meoxal proporciona mais cromaticidade e tem um efeito pronunciado”, salientou. No estande da Merck podia ser visto um utilitário para trilhas pintado com tintas formuladas com Meoxal, sendo que o snorkel (tubo alongado de aspiração do motor) recebeu o Xirallic, a fim de ressaltar a diferença de brilho e cromaticidade.

Química e Derivados, Peres: novidades em pigmentos e nos sistemas tintométricos
Peres: novidades em pigmentos e nos sistemas tintométricos

Fácil dispersão – A Clariant aproveitou a ocasião para apresentar a linha de pigmentos de fácil dispersão (easy disperse, ED), com variações para sistemas base água (identificados pela letra W) e base solvente (S). “Esses pigmentos recebem um tratamento superficial para dispersar melhor. Os EDWs são indicados para tintas decorativas e os EDS para as aplicações industriais e de repintura automotiva”, explicou Luís Carlos Peres, gerente de vendas para a América Latina da área de coatings. A linha ED é toda importada.

Segundo informou, esses pigmentos podem ser dispersos perfeitamente em apenas 20 minutos em um “dissolver”, dispensando a moagem, contra quase uma hora de trabalho despendido com produtos convencionais. A Clariant continua produzindo em Suzano-SP seu amplo portfólio de pigmentos para base água e base solvente, nas linhas Colanyl (base água), Hostatint (base água e solvente) e Solutint E (base solvente). Alguns itens são também importados, como o Hostatint A100 para tintas industriais de qualquer sistema.

A companhia lançou também a linha de colorantes Mixtinter, com doze colorantes que podem ser combinados a três bases diferentes, gerando seiscentas cores finais. A ideia é fornecer uma alternativa de qualidade e econômica ao mercado. “Esses colorantes não são contratipos de outros fabricantes, mas podem ser usados em máquinas de outros fornecedores, desde que adequadamente configuradas”, explicou Peres.

A Clariant adquiriu, em 2011, a italiana Italtinto, fabricante com mais de 40 anos de experiência em sistemas tintométricos. Com isso, pode oferecer sistemas completos, dos colorantes aos equipamentos de dosagem, misturadores e softwares de gerenciamento de operação, ajuste de cor e visualização. Há configurações para suprir desde as pequenas lojas e oficinas até grandes magazines de construção. “Atendemos fabricantes de tintas que queiram usar essa tecnologia para racionalizar sua produção e estoques nos pontos de venda”, comentou Peres.

Química e Derivados, Heise: acordo recente garante acesso aos efeitos de alumínio
Heise: acordo recente garante acesso aos efeitos de alumínio

Fontes externas – A Forscher Colours & Effects, fundada em 2004, está se consolidando entre as maiores importadoras independentes de pigmentos do Brasil. “Comecei prestando serviços para a Basf, empresa na qual atuei por muitos anos, e passei a importar pigmentos em 2008, sempre buscando alternativas de alto desempenho para os clientes”, comentou Harry Heise, fundador e diretor da empresa.

O maior negócio da Forscher está ligado aos produtos da Heubach, com orgânicos, inorgânicos e anticorrosivos de alta qualidade, sem metais pesados e alquilfenóis etoxilados. Além deles, Heise foi buscar na China fontes qualificadas, como a Cinic (pigmento DPP red 254) e a Union Colours (amarelos e vermelhos clássicos). Nesta Abrafati, ele apresentou sua nova distribuída: ZQ Metallic, produtora chinesa de pigmentos de alumínio de alta qualidade, operando sob norma ISO 9001, com linha de produtos para tintas em pó, automotivas e industriais, para sistemas solvente e base água, até para gerar efeitos.

“Neste ano, também fechei acordos com fornecedores de aditivos e resinas especiais para base água; já temos muita coisa em pigmentos e precisamos ampliar nossa atuação”, comentou Heise. Em 2014, por exemplo, ele pretende entrar nos pigmentos simples e perolados, bem como sílicas especiais, para cosméticos, contando com fornecedores com aprovação FDA.

“Direcionamos o foco para os clientes grandes de tintas e plásticos, atuando com vendas diretas e indent”, explicou. A Forscher, por enquanto, não promove misturas ou formulações. Os desenvolvimentos para clientes são realizados pelas parceiras, como a Heubach.

O britânico Tony Gill, diretor de vendas da Union Colours, fabricante de pigmentos na China e na África do Sul (mediante parceria com a Rolfes Pigments), participou da feira para conhecer melhor os clientes locais. “Os brasileiros ainda veem a China como fornecedora de produtos de baixa qualidade, imagem que não corresponde à realidade atual”, afirmou.

A Union Colours é a divisão internacional da Longyu Pigments & Chemicals, com sede em Changzou, maior fabricante de pigmentos orgânicos da China. Segundo Gill, há dez anos existiam naquele país 130 produtores de pigmentos. Hoje, são apenas vinte. “As leis ambientais chinesas estão cada vez mais rígidas e, caso elas não sejam cumpridas, o governo fecha as fábricas transgressoras inapelavelmente”, comentou. E isso também se verifica ao longo da cadeia produtiva. “Eles mudaram muito em dez anos.” Um dos mercados de atuação está na substituição de pigmentos inorgânicos “sujos” por ingredientes orgânicos aceitos internacionalmente, principalmente amarelos e vermelhos, usados em tintas decorativas imobiliárias.

Os preços baixos dos produtos chineses contribuem para associá-los a itens de baixa qualidade, embora esse item esteja sendo muito melhorado, alcançando desempenho superior com a aplicação de conhecimentos químicos, além de customizar soluções para clientes. “Percebe-se que os preços na China estão subindo, os salários estão mais caros, a eletricidade também e até a água está mais escassa e cara, porém a qualidade melhorou, isso acaba compensando o custo”, avaliou, ressaltando que os preços praticados pela Union Colours não são os mais baixos da China, mas seus produtos são bem vendidos, até mesmo no Brasil. “Todo mundo está vindo para a América do Sul, pois os Estados Unidos e a Europa ainda estão deprimidos”, afirmou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.